Spectro

1 Capítulo 1


O deserto estava escaldante e as miragens vinham a tona a cada cinco minutos. Sua boca estava seca, não sentia mais as suas pernas, estava com uma capa cobrindo o corpo inteiro e com alguns panos cobrindo o seu rosto. Ao longe, avistou uma casa com um pequeno cercado com uma cabra. “Se tem animais ali, é porque tem pessoas e água”, pensou.

Ele começou a correr em direção a casa, já não sentia nada, sede, fome, dor apenas corria para a última fonte de vida daquele maldito, quente e morto inferno cheio de areia.

Quando botou a mão na maçaneta da porta avistou ao longe uma tempestade de areia, tentou abrir a porta, mas estava trancada. O medo veio a flor da pele, começou a bater na porta e gritar por ajuda. Deu um pequeno espaço e pulou com o ombro na porta, um barulho alto e oco soou pelo deserto, a porta não abriu e antes que pode dar mais uma investida, ouve uma voz feminina e doce vindo do outro lado da porta.

- Espere! Por favor, não destrua a porta.

- Tem uma tempestade vindo, eu só quero abrigo até ela passar.

- Eu não sei... O meu irmão disse que eu não deveria abrir a porta para ninguém.

- O seu irmão está?

- Não... Ele saiu

“Saiu, como assim saiu? Deve ter ido para Jazira e visto a tempestade se aproximando de lá.”

- Eu prometo que não lhe farei nada de mal, eu estou implorando por abrigo.

Ele ouve barulhos de trancas sendo abertas. A porta se abre e sem pensar duas vezes ele pula para dentro da pequena casa. Ela era feita de madeira, tinha apenas uma porta e no teto uma janela lacrada.

Normalmente as casa que eram feitas em regiões de deserto tinham as janelas no teto para evitar as tempestades rasteiras e a entrada de vermes do deserto. Ela possuía apenas uma mesa no centro com quatro cadeiras um balcão alguns armários, uma cortina de couro separava o resto da casa de um pequeno penico.

A garota estava olhando ele do outro canto da casa com um punhal em mãos, ela aparentava ter 16 anos, mas mesmo assim ele tinha a impressão de estar conversando com uma criança.

- Ei, muita calma com isso ai, eu não vou te machucar.

- Como eu posso ter certeza?

Ele vai até a mesa, tira sua capa cheia de areia e a bota no encosto de uma cadeira, deixando a mostra diversas armas em suportes de couro em lugares diferentes do torço que faziam um colete de tiras de couro, ele tira três adagas, cinco facas, um sabre, uma besta montável de ferro, um gancho com uma corda já amarrada, e por ultimo suas luvas de couro que possuíam um revestimento de ferro em toda parte superior, ele se afasta da mesa com as braços erguidos.

- Agora é sua vez.

A garota se aproxima da mesa e larga o punhal junto com as outras armas, ele estende a mão e diz com um sorriso no rosto.

- Muito prazer, me chamo Hector Mallen. — A garota retribui o sorriso

- Lorelai, ao seu dispor. – A garota senta em uma cadeira e tira o sorriso do rosto para substituir por uma expressão séria – Você viu o meu irmão enquanto vinha para cá ?

- Desculpe, mas eu não vi ninguém até agora

- Ah... Entendo, então como que você veio parar aqui ?

- Eu gosto de me autodenominar de peregrino, e como já diz o meu nome, estou peregrinando.

- Para onde?

- Para Horich, sabe onde fica?

- Sim atravessando o deserto.

- Agora já sabe o motivo da minha passagem por aqui, e por falar nisso onde o seu irmão foi?

- Jazira.

A tempestade demorou a passar, e os dois ficaram o tarde inteira sentados conversando para tentar se conhecerem um pouco mais, a noite caiu e a fome recaiu sobre os dois, Hector tinha apenas um pão que já estava velho, e Lorelai tinha um cantil com água os dois fizeram uma pequena refeição com pão e água. Lorelai bocejou anunciando que iria ir dormir, ela entregou uma almofada para Hector e falou com um sorriso na cara.

- Você tem que dormir lá fora, quando meu irmão chegar daqui a pouco ele não vai querer ninguém na cama dele.

- E aonde eu vou dormir?

- Lá fora com a fofinha

- Fofinha?

- É... A nossa cabra.

Hector pega sua capa na cadeira, abre a porta e sente um vento frio bater em seu rosto, mais uma noite fria no deserto, pelo menos ainda estava vivo e a tempestade tinha cessado, ele entra no pequeno cercado e se abriga em uma pequena cocheira que havia ali.

Hector acorda com Lorelai gritando e derrubando o pouco que restou dos moveis da casa, ele se levanta e saca um punhal que escondia em sua bota direita, quando aparece na porta de casa se depara com um verme do deserto.

O verme tinha 5 cinco metros, a boca arredondada com cem dentes e não possuía olhos, o verme estava sangrando e definhando em cima das armas de Hector, até que deu um salto em direção de Lorelai que tropeça e cai em cima de Hector. A casa começou a ranger e se despedaçar, até que ele sente a corda do seu gancho passar pelo seu lado.

Hector agarra Lorelai e logo após a corda, em questão de segundos eles são arrastados para fora de casa pelo verme que ficou preso no gancho de Hector, eles são levados deserto adentro pelo verme até verem a pequena casa de madeira desabar, eles se seguram firmemente até baterem em uma pedra, eles rolam alguns metros e ficam cobertos de areia.

- O seu irmão ainda está lá, temos que correr para salvá-lo.

- Não... Ele ainda não chegou. — Lorelai não conseguiu conter as lágrimas que corriam pelo seu rosto e limpavam a areia por onde passavam — Ele não chegou, e também não vai mais chegar, ele sempre me disse que quando ele não voltasse até os primeiros raios de sol, eu deveria seguir para Jazira e encontrar o nosso tio

- Porque vocês não moravam lá ao invés de quase morrerem aqui?

- Porque o nosso tio nunca quis que meu pai se casasse, alguém da família teria que seguir a carreira politica de meu avô, como meu pai se casou primeiro, resolveu morar aqui com a sua esposa e seus futuros filhos, para evitar o desentendimento que ocorreu durante toda vida de meu pai.

- E se me permite o palpite, o seu tio não vai ficar muito feliz em te ver.

- Exatamente.

- Vamos para Jazira. Eu tenho uma amiga que esta me devendo uma favor e eu acho que essa e a situação perfeita para ela quitar a nossa divida, mas eu sinto lhe dizer que nos vamos ter que vender a fofinha.

— Primeiro meu irmão, agora a fofinha, eu não tenho mais nada, não tenho mais casa. Nada

- Vamos, quero ver se eu consigo encontrar o que sobrou das minhas armas.

- Insensível!

Hector conseguiu apenas encontrar o seu sabre, uma adaga, a sua besta, e as suas luvas. Lorelai amarrou fofinha em uma corda e partiram, os três caminharam o dia inteiro até chegar aos portões de Jazira, a cidade de areia.

Hector puxa uma pequena argola em uma portinhola que estava em um dos grandes portões. Antigamente os grandes portões sempre estavam abertos para a passagem de carroças com mercadorias, mas hoje em dia, as únicas pessoas que passam por Jazira são pequenos comerciantes que trazem as suas coisas em cavalos, e viajantes que pretendem chegar a Horish, ouviram barulhos de engrenagens e a pequena portinha se abriu, eles entraram e novamente as engrenagens se mexeram, logo após isso e porta se fechou.

A cidade era feita de areia, as casas e as muralhas, logo após a muralha avia a rua principal, que era cheia de tendas de diversos produtos, as casas tinhas as janelas e portas no mesmo formato, a base reta e enquanto ela se alongava ela fazia um arco. As lendas locais diziam que a cidade era feita de areia e do sangue dos que se viravam contra o deserto. Hector segurou os ombros de Lorelai e guiou ela para uma pequena tenda, ele olhou para o homem que estava esperando por clientes

- Mostre as capas para ela, e deixe-a levar o que mais for de seu agrado, daqui a pouco eu volto com as moedas.

O vendedor aponta para uma prateleira com várias capas de todas as cores e tamanhos. Lorelai se aproxima da peça e começa a analisar, sente o tecido, confere a qualidade da costura, até que escolhe uma capa roxa, bem feita que mal as mostrava, ela a veste, a base quase arrastava no chão, mas isso não seria empecilho nenhum.

Ela se dirige a um mostruário com varias pulseiras, colares, e brincos de materiais diversos, ouro, prata, bronze, alguns até com pedras legítimas de diamante. A jovem garota nunca teve a chance de ter algum acessório do tipo, pois sua família não teve muitos bens, porém ela se encanta com um simples colar de prata em meio ao ouro, as esmeraldas, e os diamantes. A corrente era fina, e o pingente era pequeno com o desenho de um trevo de quatro folhas dourado de um lado, e do outro uma estrela de seis pontas.

- Esse é o amuleto de Morela, dizem que ele traz sorte para o seu portador, e ele também é muito valioso, é feito de prata persa e ouro babilônico, eu o ganhei de um príncipe em uma aposta, e vai custar apenas dez kans.

- Caro, compro por cinco.

- Sete.

- Cinco.

- Ok, ok, dez kans tudo.

- Foi ótimo fazer negócios com o senhor

“Agora me resta esperar Hector aparecer com as moedas”.

Hector passava pelas pessoas se desviando com os ombros, era meio dia em uma cidade no meio do deserto, a fome e a sede eram quase mortais, estava apenas com meio pão e um copo de água no estômago. Ele abriu a porta de uma estalagem e logo foi se anunciando para a única pessoa que estava lá, uma mulher com um avental debruçada no balcão.

- Senhorita, é sempre um prazer revê-la.

- Ora, ora... Quem é vivo sempre aparece.

- Eu gostaria muito de matar a saudade e beber um pouco com a mulher mais bela da cidade, mas eu preciso lhe pedir um favor.

- E que favor seria?

- Preciso que você fique com uma garota por um pequeno tempo, e claro que ela vai trabalhar para você, e também eu lhe pago o de sempre.

- Faz muito tempo que você não trabalha não é?

- Parece que se passaram 100 anos.

- Traga a garota, você tem uma semana para trazer o meu dinheiro.

- Ótimo, e se possível, eu queria que você preparasse um pouco de javali.

- Como o senhor desejar.

Hector saiu da estalagem, mas voltou correndo com uma cabra em mãos

- Eu quase esqueci, essa é a fofinha, ela é quase da família, pertence a garota, boa sorte.

Lorelai avistou Hector e se levantou, esperou ele chegar, e fez uma reverência segurando as duas pontas da capa. Hector olha para a garota e ela faz um número dez com as mãos, Hector joga um pequeno saquinho para o comerciante, segura a mão de Lorelai e começa a caminhar em direção a estalagem, era de madeira, dois andares, com janelas grandes, ela se localizava em uma parte mais tranquila da cidade. Eles chegam à estalagem e se deparam com uma mesa de dois lugares posta com um grande pedaço de javali e duas canecas de madeira.

- Vamos comer, eu ainda não sei como você se aguenta em pé, e vamos aproveitar a nosso desjejum e vamos conversar um pouco, afinal nos conhecemos na noite anterior e eu acredito que ainda vamos passar um bom tempo juntos

Eles se sentam a mesa, começam a comer, e a discutir sobre os planos de Hector.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.