Special Day

1 O Amor Não é Lindo?


Notas iniciais
Ambos não me pertencem *chora rios*
BUT, um dia ainda os usarei como ursinhos de pelúcia para dormir e enfeitar minha cama.

Juka abriu a porta do apartamento de Kaya. Delicadamente, entrou na sala fazendo um sinal para que o amável cão do outro não o denunciasse. Está certo que estava praticamente invadindo o lar do amigo, afinal o sol ainda não iluminava o céu, mas como tinha a chave para casos de emergência...


Entrou no quarto e viu Kaya entregue ao sono. Parecia um anjo caído. A pele branca envolvida pelos cobertores pesados para manter aquele corpo frágil protegido do frio. A expressão no rosto de paz. Era uma cena que Juka adorava admirar, pois era como uma obra de arte: Perfeita.


Sentou na cama e se debruçou de leve sobre o amigo. Droga, eram apenas bons e velhos amigos. Ambos compartilhavam tudo, até seus segredos mais íntimos... Quer dizer, nem todos. Juka estava perdidamente apaixonado por ele há muito tempo, mas nunca tinha lhe falado algo. Sempre teve vergonha e medo de contar a ele o sentimento que guardava a sete chaves dentro do coração.


O único que sabia disso era Jasmine. Aquele moço vistoso soube desde que Kaya tinha ficado com um amigo e o mais velho fervia de ciúmes. O moreno sempre dizia para o vocalista expressar seu sentimento, mas como era muito teimoso, nunca disse nada. Quando Jasmine partiu, prometeu que iria contar. Agora que um novo ano tinha começado, encontrou a desculpa perfeita para se declarar.


Começou a fazer um leve afago nos cabelos ruivos do outro, observando que um leve sorriso era esboçado pelo menor. Os olhos castanhos se abriram, revelando um leve brilho.


-Se continuar a fazer esse carinho tão bom, vou seqüestrar você. –Falou Kaya. –Daí vai fazer carinho em mim o dia todo.


-Como você é malvado Kaya. –Falou Juka sorrindo e depositando um beijo na bochecha do outro.


-Você que é muito inocente Hiro. –Kaya falou enquanto se deitava de frente para o maior. Sempre o chamou assim, antes mesmo de Juka ter entrado no Moix. –Peraí... O que você faz no meu apartamento a essa hora?


-Queria... Passar um dia especial com você.


-Dia especial? Hoje tem liquidação na Justin Davis?


-Muito engraçado. –Juka esboçou um sorriso. –Não. Eu estou de folga, você também... Pensei que pudéssemos passar o dia juntos como antigamente.


-Antes de você virar o “SHAURA!” e eu o Kaya...?


-Sim! Quando nós saíamos na rua vestidos de colegial e fingíamos que éramos namorados...


-Oh... Sim, eu lembro...


Kaya o olhou com um brilho nos olhos. Um grande sorriso se abriu no rosto do mais novo enquanto o mais novo tirava as cobertas de cima de si e se espreguiçava. Ele usava uma camiseta branca e uma calça de pijama com estampas de rosas, que escondiam as curvas do corpo dele.


-Vamos sair e aproveitar esse dia! –Falou Kaya ficando de pé e dançando graciosamente em círculos. –Vamos para onde meu príncipe?


-Pu-ri-ku-ra. –Pronunciou Juka recebendo um grito de satisfação de Kaya. –Mas saiba: Bote as fotos no blog e te mato.


-Eu sei que você me ama Hiro. –Falou Kaya se debruçando e selando os lábios de Juka. –Vou tomar banho!


O ruivo saiu saltitante em direção ao banheiro enquanto Juka pensava no beijo. Apesar de ter sido tão rápido, foi tão doce. Começou a se perder nos pensamentos quando escutou uma voz ao fundo.


-HIROOOOOOO! –Gritava Kaya do banheiro.


-Já estou indo! –Falou Juka entrando no cômodo e vendo o outro por trás do vidro, completamente nu. –Sim?


-Busca uma toalha pra mim? –Pediu o outro manhoso.


-Claro. –Respondeu o mais alto saindo do banheiro.


Depois de alcançar a toalha, Juka foi para a cozinha e começou a preparar café para o amigo. Depois de 20 minutos, Kaya chegou de roupão e com um sorriso no rosto se debruçou no balcão, assistindo o outro preparar uma omelete. Sempre adorou a omelete de Juka e mais ainda vê-lo a preparar. Achava muito sexy homens cozinhando de costas e esse era o seu chef favorito.


-Pronto para uma explosão de sabor? –Perguntou Juka botando a omelete num prato na frente do outro.


-Não sabia que seu ingrediente secreto era pólvora. –Falou Kaya saindo de trás do balcão e servindo café.


Após terminarem a refeição, Kaya se vestiu com uma calça skinny, coturno até a canela e um casaco enorme. Saíram no Porsche preto do mais velho em direção a Shibuya. Passaram horas no purikura, deixando uma fila enorme na máquina, mas nem ligando, apenas tirando fotos. Resolveram almoçar em um restaurante perto dali, comendo uma variedade enorme de sushi com o detalhe para o aviãozinho que faziam, pois só comeram o que o outro lhe entregava na boca.


Passearam pelo parque com sakuras, brincando de pique e esconde no meio das árvores e depois sentando juntos ao pé de uma para admirar o céu. Passearam por algumas lojas, entraram, experimentaram casacos, vestidos, coturnos, óculos, mas não levaram nada. Pararam em uma padaria e compraram um bolo de morangos que comeram olhando a rua e comentando as pessoas que passavam. Sorriam, se entregavam a gargalhadas e seguravam as mãos em um gesto de carinho. Aquela tarde passou rápida e inesquecível.


Quando voltavam, Juka fez um desvio e parou o carro perto de uma praia, em um lugar escondido da estrada. Estava tudo deserto. Kaya o olhou e perguntou:


-Isso não parece o meu apartamento. –Falou calmo, mas arregalando os olhos quando viu o outro desligando o carro. –O que você pensa?


-Lembra que prometemos sempre contar os nossos segredos mais íntimos? –Disse Juka suspirando fundo. –Tenho algo para te contar.


Kaya se ajeitou melhor no banco para ficar de lado e ver diretamente os olhos do amigo. Sorriu um pouco ao vê-lo corar, uma coisa quase rara entre os dois. Observou a noite chegando, o frio se aproximando e um vontade louca de estar nos braços dele que tirava a sanidade do mais novo. Amava-o com todo o seu coração. Queria dizer, mas sentia-se tão travado... Talvez com esse cenário, sua timidez sumiria e beijaria os lábios de Juka com todo o sentimento que tinha.


-Kaya?! –Chamou Juka vendo o outro sorrir sem graça.


-Gomen ne Hiro, eu tava pensando... –Ele botou a mão atrás da cabeça e coçou os cabelos macios.


-Eu queria te contar algo... É sobre nós dois. Eu... –O mais velho viu um lindo sorriso no rosto do outro. –Eu amo você. –Ele olhou para o volante do carro. Engoliu um seco e continuou. –Não posso mais esperar Kaya. Não consigo mais me conter. Amo você de verdade, sempre te amei! Por isso preciso dizer que... Não posso mais te ver.


-O que?


-Eu não quero me iludir, quero que você seja feliz com quem quiser.


-Mas...


-Eu precisava desabafar. Que péssimo jeito de acabar uma amizade de tantos anos.


-E quem disse que vai acabar a amizade?


Juka o olhou com uma expressão de não entender.


-Você nem me deixou falar nada! Sabe que eu não gosto de ficar quieto quando me contam alguma coisa, eu tenho que meter o meu bedelho em tudo que escuto! Eu tenho certeza que você me conhece e sabe quando como eu fico com raiva ao ver alguém falando comigo e não deixando espaço para a minha opinião!


-Eu sei!


-Então! Você me deixa espaço pra dizer o que eu sinto sobre isso!


-Estou deixando agora!


-Então agora que eu tenho um momento...


-DIZ LOGO!


-EU TE AMO HIRO! –Gritou Kaya.


Os dois se olharam. Piscaram por alguns instantes e começaram a rir. O menor deitou a cabeça no ombro do maior e sorriu divertido.


-Que ótimo. Eu escrevo letras apaixonadas por você há anos para me confessar da maneira mais doce o possível e saio gritando para os quatro cantos do mundo. –Falou o ruivo corado.


-Eu também não falei pra você do jeito que queria. –Disse Juka meio triste. –Eu planejava um jantar a luz de velas e... Vinho branco.


-Vinho? Eu iria preferir um bom saque quente. –Kaya riu junto com Juka. –E agora Hiro? Eu amo você e você me ama. O que nós fazemos?


-O que eu queria desde o início deste dia... –Ele olhou profundamente nos olhos castanhos do outro, segurou o rosto delicado e fazia um leve carinho no canto da boca do amado com o dedão. –Beijar você.


Os dois lábios se encontraram com desejo e delicadeza, num beijo simples, mas complexo de sentimentos. Os dois mantinham os olhos fechados, as respirações descompassadas, os rostos pegando fogo e agora, as línguas trocando carícias de uma maneira nunca antes feita, mas sempre desejada.


Juka olhou para Kaya e sorriu. O menor sorriu e girou a chave do carro, ligando-o.


-Gostei da idéia do jantar... –Falou o ruivo dando um selinho em Juka.


-Que bom, quer ele hoje?


-Hmm... Gostei.


-Eu quero que ele seja o primeiro de muitos.


-Disso eu tenho certeza que vai ser... Meu Hiro.


O menor corou violentamente ao pronunciar aquelas palavras. O mais velho apenas sorriu e começou a dirigir o carro em direção ao apartamento de Kaya.


-Eu devia ter feito isso antes. –Disse Juka.


-O que?


-Se eu soubesse que ir ao purikura, comer sushi e bolo e passear entre as sakuras me faria voltar com um namorado, eu teria feito antes!


-Engraçadinho Hiro, -Disse Kaya sorrindo e depositando um beijo na bochecha do outro.


Fim!

Notas finais
Um amorzinho...

Quem me dera escutar o Juka se declarando pra mim no porsche dele...


Reviews?
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