Sparks Fly
3 CAPÍTULO DOIS
Notas iniciais
vickdiez e MilenaGStyles
Narração por Selena/Grace.
Acordei às 08h00min da manhã de domingo. Levantei-me e fui direto a varanda, observei a paisagem, e logo depois tomei uma ducha. Desci e como de costume, não havia nada para comer, mas meus pais já estavam arrumados, esperando-me acordar para irmos até a escola onde irão matricular-me.
– Vamos logo garota! Você demorou demais. – disse meu pai, enfurecido como sempre.
– Mas vocês não me acordaram!
– Cale a boca e entre logo no carro. – disse mamãe.
Entrei no carro e coloquei meus fones de ouvido e encostei-me na janela, apreciei a paisagem e aumentei o som. Naquele momento, eu não queria ouvir ninguém, eu queria apenas ficar sozinha. Ninguém me entende, eu sou sozinha no mundo e sempre estarei eu não tenho nem amigos.
A viagem durou pouco menos de quinze minutos e finalmente chegamos a uma escola bem bonita e enorme. Eu estava triste, sempre estou, mas dessa vez não deu para disfarçar.
– Sorria garota, ou quer que saibam que nós maltratamos você? – papai disse baixinho.
– Vou tentar ficar forte e sorrir. – respondi e rapidamente coloquei um sorriso em meus lábios.
Achei estranho, uma escola funcionar aos domingos para matrículas, mas é New York, as coisas são diferentes por aqui. Entramos na escola e logo avistamos um imenso campus, e fomos diretamente à sala do diretor. Papai entregou a ele nossos documentos falsos e rapidamente fizeram minha matrícula, depois me entregaram os livros e uma pequena declaração que eu devo apresentar quando chegar a minha sala de aula.
Depois disso, fomos para casa, almoçamos e não aconteceu nada de interessante comigo, meu dia foi igual a todos os outros. Mas tive de dormir cedo, amanhã já terei de ser Grace Russo, uma adolescente comum do Tennesse, isso vai ser realmente difícil, mas eu vou ter que tentar.
Acordei às 5h59 da manhã, fui diretamente para o banheiro e fiz minha higiene. Após sair do banheiro, fiquei em dúvida se era preciso usar uniforme, afinal, eu não recebi nenhum, eu estava feliz, porque assim eu poderia usar o que eu quisesse, mas enganei-me, pois entre os meus livros, havia duas sacolas com o meu uniforme. Eu realmente não posso acreditar que terei de usar saia, isso é o fim, é a pior coisa que existe!
Eu não podia fazer nada, tudo o que eu tinha que fazer era usar essa saia ridícula, e ainda é um pouco curta, não quero saber, não vou usar salto e que se dane o mundo, vou de All Star mesmo e ponto final. Vesti a blusa branca e enrolei suas mangas, e coloquei o colete preto por cima, e por fim a saia e o All Star. Deixei os cabelos soltos, olhei rapidamente minha lista de aulas, joguei dentro da bolsa da escola – horrorosa por sinal – os livros das minhas aulas e desci e papai já estava esperando-me.
Entrei no carro e seguimos viagem, e permanecemos em silêncio no carro, eu já estava acostumada. Cheguei e tentei permanecer normal, e disse para mim mesma: “A partir de agora você não é mais Selena Gomez, você é Grace Russo”, respirei fundo e sair do carro.
Havia muitos alunos em frente à escola, mas não tantos quanto havia no campus. Respirei mais uma vez e entrei, andei por aquele gramado e algumas pessoas me encararam, mas foram poucas. Achei que estava tudo bem, até que passei por alguns garotos e uma garota, e ouvi um comentário maldoso.
– Olha só, a novata já quer ditar suas próprias regras. – disse um dos garotos.
– Desculpe o que disse? – tentei ser educada.
– É pobre e ainda por cima é surda.
– Como é que é? – enfureci.
– O seu tênis surrado All Star. – disse a garota. – É pobre demais para usar um salto?
– Sim, é surrado mesmo. Melhor do que o seu sutiã de enchimento e esse salto barato.
– Quem é você para falar isso da minha namorada? – um dos garotos me enfrentou.
– Quem sou eu? Sou Grace Russo e você quem é? – respondi ironicamente e o encarei. – É um riquinho que acha que manda nessa porra de escola?
– Cale a boca, você não me conhece!
– E você me conhece? – o encarei novamente e coloquei as mãos em minha cintura. – Você não consegue nem matar um esquilo, isso são músculos? Parecem mais asas.
– E você, com esse tênis ridículo! – ele tentou me atacar com as palavras, mas não conseguiu. – Branquela magrela.
– Branquela magrela? – perguntei incrédula. – Já se olhou no espelho rapaz? Você parece uma garota e esse seu cabelo, faz chapinha é meu bem?
– Está dizendo que eu sou gay? – ele disse e chegou mais perto de mim. – O gay aqui – pegou em suas partes íntimas. –... Faz sucesso!
E depois dessa cena nojenta, todos gritaram e eu continuei encarando-o. Ele aproximou-se de mim, tocou em minha cintura e antes dele fazer o que eu achava que ia fazer, o empurrei no chão e cai em cima dele, dei várias tapas na sua cara e por fim, levantei-me e dei um incrível e lindo chute nas suas partes íntimas. Eu achava que havia vencido, mas o diretor havia assistido a cena inteira, então nós dois fomos para a diretoria.
Chegando lá, sentamos nas cadeiras de frente para o diretor e então começamos a falar juntos e a discutirmos também.
– A culpa é sua. – gritamos juntos.
– Não, a culpa é sua, você veio me provocar. – eu disse.
– Eu não tenho culpa de você ser pobre. – ele disse e deu uma pequena risadinha.
– E eu não tenho culpa de você ser gay.
– Chega! – gritou o Sr. Henrie. – Será que podemos entrar um acordo? Logo no primeiro dia de aula vocês já são mandados até a minha sala? Que exemplo! E você senhorita Russo, é o seu primeiro dia nesta escola e já começa na minha sala? Que vergonha.
– Em minha defesa eu não fiz nada. Eu estava andando normalmente, quando ele e seus amiguinhos idiotas começaram a tirar piada sobre o meu tênis.
– E você Justin, o que diz sobre sua defesa? – disse o diretor, fazendo-me rir.
– Justin? Esse é o seu nome? – dei uma risada. – E o seu sobrenome é Biba?
– Não senhorita Russo, é Bieber! – respondeu Sr. Henrie, seriamente, o que me fez rir novamente. – E, por favor, não me interrompa.
– Eu não tenho culpa se ela é pobre, Henrie. – respondeu Justin. – Eu só quis zoar com ela, mas ela veio bater em minhas partes íntimas. – ele disse e pegou em suas partes.
– Você, senhor Bieber, não deverei ter zoado com ela. E você senhorita Russo, não devia ter espancado o garoto e muito menos suas partes íntimas. – ele respondeu e pensou um pouco. – Vocês estão detentos! Limparão a piscina da escola amanhã à noite e participarão do grupo de teatro da escola. Todos os sábados terão de vir à escola ensaiarem.
– NÃO! – choramingamos juntos.
– Nada de não. Não mandei vocês brigarem no primeiro dia de aula!
– Isso é tudo culpa sua. – disse Justin furioso.
– Falou o dono da verdade, me deixa em paz garoto. – eu respondi e fui direto para a minha primeira aula.
E para a minha infelicidade, Justin estava na mesma aula que eu. A minha vida não para de piorar, e agora tenho que aturar esse garoto idiota. A primeira aula foi de matemática, nada de interessante, somente números e mais números e as outras duas aulas, foram inglês e história, e passaram rapidamente. Finalmente chegou à hora do intervalo, passei perto de Justin e seus amigos. Ele estava agarrando uma garota, mas o que posso dizer é que não era a mesma que eu vi na entrada, enfim, já percebi que tipo de garoto ele é, fica com qualquer uma por aí.
Mas esquecendo isso, andei pelo campus, comprei um pequeno sanduíche e sentei-me em um dos bancos, até que chega uma garota bem simpática e senta-se ao meu lado.
– Posso sentar-me aqui? – perguntou.
– Claro que sim. – respondi e sorri.
– Você é aquela garota que brigou com Justin Bieber? – perguntou.
– Sim, sou eu.
– Você foi maravilhosa. – ela disse. – Nenhuma pessoa e muito menos uma garota enfrentou ele.
– Sério? – perguntei e senti-me poderosa. – Ele é um tremendo idiota.
– Todos nós achamos isso. – ela respondeu. – Ele e sua turma são os mais populares da escola, mas ninguém aqui tem coragem de enfrentá-los.
– Nossa! – falei surpresa. – Por quê?
– Porque sempre que alguém tenta enfrentá-lo, ele faz ameaças. Ele é quase que dono desse colégio, a maioria do dinheiro de seu pai é investido aqui.
– Vocês não podem o deixar mandar aqui. – eu disse. – Esse colégio é de todos nós.
– Talvez com você na escola, isso possa mudar.
– Será? Acho que não, eu não quero me meter em confusões. – eu disse e dei uma mordida no sanduíche. – Qual é o seu nome?
– Miley. – ela sorriu e estendeu-me sua mão. – E o seu?
– Grace! – retribui o sorriso e apertei sua mão. – Eu adorei você.
– Obrigada. Você é muito legal. – respondeu e sorriu.
– Qual é a sua próxima aula? – perguntei.
– Música e a sua? – respondeu Miley.
– Música também. – sorri. – Vamos fazer aula de música juntas. Legal.
Conversamos por uns dez minutos e o sinal tocou e fomos direto para a aula de música. A aula foi muito divertida, me fez esquecer os meus problemas e Miley sabe tocar muito bem violão. Eu tive uma sorte imensa, as minhas duas últimas aulas – artes e geografia – também eram com a Miley e eu simplesmente a adorei.
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