Sozinhos no Escuro
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Observação importante: Meu livro já está em processo de publicação, por isso não posso postar todos os capítulos aqui, mas vocês poderão adquirir a obra em breve :3
para poder usar o banheiro. Zack foi gentil e deixou Jessica entrar primeiro.Enquanto isso, liguei a luz do quarto de meus pais, para verificar se estavavazio mesmo. Sim, estava vazio, e a cama estava arrumada. Era como se elesnão tivessem dormido em casa. Fiquei preocupado, pois meus pais nuncasaíam sem avisar. Mais estranho ainda era que, meu irmão, que havia dormidono quarto deles, também havia sumido.Mas, como minha fome é maior do que minha preocupação a essa horado dia, eu apaguei a luz do quarto e fui tomar meu café da manhã que, naverdade, foi só uma maçã. Eu raramente sentia fome quando acordava, excetoaos fins de semana, em que eu acordava na hora do almoço.Fui até a fruteira, que ficava ao lado da geladeira, e peguei a única maçãque restava ali. Fui até a pia, lavei-a e a sequei em minha camiseta. Pegueiuma faca no faqueiro que estava em cima da pia, cortei um pedaço da maçã elevei-o até a boca, mastigando-o lentamente.– Jason, onde estão seus pais? – perguntou Zack, ao chegar à cozinha, acompanhado por Belle e Jessica.– Boa pergunta – respondi, enquanto terminava de mastigar o pedaço de maçã. — Mas, depois nos preocupamos com isso. Podem se servir. Não tem pão. Se vocês quiserem, tem bolacha naquele pote – disse, apontando para um pote de plástico, em cima da geladeira.– Você não vai comer mais nada? – perguntou Belle.– Não – respondi, cortando outro pedaço da maçã e levando-o à boca. — Mas podem comer à vontade. Enquanto vocês comem, vou ir colocar meu uniforme.– Tudo bem – disse Zack. – Pode ir se trocar.Enquanto eles abriam a geladeira, para ver se achavam algo para comer, voltei para meu quarto, colocar meu uniforme. Abri meu guarda-roupa, peguei minha calça jeans e retirei meu uniforme do cabide, colocando as peças de roupa em cima de minha cama.Após trocar de roupa, abri novamente o guarda-roupa, peguei meu perfume à base de absinto e o apliquei em meu pescoço e pulsos. Guardei-o de novo, peguei meu celular e minha carteira e coloquei-os no bolso. Quando estava saindo do quarto, trombei com Zack, que me disse:– Tome cuidado, Jason. Pare de ser distraído.Levei a mão direita à testa, pois ela começou a doer, por causa do esbarrão que dei em Zack. Olhei para ele e respondi:– Perdoe-me, Zack. Estou preocupado com o desaparecimento de meus pais e de meu irmão.Nesse momento, Jessica entrou em meu quarto, me abraçou e disse:– Se acalme Jason. Vai dar tudo certo.Eu me afastei do abraço e respondi:– Mas não vai dar certo se eu ficar de braços cruzados, esperando. Troquem de roupa logo, porque estamos atrasados já.Eles apenas assentiram. Foram para a sala, para pegar suas roupas. Zack foi trocar-se no banheiro, e as meninas, no quarto de meus pais. Enquanto isso, eu peguei minha mochila e fui para a sala, para esperar por eles. Enquanto eles não chegavam, terminei de comer minha maçã.Uns cinco minutos depois, eles apareceram. Levantei-me do sofá, coloquei minha mochila nas costas e disse:– Vamos?Eles assentiram, antes de deixarem suas tralhas em meu quarto, para pegá-las assim que voltássemos do inferno que éramos obrigados a chamar de escola.Nós saímos de casa e tentamos ir para o ponto de ônibus – que ficava a uma rua da minha casa -, pois o céu estava escuro e não enxergamos nada. Ainda estava nublado, e a rua estava molhada, como se tivesse chovido durante a noite. Talvez tenha chovido, e eu não tenha escutado, já que hibernei.A rua estava muito sombria, até parecia cenário de filme de terror. A neblina cobria a rua inteira. Então, tirei meu celular do bolso e apertei uma tecla, para que a luz do celular acendesse. Quando isso aconteceu, acionei um aplicativo de lanterna, para iluminar a rua. Percebi que, não apenas o ponto de ônibus estava vazio, mas a rua inteira estava também. Aquilo era muito estranho, pois há essa hora sempre passavam vários carros por ali, assim como pessoas que tomavam o ônibus junto conosco, ou pessoas que estavam indo comprar pão.Não se passou nem um minuto, e havíamos chegado ao ponto de ônibus. Como eu disse, era bem perto de minha casa. Quando chegamos, Jessica disse:– Pessoal, acho que o ônibus já passou.– Ah, você acha? – disse Belle, ironicamente. Por mais que eu não tivesse gostado do jeito que ela tratou Jessica, achei estranho ela ter respondido a amiga dessa maneira, pois normalmente, era Jessica quem respondia Belle grosseiramente, e não o contrário.
Olhei para ela e disse, com um tom de voz sério:– Isabelle, sem ironias, por favor.– Tudo bem, Jason – respondeu ela, abaixando a cabeça. Pelo o que eu a conhecia, ela havia se chateado.Todos ficaram ali, parados. Enquanto isso, eu comecei a caminhar. Mesmo o ônibus não tendo passado, eu precisava ir à escola. Era bem provável que, indo até lá, eu descobrisse o paradeiro de meus pais e de meu irmão.Após ter andado uns dois quarteirões, ouvi Zack me dizer:– Jason, aonde você vai?– Para a escola – respondi. – Para onde mais eu iria?– Jason, pode parar com a ignorância, por favor? – disse Belle, caminhando até mim, sendo seguida por Zack e Jessica. – Não temos culpa do desaparecimento de seus pais.– Eu sei – respondi. – Mas, além de ter de ir à escola a pé, preciso descobrir o que aconteceu com meus pais, e com meu irmão. E, pelo visto, com o resto das pessoas que moram aqui no bairro. Pelo visto, eles desapareceram, assim como meus pais e meu irmão. E como seus pais também. Se todo mundo do bairro desapareceu, seus pais também desapareceram.Após falar isso, continuei a andar. Olhei para trás e vi que eles estavam me seguindo. Então, parei de andar. Quando eles se aproximaram de mim, Jessica se aproximou um pouco mais, o suficiente pra eu poder ouvi-la respirando. Ela colocou a mão em meu ombro e disse:– Jason, não se preocupe. Encontraremos seus pais. E os nossos também.– Vocês me ajudam? – perguntei cabisbaixo.– Com certeza, Jason – respondeu Zack. – Qual é cara? Somos seus amigos. Sempre te ajudaremos. Por maior que seja o problema, sempre estaremos ao seu lado.– Então vamos logo – disse eu. – Isso não se resolverá se ficarmos aqui, parados.Eles assentiram, e começamos a andar.Durante dois quarteirões, andamos sem pronunciar uma palavra sequer. Todas as casas, sem exceção, pareciam ter saído de um filme de terror. Estavam vazias. Nem mesmo os cachorros estavam latindo.De repente, percebi que Belle começou a ficar inquieta, por causa de algo. Ela estava segurando seu pulso esquerdo, como se algo estivesse machucando-a. Depois de algum tempo, percebi o que estava incomodando-a: o bracelete que ela estava usando estava emitindo um brilho azul.O bracelete não era nem muito fino, e nem muito grosso. Ele era dourado, e possuía pequenos símbolos nele. Tive a leve impressão de que aquela combinação de símbolos era uma antiga língua, mas eu não a conhecia.No mesmo instante que percebi o brilho, segurei Belle pelo pulso, para que ela parasse de andar. Ela notou que eu havia percebido o que estava acontecendo com o bracelete. Então, olhei para Zack e disse:– Zack, pode ir andando na frente, com Jessica. Preciso conversar com Belle.– Algum problema, Jason? – perguntou Jessica, desconfiada.– Não, Jessica – respondi. – Não precisa se preocupar não.– Tudo bem, então – disse ela. – Venha Zack. Vamos deixá-los a sós.Zack assentiu. Enquanto eles caminhavam lentamente, pude ver que eles estavam discutindo sobre alguma coisa. Provavelmente, estivessem discutindo sobre o que eu queria dizer à Belle.– Isabelle, o que está acontecendo? – perguntei.– Eu também não sei Jason – respondeu ela. – Juro que eu não sei.– Isso acontece com frequência? Onde você conseguiu esse bracelete?– Aconteceu uma única vez, há duas semanas, na aula de química. E meu me deu foi... – ela parou no meio da frase, como se a resposta incomodasse ela.Antes de dizer mais alguma coisa, olhei para frente, para ver se Zack e Jessica estavam olhando para nós dois. Quando vi que eles andavam normalmente, perguntei, aumentando um pouco o meu tom de voz:– Quem foi que te deu Isabelle? Diga-me.– Victor Braga – respondeu ela, num sussurro quase inaudível.– Como assim? – perguntei, indignado. – Por que ele te deu esse bracelete? E por que você não me disse antes, sabendo que Victor e eu não nos damos bem?Ela suspirou e respondeu:– Disse que havia gostado de mim, e que adoraria me conhecer melhor. Então, me deu esse bracelete, como presente.– Essa história está mal contada – disse, desconfiado. Não fazia sentido algum Victor se interessas por Belle. – Caso esteja tudo bem, e ele comparecer à aula hoje, terei uma conversinha com ele.– Jason, você tem certeza? – Belle perguntou, parecendo estar preocupada comigo. – Não quero que você e Victor briguem novamente, ainda mais por minha culpa.– Eu tenho sim – respondi. – Preciso saber o porquê de Victor querer se envolver com você. Aliás, acho que já sei o motivo.– E qual seria esse motivo, Jason?– Prefiro não dizer. Não me leve a mal, mas prefiro resolver isso primeiro. Acredite em mim, será melhor.– Tudo bem. Entendo você. Obrigada por ser preocupar comigo, Jason – ao dizer isso, ela me deu um beijo em minha bochecha esquerda.– De nada – respondi, passando a mão no local que ela havia me beijado.Belle disse que estava com frio. Peguei seu braço direito e passei por cima de meu ombro, para que ela pudesse me abraçar, e se esquentar. Mas ela se afastou, e disse que estava tudo bem.– Jessica! – Belle gritou.Eu olhei para ela, assustado, pois não esperava que ela fosse gritar daquela maneira.– Belle – disse eu -, preste atenção: Se gritar desse jeito de novo, eu deixo você para trás, e passando frio.– Tudo bem – disse ela. — Desculpe-me.Zack e Jessica pararam. Então, Jessica gritou:– O que foi, Belle?Ao invés de Belle gritar, ela apenas fez sinal, para que Zack e Jessica parassem de andar. Quando nos aproximamos de Zack e Jessica, Zack sussurrou para mim:– Aconteceu alguma coisa, Jason?– Quando eu resolver o problema, eu te conto.Ele assentiu.Quanto mais andávamos, mais ficávamos preocupados. O sol já havia nascido e, mesmo assim, nós quatro éramos as únicas pessoas na rua. Nenhum carro passou por nós, desde que saímos de casa. Para piorar, a neblina ainda tomava conta do céu. As casas quase não eram visíveis e, vez ou outra, acabei por trombar em um poste, ou em uma árvore. Pelo menos, o bracelete de Belle já não estava mais brilhando.Zack estava do meu lado esquerdo e, com sua mão esquerda, segurava a mão de Jessica, para que ela não se desviasse. A neblina aumentava constantemente, a ponto de nossa visão ficar falha. Enquanto isso, Belle segurava minha mão direita, para não se perder.– Jason – disse Zack -, será que toda essa neblina e o sumiço das outras pessoas têm a ver com o desaparecimento de nossos pais?– Estou começando a achar que sim, cara – respondi. – Nunca vi nada parecido. É como se estivéssemos dentro de um pesadelo surreal.Já estávamos quase chegando à escola. O tempo passou depressa, mas a neblina ainda tomava conta do céu. Percebemos que a neblina estava tomando conta não apenas de nosso bairro, mas da cidade inteira. Além disso, as pessoas haviam sumido. Não foi só no meu bairro. É como se a cidade inteira tivesse sido absolvida, e substituída por uma grande neblina.Devido a tanta preocupação com a neblina e com o desaparecimento da população, em momento algum nos lembramos de ver o horário. Estávamos a uns doze quarteirões da escola. Tirei meu celular do bolso, para ver o horário. Ainda faltavam quinze minutos para as sete da manhã. Daria tempo de chegarmos à escola antes das sete, numa boa. E eu estava começando a desconfiar que também não haveria ninguém lá.Quando chegamos à frente da escola, uma coisa estranha aconteceu: A neblina não estava cobrindo a escola. Era como se a escola fosse a causadora de tudo isso, e a neblina não a atingisse. Como o portão estava aberto, passamos por ele, e logo percebemos que nossa escola também estava vazia,a não ser por uma estranha figura no meio do corredor. Aproximei-me lentamente, e percebi que essa figura era um menino, e que todas as suas vestes eram pretas, inclusive sua capa.Sério mesmo que ele estava usando capa? Estava parecendo um mini Drácula.Antes de dar mais um passo, pedi para que Zack e as garotas ficassem do lado de fora, me aguardando. Elas contestaram, mas Zack as levou para fora. Dei mais alguns passos, e acabei reconhecendo aquele menino. Era Raul. Sim, aquele mesmo Raul que me odiava, e que agora estava ali, parado na minha frente, vestido de um modo extremamente estranho. Tentando conter o riso, olhei para ele e perguntei:– Raul, o que significa tudo isso?Ele cruzou os braços e respondeu:– Pode rir Jason Phoenix. Ria à vontade. Ria enquanto pode, pois em breve você morrerá, junto com o resto da humanidade.
Quando ele disse que eu iria morrer, minha expressão facial mudou completamente. Passei de alegre para assustado. Então, lhe perguntei:– O que você quer dizer com isso, Raul?– Vim lhe alertar que você e seus amigos irão morrer Jason. Meu mestre está começando um apocalipse zumbi. Ele transformará a Terra em seu Inferno pessoal. Os humanos merecem perecer, Jason. E, se não acredita em mim, olhe ali.Ele apontou para a direita de onde eu estava. Luce, a mulher que um dia foi minha professora de inglês, caminhava em minha direção. Um dia, ela foi morena e teve longos cabelos lisos e pretos, que iam até abaixo de seu bumbum. Teve vinte e nove anos e foi solteira. Agora, era apenas um zumbi, sem o braço direito, que estava com a boca cheia de sangue e que estava tentando saciar sua fome, me comendo.Agora eu estava ainda mais assustado. Mas, mesmo assim, tentei não demonstrar isso. Funcionou.Eu até iria lhe perguntar de quem era esse tal mestre de quem ele havia falado. Antes que eu pudesse fazer isso, ele desapareceu. Simplesmente desapareceu. Virou fumaça, bem ali, na minha frente.Olhei para a direita. Luce ainda caminhava em minha direção. Olhei para a esquerda. Duas meninas, do segundo ano, se bem me lembro, corriam em minha direção. Olhei para o portão de entrada. Meus amigos ainda estavam ali. Eles não sabiam o que estavam acontecendo. Zack veio correndo até mim e, quando viu quão grave era o problema, começou a correr em direção à rua, pedindo que eu o acompanhasse, coisa que o fiz, sem nem ao menos pensar duas vezes.Quando eu saí correndo em direção ao portão, as meninas zumbis começaram a nos seguir. Luce começou a correr também.Quando cheguei à calçada, Belle e Jessica estavam nos esperando. Pude ver o desespero no rosto de ambas.– Jason, o que está acontecendo? – perguntou-me Belle.– Vamos para o carro – respondi, apontando para um Chevrolet Celta prateado, que estava do outro lado da rua -. Lá eu explico.Começamos a correr em direção ao carro. Ao chegarmos lá, Jessica me disse:– Jason, você mesmo disse que queria fazer 18 anos logo para poder tirar sua carteira de habilitação. Como você pretende dirigir esse carro?– Disse que queria tirar minha carteira de habilitação – respondi, com um sorriso no rosto -. Não disse que não sabia dirigir.– Mas tem um problema – disse Belle, tentando abrir uma das portas traseiras. — Está trancado.Zack foi até a porta do motorista e deu um soco na janela, que se quebrou. Passou a mão através de onde ficava o vidro e destravou a trava de segurança. Então, abriu a porta e disse à Belle:– Agora não está mais.Pedi licença à Zack, para que eu pudesse me sentar no banco do motorista. Fechei minha porta, e tratei de destravar as outras portas, para que eles pudessem entrar. Eles entraram, e por muito pouco não viraram comida de zumbi, pois, assim que eles fecharam as portas, as garotas zumbis e Luce chegaram ao carro, e começaram a bater nele. Por sorte, elas não notaram que a minha janela estava quebrada.Olhei para Zack, que havia se sentado ao meu lado, e disse:– Zack, eu preciso que você as distraia, para que eu possa dar partida no carro. Consegue fazer isso?Ele entendeu o que eu queria dizer. Entendeu que precisaria sair do carro, e começar a correr, para distrair os zumbis, enquanto eu ligava o carro.– Sim, eu acho que sim – respondeu ele aflito, por causa da situação que eu o estava colocando. — Mas, e se algo der errado?– Não dará errado, Zack – respondi -. Confio em você, e sei que você conseguirá.Ele assentiu. Então, contei para ele o que ele tinha que fazer:– Abra a porta e saia correndo. Corra pelo caminho que a gente veio pra cá. Assim que eu conseguir ligar o carro, corro para te buscar. Entendeu?– Entendi sim – respondeu ele.Dei um tapinha em seu ombro, que soou como um “boa sorte”. Ele suspirou. Abriu a porta do carro com força, que acabou acertando Luce, levando-a ao chão. Uma das meninas tentou agarrá-lo, mas ele se esquivou, e saiu correndo para a direção que eu havia lhe falado. Então, eu fechei a porta do passageiro, enquanto via meu amigo correndo.Retirei a mochila de minhas costas e a coloquei no banco onde Zack estava sentado. Abri um pequeno bolso na lateral da mochila, e de lá tirei um canivete suíço azul, o qual sempre levava comigo, para poder usá-lo quando necessário.– Jason – disse Belle, que estava sentada atrás de mim -, por que você tem um canivete suíço?– Para situações como essa – respondi, esticando minha mão para ela e Jessica -. Poderiam me emprestar um clipe, por favor?Jessica abriu sua mochila, retirou seu estojo de dentro dela e, de dentro do estojo, retirou um clipe, o qual ela me entregou. Peguei o clipe, virei-me para frente e disse:– Obrigado.– Disponha – respondeu ela, guardando o estojo e fechando a mochila.Eu desentortei um pouco o clipe, levantei uma das facas de meu canivete suíço e coloquei ambos na ignição. Após quase um minuto girando ambos os objetos dentro da ignição, o carro ligou.– Eba! — Belle gritou -. Agora vamos sair daqui e ir buscar o Zack.– Com prazer – respondi, manobrando e acelerando o carro.Eu não estava indo tão rápido. Devia estar a uns quilômetros por hora. Não podia ir mais rápido, pois tínhamos de ficar olhando para todos os lados, para ver se encontrávamos Zack. Depois de ter percorrido uns quatro quarteirões, percebi que a neblina havia sumido. A luz solar estava novamente iluminando as ruas. E, por sorte, mais nenhum morto-vivo havia aparecido.Mais uns cinco quarteirões depois, e avistei Zack. Ele estava sendo perseguido apenas por Luce. As garotas zumbis deviam ter desistido.– Ele está ali – disse, apontando para onde Zack estava.– Vá logo, Jason – gritou Jessica.Eu acelerei o carro, chegando a uns 80 quilômetros por hora. Quando me aproximei de Luce, virei o carro, para que eu pudesse atropelá-la. Bati nela com tanta força que ela caiu uns dez metros à frente. Enquanto ela tentava se levantar, parei o carro ao lado de Zack, abaixei o vidro da porta do carona e disse:– Quer carona?Ele abriu a porta do carro, tirou minha mochila do banco e se sentou. Após fechar a porta do carro, me respondeu:– Tira a gente daqui logo. E, só pra constar, estou odiando você por ter feito eu brincar de isca pra zumbi.– Só estava brincando – respondi.– Jason – disse Jessica -, poderia nos dizer o que está acontecendo?Antes que eu pudesse responder, uma imensa luz branca surgiu à nossa frente. Freei o carro bruscamente e, por algum milagre, ele não capotou.Nos primeiros instantes, a luz era intensa o suficiente para que nenhum de nós conseguisse abrir os olhos. Pouco a pouco, a intensidade foi diminuindo, até que ficou fraca o suficiente para que pudéssemos abrir nossos olhos. Quando o fizemos, vimos algo inacreditável: ali, na nossa frente, estava parado um anjo.Sim, um anjo. Eu também não acreditei quando o vi de relance mas, depois de alguns segundos encarando-o, percebi que esse era o mesmo anjo que aparecia nos sonhos de Zack, e nos meus. Com as mesmas vestes brancas e com o mesmo par de asas prateado.De repente, o anjo nos disse:– Podem sair do carro. Está tudo bem.Pensei que anjos tivessem voz doce e suave, como a mais linda das melodias. Mas não. O anjo conversava como uma pessoa comum. A única coisa esquisita era que eu conhecia aquela voz.Lentamente, saímos do carro. Quando olhei no rosto do anjo, reconheci-o, e quase caí para trás, surpreso, pelo fato de o anjo ser aquela pessoa. Não só eu, mas Zack, Jessica e Belle também tiveram essa reação.O anjo era Gabriel.Aproximei-me dele e disse:– Gabriel, o que está acontecendo?Ele me fez uma reverência e disse:– Arcanjo Gabriel, a seu dispor.– Depois de ser perseguido por zumbis – disse Zack -, eu não duvido de mais nada.– Bom – disse Gabriel -, não temos muito tempo. O que Raul lhe disse, Jason?– Disse que ele estava iniciando o apocalipse zumbi, para que seu mestre possa vir a Terra, e fazer daqui o seu reino – respondi -. Mas ele não disse nada sobre quem era esse mestre.– O que vocês sabem sobre Mephistopheles? – perguntou Gabriel.– É aquele cara do Motoqueiro Fantasma, não é? – brincou Zack.Dei um soco em seu braço, e falei:– Zack, isso é sério – olhei para Gabriel. — Mephistopheles é um dos nove duques do inferno, união dos demônios mais cruéis e poderosos do inferno, também conhecido como círculo dos nove. Só estão abaixo de Lúcifer.– Muito bem, Jason – respondeu Gabriel, enquanto meus amigos me encaravam, tentando descobrir como eu sabia daquelas informações. — E você sabe o que vocês quatro têm a ver com isso?Um olhou para a cara do outro, sem saber o que responder. Então, Jessica disse:– Não fazemos ideia, Gabriel.– Pois bem – disse Gabriel -, vocês são os Anjos do Apocalipse.– Espere aí – interveio Zack. – Volte a fita, por favor. Nós somos o que?– Anjos do Apocalipse, Zack – respondeu Gabriel -. Mephisto quer dominar o mundo, e vocês são os escolhidos para impedir ele.– E por que ele não simplesmente vem até a Terra? – perguntei.– Porque ele ainda está fraco para fazer isso – respondeu Gabriel -. Ele ainda não tem forças o suficiente para derrotar vocês. Por isso ele está iniciando o apocalipse zumbi. Para matar vocês.– Mas não temos capacidade nenhuma para fazer isso, Gabriel – disse Belle.– Isabelle, vocês não fazem ideia do que vocês são capazes – respondeu Gabriel.– Gabriel – disse eu -, isso tem algo a ver com o sonho que Zack e eu estávamos tendo?– Eu já ia chegar nessa parte, Jason – respondeu Gabriel -. Vocês não podem derrotar Mephisto com as mãos vazias.Esfreguei minhas mãos, uma na outra, e disse:– Agora vem a melhor parte...– Pegar as espadas – disse Zack, completando minha frase.Gabriel veio em minha direção, e parou a uns dois passos de mim. Estendeu suas duas mãos para mim e disse:– Aqui está sua espada, Jason.Quando ele disse isso, surgiu em suas mãos a mesma espada que vinha aparecendo em meus sonhos. Cuidadosamente, eu a peguei, e cortei o ar com ela, duas vezes. Além de ser linda, a espada era leve como uma pena.Seu metal era negro e brilhante, como se fosse feito de diamante negro.– Já escolheu um nome para ela, Jason? – perguntou Gabriel.– Ainda não – respondi, sorrindo. — Vou pensar em um nome especial para ela.Gabriel assentiu, e caminhou até Belle. Estendeu suas mãos para ela e disse:– Isabelle Chambers, isto é seu.Então, em suas mãos, surgiu uma Glaive, que era um disco metálico, com três pontas. Belle a pegou, e começou a alisá-la.– Ui – disse ela -, essa tal de Glaive é gelada. Mas como eu usarei isso, Gabriel?– Você poderá usá-la para combates corpo a corpo, ou jogá-la, para atingir zumbis que estão distantes – respondeu Gabriel. – E sim, ela volta para sua mão, depois que você a joga. Costumo chamar isso de efeito bumerangue.– Legal – disse Belle, sorrindo -. Gostei.Gabriel se aproximou de Zack, estendeu as mãos para ele e disse:– Aqui está sua espada, Zack.Então, em suas mãos, surgiu uma espada prateada. O design dela era um pouco diferente do design da minha espada, mas era tão linda e tão brilhante quanto a minha.Zack a tirou das mãos de Gabriel apontou-a para mim e disse:– Touché.Com minha espada, desviei a dele para o lado, e disse:– Zack, nunca mais faça isso.Ele nada disse. Apenas deu de ombros e abaixou a espada. Enquanto isso, Gabriel caminhou até Jessica, estendeu suas mãos para ela e lhe disse:– Essas são para você.Luvas de metal surgiram em suas mãos. Jessica as pegou, e calçou-as. A princípio, nada aconteceu. Então, Gabriel lhe disse:– Feche os punhos, e abra-os em seguida.E foi o que ela fez. Quando ela fechou os punhos, a luva de metal começou a crescer, cobrindo todo o seu antebraço. Quando ela abriu as mãos, garras de metal surgiram em seus dedos.– Nossa! – Jessica gritou. – Isto é incrível!– Pode nomeá-la, Jessica – disse Gabriel.Jessica balançou a cabeça, negativamente:– Ainda não pensei em um nome, mas pode deixar que pensarei.Gabriel sorriu.– E por que eu não posso escolher um nome também, Gabriel? – Zack perguntou.– Porque eu sei que você vai escolher um nome para ela, de um jeito ou de outro, já que é o mais pra frente do grupo.– E o que faremos agora, Gabriel? – perguntei, evitando gargalhar, em relação ao que Gabriel havia dito sobre Zack.– Jason – começou o anjo -, a população do país inteiro se transformou em zumbi. Se vocês não cumprirem a missão, o apocalipse zumbi se alastrará por todo o mundo.– E qual seria essa missão, Gabriel? – perguntou Jessica, olhando para as luvas em suas mãos.
– Bom – disse Gabriel -, Raul fará o ritual de invocação para Mephisto em São Paulo.Eu dei uma risadinha e disse, em seguida:– Ritual de invocação? Quer dizer que Raul irá ceder seu corpo para abrigar Mephistopheles?– Sim, isso mesmo – respondeu Gabriel. – Quanto ao lugar em que ele fará isso, vocês saberão, assim que adentrarem a cidade.– E quando ele fará esse ritual? – perguntou Jessica.– Amanhã, ao meio dia – Gabriel respondeu.Ainda restava uma coisa a saber:– Mas por que ele precisa fazer um ritual, Gabriel? – perguntei. – É só Mephisto invadir o corpo dele.– Isso já foi mais simples, Jason – ele me respondeu. – Mephisto desagradou Lúcifer, e este o prendeu em uma de suas prisões infernais. Por isso Mephisto está fraco.– E é por isso que Raul precisa fazer o ritual – continuou Zack. – Para libertar Mephisto dessa prisão.– Exatamente – confirmou Gabriel.– Gabriel – disse Jessica, mais uma vez -, e como iremos até São Paulo? E conseguiremos derrotar Raul e Mephistopheles apenas com isso que você nos deu?– Algo me diz que Jason lhe responderá essas perguntas, Jessica – respondeu Gabriel -. Bom, essa é minha deixa. Ah, ia me esquecendo de uma coisa.Ele se aproximou de Belle, segurou seu bracelete e disse:– Isabelle, proteja esse bracelete. Com sua própria vida, se for necessário. Se você perder esse bracelete, a missão terá sido em vão.– O que esse bracelete tem de tão importante, Gabriel? – perguntou ela.– Você descobrirá, com o tempo – respondeu Gabriel -. Preciso ir agora. Boa sorte, Anjos do Apocalipse. O futuro da humanidade está em suas mãos.Então, ele pegou impulso, e saiu voando. Em instantes, suas asas se tornaram apenas um brilho no céu, antes de desaparecerem por completo.– Jason – disse Zack -, o que ele quis dizer quando disse que você sabe as respostas para as perguntas de Jessica?– Entrem no carro e vamos para minha casa – respondi, com um enorme sorriso em meu rosto. — Lá eu explico.
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