Sozinha nas Sombras

4 Paredes, Insetos, Parceiros, Pimentões e Apostas.


Notas iniciais
Eu sei que demorou, me desculpem. O motivo: provas. Mas, um perguntinha: Vcs repassaram a fic pros coleguinhas? Fizera uma boa ação e divulgaram? Ta, vou parar. Brincadeira kkkkk Vou deixar vcs lerem.

– Não pode ter certeza disso – ele disse

– Você sabe que posso – ela respondeu

– Não, não pode.

– Resolveu desistir agora? – perguntou com um sorrisinho no rosto

– Eu nunca desisto – ele pareceu se ofender

– É o que está parecendo.

– Somente os covardes desistem.

– Hum... veremos. – zombou – Você sabe o motivo de estar fazendo isso – ele assentiu – Então... pare de defende-la

– Não estou defendendo-a, está achando que sou o que?

– ...

– Responda! – ordenou

– Você sabe que não preciso.

***

E lá estava ela. A cabeça apoiada nos livros, ainda fechados, que estavam sobre a carteira. Já havia se passado uns vinte ou trinta minutos de aula, mas aquilo não importava, já que ela não estava prestando atenção. E o professor falava e falava, como se não notasse a presença dela ali, essa era uma das vantagens de ser a ignorada, você podia sentar na primeira fileira, dormir, cantar, dançar salsa, fazer um piquenique e mesmo assim... ninguém notaria.

Em que aula estava? Faltavam muitas? Qual aquela matéria?

Clarisse não sabia nenhuma das respostas. Respostas... era o que ela mais precisa naquele momento. Perguntas não faltavam, mas respostas...

Desde aquela manhã, sua memória tinha dado um jeito de piorar cada vez mais a ponto de não lembrar de absolutamente nada. Ela não sabia o porquê de não conseguir lembrar da noite anterior, ou de todas as noites antes... Sua lembranças haviam sido, de alguma forma, apagadas. Todas elas. Tinha ainda fragmentos de memórias anteriores, mas nada pertencente à noite anterior.

Lá na frente, o professor, do qual ela nem ao menos se interessou em decorar o nome, falava sobre algo que provavelmente deveria ser importante. Para Clarisse, estudos sempre foram importantes, talvez porque ela quisesse mostrar que não era apenas uma órfã inútil, ou orgulhar seus pais de algum modo. Mas naquele momento nada mais importava, ela estava confusa e precisava de um momento sozinha. Precisava desabafar consigo mesma. Mais ninguém, apenas ela e ela.

O restante da aula foi dedicado a encarar fixamente as paredes, que naquele momento, eram a coisa mais atrativa naquele cubículo. Estavam reluzentes, alguns animais pequenos encostando e se afastando depressa como se, algo ali os machucasse, mesmo que não houvesse nada. Clarisse se sentia assim. Se sentia como um minúsculo inseto que corria o risco de ser esmagado a qualquer momento, corria o risco de se machucar ao tocar em algo que não apresentasse, ao longe, um ameaça. Um exemplo disso? As pessoas. Todas elas, por “melhor” que sejam, escondem algo por debaixo de tantas camadas e sempre acabam magoando umas às outras, seja intencionalmente ou não.

A concentração da garota em seus pensamentos; chão; paredes e teto, foram interrompidos à menção da seguinte frase vinda daquela criatura careca, que ela chamava de professor:

– Contudo, quero um trabalho sobre o que foi dito hoje. Formem duplas – ele suspirou ao ver a mão da garota levantada – Diga, senhorita

– Eu poderia fazer o trabalho sozinha?

– E por que queres que assim seja?

– Pelo simples fato de eu não ter um par – alguns riram ao fundo, mas foram ignorados

– Arrume um – revirou os olhos quando ela ficou em silêncio — Temos um aluno em falta, como ele não está, será seu par.

– E quem seria?

– Thomas Wright

“ Wright? Sério?” – pensou ela

– Mais alguma dúvida, senhorita...

– Price. Clarisse Price. E sim, tenho uma dúvida.

E mais uma vez ele revirou os olhos.

– Eu... o senhor... poderia adiar a data do trabalho para a minha dupla?

– O motivo seria...

– Meu parceiro não estava na aula – mentiu

– Mas a senhorita estava – disse direto e com um gesto, calou-a antes que ela pudesse falar mais alguma coisa – Estão dispensados – disse virando-se para os demais alunos.

E assim seguiu-se mais quatro ou cinco horas intermináveis de aulas e momentos de oração em grupo que fizeram, pela primeira vez, Clarisse dormir acordada, o que foi um modo menos tenso de acalmar por alguns breves minutos.

Saindo da sala, a garota seguiu até o imenso salão de jantar e sentou, como sempre, sozinha, na mesa mais afastada, em um canto perto da cozinha. Deixou sua bolsa ali e foi pegar uma bandeja, seguindo para a fila e pegando o prato de ensopado, um pequeno pão e uma maçã. Ao vira-se e olhar para sua mesa, ela viu uma silhueta. Alguém sentara-se naquela mesa.

Droga! Sério mesmo que vou ter que procurar outro lugar? Mas que m... – pensou ela, interrompendo-se ao ver quem era a pessoa que estava sentada ali.

Thomas estava sentado tranquilamente, com as pernas estiradas para frente, balançando os pés ritmicamente, como da primeira vez em que tinha o visto. Estava com uma das mão atrás da cadeira, enquanto a outra estava debaixo da mesa. Ele estava mexendo em algo. E quando a garota notou o que era, saiu a passos largos, furiosa.

– O que está fazendo aqui? E quem te deu permissão para mexer nas minhas coisas? Você sabia ao menos de quem era essa bolsa? Porque, certamente, uma bolsa feminina não seria sua, ou seria? Quer fazer o favor de parar de mexer aí e prestar atenção no que estou falando? Isso é errado! Muito errado! – ela estava praticamente gritando, mas ninguém parecia notar. Ao terminar, a garota estava ofegante, respirando com dificuldade e descompassadamente.

–Primeiramente – disse ele, calmo – Você este cuspindo em mim, não faça mais isso. Segundo: Calma aí garota, você está mais vermelha que um pimentão. Acho que eles deveriam até ter inveja de você. Terceiro: Eu moro e estudo aqui, o que mais um cara como eu estaria fazendo em um orfanato? Quarto : Dá pra repetir o resto? – ele gargalhou

– Acha isso engraçado? – disse ela ainda frustrada – Pois saiba que não é legal mexer em coisas que não são suas.

– O que demais tem nessa bolsinha que eu não posso ver? – perguntou zombeteiro

– Nada – mentiu – Mas isso é errado

– Tudo bem, chatonilda. Já parei – sorriu

– Percebe como isso soou muito brega?

– Eu disse a verdade. A verdade é brega para você?

– Eu...

– Você pensa demais – ele riu novamente

– Como assim?

– Esquece.

E assim, o silêncio naquela mesa reinou por um longo tempo, até ser quebrado novamente por Clarisse:

– Por que está sentado nessa mesa?

– Você é dona dela e é errado sentar aqui, também?

– Não, mas sou eu. Clarisse Price.

– E...

– Ninguém anda comigo, se não percebeu

– É... eu percebi. Mas não gosto de modinhas, não andar com você seria agir como os outros e assim, eu estaria seguindo esse clichê.

– Fala sério! O que você quer?

– Não quero nada, já disse

– Eu só não te mando sair, porque sei que você irá sozinho e por escolha própria.

– A sabe-tudo está errada.

– Não estou errada. Eu aposto como você vai sair antes do horário do jantar acabar.

– Nunca aposte comigo.

– Tenho algo a perder com isso?

– Não me desafie garota, eu sempre ganho.

– Aposto que não

– Quer mesmo apostar? – ele sorriu – Então lá vai: Eu vou passar no mínimo um semana andando com a pessoa mais chata, sem graça e irritante de Golden Angels, ou seja, você.

Notas finais
Pra quem não sabe: Wright quer dizer " trabalhador" por isso a Clarisse zombou kkkkk Mas e aí? Entenderam o começo misterioso? Quem seriam aquelas duas pessoas? Quais são suas teorias para quem seria o suspeito e o que teria sido roubado? O que acharam do Thomas? Gostaram? Comentem!!! Bjau procês ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.