South Park: The endless night
3 Kenny
✇KENNY✇
Eu tenho a ligeira impressão que as árvores estão se mexendo. Tenho certeza de que não fui muito longe, até dois minutos atrás eu conseguia ver ao longe a luz da fogueira, quando ela ela desapareceu do nada. Voltei correndo, porém não reconheci o lugar e não soube dizer se ela havia mudado ou se eu que estava vendo coisas.
Quando cheguei no lugar onde teoricamente era para estar o acampamento não vi nenhum sinal do mesmo, parecia que ele sequer havia existido. Não havia resquícios da fogueira, o tronco caído havia misteriosamente desaparecido e a lua... não consigo explicar por que ela me incomoda tanto...
Sai andando pela floresta sem um rumo certo, apenas contando com a –falta de– sorte que eu tenho. Talvez esse seja um pensamento um tanto estranho, mas eu me pergunto como irei morrer hoje... não que eu queira realmente saber, morrer não é uma sensação agradável. Eu só espero que seja rápido e, de preferencia, indolor.
Depois de andar por um tempo que me pareceu muito, mas o qual não fiz questão de contar, comecei a ouvir sons de passos atrás de mim. A principio pensei que fosse alguém, me virei para verificar apontando a luz da lanterna e no mesmo segundo os passos pararam.
–(Deve ser coisa da minha cabeça...) –Murmurei para mim mesmo.
Não importava o quanto eu andasse, a lua continuava brilhando no céu e a cada passo meu eu sentia como se a manhã estivesse se afastando. Perdi a noção do tempo em algum lugar da floresta e não duvido que já se tenham passado varias horas dês de que eu perdi os outros de vista, mas também não duvido que só se tenham passado alguns poucos minutos.
Acho que a contagem de tempo normal não serviria nesse lugar, tenho quase certeza de que um relógio aqui não serviria para nada. Mas eu posso estar errado.
O Cartman me falou um pouco sobre o dito demônio, ele de alguma forma conseguia alterar o local onde sua suposta vitima se encontra e em alguns casos, de acordo com a sua lenda, manda-la para sua dimensão particular. Mas essa segunda opção raramente acontece.
Se não estou enganado o nome desse demônio é Slenderman.
Esse demônio mata a vitima escolhida e se alimenta do seu corpo. Não teria muito problema para mim se fosse apenas isso, porém Slenderman também se alimenta da alma das pessoas, e eu julgo que se morrer para ele e perder a minha alma... não vou reviver. Ponto. Fim de Kenneth McCormick.
De longe eu finalmente pude ver algo que se destacasse entre as árvores, que na verdade era uma árvore mais alta e mais grossa, com os galhos totalmente livre de folhas. Me aproximei um pouco e vi... um corpo.
Eu não consegui identificar-lo, ele estava pendurado nos galhos da árvore, para ser mais exato, faltava-lhe um dos braços, ele estava perfurado pelos mesmos galhos que atravessavam boa parte do tórax e havia um fundo corte na barriga, o qual deixava alguns órgãos para fora do corpo.
Observei a cena durante alguns segundos, estático, até que finalmente reconheci a pessoa.
–(Butters...?)
Sim, era o Butters. Eu honestamente nunca imaginei que ele fosse morrer daquela forma. Dei alguns passos para frente ainda observando o corpo do loiro e pisei em algo grudento e molhado. Desci o olhar para verificar, mas parei no meio do caminho.
Ao pé da árvore havia outro corpo.
O meu corpo.
Depois de dar três passos para trás tropecei em algo e cai com força no chão, deixando a lanterna cair e iluminar diretamente aquilo no que eu havia tropeçado. Perto dos meus pés estava uma... cabeça, mas não consegui identificar de quem ela poderia ter sido. Me levantei rapidamente e sai correndo para longe daquele lugar, não vi nada pelo caminho, só queria sair dali. Fugir o mais rápido possível.
Aquele corpo não pode ser o meu, certo? Eu não estou morto! Eu não posso estar morto! Eu estou vivo, aquele corpo não é meu! Ou talvez...?
Antes que eu pudesse me afastar mais algo puxou os meus braços para trás fazendo as minhas costas baterem com força no chão, debati-me violentamente tentando me soltar, porém aquelas coisas se prenderam nos meus braços como se fossem cordas e começaram a me arrastar mais para perto da grande árvore, em um ponto que eu consegui ver a luz da lanterna.
Tentei me levantar, mas aquelas coisas também prenderam as minhas pernas. Por causa da luz eu consegui ver o que exatamente me prendia. Uma espécie de tentáculos negros, que vinham de algum ponto da floresta que não consegui identificar.
Ouvi passos, passos que ficavam cada vez mais próximos e um som de estática de soava dentro da minha cabeça. Fiz força para soltar pelo menos um dos meus braços, mas de nada adiantava.
De repente senti alguma coisa se arrastar pelo meu rosto, pela testa e parar no canto do meu olho esquerdo. Tinha uma textura áspera e era frio...
Debati-me com mais força e gritei quando aquela coisa entrou pelo canto do meu olho e, sem aviso prévio, o arrancou com um forte puxão.
A dor era tanta que eu já não sentia e nem ouvia nada, minha última visão foi de um homem usando terno de pé perto de mim. Ele não tinha rosto.
Então apaguei.
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