Acordei agitada só pra me lembrar dois minutos depois que era sábado, Soushi continuava agarrado a minha cintura, mas agora estávamos de frente um pro outro, senti meu rosto ficar quente com os poucos centímetros que nos afastavam, passei a mão pelas suas orelhas e acariciei seu cabelo, ouvi um ronronar baixo, mas ele não se moveu, senti sua cauda se mover pela minha coxa em um leve balançar, quando estava segura de que ele não havia acordado continuei a explorar seu rosto. Seus traços eram finos e delicados, seu cabelo preto estava bagunçado, era comprido e macio, ele voltou a ronronar quando meus dedos passaram pelo seu rosto, tirei o cabelo da frente do seu rosto e sorri, ele parecia ser só um garotinho, um garotinho pra lá de lindo. O que eu to pensando, não vá por aí Luana, não pode ficar com ele. Fechei os olhos me recusando a cair na tentação, tentei me levantar e fui puxada de volta e presa contra o colchão, Soushi pressionou seu corpo contra o meu e me encarou, seus olhos estavam escuros e sérios
—Soushi me solta
—por que parou? -disse ele parecendo chateado
—o que?
—por que parou de me tocar?
—você estava acordado? -meu rosto queimou de vergonha por ele saber o que eu estava fazendo
—por que parou, eu queria que me tocasse- senti a tristeza em sua voz, reuni um pouco da minha coragem e passei os dedos pelo seu rosto, ele fechou os olhos e eu o ouvi ronronar, seu corpo desabou sobre o meu e sua cabeça afundou no meu pescoço, acariciei seu cabelo sentindo seu corpo vibrar, fechei os olhos e me assustei ao sentir Soushi lamber o meu pescoço uma e outra vez. Quando parei de alisar seu cabelo ele levantou cabeça
—por que parou?
—o que você estava fazendo?
—não posse te lamber?
—não é isso, é que é meio, estranho senti meu rosto aquecer e me recusei a admitir que não era só o meu rosto que estava quente
—desculpa- ele baixou as orelhas e eu me senti culpada pela tristeza em seu olhar
—tá tudo bem gatinho -voltei a acariciar seu rosto, mas parei quando ele me olhou de uma forma estranha- o que foi?
—feche os olhos- achei meio estranho, mas fiz como ele pediu. Algo molhado tocou meus lábios e eu abri os olhos Soushi tinha os lábios a poucos centímetros dos meus
—Sou-sua língua invadiu a minha boca e meu coração disparou. Uma de suas mãos segurou minha cintura e ele se apoiou no outro. Me deixei levar pelo seu toque ouvindo ele ronronar. A campainha fez a gente pudesse e nos afastamos. Me levantei as pressas e corri pra porta
—até que enfim, Luana -Mel entrou com uma mochila e se jogou no sofá
—o que tá fazendo aqui?
—vim passar o fim de semana lembra
—desculpe, eu esqueci
—Lu? -congelei quando ouvi a voz de Soushi atrás de mim
—o que ele está fazendo aqui?
—eu moro aqui- disse ele antes que eu pudesse inventar uma desculpa
—como?
—Soushi é um amigo da família, ele não tinha aonde ficar, então convidei ele pra ficar aqui
—já que ele está no quarto de hóspedes eu posso dormi com você
—eu durmo com a Luana- a cara de espanto da Luana devia estar idêntica a minha ao ver a reação de Soushi, podia ser comparada a reação de um gato ao ver um cachorro.
—Soushi volta pro quarto por favor- ele saiu batendo os pés e Mel me olhou atônita
—não venha com essa de amigo da família depois dessa, me conta a verdade
—não posso
—como assim não pode? Eu sou sua melhor amiga
—não posso contar um segredo que não é meu. Sinto muito, mas saiba que ele não é uma má pessoa, ele só tem um temperamento infantil as vezes
—tá bem. Vem cá cadê aquele seu gato
—hein?
—você tava com um gato preto ontem
—era da vizinha, estava olhando pra ela
—ele era um gato
—sério?
—ele era lindo
—melhorou, que tal uma pizza, vou ver o deus das birras- entrei no quarto escuro e tatiei as paredes atrás do interruptor
—deus das birras?- Soushi me imprensou conta a parede e me beijou -sou o seu gato, fico chateado, e ciumento, mas nunca faço birra
—então aquilo é uma versão sua de uma crise de ciúmes?
—minha dona. Só minha -ele passou os braços ao redor da minha cintura em um abraço de urso afundando o rosto no meu pescoço- adoraria pizza, de sardinha
—você não tem jeito- disse rindo, ele soltou um miado e enfregou seu nariz contra o meu- te adoro
—eu sei, sou um gato adorável.
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