****QUATRO ANOS DEPOIS****

Eu achava que era mãos fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, mas não é que eu comecei a gostar do Hyoga. A história é longa demais pra contar, mas digo que tem dedo da Tami na mudança súbita de comportamento dele, na verdade, o corpo todo.
Feliz, feliz, feliz. Hoje era o dia que eu ia visitar meus tios, já tinha quase dois anos que eu não os via, mas enfim eles chegaram. Já to até vendo a cara da minha tia quando ver a minha pequena Lili. Sim eu tive uma filhinha, agora ela tem dois anos e meio e é tão fofa quanto o Soushi, o temperamento explosivo do Kasai e o meu cabelo, pelo menos o cabelo é meu. E a língua afiada também
—Lu eles chegaram- chamou o Soushi. Peguei Lili no colo e fui receber os pais do Soushi
—ja estão prontos? -perguntou Ichiro
—quase, amor pega a sacola da Lili por favor- Soushi foi até o sofá e pegou a mochila. Coloquei Lili na cadeirinha e me sentei, Soushi sentou do meu lado, Ichiro no banco do motorista e Carmem no do carona.
Finalmente chegamos na casa dos meus tios e não demorou muito pra que a tia Victoria aparecesse.
—aí meu deus que lindinha- me senti completamente ignorada quando a tia Victoria pegou a Lili do colo do Soushi e saiu brincando com ela sem nem olhar pra mim.
—TIA -chamei ela com a voz mais fina do mundo
—que foi?
—e eu? Não ganho abraço não?- ela sorriu e veio me abraçar. Depois falou com o Soushi, o Ichiro e a Carmem. Entramos em casa e vi a sombra do tio Olavo na cozinha- tio
—oi Lu- ele saiu da cozinha ainda de avental e pude sentir o cheiro de frango empanado
—pelo cheiro tá uma delícia- disse o abraçando
—quando a minha comida foi ruim?
—quando você tentou fazer arraia
—verdade, aquilo foi desastroso- disse ele rindo. Nos sentamos na mesa e ficamos conversando coisas aleatórias até que meu celular tocou.
—alô?
—oi amiga
—Mel? -se eu ainda falava com a Melissa depois dela ter tentado agarrar o meu gatinho? Sim falava, mas nós passamos de melhores amigas para colegas. É verdade, algumas amizades evoluem, mas a nossa recebeu uma poção de encolhimento daquelas bem poderosas.
—quem mais seria, soube que voltou topa ir no shopping?
—não vai dar, vou embora no fim da tarde
—ah tá bem então, quando tiver tempo me chama. Queria muito conhecer a sua casa, poderia vir me buscar pra ir la- mas nem fodendo linda
—falo com você depois Mel- desliguei o celular e vi Soushi rindo
—só uma disputa de território certo?
—se não fosse nossa filha eu te daria uma resposta
—mamãe ia mandar o papai ir tomar em um lugar feio- olhamos pra pequena brincando nos chão como se não tivesse dito nada de mais
—querida, mamãe já falou sobre certas expressões que usamos que não é certo você usar
—mas o tio Hyoga disse que não tinha problema- disse ela abaixando as orelhinhas
—Hyoga, eu juro que mato aquele filho da...
—olha a boca-disse Soushi antes que eu pudesse terminar fazendo todos rirem. Fazer o que, o filho da puta do Hyoga seria sempre um filho da puta. Sem ofensa dona Carmem.

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