Sounds of the Future
24 Capítulo 23
Notas iniciais
POV Piers
Vi Rachel congelar. As pupilas praticamente sumiram nos olhos verdes.
Cheguei por trás dela e falei ao seu ouvido.
– O que houve?
Ela apenas se virou para trás, havia começo a tremer.
Puxei-a pelo braço, a abraçando como da primeira vez.
– Nós vamos morrer. – Ela falou baixinho, o som sendo abafado pelo meu peito.
– O que você viu? – Perguntei ao seu ouvido.
– Um Crente... E está correndo em nossa direção.
A voz era tão fraca que nem parecia a Rachel eu conhecia, a pela qual havia me apaixonado.
– Ninguém vai morrer. – Falei, dando um beijo em sua testa. – Quero todos armados agora. Sei que daqui, os únicos com conhecimento de armas somos eu e Katrina, mas vocês sabem atirar. Eu quero que atirem pra matar.
Alma se levantou correndo e foi pegar uma arma. Katrina pegou duas e jogou uma delas na mão de Emma.
Andei até Caleb, que estava pegando uma sniper.
– Quero que dirija na direção dele. Não pare, mas também não colida com ele. Nós cuidamos da parte dos tiros.
Caleb assentiu e foi se sentar novamente no volante.
Parei em frente a Rachel e a olhei nos olhos.
– Nós vamos sair dessa, eu prometo.
Dei-lhe um beijo na testa e me estiquei pelo teto solar.
– Qual a distância? – Gritei para Katrina.
– Mais ou menos 1km. A gente consegue abater ele em 900 metros, vai ser moleza. – Ela gritou em resposta, se posicionando na janela lateral.
– Beleza... Se preparem galera! Janelas são bons pontos, quanto mais tiros melhor! Procurem mirar na cabeça, nas patas e no peito também valem! Procurem não errar os tiros!
Gritei para que Caleb acelerasse e começamos a atirar. Os sons ecoavam pelo deserto.
De repente o Crente parou, os olhos estavam diferentes, não era como as fotos e a anatomia que ensinavam aos oficiais. Eles tinham um tipo de... Humanidade.
Ele se encolheu, tentando se proteger dos impactos das balas.
Então eu percebi... A pele era impenetrável. Todos os tiros o atingiam em lugares estratégicos e fatais, mas ele não recebia nenhum dano.
– Espere um pouco. – Falei, baixo, tentando pensar.
Caleb fez uma curva brusca quando o Crente jogou uma pedra em nossa direção.
O que aquele Crente estava fazendo ali? Será que a Nova Ordem havia descoberto alguma coisa e o colocaram ali para terminarem o massacre? Será que a 15ª era só uma lenda que a Nova Ordem havia espalhado para poder matar os super-humanos mais fácil? E porque aquele Crente não recebia danos nem mesmo nas partes mais fracas?
Então eu ouvi um grito “Não atirem!” ele dizia, mas preferi não prestar atenção... Eu precisava parar de pensar e acabar logo com aquele monstro.
– Não atirem!
Ouvi a voz novamente. Eu não estava delirando.
A voz forte de um garoto atravessou o eco das balas.
– Meninas parem de atirar. – Gritei para dentro do furgão.
Eu subi no teto solar novamente. Só conseguia ver a areia que o furgão havia levantado devido as curvas bruscas.
Quando a poeira foi baixando, eu pude identificar cinco silhuetas, uma delas, a que vinha à frente, era pequena e tinha as mãos levantadas em sinal de rendição.
– Por favor, cessem fogo. – A menina loira e pequena falou.
– Quem são vocês? – Falei, sem tirá-la da mira da minha arma.
– Não aponte essa arma pra ela! – Falou um menino.
– Drew, não... – Uma segunda menina falou, colocando a mão sobre seu ombro.
A loirinha pequena engoliu em seco.
– Eu sou uma super-humana... Bem vindos a 15ª Província.
– Quem é seu superior? – Falei.
– Eu sou. – A menina que parecia ser a mais velha do grupo deu um passo à frente.
O cabelo curto e bagunçado brilhava ruivo à luz do sol.
– Meu nome é Zoe, e exijo saber quem são.
– Você é oficial da 15ª?
– A primeira de cinco.
Olhei para os rostos dos cinco ali parados. Não demorei a descobrir que a 15ª era muito mais organizada do que eu esperava.
Baixei minha arma e pulei sobre o teto solar, indo descer em frente a Zoe.
– Meu nome é Piers... Sou um super-humano e estávamos procurando o abrigo.
– Todos são bem vindos. – Um garoto magricela e de óculos falou.
– Tem algum ferido? – A menina com o longo cabelo castanho perguntou.
– Não, estamos todos bem. – Falei.
– A propósito, eu sou Padme, essa é Suri e esse é meu namorado, Dylan... E o Drew você já conhece.
Drew bufou, mas abriu um sorriso sincero.
– Vocês têm um problema na Província... Tem um Crente...
– Não é perigoso. – Padme falou, sorrindo.
– Aquele Crente é um fracasso de laboratório. Ele... Bem, ele é meu irmão mais novo, Kyle.
Olhei o Crente e pude ver seus incríveis olhos amendoados. Tão vivos, tão humanos.
– Me perdoe, eu não...
– Sem problemas... Ele é imortal até que provem o contrário. Ele é o guardião da 15ª.
Todos os outros que vieram comigo saíram do furgão.
– Aqueles são Caleb e Alma, são Guardiões. Essas são Rachel e Emma e essa é minha irmã Katrina.
– Espera... Guardiões?! – Zoe falou, os olhos arregalados. – Alguém conhece a história? Sobre os guardiões?
Nos entreolhamos. Até alguns dias, não sabíamos nem que Caleb e Alma era guardiões.
– Uma antiga história disse que quando os guardiões retornassem, seria a data da libertação dos super-humanos. – Zoe falou.
– Se você está sentindo alguma diferença eu não sei... Mas eu não estou sentindo exatamente nada! – Katrina falou.
– Mas vamos esquecer isso por agora. Vocês devem estar com fome... Venham, vamos levá-los até o subterrâneo. – Padme falou, dando um passo a frente e colocando a mão sobre o ombro de Emma.
POV Rachel
Eu não sabia o significado de claustrofobia, mas lá estava eu, praticamente sufocada em túneis escuros.
Me agarrei ao braço de Piers e o ouvi soltar uma risadinha, aquilo não tinha graça.
– Por quanto tempo vamos andar pelo escuro? – Perguntei.
– Mais três andares, é a entrada do subterrâneo, não queríamos gastar a energia que usamos aqui em cima. – Drew respondeu.
– E vocês usam tanta energia assim? – Alma perguntou.
– Veja você mesma. – Dylan falou, abrindo uma porta.
A porta dava para o centro do subterrâneo, e quando digo centro, não é brincadeira.
– Uau... – Katrina deixou escapar. – Vocês têm uma cidade aqui em baixo.
– Baseada completamente nas cidades antes da Era — Nova Ordem. Queremos que o mundo volte ao normal o mais rápido possível. – Zoe falou, pulando sobre o parapeito.
Olhamos Zoe aterrissar no chão a mais de três metros abaixo.
– Como descemos? – Piers perguntou.
– Pulando é claro. – Suri falou, os olhos brilhavam com a adrenalina que se formava.
– Só podem estar brincando. – Falei.
– Para uma super-humana que veio até aqui, acho que você está se mostrando um pouco medrosa. – Drew falou, se jogando por cima do parapeito logo depois.
Me estiquei para ver onde Drew havia caído.
Havia uma rede finíssima feita com, o que achava eu, fios de nylon transparentes a primeiro ver, mas quando segurava alguma coisa pesada, ganhava um tom esbranquiçado.
– São super-resistentes. – Dylan falou atrás de mim. – Eu mesmo criei... Podem suportar até 200kg, são fibras modificadas geneticamente.
– Quer dizer que... Se eu me jogar, não vou me machucar? – Perguntei, ainda um pouco insegura.
– Claro. – Ele falou e se jogou de costas sem pensar duas vezes.
Padme sorriu para nós e pulou, Suri foi logo atrás, gritando enquanto caía.
– Vamos, vocês não vão se machucar. – Zoe falou.
Eu não consegui acreditar que a primeira de nós a pular foi Emma. Quando chegou lá embaixo, vou ajudada por Suri a levantar e as duas ficaram lá, conversando como se nada tivesse acontecido.
– Se a Emma consegue, é moleza. – Katrina falou e pulou, com um sorriso nos lábios.
Quando ela chegou lá embaixo, conseguimos ouvir sua risada.
– Pulem, é muito bom! – Katrina falou enquanto ria.
Caleb e Alma pularam logo depois. Piers me olhou.
– Te espero lá embaixo.
Ele me deu um beijo na testa e pulou.
Olhei lá pra baixo. Meu estômago embrulhou.
– Não vou conseguir. – Falei.
– Você vai sim... Não precisa ter medo, estamos todos aqui com você! – Zoe gritou lá de baixo.
Algo na voz dela ou no jeito dela falar me fez ficar mais calma, com se eu pudesse usar todo o poder que eu sempre havia escondido.
Andei lentamente até o parapeito, respirei umas três vezes e desequilibrei meu corpo para frente.
O vento no meu rosto, meus cabelos cacheados indo diretamente nos meus olhos.
Era como se a queda não tivesse fim, mas finalmente atingi a rede de fios. Ela se esticou um pouco para baixo me fazendo pular um pouquinho quando voltou ao normal.
Abri os olhos assim que percebi que eles estavam fechados.
Peguei a mão que Caleb havia estendido pra mim.
– Eu sabia que a garota que cuidou de mim esse tempo todo podia pular de dois metros de altura. – Ele falou.
Ele me puxou para um abraço, me fazendo sumir nos seus braços grandes e musculosos.
Consegui ver o rosto de desconforto de Piers ao olhar a cena.
– Bem pessoal, eu tenho aqui cartões de acesso a quartos. É claro que vocês precisam de um banho antes de qualquer coisa. E temos um refeitório, os endereços estão todos nos cartões de acesso, não tem como se perder. – Zoe falou, entregando-nos cartões com várias indicações.
– Em qualquer caso, vou ficar encarregada deles, não vejo nenhum problema nisso. – Suri falou sorrindo.
– Tudo bem então... Oficial Suri está às suas ordens. – Zoe falou, esboçando o primeiro sorriso desde que havíamos nos encontrado.
Suri foi conversar com Emma enquanto Zoe se voltou séria para nós.
– Quero que nos encontrem depois que já estiverem com a barriga cheia na sala central, Suri os levará até lá, precisamos ter uma conversa séria com vocês.
Assentimos nervosos e Zoe saiu com o resto dos oficiais atrás dela.
– Ai meu Deus... – Falei.
– Relaxa, não tem nada de errado. – Caleb falou, me dando um beijo na testa.
Ele foi com Katrina em direção ao refeitório.
– Não sabia que você e Caleb tinham ficado tão... Próximos... – Piers falou.
Ele saiu andando em direção ao refeitório, me deixando com cara de desentendida por trás.
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