Sounds of the Future
17 Capítulo 16
Notas iniciais
POV Katrina
A picada no meu pescoço ainda coçava quando chegamos a metade da 12ª Província.
O dia estava ficando mais quente.
– Precisamos encher o tanque de novo, a gasolina já está acabando.
– Não quero mais uma bomba de luz querendo fritar meu cérebro. – Rachel falou.
– Relaxa, a gente enche o tanque e dá o fora. – Falei.
Mais a frente havia um posto de gasolina e eu estacionei.
Rachel parou ao meu lado enquanto eu esperava o tanque encher.
– Ainda está com raiva dos gêmeos.
– Não é raiva, é que... Eu não confio mais neles.
– Olha só... Sei que não faço parte de uma família católica, até porque essa religião não existe mais, ou melhor... Nenhuma religião existe mais depois da chegada da Nova Ordem, mas, os gêmeos, guardiões, seja o que forem, são anjos. Se a sua teoria dos Cavaleiros do Apocalipse estiver certa, o que provavelmente deve estar, então seus guardiões são anjos da guarda... Quase ninguém tem um anjo da guarda hoje em dia e você tem dois. – Falei.
Rachel sorriu.
– Mas é como se eu não os conhecesse... Não são mais Alma e Caleb, duas criancinhas que precisavam de proteção...
– São Alma e Caleb, que vão nos ajudar a nos proteger. – Falei.
Rachel baixou a cabeça e colocou as mãos no rosto.
– Como eu pude ser enganada? Como eu nunca tinha percebido os sinais?
– Faz parte do plano, você não podia saber... Não foi isso que eles disseram?
– O Mestre... Seria... Deus?
– Bem provável, quem manda nos anjos afinal?
Tirei a mangueira da boca do tanque.
– Anda, entra no furgão, não podemos demorar.
Entramos rápido no veículo e eu pisei no acelerador, deixando o posto para trás.
– Quanto tempo até os limites da Província? – Rachel me perguntou.
– Algumas horas, não se preocupe, vamos chegar a 15ª Província bem rápido.
[...]
– Essa não. – Resmunguei baixinho quando estávamos próximos a fronteira.
– O que houve? Não vejo nada. – Rachel falou.
– Esqueci que eu tenho uma visão mais eficiente, me perdoe. – Falei. – Acorde os outros, temos companhia.
Mais a frente, na fronteira, havia uma patrulha de agentes da Nova Ordem.
Logo Piers estava com a cabeça entre os bancos do carona e do motorista.
– O que houve?
– Patrulhamento... Nunca tinha visto um tão longe dos centros. – Falei.
– A Nova Ordem sabe de nós, eles nunca tornariam nada tão fácil. – Piers falou, bufando.
– Podemos ajudar. – Caleb falou.
Piers deu uma olhada em Caleb, que agora tinha a aparência de um adolescente e asas que brotavam das costas.
– Tudo bem, o que eu perdi enquanto dormia?
– Alma e Caleb são anjos, eles são os guardiões da Rachel. – Falei, rindo da cara de surpresa de Piers. – Tudo bem Caleb, guarde essas asas, elas não vão ajudar muito.
Caleb fez um esforço e um cara de dor enquanto as asas se encolhiam em suas costas.
– Pessoal, ajam naturalmente, somos apenas humanos aventureiros em um furgão. – Falei.
– Humanos aventureiros em um furgão com armas. – Emma falou, finalmente.
– Então esconda isso mulher, o que você está esperando?! – Falei, o que fez Alma dar uma risadinha.
Eu tinha deixado o pé mais leve no acelerador, para que desse tempo de ajeitarmos tudo dentro do furgão.
– Espero que vocês estejam prontos, porque eles vão nos parar. – Falei.
Um agente da Nova Ordem levantou a mão, pedindo para que parássemos. Estacionei o carro parando com a janela aberta em frente a ele.
– Boa tarde oficial. – Falei, com um sorriso.
– Boa tarde senhorita, posso ver seus documentos.
Agora estávamos completamente ferrados, estávamos sem nenhum tipo de documentação, simplesmente porque não tínhamos, éramos todos super-humanos com exceção de Caleb e Alma, que não eram muito melhores que nós.
– Ahn, nós... – Comecei a falar, pensando em alguma desculpa.
– Tenho que pedir para revistar o seu carro moça.
Algo nele estava me incomodando.
Dei de ombros.
– Galera, vamos descer, eles querem revistar o Bubbles.
Rachel reprimiu uma risada. Jura que eu havia chamado um furgão de Bubbles?!
Ficamos todos parados ao lado do furgão.
– Com licença. – Caleb falou, quando desceu do furgão.
Caleb encostou a mão no braço do oficial e se juntou a nós.
– São todos super-humanos, os mais poderosos, criados por Tori. – Ele falou em um sussurro.
– Como sabe? – Rachel perguntou.
– Leitura corporal... Coisa nossa. – Alma falou, sorrindo.
– Podemos meter a porrada neles então? – Falei.
– Katrina... – Piers advertiu.
– Por favor... Faz tempo que não metemos a porrada em ninguém. – Falei.
Caleb e Alma sorriram.
– O Mestre ficaria muito bravo com a gente? – Caleb perguntou, com um sorriso.
– Acho que não muito... – Alma me lançou um sorriso.
– Oba! – Falei, fechando os olhos de excitação.
Desferi um soco com o punho esquerdo no rosto de um oficial.
Então se gerou um caos.
Os super-humanos eram três vezes mais fortes que os normais.
Rachel e Emma se saíram bem para duas super-humanas que nunca haviam lutado na vida.
– Precisamos sair daqui. – Rachel falou, quando deu um soco na nuca de um agente atrás de mim.
– Corram pro furgão, não olhem pra trás! – Alma falou.
– O que vão fazer? – Emma perguntou.
– Tenho um plano. – Alma falou, dando um chute em um super-humano que corria na direção dela.
Começamos a correr para o furgão.
Era como se estivéssemos invisíveis, todos os agentes eram atraídos para Alma e Caleb, mas os dois haviam parado de lutar com os agentes. Seja qual fosse o plano, eu esperava que desse certo.
Quando estávamos próximos ao furgão, tudo ficou iluminado, uma luz muito forte vinha de trás de nós.
– O que é isso. – Emma falou.
Ela ia olhar para trás, então eu a segurei e tampei seus olhos.
– Não se atreva garotinha. – Falei, colocando-a dentro do furgão.
Continuamos com os olhos fechados até a luz voltar ao normal.
Abrimos os olhos devagar.
– Vamos, deem a partida! – Caleb falou.
Agora ele já não era mais uma criança, nem um adolescente, tinha a aparência de um adulto. Era lindo, os cabelos loiros eram ondulados e cobriam a nuca, os olhos eram completamente azuis.
– Katrina, dirige isso! – Piers falou, me tirando do transe.
Pisei no acelerador e o furgão passou sobre os corpos dos agentes.
– O que aconteceu lá fora? – Piers perguntou.
– Um humano, por mais que seja super-humano, não pode olhar para a verdadeira forma de um ser como nós. Sendo da Nova Ordem, sendo um anjo, não acreditem que essas são nossas verdadeiras formas. – Alma falou.
Alma também não parecia mais uma adolescente, estava mais velha, o corpo definido e cheio de curvas, os olhos castanhos estavam mais claros e os cabelos avermelhados desciam até o final da coluna.
– Quer dizer que... Vocês mataram todos eles? – Emma perguntou.
– Infelizmente... Sim. – Caleb falou.
O silêncio seguiu no carro enquanto eu acelerava indo em direção a 15ª Província. Só faltavam mais duas Províncias. Não demoraríamos muito.
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