Sounds of the Future
22 Capítulo 21
Notas iniciais
POV Rachel
A noite havia sido conturbada. Os pesadelos não pararam a noite toda e eu só me sentia verdadeiramente segura quando sentia o braço de Piers ao redor de minha cintura.
Acordei na manhã seguinte percebendo que eu não conseguiria mais dormir. Saí da cama com cuidado para não acordar Piers.
Emma fazia alguns barulhos enquanto dormia, logo reconheci que ela, muito provavelmente, estava tendo um pesadelo.
– Hei eu estou aqui, e nós estamos bem. — Falei, dando-lhe um beijo na testa, o que pareceu acalmar os sonhos dela.
Passei por Katrina, que dormia no sofá com um sorriso nos lábios.
Alma dormia encolhida no banco carona.
Caleb me olhou rapidamente pelo espelho retrovisor.
– Bom dia. — Ele falou, abrindo um sorriso.
– Bom... Dia...?! — Falei.
Caleb soltou uma risadinha.
– Rach, eu continuo sendo o mesmo Caleb ok?! Só o meu físico que está diferente, eu não mudei minha maneira de pensar.
– Mas eu não queria que o Caleb crescesse agora... Eu queria que você crescesse normalmente! — Falei.
Caleb suspirou.
– Eu sei por que você está falando isso... É por causa de Emma não é?! — Ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada.
– Sim, é por isso também.
– Eu conversei com ela ontem à noite ok?! Eu falei que ela não podia se apaixonar por mim!
– E deu um motivo concreto pra ela acreditar nisso?! Você sabe como a Emma é... Ver pra crer.
– Eu falei... Falei a verdade. Eu estou apaixonado pela Katrina... Por mais que Emma seja mais madura que as meninas da idade dela, eu não consigo vê-la colo nada além de uma irmã.
– Ela tem que saber que você pensa assim...
– Não vai mudar a ideia dela Rach... Não dá pra colocar na cabeça de uma pessoa apaixonada que ela não pode amar quem ela quiser.
Um silêncio constrangedor pairou no carro.
– Me desculpe... Eu tentei. Juro que tentei, eu contei toda a história para ela, mas eu não sei se ela acreditou. — Caleb falou.
Coloquei a mão no ombro de Caleb e me estiquei um pouco pra frente, dando um beijo no topo da cabeça de Caleb.
– Não precisa se desculpar meu amor... To vendo que realmente não mudou nada. — Falei sorrindo.
Caleb tirou os olhos da direção por um minuto, olhando pra mim, o sorriso ainda era o mesmo, encantador, tranquilizador, angelical. Caleb não havia mudado, eu só estava achando isso e sendo deixada enganar pelos meus olhos.
– Mas então... Me conte as novidades da estrada. — Falei.
– Mais alguns quilômetros até a 15ª Província... Em horas, umas duas de viagem.
– O que vamos encontrar lá, Caleb? — Perguntei, finalmente ficando séria.
– Sinceramente... Paisagens desérticas. Não sei exatamente como é esse tal "esconderijo" para super-humanos... Talvez seja só um mito, uma tentativa de aumentar a esperança de vocês... Nos últimos anos que estive lá, não havia nada, mas o Mestre nos mandou, disse que havia uma fortaleza...
– Fortalezas são em terra.
– Não necessariamente. O Mestre nos disse que era uma fortaleza subterrânea.
Um lugar completamente seguro.
Caleb freou o furgão bruscamente.
– Nós chegamos. — Ele falou.
A estrada estava destruída na entrada do deserto, como um aviso proibindo os automóveis de continuar a viagem. O deserto era vasto, pegando todo o meu campo de visão.
Engoli em seco.
– É melhor acordar os outros, não acha? — Caleb falou, sem tirar os olhos da paisagem a frente.
Corri até a parte de trás com furgão e dei uma sacudida sutil em Piers.
– Nós chegamos. — Falei.
Piers se levantou, indo até o parabrisa para olhar a vastidão de deserto.
Ele chamou Katrina, que acordou devagar, piscando diversas vezes até despertar.
– Emma, acorde... Chegamos, a 15ª.
Emma abriu os olhos e se sentou na cama de imediato, olhando pra frente.
– É um campo aberto. Um deserto... O que vamos fazer? — Emma falou, me olhado.
– Vamos em frente. — Falei.
– Rachel... Pode vir aqui um minutinho? — Ouvi Alma me chamar.
Algo em sua voz me dizia que alguma coisa estava errada.
Fui até o lado de Alma.
– O que houve?
– Vou te emprestar a minha visão um pouquinho ok?!
Alma segurou minha mão e minha visão ampliou uma imagem acinzentada correndo em nossa direção.
– O que é aquilo?! — Perguntei.
Alma ampliou ainda mais a visão me fazendo ver. Um Crente enorme soltava areia enquanto caminhava.
– Ahn, Alma... Já pode parar de ampliar a visão. — Falei.
– Me desculpe Rach, mas... Eu não estou ampliando nada... Ele é que está vindo em nossa direção.
Prendi a respiração. Depois de todos esses dias, prometendo ter um lugar seguro na 15ª Província e era isso que nos esperava lá.
Nossas últimas horas estavam sendo contadas.
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