Notas iniciais
Estou agradecendo mentalmente ao Nyah por entrar em manutenção amanhã, já que amanhã não é dia de atualizar a fic ~corações aqui~ Quando eu tiver um capítulo relativamente bom e fod% eu faço uma dedicatória. (sim, eu já tenho uma pequena listinha de dedicatórias) Então pessoal, até sábado. Boa leitura. Lay xx

Passamos a viagem toda em silêncio, apenas com a estática do rádio tocando em um volume baixo.

Aquele som me deixava agitada e nervosa, então estiquei a mão para desligar o aparelho.

– O que está fazendo? – Piers falou, desviando os olhos da direção.

– Desligando o rádio, esse barulho de estática é irritante.

– Não pra mim... Ele me acalma.

O olhei fixamente enquanto ele voltava a se concentrar na direção.

Deixei o rádio ligado e me larguei no banco do passageiro.

– Porque está nos ajudando? – Perguntei. – Quero dizer... Não estou dizendo que não quero sua ajuda, só estou dizendo que... Vocês eram da Nova Ordem, matavam gente como eu e Emma e agora, do nada resolvem nos ajudar, por quê?

– Sabe... Quando você se transforma num super-humano, eles matam toda a sua família e apagam todo o seu histórico. Você perdeu seus pais, sabe o quanto é doloroso e sabe que isso pode acaba com você de uma maneira horrível. Katrina viu em você e em Emma uma esperança de sobreviver. – Ele falou. – E você está pensando que nós somos um escudo pra vocês, a verdade não é bem essa Rachel... Eu posso fazer campos de força, mas não posso proteger você e as crianças o tempo todo.

– Você fala como o meu pai. – Falei.

A respiração de Piers falhou e eu senti meus olhos se encherem de lágrimas.

Eu me lembrava disso. De quando meu pai disse para a minha mãe que não podia nos proteger o tempo todo.

Pela primeira vez desde o meteorito, eu pensara em Liesel, a menina que havia me escolhido, fiz força para que Piers não lesse minha mente, mas secretamente, desejava compartilhar isso com alguém que pudesse me fazer entender, e esse alguém era Piers.

– Piers... Você já leu a Bíblia Sagrada?

– Dos antigos cristãos? Não... Ela é obsoleta.

– Você... Tem certeza disso?

– Por quê?

– Eu tenho poderes de previsão do futuro e eu vi... Os quatro líderes da Nova Ordem são os cavaleiros do apocalipse.

– Realmente acredita nisso?

– Não só acredito, como vi que é verdade.

Piers tamborilou os dedos no volante.

– É... É uma hipótese bem concreta sobre os líderes... Uma das mais sérias sobre conspiração que eu já ouvi.

– Acha que pode ser verdade?

Ele ficou em silêncio, examinando o tamanho da bobagem que eu acabara de falar, ou imaginando o tamanho do problema se realmente fosse verdade.

– Eu... Não sei dizer se é verdade... Eu nunca li a Bíblia, como saberia identificá-los? – Ele falou.

Balancei a cabeça em compreensão.

– O que vamos encontrar na 15ª Província? – Ele finalmente perguntou.

– Um tipo de abrigo para super-humanos.

– Você conhece o pessoal?

– Não... Só recebi imagens minhas e de Emma no “quartel general” deles.

– Espera... Só viu você e Emma?

– Não quer dizer que vocês não estejam lá... Nem sempre minhas visões são corretas. – Falei, tranquilizando-o.

Na verdade, elas foram corretas todas às vezes, mal interpretadas de vez em quando, mas exatamente precisas. O que significava eu não ter visto nem Caleb, nem Alma e nem Piers ou Katrina.

O pensamento me fez gelar. Eu não podia perdê-los, nem as crianças e nem os irmãos. Eu não me sentiria segura sem eles.

Piers bufou no volante.

– Precisa parar de mentir pra mim Rachel.

– Desculpe... Eu não... Eu não posso... Eu não quero te preocupar.

Piers colocou sua mão sobre a minha.

– Não pode mentir pra mim, eu estou tentando te ajudar a sobreviver... Preciso saber seus planos, o que está pensando...

– Então precisa saber de onde vêm meus poderes. – Falei, decidida.

– Eu sei... Você falou, seus pais tinham, eles passaram pela genética.

– Isso também era mentira e você nem notou. – Falei, sorrindo.

Ele sorriu, sem tirar os olhos da direção.

– Você é uma excelente mentirosa senhorita Young.

– Me perdoe, não foi a intenção.

Ele continuou rindo por mais alguns minutos.

Foi aí que eu percebi... Nunca tinha dito que meu sobrenome era Young.

Meu sorriso sumiu e eu o olhei. Piers percebeu e ficou trocando o olhar entre eu e a direção.

– O que houve? O que aconteceu?

– Como sabe que eu sou uma Young?

Piers engoliu em seco.

– Então é verdade...

– Verdade? Do que está falando?

– Quando eu era um garoto, tivemos a primeira Guerra, contra uma invasão, uma ameaça de uma nova espécie... Meu pai estava nessa guerra por engano, não sei por que o convocaram, ele não era um super-humano. Ele passou por todos os dois anos de guerra. No último, ele já sabia que ia morrer, que não ia conseguir sobreviver.

Piers parou para respirar, seu pai estava morto.

– Acontece, que ele conheceu um homem, um super-humano... O nome dele era Peter. Peter Young.

Continuei olhando para Piers. Eu não conseguia acreditar.

– Quando meu pai falou pra ele que não sabia porque estava lá, Peter começou a acalmá-lo, foi quando ele se apresentou e disse que tinha duas filhas, Rachel e Emma.

Piers deixou uma lágrima escorrer, mas não a limpou.

– Ele disse, que protegeria meu pai. Então ele achou, achou uma fenda, como se o campo fosse uma ilusão. A fenda levava de volta para a cidade.

– E por que... Porque meu pai não voltou?

– Ele distraiu as criaturas, para que meu pai passasse... Mas ele ficou lá até o último minuto, até seu pai morrer.

Piers começou a chorar, a chorar de verdade.

– Ele morreu sorrindo. – Piers falou, entre lágrimas.

– Então foi ele... Ele foi falar com a minha mãe. – Falei, sentindo que estava soluçando também.

– Ele disse que precisava ir lá, mas que não tinha coragem... Disse que tinha vergonha de ir falar com a sua mãe, porque seu pai havia se sacrificado por ele. Tão fraco e inútil. Ele se sentia responsável...

– Não foi. – O interrompi.

Piers freou o carro e me olhou, o rosto molhado pelas lágrimas.

– Não foi. – Falei.

– O que aconteceu depois? Depois que ele falou com vocês.

– Minha mãe entrou em depressão e morreu.

– E vocês?

– Fugimos. Eu tinha 12 anos, consegui fugir com Emma. E alguns anos depois, encontramos Caleb e Alma.

– Me desculpe, por favor me perdoe.

– A culpa não foi sua.

Eu não consegui suportar. Podia sentir a culpa que Piers estava sentindo.

– Tenho mais uma pergunta... Porque entrou para a Nova Ordem... Você realmente odiava os super-humanos? – Perguntei.

– Nunca contei isso a ninguém... Eu sempre quis achar a família Young, sempre tive esperanças de que um dia eu poderia fazer alguma coisa pra meio que... Tapar o buraco que meu pai causou, mas eu sei que isso vai ser impossível.

Balancei a cabeça. O buraco que a morte do meu pai causou não podia ser preenchido agora, até porque minha mãe também estava morta.

Eu sabia que Piers não ia se recuperar daquilo enquanto eu não falasse que não tinha problema, mas eu não sabia como mentir para ele depois que ele se abriu tão sinceramente comigo.

Cheguei mais perto de Piers e lancei meu corpo sobre o dele, o abraçando.

– A culpa não foi sua... A culpa não foi nem mesmo do seu pai. Quem os colocou naquele lugar foi a Nova Ordem e nós temos que destruí-la.

– Agora mais do que nunca... Eles não tiraram só a sua família, tiraram a minha e a de um monte de gente. Eles têm que pagar.

Percebi que ainda estávamos abraçados e fungando depois de tanto chorar.

Ajeitei-me e sentei novamente no banco carona, limpando as lágrimas com os pulsos.

– Vamos ficar bem não é? – Falei.

– Vamos... Temos um ao outro agora... E ainda temos Emma e Katrina.

– Sem se esquecer de Alma e Caleb.

– O que aquelas crianças têm? Elas são maduras demais pra serem crianças.

– A guerra fez isso com elas.

Piers deu a partida de novo, acelerando o furgão.

O silêncio entre nós só era cortado pela estática no rádio.

– Mas então... Conte-me de onde vieram os poderes.

– Então é uma longa história... – Falei, revirando os olhos e sorrindo.

– A noite é bem longa não é?

Ele me olhou, lançando um sorriso e eu pude ouvir a voz dele em minha cabeça: Você não pode mais mentir pra mim.

Lancei-lhe um sorriso e deixei que ele lesse minha mente: Confio demais em você pra mentir.

Notas finais
Eu sei que esse negócio de fazer romance numa fic dessas deve ser bem chato, mas é que fica sem graça sem um pouquinho de romance. AH e preparem-se para altas revelações e capítulos engraçadinhos, só pra dar uma descontraída rs. Até sábado. xxx