Sounds of the Future
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Nahuel estava sentado a mesa com Tori desenvolvendo maneiras de encontrar dois guardiões que emanavam uma energia já conhecida por eles quando uma mensagem começou a bipar no computador do laboratório.
Tori parou de ajudar Nahuel e foi em direção ao computador interceptar a mensagem.
– Aqui é o Capitão Hopkins, da 11ª Província. Acabamos de ser atacados por um grupo de super-humanos.
– Quantos eram, Capitão?
– Quatro adolescentes e duas crianças.
Tori lançou um olhar a Nahuel, que passou a prestar atenção a chamada do Capitão.
– E para que direção foram?
– Em direção a 15ª, não sabemos o que querem fazer lá, só sabemos que foram pra lá, mataram parte do pelotão que foi atrás dele, destruíram um caminhão, metade dos carros que temos e seis motos, sem contar com o helicóptero.
– Não se preocupe Capitão, mandaremos novos veículos para vocês.
– O problema não são os veículos, são os soldados, como vamos explicar para todas as famílias?
– Vamos mandar uma nave, queremos todos os corpos.
– O que vão fazer?
– Vamos tentar reanimá-los.
Tori desligou a chamada e olhou para Nahuel.
– Quero que coloquem a bomba de luz em todos os postos de gasolina em direção à 15ª Província.
– Uma bomba de luz? Quer apagar a memória deles?
– Teríamos os super-humanos perfeitos assim não é? E além do mais, preciso de uma amostra de sangue dos ex — militares que estão no grupo.
– E os corpos?
– Quero testar o soro que desenvolvi para os Crentes... Vou ressuscitá-los como super-humanos e apagar a mente de todos eles... Comunique Amós, ele vai aceitar a proposta.
Nahuel saiu do laboratório e Tori começou a digitar. Mandou códigos criptografados para todos os sistemas de postos de gasolina, qualquer leitura corporal compatível com as deles ativaria as bombas de luz, que esvaziaria suas mentes.
{...}
Acordei com Katrina colocando a mão em meu ombro.
– Hora de trocar de turno. – Ela falou, sorrindo. Os olhos vermelhos de cansaço.
Levantei-me e ela se deitou ao lado de Caleb.
O furgão estava parado em o que seria um posto de gasolina no meio da estrada.
Piers estava encostado na bomba de gasolina enquanto esperava o furgão estar com o tanque cheio
– Hei. – Falei, ajeitando o cabelo.
– E ai. – Ele falou.
Ele olhava fixamente para a loja de conveniência do posto.
– O que acha? – Falou, apontando para a loja.
– O que tem?
– Precisamos de comida.
– Entramos lá e pegamos...? – Falei.
– Por isso perguntei o que acha.
Segui seu dedo até onde ele estava apontando. Uma câmera de segurança.
Não podíamos ser vistos, ou iam nos encontrar fácil. Não tínhamos dinheiro, então precisaríamos roubar a loja.
– Tem alguma ideia? – Falei.
Ele balançou a cabeça negativamente.
– Precisaríamos ser invisíveis... Mas, não somos. – Falei.
– Ou causar uma interferência ou quebrar a câmera. – Piers falou.
Ele correu até o furgão e pegou a sniper. Mirou o laser na câmera durante alguns minutos. A câmera deu um pequeno estalo e ele abriu um sorriso.
– Vamos, rápido. – Ele falou.
Entramos na loja e ela estava vazia, completamente vazia.
– Onde está o caixa? – Falei.
Ele ficou desconfiado, olhando para todos os lados.
– Deve estar abandonada... Seja rápida. Pegue o que der e vamos. – Ele falou.
Enchi os braços com pacotes de biscoitos e os bolsos com barras de cereal e de chocolate.
De súbito eu parei e olhei pra frente.
– Está ouvindo isso? – Falei.
Piers olhou em volta, prestando atenção. Finalmente ele pareceu ouvir.
– O que é isso? – Ele falou.
Balancei a cabeça em negativa.
De repente o barulho se tornou ensurdecedor.
– Ah meu deus, precisamos ir embora. – Ele gritou, tentando se fazer ouvir em meio ao barulho.
Não tinha como eu tapar os ouvidos sem largar o que tínhamos de comida e Piers ou segurava a arma, ou tapava os ouvidos, e ele precisava nos defender.
Corremos para o lado de fora da loja de conveniência e uma luz branca e forte vinha de todos os lados, nos cegando. O furgão era um pontinho preto no horizonte.
– Eu não enxergo! – Gritei.
Piers tentava mirar em alguma coisa, mas também não conseguia enxergar.
– Faz parar, por favor faz parar! – Falei, caindo de joelhos no chão, finalmente largando as coisas e colocando a mão nos ouvidos.
Espremi os olhos numa tentativa fracassada de evitar a luz e senti Piers jogar o corpo por cima do meu, como se estivesse me protegendo.
A luz começou a diminuir até ficar no estado normal e suportável.
Abri os olhos devagar e vi que Piers tinha feito com que a luz e o som ficassem aprisionados numa bola de energia.
Pontos pretos dançavam em meus olhos e eu não conseguia parar de tremer.
– Piers... – Falei, a voz falhando.
Ele largou a arma e me abraçou forte.
– Calma, já passou. – Ele falou, passando a mão em meu cabelo.
Ele me abraçava cada vez mais forte, tentando me fazer parar de tremer, o que demorou um pouco a funcionar.
Ele me libertou do abraço e me segurou pelos ombros, olhando diretamente em meus olhos.
– Você está bem?
– Uhun. – Soltei, balançando a cabeça.
– Vem, vou te ajudar a levar as coisas para o carro.
Ele encheu a mão de sacos de biscoito e me ajudou a entrar no carro.
A bolha de energia continuava flutuando e pulsando no ar, como se fosse explodir.
Eu não conseguia parar de olhá-la, era como se aquela coisa me atraísse. Eu estava em transe.
Só despertei quando Piers colocou a mão em meu ombro.
– Não olhe... Ela vai fritar seu cérebro. – Ele falou.
– Sabe o que é essa coisa? – Perguntei.
– Controláveis pelo governo. – O olhei sem entender. – Ok, pela Nova Ordem, eles são o governo. Enfim, queima de registro humano, programada pra apagar qualquer indício de memória. Numa linguagem básica, ela serve pra fritar o seu cérebro.
Piers deu a partida e deixou a bolha de energia para trás.
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