Sounds of the Future
10 Capítulo 09
Amós entrou furioso no laboratório onde Tori tentava fazer um soro sedativo para os Crentes.
Tori levantou os olhos para Amós, que bufava furioso a sua frente.
– O que você fez? – Ele falou, a voz emanava ódio.
Tori largou os materiais que usava para criar o soro sobre a mesa e o olhou com mais atenção.
– Do que está falando?
Amós partiu pra cima de Tori, apertando o pescoço dela com as mãos. A cabeça da mulher bateu com força na parede. Tori sentiu o cérebro sacudir dentro do crânio.
– O que está fazendo? – Ela falou, a voz saindo enforcada.
– Você sabe o que você fez? Mandou matar os guardiões?
Tori usava as unhas tentando se livrar das mãos fortes de Amós, mas não tinha sucesso.
Sua respiração começava a falhar, Amós a mataria ali.
– Por favor... Eu vou explicar... – Tori falou.
Amós a largou e ela caiu no chão, o corpo tremendo. O ar entrava com dificuldade nos pulmões de Tori.
– Agora... Seja breve e me faça não te matar por isso. – Amós falou, a apressando.
– Bartholomew... Ele disse que se encontrássemos os guardiões que foram lançados na Terra, encontraríamos a garota da minha visão, a que vai nos destruir.
– E porque atiraram em um dos guardiões dela? Vocês querem a garota, não os guardiões.
– Bartholomew disse que sem um deles o outro não teria poder suficiente para nos destruir e poderíamos reerguer o campo de força.
Amós a olhou, Tori chorava encarando o chão.
– Você é uma incapaz Tori... Admiro seus poderes psíquicos, mas você seguiu as ordens da pessoa errada!
– Ele é meu superior, Amós... Eu precisava seguir as regras dele.
– Que pena... O plano de vocês não deu certo.
Tori olhou para Amós, os olhos mais vermelhos que nunca.
– Como sabe?
– Tive que matar o oficial que deu um tiro em um dos Guardiões, mas ele me contou antes... A sua preciosa garota, não está sozinha, ela está acompanhada de três super-humanos, todos não arquivados. Dois deles eram testes militares, são os super-humanos recém-criados mais poderosos que constam no sistema militar.
– E como sabe disso se eles não estão no sistema?
– Porque os arquivos deles foram queimados, pedi informações diretas a base que estava os testando, os únicos sobreviventes de um pelotão que você enviou para caçar super-humanos.
– Sobreviventes? E sobreviveram a que exatamente, Amós?
– A queda e radiação do asteroide.
Tori se levantou num pulo. Eles eram os únicos que sobreviveram a queda do asteroide, eram os únicos que tinham recebido a radioatividade e ainda estavam vivos.
– Preciso deles Amós, não deles, mas de amostras de sangue... Com elas podemos fabricar soros imunes ao poder do asteroide e fazer uma aplicação única nos Crentes forte o bastante para que estejam do nosso lado pra sempre.
– Sabe que se os Crentes forem destruídos, estaremos um passo atrás deles não sabe?
– Tenho ciência disso, Amós.
Amós se calou e olhou novamente para Tori. Ele se aproximou do ouvido dela.
– A partir de agora, eu sou seu único superior... Não escute ou siga mais nenhuma ordem de Bartholomew.
Amós se retirou da sala.
{...}
Seguimos Piers até chegarmos a uma base militar. Nos abaixamos atrás de placas de ferro, evitando que soldados nos vissem.
– É o seguinte, eu entro e vocês me dão cobertura. – Piers falou. – Rachel, você sabe usar essa arma?
– Um pouco. – Falei.
– Qualquer coisa, Katrina consegue lutar corpo a corpo, é só chamá-la.
– Peraí... Quer entrar lá? – Emma falou.
– Como acha que vou roubar o carro Emma? – Ele falou.
– O que eu faço enquanto isso? – Ela perguntou.
– Cuida das crianças, eu volto logo. – Ele falou. – Katrina... Uma ajudinha com o portão.
Ela balançou a cabeça.
Piers se levantou e correu sorrateiramente em direção ao portão. Katrina se concentrou no fecho do portão e, girando levemente a mão, o mesmo se abriu.
Piers correu para dentro sem ser notado.
– Se prepara para atirar a qualquer momento ok? Isso não é um revólver, é um rifle, a meu ver, é muito mais fácil de manejar. – Katrina falou.
Concordei com a cabeça e coloquei o olho na mira, olhando o que estava acontecendo do lado de dentro.
Os homens começaram a se agitar do lado de dentro. Fechei os olhos e me concentrei, eles haviam nos descoberto.
– Nos descobriram. – Falei, mirando novamente.
– Vou fazer uma pequena bagunça, me cubra.
Katrina se levantou e andou rebolando em direção aos soldados.
– Olá meninos. – Ela falou, de uma maneira sedutora.
Talvez eu tivesse uma audição amplificada, não acredito que Katrina estivesse gritando.
Katrina era realmente bonita e o vento jogava seu cabelo de lado.
Um soldado mirou a arma no corpo dela.
– Calma soldado, é só uma garota.
Katrina sorriu.
– Então... Capitão... – Ela falou.
Katrina não sabia o que fazer para enrolar até que o irmão saísse com o carro.
– O que você quer? – O capitão gritou.
Ela sorriu e colocou o dedo nos lábios, pedindo silêncio. De imediato todos fizeram silêncio, querendo ouvi-la. Ela juntou as mãos e as subiu até a altura do rosto como se segurasse um revólver.
Eu podia sentir o ódio que ela tinha, por terem a abduzido, por terem matado sua família.
Consegui distinguir ela falando “pow” quando fingiu atirar, fazendo o capitão voar para trás com a telecinese.
– Agora! – Ela gritou.
E eu sabia que era uma deixa para mim.
Abati todos os armados, dando tempo para ela lutar com os que estavam desarmados.
Escutei um barulho de motor e torci, com todas as forças para que fosse Piers.
Um furgão saiu de dentro da base, atropelando vários soldados e freando em cima do corpo de Katrina, que continuava ali, ereta.
– Venham! Coloquem as crianças no carro, consegui algum tempo. – Piers gritou.
Então eu vi um laser de sniper, mirando a cabeça de Piers. Coloquei os olhos na mira e segui na direção da origem do laser.
O garoto não parecia ter mais de 15 anos e tremia com a arma na mão.
– Me desculpe. – Sussurrei para mim mesma, puxando o gatilho.
O garoto caiu da torre de onde estava.
Peguei Caleb e corri em direção ao furgão, jogando ele na parte de trás junto com Emma e Alma.
– Você vai no teto, depois entra pelo teto solar. – Piers me falou.
Subi nas escadas laterais e me sentei no teto.
Piers arrancou com o furgão em direção a estrada. Segurei-me onde consegui para não ser arremessada para o chão.
Um campo de força se formou ao meu redor.
– Obrigada. – Gritei.
Carros começaram a vir ao longe.
– Tente atrasá-los. – Katrina gritou. – Estou tentando inutilizar o chip rastreador.
Mirei em alguns soldados que pilotavam motos e eles caíram no chão.
– Consegui! – Katrina gritou.
Ela abriu o teto solar e colocou metade do corpo pra fora.
– Tenho só mais duas balas. – Falei.
O campo de força começava a falhar com os tiros disparados pelos soldados.
De repente, ouvimos um barulho mais alto vindo de cima.
– Era só o que faltava, um helicóptero. – Katrina resmungou.
Após falar isso, ela parou. Olhou para os carros que se aproximavam e para o helicóptero. Ela abriu um sorriso e eu sabia que ela tinha uma ideia.
– Quando eu der o sinal, atire nos pneus da frente do carro mais próximo.
– O que vai fazer?
– Confie em mim. – Ela falou.
Ela se abaixou pra dentro do carro novamente.
– Emma, coloque o cinto em você e nas crianças. – Katrina falou.
Pude vê-la colocando o cinto em seu irmão.
– O que vai fazer? – Piers falou.
– Relaxa... O cérebro aqui sou eu e não você.
– Tudo bem, mas temos pouco tempo, o campo de força está quebrando. – Ele falou, havia dor em sua voz, como se o campo de força sugasse sua energia.
Katrina pôs metade do corpo para o lado de fora do teto solar.
– Diminua um pouco a velocidade. – Ela gritou para Piers.
O furgão diminuiu um pouco, fazendo com que os carros chegassem perto o bastante.
– Atire agora! – Katrina falou.
Dois tiros certeiros nas rodas dianteiras do primeiro carro.
Foi um engavetamento, caminhões e carros capotaram, as motos derraparam no óleo que havia ficado no chão.
– E agora? – Perguntei.
– Observe. – Katrina falou.
Ela olhou para o helicóptero e se concentrou nele. Ouvi o motor estourar e logo o mesmo começou a sair fumaça até pegar fogo.
Com a telecinese, Katrina fez com que ele caísse sobre os carros engavetados e embebidos em óleo combustível.
A explosão não aconteceu muito longe, fazendo o carro sacudir completamente.
– Vamos entre. – Katrina falou.
A explosão havia causado uma nuvem de energia e quando ela atingiu o furgão, o carro levantou do chão, usando o impulso pra poder se manter e ir mais pra frente.
Emma e as crianças sacudiam presas ao cinto de segurança, enquanto eu e Katrina nos segurávamos no banco para não voarmos pelo retrovisor.
Quando a onda de energia finalmente passou, o carro caiu no chão com um baque surdo.
Meus cabelos e os de Katrina estavam completamente bagunçados. Olhamos para todos no furgão e Katrina começou a rir.
– Isso foi... Realmente divertido! – Ela falou, no meio de uma gargalhada. – Porque preferiu os militares às forças especiais e secretas Piers? Posso viver disso! – Ela falou, sorrindo.
Eu abri um sorriso olhando para Emma, que tinha os olhos arregalados.
– Isso foi... MUITO LEGAL! – Caleb gritou, levantando os braços pra alto.
– Faz de novo! – Alma falou.
– Talvez uma outra vez crianças. – Katrina falou, se sentando normalmente no banco carona. – Pisa fundo Piers, vamos para a 15ª Província, eu te guio.
Emma tirou o cinto e o cinto das crianças e as levou até algumas camas disponíveis no furgão.
– Hei... Vai dormir... Vou precisar de alguém do meu lado no turno da noite. – Piers falou para mim.
– Mas não sei ir pra 15ª Província. – Falei.
– Eu sei ir, mas preciso de alguém descansado pra ficar do meu lado, durante a noite Katrina vai dormir, pra pegar o volante pela manhã.
– Sim senhor. – Falamos eu e Katrina ao mesmo tempo.
Andei em direção a onde as crianças estavam deitadas para dormir.
Emma me segurou pela mão.
– Acha que eles vão levar a gente até lá?
– Pelo menos estamos seguras com eles. – Falei, dando de ombros.
– E se eles mudarem de lado?
– E pra que lado eles iriam? Ou somos nós e vivemos com essa vida de merda ou é a Nova Ordem e eles são mortos.
– Mas e se eles virarem os super-humanos perfeitos? Cegos pela Nova Ordem, seguindo e cumprindo ordens?
– Sabe o que eu acho Emma? Que você devia relaxar... Não está sendo saudável pensar desse jeito. – Falei, a segurando pelos ombros e lhe lançando um sorriso.
Ela foi para os bancos atrás do motorista para poder tirar um cochilo. Deitei-me no espaço de cama que sobrava ao lado de Caleb e logo adormeci.
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