Notas iniciais
Fiz meu melhor! Espero que gostem da minha primeira Original.

Ah, a chuva. Bela e quieta chuva se estendendo por toda a Cidade anoitecida. Os cabelos pretos da garota brilhavam fio a fio ao toque da água; que, por sua vez, descia pelo seu rosto machucado.

- Hey, garota!- Grita o policial, que vinha apressado em sua direção.

Ela não respondeu.

- Você aí! Me responde de uma vez!- Não que ela não o escutasse, mas o som de buzinas, de pessoas cochichando e os pingos que caíam a uma poça ao lado, tiravam sua atenção facilmente.

- Nara...- Fala ela, quando o policial finalmente chega perto. O mesmo, porém, mostra uma cara de interrogação que logo é respondida- Meu nome é Nara...

- Nara, quantos anos você tem?- Sem mexer os olhos, ela responde:

- 10...- Sua voz era vagarosa, triste e tremida. Sua respiração era fraca e sentia-se prestes a cair. O pequeno corpo doía de tanto frio.

A presença de mais uma pessoa se aproximava. Ela deu uma rápida espiada pelo canto do olho e pode perceber que era um perito sussurrando alguma coisa no ouvido policial, que confirmou alguma coisa.

- Oh! Desculpe-me, Senhorita Valentine!- Exclama ele, quando o perito se afastara- Eu não sabia que era a senhorita. Vamos, eu vou levá-la à ambulância.- Seus modos mudaram, agora, a tratava educadamente feito princesa; Como seu pai fazia.

Gentilmente ele a acompanha até o veículo. No caminho, seus olhos corriam por todos os lados e ela pôde perceber que estava em um cenário de crime; As pessoas continuavam cochichando curiosas por trás das linhas amarelas e debaixo de seus guarda-chuvas.

- Parece que teve um assassinato...

- Família Valentine? Não acredito...

- Foi só aquela garota que sobreviveu? Que pena. Não vou poder comprar mais as roupas da Senhora Kiara...

Do outro lado, reporters de famosas emissoras do País, relatavam a situação.

- Nessa tarde de quarta-feira, uma das Famílias mais respeitadas da Cidade de Génova, fora encontrados mortos: Senhor Enrico Valentine, dono da marca de roupas Pioggia; Sua mulher, Kiara Valentine e seu filho mais velho, Fernando Valentine, no qual herdaria parte da herança do pai. A única sobrevivente encontrada na cena do crime foi sua filha de dez anos, Nara Valentine...- Nara viu que o camêra-man apontava em sua direção enquanto a repórter falava- Oh! Alí está ela, vamos perguntar como foi o caso traumatizante...Er, Senhorita!- A repórter andava apressada tentando chegar até a garota, que recuava assustada- Poderia nos dar uma palavrinha?...

- Hey! Você poderia chegar pra lá, por favor?...A senhorita Nara acabou de ser encontrada. Ela não esta apta para falar! — O policial tentava conter os vários reporters excitados que se aglomeravam em volta de Nara.

A medida que os reporters chegavam, vários outros policiais os afastavam da garota, que por sua vez, começava a sentir mais frio e mais dor e decidiu ir até a ambulância sozinha. Com sorte, ela despistou todos e chegou ao veículo. Não havia ninguém; sentou na maca e esperou pacientemente algum médico chegar e examiná-la.

Olhou pela janelinha; Chuva. As gotas pareciam mais densas e assustadoras, o frio aumentou e Nara encolheu-se na esperança de se esquentar. Não adiantou muita coisa, continuava com frio.

- Argh!- Ela cuspiu sangue. Os olhos fechavam em sinal de cansaço, mas ela lutava para se manter acordada até que um médico chegasse. Lembrou-se que sua mãe a ajudava com as feridas de bicicleta.- Mamãe...- Sussurrou, escondendo os rosto nos joelhos- Frio...estou com frio...

Passou-se alguns minutos de espera e Nara resolveu dar uma olhada para ver como estava a situação. Com um pouco de esforço, ela viu três macas sendo levadas para dentro de uma outra ambulância do outro lado da rua; o policial que antes a acompanhava, agora conversava amigavelmente com um companheiro da delegacia; os reporters filmavam as macas e as pessoas se afastavam uma à uma do lugar.

- Garotinha!- Um homem moreno alto se aproximava da ambulância correndo- Você esta ferida, não está? Venha, vou medicar você.- Adentrando no lugar, ele desmanchava algumas coisas em uma mesa. Pegando o que precisava, ele pede para que ela se sentar na maca. Examinando-a, se surpreende em achar por baixo da blusa uma ferida de bala, mas não diz nada para não assustá-la.

- Como você continua viva?...- Sussurra sem querer.

- Hurgh!- Nara cospe mais sangue, apertando a barriga.

- Rápido, deite-se!- Manda. Ela obedece sem questionar o doutor, que se afasta pra pegar o kit cirúrgico e colocando a máscara para inalação nela.

- Qual seu nome?- Pergunta.

-...Law.- Responde o homem se concentrando na ferida da barriga.

- Law, é?...Minha mãe disse que se precisa decorar os nomes das pessoas gentis, cof!...- Diz fraca, parecia não sentir mais dor. Nem mesmo reclamava.

- Fique quieta, ou piora...- Disse Law, mas Nara pareceu não escutar e continuou.

- Eu gosto tanto da chuva cof...Você não acha ela linda, Law?...- Pergunta observando as pequenas gotas baterem no vidro da janelinha.

- Você é Nara Valentine, não? Pare de falar para eu cuidar de você.

- Me diz; Você só está cuidando de mim por causa do meu nome?- Subitamente, os olhos negros da garota se escureceram mais ainda. Dia após dia era tratada com respeito e ao mesmo tempo com temor por aqueles que convivía, até os amigos tinham medo dela; Isso a entristecia.

- Um médico cuida de uma vida por que é o trabalho dele. Não me interessa quem você é, eu vou ajudar você.- Apesar de manter a voz calma, preocupava-se com a situação da menina; ela não melhorava- Pare de falar...

- He, isso é bom...cof- Sorri satisfeita com as resposta. Alguns segundo depois, ela remexia a cabeça pra lá e pra cá, como se estivesse dançando.

- Hey, não se mex-

- O som da chuva não te dá vontade de dançar?- Os olhos grandes brilhavam. Law teve que se contentar com a situação, era certo que ela não o ouvia.

Por curiosidade, ele escutava com mais atenção o som. De certa forma, sentia um ritmo nos toques das águas chegando ao chão.

- Eu sempre me imagino mais velha no meio da chuva...brincando na água cof...deve ser tão divertido he he...

-...- Law não fazia mais nada, apenas a ouvia e observando-a dançar com a cabeça.

- Papai disse...o papai...disse...- Ela pára e o olha- Estou com frio...por quê estou com frio, Law?

-...- Mais uma vez, ele não responde. Nara já deveria ter morrido, mas seu coração batia fracamente no peito.

-Onde está a Senhorita Valentine?- Pode-se ouvir vozes do lado de fora, eram os reporters querendo entrevista.

- Law, você vai me levar até mamãe e papai, não vai?- Ela agarra as mãos do outro, tremendo- Não vai? Por favor, me leve até eles!- As gotas de suas lágrimas eram idênticas aos da chuva.

-...Nara- Ele pegas suas duas pequenas mãos sujas de sangue e as aperta levemente. Uma sensação de calor e segurança fora passada à Nara- Ouça a chuva...- Diz, querendo acalmá-la- Não é bom?...

-...Sim, é bonito...- Seu corpo já perdia as forças, as lágrimas paravam de escorrer e ela podia ver atravéz do vidro da janela, as gotas diminuindo cada vez mais- Law, você está chorando he he...

Sim, ele estava. Deu o melhor que podia, mas era como se o corpo dela pedisse para deixá-la ir em paz. Ele era um médico,e não um milagreiro. As pessoas que viu hoje eram porcas, só a queriam pelo o que ela representava e não pelo o que ela era; uma garota que acabou de perder as pessoas mais importantes no Mundo. Já perdera as contas de quantas vezes passou pela mesma situação.

- A chuva...o som dela é lindo...tão...lindo...- E adormeceu pela última vez, ouvindo as doces e delicadas batidas das gotas caindo em sua última noite em um Mundo ignorante, mas, o médico ao seu lado via o seu 'eu' verdadeiro. Isso já era o suficiente para ela lhe deixar um lindo sorriso de despedida.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!