Notas iniciais
Por favor, me sigam - http://www.wattpad.com/user/poli_caffer. Teho um projeto de um livro e gostaria que quem pudesse desse ao menos uma olhada ;3, quem tiver conta, prometo seguir de volta. Musica para capitulo- https://www.youtube.com/watch?v=fg9mRWq5gLs

16 ANOS DEPOIS...

O ar frio anuncia a chegada de mais um inverno. A lua parece maior do ponto de vista de onde estou, no telhado, recostado enquanto rodo o pequeno broche de tordo em minha mão direita.

Costumo fazer muito isso, pensar sobre a vida aqui em cima, sentindo o vento embaraçando meus cabelos morenos.

Há anos que eu me lembro do fatídico dia em que minha vida mudou drasticamente, da água para o vinho. Eu era apenas uma criança, mas mesmo agora já com dezoito, ainda não entendo o real motivo que fez com que eu me separasse dos meus pais.

Meu nome é Daniel Everdeen e atualmente estou morando no antigo complexo que pertencia à Abnegação, em uma das poucas casas que restou quase intacta por aqui depois do ataque.

Eu ainda não havia chegado aqui quando isto ocorreu, mas havia lido sobre a historia desta sociedade em um dos livros de Nadine, a verdadeira dona desta casa que nos acolheu quando chegamos.

Basicamente eles decidiram dividir todas as pessoas deste lugar de acordo com suas virtudes em cinco classes chamadas de facções, Erudição, Audácia, Amizade, Franqueza e Abnegação, tudo estava em paz até que a Erudição decidiu dar um golpe e roubou o poder da Abnegação.

Isto tudo foi o estopim de uma guerra envolvendo alguns membros honestos da Audácia contra a Erudição e os traidores da Audácia, e para piorar logo de inicio a Erudição começou uma caça aos chamados Divergentes, não sei bem o que eles eram, mas parecem que eram perigosos.

O conjunto de todos estes atos foi o que bastou para destruir a cidade quase que por completa.

Agora estamos na chamada ‘’ ditadura de eruditos’’, o que se resume a toques de recolher, patrulhas frequentes, e também varias mortes de inocentes. As poucas famílias que restaram da Abnegação ainda vivem isoladas neste complexo, sem direito a nada e apenas com a pouca comida que a Erudição oferece.

As outras facções se espalharam pela cidade, pelo que sei os poucos membros da Audácia que não se aliaram à Erudição como soldados, se juntaram com os sem facção e vivem no antigo complexo da Audácia no subsolo.

Estamos vivendo outro problema por aqui, como a escassez de comida, já que por causa da ‘’caça aos divergentes’’ varias fazendas da Amizade foram dizimadas e a Erudição pega praticamente toda a comida para si mesma enquanto as outras facções precisam se virar. Outro problema são as revoltas, alguns ‘’vândalos’’ da Audácia que vivem protestando contra o governo e roubando comida dos caminhões da Amizade para distribuir entre eles e as outras pessoas necessitadas.

O frio estava começando a me arrepiar, decidi que era hora de entrar. Desci cuidadosamente do telhado pela escada de madeira velha que usei para subir, e entrei pela porta da frente da pequena casa.

Gale estava lendo o jornal na cozinha, sentado em uma cadeira, enquanto Nadine colocava a mesa para o jantar. Ela fez uma singela reverencia ao me ver, costume antigo dos membros da Abnegação que mesmo depois de tudo as pessoas daqui ainda preservam.

Sentei-me a mesa sem cerimônias.

– Onde estava garoto?- Gale disse abaixando o jornal e me olhando curioso.

– Por ai- Eu disse e peguei algumas ervilhas com purê que Nadine havia acabou de colocar na mesa.

–Me desculpem pela falta de comida, mas é só o que tenho- Ela disse com pesar se sentando a mesa.

– Isto está melhor impossível, não precisa se preocupar conosco, já fez muito nos acolhendo por todos estes anos- Gale disse sorrindo para ela que apenas esboçou um sorriso tímido de agradecimento.

Nadine é a pessoa mais educada e discreta que eu já conheci. Ela tem a pele bem morena, olhos castanhos e usa os cabelos negros como a noite presos em um coque firme, como todos os membros desta facção, além de um vestido cinza cobrindo todo seu corpo.

Eles não gostam da vaidade, é apenas uma forma de egoísmo, como Nadine sempre diz. O jantar é feito em silencio, isto me incomoda, não sou do tipo de pessoa que gosta de viver a vida para o bem dos outros, sempre em silencio e de cabeça baixa.

Na verdade não sei como os membros da Abnegação suportam isso, eles poderiam estar tentando tomar o poder de volta, mas ao invés disso estão apenas tentando reconstruir suas vidas, ignorando o abuso de poder.

Marcus, o líder da Abnegação, disse que não podemos fazer nada contra a força da Erudição, que não devemos nos opor, pois querer o poder para nós mesmo é uma coisa egoísta. Eu não gosto dele, ele sempre me pareceu suspeito, e também não acho certo aceitar uma situação de abuso como esta, já vivi minha infância em uma ditadura cruel e agora estou novamente em outra.

Acho que puxei o espírito de liberdade de minha mãe, ela sempre me ensinou a nunca desistir de nossos ideais e da nossa liberdade, ela sempre foi um grande exemplo para mim disso. Afinal ela era o tordo da revolução, o símbolo de que todos merecem ser livres, mas acabou desistindo das lutas por minha causa, para cuidar de mim.

Sinto uma pontada no peito, não gosto de pensar nisso, por anos venho observando a cerca que separa este lugar do resto do mundo, imaginando se quando eu finalmente conseguir sair, ela estará lá fora me esperando com os braços abertos como sempre fazia.

Porém é impossível passar pelos limites, há pelo menos mais de cem soldados armados prontos para atirar em qualquer um que tente atravessar, ainda mais agora com todo o controle da Erudição, e a cerca é grande demais para simplesmente se escalar e pular.

Perdi-me em meus devaneios e nem percebi quando todos deixaram a mesa, era minha vez de arrumar tudo então logo recolhi os pratos e talheres para serem lavados. Depois de tudo limpo me certifiquei de ter deixado tudo no lugar e fui para o meu pequeno quarto no andar de cima.

Era um quarto tão simples quanto a casa toda, tinha uma pequena estante de livros, uma escrivaninha e uma cama com cobertores cinza, tudo era cinza naquele lugar. Tirei os sapatos e me deitei na cama com a roupa do corpo. Fiquei olhando para o teto por um tempo, em busca do sono que não vinha.

Por mais que eu tenta-se não conseguia dormir, decidi ir caminhar um pouco, uma atitude imprudente e arriscada já que estava na hora do toque de recolher, mas os soldados nunca vinham aqui, este lugar era só um monte de entulho para eles se preocuparem.

Desci as escadas descalço e sem fazer barulho para não acordar Nadine e Gale, calsei minhas botinas marrons ao pé da escada, abri a porta da frente e fui caminhando com as mãos no bolso do casaco cinza que estava usando, fruto de uma doação de um dos membros da Abnegação. A rua estava escura e também deserta, a Erudição usava toda a energia para eles a noite enquanto o resto era cortado e a cidade permanecia escura.

Fui caminhando pelas vielas, observando os destroços do que antes eram casas de antigos moradores, caminhei até os limites do complexo e continuei. A rua por onde eu caminhava dava para a cerca, mas eu caminhava na direção oposta, em direção ao centro da cidade.

Assustei-me ao ouvir o som de um carro vindo e me escondi atrás das ruínas de uma casa próxima a rua. Era um caminhão da Amizade, estava carregado de comida e também havia dois soldados, um de cada lado, para guardá-lo enquanto ele seguia lentamente até a sede da Erudição.

Ouvi algo que parecia ser o grito de uma mulher, meus olhos se voltaram para a outra ponta da rua onde uma mulher morena estava caída com as pernas esticadas. O caminhão parou e os soldados foram verificar a situação. Vi algumas sombras se aproximando da traseira do caminhão.

Foi então que cinco pessoas vestidas de preto apareceram e surpreenderam o motorista que saiu correndo do carro. Os soldados, meio sem reação tentaram correr, mas a mulher que estava caída se levantou e acertou um deles com uma arma, fazendo-o desmaiar enquanto o outro correu para buscar reforço.

Era a primeira vez que eu via um ‘’assalto’’ dos rebeldes, e por incrível que pareça eu gostei, a sensação de adrenalina pulsando pelo corpo parecia algo incrivelmente convidativo para mim.

– O que você faz aqui?- Senti a mão de alguém me puxando e me virei bruscamente para trás. Era um soldado,reconheci pela roupa preta com o símbolo da Erudição em azul estampado na manga.

Não sabia o que dizer, eu estava ferrado. Eu tentava lutar enquanto ele me puxava para a rua, mas ele era mais forte, foi então que algo o atingiu e ele cambaleou.

Em seguida ele se virou e começou a lutar contra alguém que eu não conseguia ver quem era, o soldado acabou atingido por uma coronhada e desmaiou na minha frente. Fiquei sem reação, desnorteado.

Uma garota surgiu das sombras com uma arma na mão. Ela não era uma mulher, na verdade era uma garota que aparentava ser alguns anos mais nova do que eu, seus olhos azuis escuros reluziam sobre a luz da lua, ela também tinha a pele clara e os cabelos loiros que quase não apareciam, ocultos pela touca de seu casaco preto.

–Você está bem?- Ela perguntou estendendo a mão para me ajudar a levantar. Olhei para seu rosto que parecia sombrio, havia uma cicatriz em sua testa, obra do soldado provavelmente.

Ainda estava em choque então assenti com a cabeça nervosamente em resposta, uma onda que parecia com um choque invadiu meu corpo ao tocar a sua mão macia e mais fria do que a minha.

–Mais cuidado da próxima careta- Ela disse sorrindo e piscando um dos olhos pouco antes de sumir na escuridão adentro correndo.

Ela deve achar que sou um membro da Abnegação, de fato sou, apesar de não pertencer a esta sociedade me acostumei com os hábitos ‘’caretas’’ desta facção. Uma questão ainda martelava em minha mente, quem era aquela garota misteriosa ?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.