Souls

2 Uma vez anjo...


Notas iniciais
Oii, tudo bem? Como prometido o segundo capítulo ^^ um pouco mais tarde porque hoje eu tive aula.
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Obrigada a todos os reviews, estou muito tocada pelo apoio que vocês me deram ♥ e aqueles que não mandaram reviews, mas acompanharam a história, muito obrigada também ♥
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Mais uma vez obrigada a Fer pela betagem ♥.
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Boa leitura e espero que gostem.

Capítulo 2 — Uma vez anjo…

TaeMin observava seu colega de quarto bater as asas furiosamente no canto de seu antigo quarto como se fosse uma forma de aliviar o estresse – e realmente era. O anjo mais jovem estava mudando-se finalmente para um quarto com a sua alma gêmea.

– Exatamente o que aconteceu?

O rosto do mais velho atingiu um tom rosado, as asas foram parando como se ele tentasse achar formas de adiar responder aquilo, enrolando até o último segundo até que elas pararam de vez sumindo em suas costas. Então ele respirou fundo fitando o outro.

– Como foi quando você conheceu o Kai?

Um sorriso involuntário surgiu nos lábios do outro.

– Foi... Perfeito. – Logo depois ele piscou – quer dizer, talvez não tenha sido, mas para mim só por ter conhecido minha metade qualquer momento seria perfeito – comentou dando de ombros.

Parecendo insatisfeito com a resposta, Onew mudou de posição na cama, ignorando o som surdo que a nuvem que ele deveria estar observando fez ao bater contra a parede, nela a imagem de Choi MinHo lendo Guerra dos Tronos (que TaeMin só reconheceu a distância porque seu protegido havia lido mês passado) concentrado nem ao menos sofreu interferência. O sinal da terra para o céu era realmente bom, o garoto ponderou.

– O que você sentiu?

– É complicado – ele suspirou – não existem palavras que eu possa usar para descrever. – Vendo que o outro não estava parecendo satisfeito novamente, ele bufou assoprando a franja longa de seus olhos — você sabe. Assim que seus olhos encontram os daquela pessoa você sabe que ela é o seu destino, sua metade.

Onew empurrou a nuvem contra a parede distraidamente e a viu bater e voltar. A imagem ainda inabalada.

– Como é ficar longe do Kai?

– Agora? Difícil. Quando a gente se conheceu eu duvidei que pudesse me sentir assim por ele, mesmo sabendo que ele era minha metade. Eu simplesmente não podia cogitar a ideia de ficar tão dependente de uma pessoa, mas é inevitável, você sabe disso.

Foi a vez de Onew suspirar. Sim, ele sabia, todos sabiam o processo que levava ao aumento dos poderes dos envolvidos. Ele tinha consciência que seu corpo não implorava pelo demônio agora, mas logo os sinais começariam a aparecer. E agora? Como ele lidaria com sua alma gêmea sendo um demônio? Ele nem mesmo sabia que isso era possível. Piscou confuso enquanto milhões de teorias começaram a passar por sua mente do por que da sua outra metade ser do mundo inferior. Talvez fosse a prova definitiva que ele não era um anjo bom, não importa o quão forte ainda seja.

JY

JongHyun sentiu um sentimento quase estranho de alívio tomando conta de si quando entrou no dormitório e não encontrou seu companheiro lá. Não estava com vontade de falar sobre Choi MinHo agora, na verdade, ele não estava realmente querendo conversar com ninguém. Sua cabeça ainda estava girando por causa do encontro inusitado com o anjo.

Claro que ele já ouvira falar de Onew antes, principalmente depois da confusão toda que ocorrera anos atrás com um de seus protegidos, mas jamais havia colado os olhos nele antes e agora não conseguia pensar em algo que não fosse o rosto bonito do outro ser.

Ele lembrava como se sentira assim que seus olhares se cruzaram, era como uma força invisível que o empurrava para o anjo, algo equivalente à força que faz o metal atrair o ímã, ou seja, era quase impossível lutar contra. Claro, o demônio nunca havia sentido tal força antes, mas ele sabia o que ela significava. Muitos haviam falado a respeito antes, o tal encontro que anjos passam a existência toda esperando e que tem como consequência o aumento de seus poderes.

Normalmente um anjo tinha como outro anjo uma alma gêmea e JongHyun não era um anjo. Pelo menos não mais.

JY

Choi MinHo suspirou cansado nem um pouco interessado no que o treinador estava falando. Por mais que gostasse de esportes, ele não queria exatamente fazer parte do time da escola, mas seu pai tinha deixado claro o quanto seria vergonhoso algum membro da família Choi que não fosse um destaque no time, afinal, ele próprio havia sido na sua época, logo depois seu irmão e cabia ao mais jovem agora fazer história novamente.

Ele definitivamente não gostava do time. Nem um pouco. Os meninos ali eram ridículos e tinham valores completamente tortos, tudo era demais para MinHo aguentar. Rolando os olhos, louco para fugir dali, ele viu um dos colegas do time se aproximando do grupo. KangIn.

Choi não gostava dele. Ok, ele não gostava do time todo, mas ele gostava menos ainda de KangIn e sabia que o sentimento era recíproco, porém apesar disso o mais novo nunca havia feito nada contra o outro, eram do mesmo time e deveriam no mínimo se respeitar. Ou ele acreditava nisso, pelo menos.

Na última quarta eles tinham brigado por causa da posição de atacante, KangIn havia dito coisas não muito gentis que ainda estavam gravadas na memória de MinHo como tatuagens. Logo depois, durante o jogo, ele fora acidentalmente arremessado contra a trave durante um esbarrão sem querer dos dois. KangIn era o dobro de seu tamanho. As costelas de MinHo estavam roxas até hoje, assim como seu orgulho.

Quando KangIn se aproximou mancando de leve, falando que estava bem o suficiente para jogar, um sorriso quase perverso surgiu em seus lábios bonitos. Pena que JongHyun não estava olhando sua nuvem naquele momento.

JY

Key chegou bem mais tarde, nem um pouco cansado, o rabo balançando quase animadamente e enrolando-se aleatoriamente em membros de seu corpo. Ele lançou um olhar a nuvem jogada em um canto escuro enquanto o demônio que deveria estar observando-a estava deitado na cama olhando o teto como se essa fosse a coisa mais importante do mundo.

– Algum motivo especial para o seu humano estar sendo ignorado?

– Eu encontrei com o anjo dele pela primeira vez.

O outro deu de ombros, Key estava mais do que acostumado a ter confronto com anjos, afinal, ele não era realmente um ser a favor de regras. Elas deixavam tudo muito chato em sua opinião.

– Desde quando manipular humanos que são seus protegidos é contra as regras?

– Isso não é – ele respondeu – mas interagir com ele fingindo ser humano é.

O mais novo piscou enquanto um sorriso quase orgulhoso surgia em seus lábios.

– Admito que não esperava algo tão ousado vindo de você – Key riu levemente — você sempre pareceu certinho demais para um demônio.

– Não é fácil se adaptar a novas regras.

– Como se regras de anjos e demônios fossem muito diferentes – ele bufou finalmente sentando na própria cama — todos sabem que anjos podem ser tão sujos e desonestos quanto nós, a única diferença é que eles escondem isso atrás daquelas auréolas bregas.

JongHyun nem ao menos tentou rebater, ele sabia que era verdade. Ele sempre relevava a desonestidade de anjos, pois assegurava que isso era para garantir que a era dos anjos durasse para sempre, afinal, ninguém daquele lado queria a repetição do que acontecera na Segunda Guerra Mundial, a mais famosa era dos demônios da história até o momento. Eles queriam paz na terra e entre a raça humana.

– Choi MinHo não tem desejo algum de pecar.

– Todo ser humano tem desejo de pecar. O pecado é muito valorizado por eles, torna a vida emocionante. Aqueles seres presos têm vidinhas miseráveis, estressantes e completamente sem graça. Mesmo aqueles que não admitam, muitos gostariam de fazer algo errado apenas para movimentar um pouco sua existência medíocre.

O desprezo estava presente em cada sílaba da fala do outro, Key melhor que ninguém entendia os seres humanos.

– Enfie algo na sua cabeça, JongHyun, não existe ser humano completamente puro, todos eles vão pecar algum dia na vida, cabe a você fazer esse pecado ser o suficiente para corromper sua alma.

– Eu passei meu dia ontem quase implorando para ele perder a paciência e me comer de uma vez, mas não, ele é o maior cavalheiro do mundo.

– Talvez você devesse implorar literalmente – Key riu divertido — o que tem o anjo?

JongHyun não perdeu o tom interessado do outro. Ele sabia que o demônio tinha conhecimento que Onew era o anjo encarregado de Choi MinHo e ele sabia que o colega jamais havia o esquecido.

– Eu... – Ele suspirou cansado – eu preciso de sua opinião sobre uma coisa.

Key encostou olhando sua nuvem distraidamente, batendo a calda contra a cabeceira da cama.

– Diga.

– Você acha que eu ainda permaneço com algumas características?

O outro franziu a testa.

– Creio que não. Suas asas mudaram de cor de vez há bastante tempo, acho que isso marca o final da transformação. Por quê? O que aconteceu?

– Eu acho que encontrei minha alma gêmea.

JY

– Demônios não têm alma gêmea.

Foi a primeira coisa que TaeMin falou quando Onew finalmente resolveu tirar esse peso de seus ombros e contar para alguém o que ele achava que estava acontecendo.

– Eu tenho certeza, Tae. Você disse que a gente saberia quando acontecesse, eu sei que é ele.

O outro piscou confuso, ele jamais desconfiaria do outro anjo. Não só porque eles eram proibidos de mentir, mas porque ele se lembrava do que sentira quando conhecera Kai, era impossível ele estar se confundindo.

– Talvez... – O mais novo ponderou — você devesse falar com alguém mais experiente.

TaeMin tinha razão e por isso logo depois daquela conversa Onew foi procurar o anjo mais velho que conhecia. LeeTeuk estava sentado relaxadamente em sua cadeira, ele tinha atingido um grau tão grande de importância que nem ao menos precisava mais ter um protegido e fazia parte da assembleia dos céus. Quando ele viu o anjo mais novo se aproximar sorriu amigável.

– Tudo bem, Onew?

– Mais ou menos, senhor.

Ele franziu a testa.

– Achei que Choi era uma criança inofensiva, por isso demos ele aos seus cuidados.

Onew sentiu um tom de acusação misturado a preocupação visível e suspirou cansado. Como ele poderia esquecer seus erros se ninguém mais os esquecia?

– Ele está ótimo, senhor. Mas eu tenho um problema, é pessoal.

– Oh – o mais velho relaxou automaticamente — o que aconteceu?

– Eu creio que tenha achado minha alma gêmea.

LeeTeuk sorriu diante das notícias, os olhos brilhando enquanto ele batia palmas felizes.

– Desde quanto isso é um problema? Não tem nada mais lindo que achar sua alma gêmea.

Onew sentiu o rosto corar um pouco.

– Ele é um demônio.

O silêncio reinou no local por alguns minutos. LeeTeuk olhava para ele quase paralisado, Onew sentiu que ele estava pensando coisas como “esse anjo não pode fazer absolutamente nada certo”. O que era verdade, até quando ele conseguia o que todos os anjos queriam, ele conseguia errar.

– Isso é... Impossível.

– Eu tenho certeza, senhor – ele piscou, o rosto ficando mais vermelho — conversei com outros anjos e não tem como me enganar.

– Claro que não – o mais velho ponderou — não dá para simplesmente errar quem é sua alma gêmea. Diga-me o nome desse demônio, por favor.

– JongHyun.

Os lábios do outro se abriram assumindo uma expressão de surpresa e logo depois ele suspirou, como se agora tudo fizesse sentido.

– Senhor?

– JongHyun pode realmente ser sua alma gêmea. Não sei se você sabe, Onew, mas almas gêmeas são definidas logo que o anjo ganha asas e não importa o que aconteça com ele, isso jamais muda.

– Como assim, senhor?

– A maturidade do anjo é definida pelo nascimento das asas, disso todos sabem – o mais jovem assentiu atento — é aí que sua alma gêmea é definida. Ele escolhe almas que se completam, que os poderes se misturam e que juntos eles serão anjos melhores que separados. Foi a forma que Ele achou de nos tornar ainda mais forte e fazer anjos felizes, porque amor é uma dádiva. Compreende até aí?

– Sim, senhor.

– Pois então, esse destino uma vez que definido jamais será mudado. Não importa que tipo de fatalidade, se por acaso um anjo é sacrificado, sua alma gêmea está destinada a solidão eterna, por exemplo.

LeeTeuk fez uma pequena pausa, esperando algum sinal de que o outro estava acompanhando sua linha de raciocínio e somente quando ele assentiu ele continuou.

– JongHyun nasceu como um anjo e foi convertido a demônio.

– Ele... Mas como?

– Eu sei que a maioria de vocês tem essa ideia de que uma alma de anjo é impossível de ser convertida, porém é bastante fácil, assim como o demônio pode ser transformado em anjo. Aqueles anjos que tem tendência a maldade geralmente caem e são destinados a viver eternamente no inferno como demônios.

– Mas sua alma gêmea não muda.

– Ele vai ser um demônio em todo o resto, mas isso jamais muda. Uma vez anjo, sempre anjo.

Mais tarde quando Onew estava saindo da sala depois de muito conversar com LeeTeuk, ele sentia como se nada pudesse fazer. Nada mudaria sua alma gêmea, aos poucos o poder do laço entre eles iria ficando mais forte e ele não seria mais capaz de viver sem o outro. Ele já podia sentir uma força de leve querendo levá-lo ao outro. Quando ele levantou voo sem saber exatamente para onde ir, de certa forma, ele tinha certeza que eles acabariam se encontrando. Eles estavam destinados a se encontrarem sempre.

Notas finais
E ai? Estão conseguindo absorver todas as informações? Sei que é diferente, mas espero que estejam gostando.
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Sei que não teve interação JongYu nesse, mas nos próximos tem, então preparem-se :)
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Beijos, até amanhã e reviews são ♥ ♥.