Soulmate
1 Prólogo
Notas iniciais
- Enjoy it e nos vemos no fim :D
Choose your last words
This is the last time
‘Cause you and I, we were born to die
Era 21 de Junho de 1998. A noite pairava e as lendas fervilhavam na aldeia onde se esperava o nascimento mais comentado. Em uma casa distante e imponente com janelas ornamentadas, gárgulas sobre os portões de ferro e pinheiros gigantescos, duas mulheres urravam lado a lado compartilhando do mesmo ímpeto ao darem a luz a seus filhos. Chloe Bennet e Carol Wilkinson eram amigas desde Hogwarts, a escola de magia e bruxaria, onde também haviam conhecido seus maridos, Oliver Bennet e Christian Wilkinson. Ambos andavam lado a lado no corredor esperando por notícias após longas quatro horas de espera.
Oliver parou e levantou a manga do suéter negro que usava. A Marca Negra estava em alto relevo e movia-se freneticamente. Ser um comensal da morte havia se tornado sua vida, até o momento em que Chloe lhe contara sobre a gravidez. Por mais que não admitisse, Christian sentia o mesmo.
— Nasceram! – Uma das medi-bruxas exclamou e dois choros agudos foram ouvidos pelos pais que adentraram sem a permissão das médicas que auxiliavam suas esposas.
Chloe tinha os cabelos ruivos encharcados e sua expressão era cansada, porém a felicidade nem se comparava com tudo aquilo que passara para dar a luz àquela pequena menina que tinha os mesmos cabelos da mãe, porém o rosto tremendamente parecido com o do pai. Oliver beijou os lábios da esposa e sorriu para os amigos.
Christian aconchegou-se e envolveu a mulher num caloroso abraço. Sua filha, a qual chamaria de Roxanne, tinha cabelos loiros e quase mal se percebiam. Era calma e Carol a olhava com um tipo de devoção. Seu sonho sempre fora ser mãe, e agora que podia segurar seu bebê no colo via que tinha algo a mais para qual lutar.
Os barulhos seguiram pelo corredor e duas mulheres adentraram ofegantes, seguidas pelos esposos, ainda com o uniforme negro que eram submetidas a usar. Ambas se ajoelharam abraçando as melhores amigas. Jasmine McMillens tinha os cabelos platinados e traços franceses, que carregava de sua parte materna, a deixavam linda, mesmo que estivesse usando um vestido feito de meias. Já Melissa Jones era uma mulher mais rude, e seus cabelos mudavam de cor a cada instante devido ao fato que era uma metamorfomago.
— Meu deus! Elas são lindas! – Jasmine foi a primeira a quebrar o imaculado silêncio. Nunca que aquela ali conseguiria manter-se quieta por muito tempo. O marido, Benjamin, já havia desistido de tentar mudá-la. Todos ali acreditavam que se não fosse por ela, teriam a muito perdido a humanidade e amor que tinha sido criados entre os oito. Quando se é um Comensal da Morte, você aprende que para se tornar a escuridão é um passo. E um passo a qual não se é fácil voltar.
— Como as chamarão? – Melissa perguntou acariciando a mão de Carol. Ela estava bem mais abatida que Chloe.
— Izabelle. – Oliver foi quem respondeu primeiro. Ele segurava a pequena menina dos cabelos cor de fogo, e ela lhe deu um espasmo sorridente em troca. Por mais que quisesse disfarçar, seus olhos estavam marejados e numa singela promessa, lhe disse que a protegeria com sua vida assim que se fizesse necessário.
— Roxanne. Como sua avó. – Carol disse e o marido sorriu. Sua mãe tinha sido gentil, e não medira esforços para praticar a caridade ajudando a todos e qualquer um que necessitasse. O casal desejava que a menina desenvolvesse a mesma característica no futuro.
— Bem, temos algo um pouco mais intenso para lhes contar. – Patrick, marido de Melissa, lembrou-lhes o propósito de ter aparatado em Plumpton a sudoeste da Inglaterra. Ele era ainda mais belo e seu jeito rústico lhe dava um ar quase assustador. Toda vez que olhava para sua esposa derretia a casca que criara em torno de si, e demonstrava o verdadeiro bom homem que era.
— Voldemort vai ter um filho. – Jasmine fala e o marido envolve seu corpo pequeno com os braços de forma protetora. Tinham uma sintonia tão grande que uma não vivia sem que o outro estivesse por perto.
— O que? – Christian exclamou. Carol o olhou feio quando Roxie resmungou e prontamente tornou a dormir.
— Sim. Ele terá um filho e a mãe é bem surpreendente. – Melissa reafirmou.
— Não digam... – Chloe começou.
— Bellatrix Lestrange. – Patrick, Melissa, Jasmine e Ben responderam em uníssono.
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You poor sweet innocent thing
Dry your eyes and testify
You know you live to break me
Don't deny, sweet sacrifice
Sua pele era tão clara quanto à neve que os cercava. Seu rosto era terrivelmente parecido com as cobras assassinas que eles tanto temiam. Nunca mais se esqueceriam daquele olhar caso ele os deixasse vivo, naquele instante se tivesse apenas tempo de se despedir de sua esposa já seria ótimo. Ele respirou profundamente.
— Meu querido Bartô, diga-me o que contém aquela maldita profecia! – Voldemort disse e o mais velho não conseguia tirar os olhos dos impacientes Comensais as costas do Lorde. – Quando eu estiver falando com você olhe nos meus olhos! – O feitiço não proferido atingiu o velho homem e o mesmo caiu aos gritos perante a família sob uma tortura excruciante. Quando estava prestes a desistir de lutar, seu corpo foi liberto e Voldemort chegou perto o suficiente para ser decisivamente incisivo.
— Onde. Está. A. Profecia?
— Não sei! Eu juro! – Bartô tornou a dizer.
— Bom então vamos para um ponto mais fraco, quem sabe assim você saiba de algo. – Com um aceno de varinha, a cadeira onde a filha mais nova do homem estava sentada veio se aproximando do Lorde e o mesmo a torturou com um único feitiço. Os outros familiares viam a menina contorcer-se bruscamente e após alguns instantes um estrondo foi ouvido e a própria menina começou a gritar de dor. Seu braço havia quebrado e nem assim o Lorde a deixou. – Lembrou-se de algo?
— Ministério da Magia! É uma profecia que fala sobre quem irá derrotá-lo. A profecia diz basicamente isso...
Aquelas cujo poder poderá destruir o Lorde das Trevas, nascerão ao início dos solstícios, daqueles que juraram fidelidade ao Lorde das Trevas. O Lorde as marcará como seu igual, porém terão uma vantagem que o Lorde desconhece. Uma traição poderá por acabar com o elo ou uni-lo a vitória. Uma palavra será dita e ela determinará a vida ou a morte. Um juramento prometido ao sangue derramado às protegerá até que completem 17 anos, após o Lorde das Trevas as levará a loucura. Sua única esperança é acreditar naqueles que vivem para salvá-las.
— Adoro quando minhas vítimas lembram precisamente do que preciso, mas mesmo assim mentiu para mim, e um Lorde bondoso, não aceita mentiras. – Voldemort deu as costas e encarou para os comensais que olhavam diretamente para o chão. – Jones, McMillens. Terminem o serviço. Estou indo fazer uma visita ao ministro. Assim que terminarem estão liberados.
Benjamin e Patrick se aproximaram tirando as máscaras. Precisavam terminar aquilo logo e voltar para suas famílias. Jasmine e Melissa estavam grávidas de seis meses e precisavam dos maridos, mais do que Voldemort. Ben encarou a menina com o braço quebrado. Ela soluçava de dor e a mãe a olhava com um amor temeroso.
— Você. Venha até aqui. – Ben apontou para a mulher e colocou-a ao lado da filha. O marido olhava aos dois apavorados. O outro filho do casal correu ao pai. Estavam unidos num abraço só. Com um aceno de varinha, Benjamin dispôs o braço da garotinha e ela sorriu quando a dor sumiu. – Fechem os olhos e não os abram até que eu diga, entenderam?
— Sim. – Foi à menininha que respondeu e todos seguiram seu movimento exceto a mãe. Ela encarou os olhos azuis de Benjamin até que o mesmo com movimentos mudos matou um a um sem pavor. Quando finalmente chegou a vez da mãe ela o olhou pela ultima vez e não sentiu medo da parte dela. Apenas um obrigado expresso naqueles intensos olhos amendoados. Ele virou o rosto ao fazê-lo, mas aquela imagem jamais sairia de sua mente.
— Se Lorde descobre, estamos mortos! – Patrick exclama.
— Ele não irá saber. Vá para casa, vou dar um destino digno a esta família. – Benjamin responde e murmura algumas palavras num patrono.
— Por quê? Eles não são nada seus. Deixe-os aí. – Patrick diz enfurecido. O trabalho que tinham feito antes daquele casal havia exigido tanto dele que a escuridão estava a ponto de envolvê-lo por completo.
— Por quê? Olhe está menina! Olha ela deve ter cinco anos! Nossas sobrinhas têm três meses! Izzy e Roxie poderiam estar no lugar daquela menina ali! Imagine como seria ali, ter Izzy e Roxie e ao seu lado, Oliver, Chloe, Carol e Chris? – Ben apontou corpo por corpo. Vendo aquilo, o outro não respondeu, apenas envolveu os pais em lençóis brancos e nas mãos da menina deixou-lhe a boneca que manteve sempre ao seu lado e um pequeno ramo de flores brancas.
Em silêncio, ambos aparataram e foi Benjamin quem caiu às lágrimas perante a esposa lhe pedindo perdão, um perdão que não podia conceder a si próprio. Seu peito doía, seus músculos pareciam estar descolando de sua pele, e aquele olhar. Aqueles olhos acinzentados da mãe da menina, se fechando para um incerto limbo assombravam sua mente. Jasmine não lhe disse uma única palavra. Apenas o abraçou e numa promessa silenciosa, entendeu que o medo estava se instalando, e fugir não era uma opção.
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Ela gritava quão freneticamente era possível. Ao seu redor moças e moças lhe ajudavam segurando sua mão, lhe secando o suor quando se fazia necessário, davam-lhe o suporte que o marido ou, pelo menos, o homem que a engravidara não estava lhe dando. Todos sabiam que o tão cruel Voldemort, podia não ser nenhum ser bom, e que a crueldade, remorso eram elogios perto do que realmente era, porém, entre tudo, ele não medira esforços para que seu filho nascesse seguro, e bem. Bella, a tão bela mulher, era muito parecida com o Lorde e muitos comentavam que partiam dela algumas das ideias que o homem fazia.
Depois de seis horas, o choro do menino foi um alívio. Bella sorriu quando finalmente pegou o filho nos braços e esse demorou a se acalmar. Seus cabelos eram brancos. E seus olhos mesmo que ainda perturbados pelo recém-nascimento eram de um verde tão intenso quanto às folhas das mais belas árvores no ápice da primavera. Ela sorriu calmamente e antes que fizesse qualquer movimento, a dor foi tão intensa que o abismo envolveu-a sem ter por onde lutar. Ela sentiu-se cair em um vazio imenso e quando pode tocar o chão, via um átrio que se fechava ao seu entorno sem portas ou algo que a impedisse de ser totalmente esmagada.
Voldemort aparatou na casa que destinara a Bellatrix e seu filho. Era estranho pronunciar aquilo quando só pensava em si próprio e estivesse perto de fazer uma crueldade, mesmo que não sentisse nada sobre isso. Quando Bella se tornou útil ele a manteve ao seu lado, e após quase 12 anos de convivência ele cedeu uma única noite aos encantos dela, o que o acabou levando onde estava. Ele revirou os olhos, e a passos rápidos atravessou os corredores nem notando a presença de todas as mulheres da comissão escolhida pela própria companheira.
Ele adentrou ao quarto e em silêncio só envolveu o menino de cabelos brancos e o olhou sem expressão. Algo parecia estar caindo dentro dele, e de alguma forma muito estranha ele se afeiçoou e quis que Tobias não fosse totalmente esquecido ou jogado de lado. Bella estava deitada a cama, em um sono profundo. Agilmente, ele envolveu mais o bebê em um cobertor e sem dizer nada a ninguém, e ninguém questionar ele parou em frente ao orfanato em que fora criado. O menino o olhou com coragem, e ainda que não devesse, deixou junto dele uma carta que explicaria as irmãs para onde deveriam mandá-lo.
Sem perguntas nem respostas, contou a Bellatrix que o filho havia falecido pouco depois de seu nascimento, e nem as medibruxas conseguiram salvá-lo. A mulher ainda que arrasada, manteve-se firme e nunca mais perguntou pelo filho. Guardou para si o amor que desenvolvera por Tobias, e assim deixou que os anos passassem.
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Baby I can see your halo
You know you're my saving grace
O 21 de dezembro de 1998 fora o dia mais frio que todo o hemisfério norte já havia sentido. A neve recobrira casas, as estradas eram intransitáveis e até os meios mágicos de locomoção tinham sido inutilizados. Era o dia em que a maioria das família estava em uma árdua preparação para o Natal, e finalmente o recesso de inverno dera liberdade àqueles que ansiavam pelo momento mais feliz de suas vidas.
Jasmine e Melissa estavam lado a lado, como as amigas Carol e Chloe exatos seis meses antes. Ambas se questionavam como tinham tido filhos nas mesmas datas, e se haveria algum sentido a mais, afinal só o que importava era a felicidade que sentiam. Com força, Melissa ouviu o choro do bebê e respirou fundo recoberta por uma fina camada de suor. A parteira lhe deu a filha nos braços e Patrick invadiu o quarto analisando o preciso momento em que os cabelos da menina mudaram do castanho para um intenso tom de azul.
Ele se sentou ao lado da esposa e segurou-a quando seus olhos se fecharam do cansaço. Pat ajudou a vestir a filha com uma habilidade incrível, e depois mudou a esposa de uma cama para a outra a levando para outro quarto, sem que a mesma se acordasse ou fizesse objeção alguma. Antes que a menina, Alexandra, começasse a resmungar ele a segurou e a fez adormecer novamente.
Jasmine gritava da dor que percorria seus ossos de seu quadril até a caixa torácica. Seus pulmões não venciam o ar que necessitava, e podia, com certa dificuldade, ouvir Benjamin socar a porta trancada com um feitiço. Ela queria poder dizer que queria vê-lo, entretanto a escuridão se fechou ao seu entorno e não havia como vencê-la. Um grito escapou de seus lábios e o ultimo relance que pode discernir, foi à entrada de Chloe e Ben aos gritos no quarto. Ela não sentiu o quanto tempo passou.
Murmúrios. Talvez uma conversa agitada. Alguma voz aguda. Um choro agoniante. Uma respiração pesada, e algumas risadas. Menina. Loira. Ela já devia ter acordado. Jasmine pode captar aquelas palavras e entendeu o que se passava sem ainda fazer movimento algum. Estava em casa. Seus amigos estavam ali. Ela entendeu que aquele som grave era Patrick e Christian discutindo sobre o jogo dos Chudley Cannons. Carol e Chloe conversavam calmamente com Melissa, e faltava alguém. Ben. Benjamin não emitia som algum, e ninguém falava sobre seu bebê. Será que estava tudo bem? Estariam todos bem?
— Vocês já decidiram o nome dela? – Foi Oliver quem se manifestou. Todos sabiam que dos quatro, o único que fazia com que Ben entendesse as coisas era Oliver.
— Não. Tínhamos nome para menino, mas para menina... – Benjamin respondeu e era hora de se manifestar.
— Katherine. O nome dela é Katherine. – Jasmine comentou e todos a encararam.
Ela sentiu-se amassada quando seis braços a envolveram e não foram nada gentis, ao apertá-la comprovando que estava bem e pronta para a próxima. As perguntas explodiram ao seu entorno, porém a única coisa que queria, era o marido e sua filha.
— Meus amores, eu não quero ser rude, mas estou sendo sufocada. – Ela comentou e todos se afastaram rápido o suficiente para que pudesse voltar a respirar. – Se não estivesse morrendo de curiosidade em ver minha filha, eu juro que perguntaria o que houve.
— Katherine, aquela que é pura. – Benjamin veio a passos lentos com um envolto de cobertores bordados com o brasão do Montrose Magpies. Jasmine sorriu e sabia que era mais uma provocação a Patrick e Christian, que era devotos ao Chudley Cannons.
— Só não comento, pois estamos em um momento família aqui. – Christian fuzilou o amigo com um olhar e sorriu. Melissa e Chloe deram risadinhas.
Jasmine não soube o que dizer quando viu a filha pela primeira vez. Algo explodiu dentro dela, e o amor correu em suas veias. A menina era pequena e suas mãos mal envolviam o mindinho da mãe. Seus olhos eram escuros, e seus cabelos eram quase brancos. As lágrimas escorreram de seus olhos, e ela selou seus lábios a testa da menina. Benjamin sentou-se ao seu lado, não economizando no amor que sentia, e no amor com que protegeria as mulheres de sua vida. Jasmine sorriu ao marido e levantou o mindinho.
— Vai Pegas! – Ela exclamou e todos ao seu redor começaram a rir, Pat revirou os olhos e abraçou a amiga não respondendo a pequena provocação. No futuro, ela iria entender que o Chudley era melhor. Não que ele próprio acreditasse nisso, mas nunca que seus lábios iriam proferir as palavras.
Benjamin não estragou aquele momento de felicidade. A memória que gostaria de ter esquecido, ardia em sua mente tão incisiva como a mais forte das bebidas. Kat seria uma menina maravilhosa, mas condenada a um futuro terrível. Não deveria ter a condenado, no entanto, nos tempos em que fizera aquele juramento, esposa, filhos e família não era uma opção. E por sua burrice deu a elas um destino terrível. Destino ao qual só rezaria para não matá-las.
Notas finais
- As músicas usadas são: Born to die - Lana Del Rey; Sweet Sacrifice - Evanescence; Halo - Beyoncé.
- Esperamos que tenham gostado e cometários são bem legais!
- Kisses kisses kisses da Blue e da Lady.
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