Soul love a noite o céu continua perfeito
3 Capitulo 3 Lembranças
Notas iniciais
Depois que entrei para dentro de casa antes de tia Sarah chegar, fui desfazer minhas malas. Quando lembrei que essa era a mesma mala que eu havia levado na última vez que estive em Netherby, depois que retirei todas minhas roupas, vi um papel dobrado no fundo da mala, resolvi abrir.
Jenna,
O que dizer? Sinto-me tão mal por ter lhe dado aquela notícia de maneira tão rude. Por favor, acredite quando digo que não pretendia lhe contar daquele jeito confuso. Eu sabia que acabaria lhe contando algum dia. Parte de mim já queria fazer isso há muito tempo. Na verdade, estou até um pouco aliviado, porque agora você já pode me deixar, e eu já posso começar a esquecê-la.
Mas acho que você merece saber um pouco mais sobre mim. Por isso estou escrevendo para lhe contar alguns fatos da minha vida que normalmente não conto a ninguém.
Eu, Gabriel Hugh Lawrence Netherby, nasci há 17 anos. Minha mãe abandonara meu pai depois de uma discussão estúpida. Além de muito bonita, minha mãe era também obstinada e impulsiva.
Ela não sabia na época, mas não estava só.
Fugiu para viver com amigos no Quênia. Meses depois, quando percebeu que estava grávida, era tarde demais para voltar para casa. Ela era uma dessas mulheres cuja gravidez não aparece muito e atribuiu os sintomas ao fato de estar vivendo num país estrangeiro. Houve complicações durante a gravidez e ela precisou receber uma transfusão de sangue. O sangue estava contaminado, e nós dois contraímos HIV. Isso aconteceu numa época em que ainda não se fazia exames de sangue dos doadores.
Alguns meses depois do meu nascimento, mamãe planejava voltar para Londres para reatar com papai e apresentar-lhe seu filho e herdeiro.
Quando chegou a Londres,fez alguns exames de rotina e descobriu que estava infectada.Não consigo imaginar o que ela deve ter sentido.A maioria dos pais costuma se culpar pelas coisas que acontecem a seus filhos. Mamãe ficou arrasada quando soube que eu também tinha o vírus. Sentiu-se culpada. Não reatou com papai, muito embora ainda o amasse. Divorciou-se dele para protegê-lo e proteger o nome Netherby, e não revelou minha existência durante muito tempo. Permaneceu em Londres.
Quando eu tinha 9 anos,comecei a fazer muitas perguntas para saber por que ia ao hospital fazer exames de sangue e por que tomava tantos remédios.Ela me disse que havia uns bichinhos muito maus vivendo no meu sangue e que as pílulas que eu tomava os faziam dormir. Se acordassem, eles me fariam mal. Aos poucos,nos anos seguintes, comecei a entender melhor. Mamãe ficava doente ou passava muitos dias tão cansada que nem conseguia sair da cama.Tomava uma infinidade de remédios. Certo dia, lhe perguntei se eu ia morrer. Mamãe acariciou-me e disse?
– Gabriel, todos nós vamos morrer um dia.
Senti uma calafrio ao recordar o dia da festa campestre. Gabe me disse aquelas mesmas palavras enquanto admirávamos o retrato de Eveline Netherby. E eu brincava com ele, dizendo que jamais morreria. Engoli em seco e continuei a ler. O dia dela chegou alguns anos depois, quando eu tinha 11 anos. Minha bela e corajosa mãe! Não sei como exprimir a falta que ela me faz.
Pouco antes do funeral, papai ficou sabendo por que ela não voltara para ele. No começo foi difícil,porque ele, no fundo, ainda sentia a dor do abandono. Papai se casara de novo,e tinha um bebê. Até onde sabia, Aurora era sua filha única. Tantos anos passados,e ele nada sabia ao meu respeito. Quando soube da minha existência agiu como um homem honrado e me reconheceu. As coisas não correram muito bem no começo. Eu me comportava de um modo muito rebelde e estava triste devido à falta de mamãe, e ele não conseguia encarar minha doença. Então fui viver com parentes em Londres.
Para mim, na época, Cleo e sua mãe eram o que mais se aproximava de uma família. Nossas mães tinham sido grandes amigas. Cleo sempre cuidou de mim e me amou daquele jeito impulsivo. Prometi a mamãe que eu sempre tomaria conta dela.
Papai e Isabel não se esqueceram de mim nem me viam como um caso irrecuperável. Continuaram convidando-me a vir visitálos e também iam me visitar em Londres. Conheci minha irmãzinha Aurora, de quem logo passei a gostar. Minha saúde é parte fundamental da minha vida. Às vezes, enlouqueço ao pensar nela. Outras vezes, fico desolado ao ver cianças com câncer que recebem uma infinidade de atenção, apoio e solidariedade(coisa que sem dúvida merecem), enquanto sei que essas mesmas pessoas solidárias me tratariam como se eu tivesse a peste ou coisa parecida. Na verdade, é assim que se referiam à Aids até pouco tempo: a peste. Muita gente considerava o HIV um castigo divino. Acham que os portadores do vírus merecem a doença. Desprezam-nos e têm muito medo de qualquer contato conosco. Tudo o que vêem ao olhar para nós é uma infecção. Esquecem-se de que temos sentimentos.
No momento, estou bem, poque minha terapia combinada (o coquetel de remédios que tomo todos os dias) está dando bons resutados. Sou muito feliz por tê-la conhecido,Jenna. Aquelas noites que passamos juntos significaram muito para mim. Consigo relaxar e ser eu mesmo quando estou com você, inclusive enquanto precisei manter esse segrdo sombrio.
Sempre fugi das relações amorosas. Mas jamais me arrependerei do tempo que passamos juntos. Além de Cleo, você é a única garota pela qual me permiti ter sentimentos. Há algo de especial em você. Não espero nada em troca. Estarei em Londres quando você ler esta carta. Preciso ver algumas pessoas de meu grupo de apoio. Quero conversar com elas sobre vários assuntos, e preciso estar num lugar onde eu me sinta seguro,onde ninguém me julgue nem sinta pena de mim.
Tentarei não perder o último ensaio, mas, se perdê-lo, diga ao pessoal da banda que estarei de volta para o festival. E conversaremos.
Não sei em que você está pensando no momento, mas, de qualquer modo, o melhor talvez seja não nos relacionarmos mais do jeito que vínhamos fazendo. Espero continuar sendo seu amigo. Ou que, pelo menos, você não me veja com maus olhos.
Tudo o que lhe peço é que não conte o meu problema a ninguém. As pessoas podem ser ignorantes e cruéis e, se a notícia se espalhar, tanto eu quanto minha família poderemos sair muito magoados dessa história toda. Por favor, rasgue esta carta depois de lê-la.
Com amor, Gabriel.
Era a carta de gabe, quando acabei de ler já estava em lágrimas. Passou na minha cabeça um turbilhão de lembranças Boas e ruins, mas era de gabe depois de tanto choro tantas memórias tia Sarah me chamou, guardei a carta de volta. Falei que já iria descer mas, primeiro fui ao banheiro retoquei a Maquiagem não queria que ninguém ficasse sabendo que eu chorei.
Todos sentaram na mesa, acho que ninguém desconfiou das minhas lágrimas, pois ninguém comentou nada.
– Hoje as vendas foram muito boas, vendi vários clássicos, e também alguns livros novos que comprei em minha última viagem.
– Nossa Tia Sarah que ótimo a tarde iremos passar lá no sebo. Também irei apresentar o resto da cidade para vocês.
– Estou muito anciosa para conhecer Netherby- diz Sophia com empolgação.
Taylor não comenta nada. Não sei ele está mais acostumado com o movimento da cidade, Netherby mudou mais ainda continua uma cidade pequena comparada a Londres. Mas ele vai se acostumar, quero fazer essa viagem especial para todos, tenho muito carinho com Sophia e Taylor, eles me ajudaram quando mais precisei, quando eu não conhecia nada em Londres.
Após o almoço Tia Sarah voltou ao sebo, fomos com ela. Senti uma sensação tão boa quando reparei meu nome com o dela na placa do sebo, que todo meu trabalho no sebo a cinco anos teve algum resultando, o sebo com meu nome um pedaço de mim lá naquelas prateleiras onde passei muitos momentos. Depois que comprei alguns livros, fomos até a lanchonete onde Cleo trabalhava, tinha uma moça parecida com Julius quem sabe neta dele muito simpática que veio nos atender.
– O que vocês desejam? — falou com um sorriso simpático no rosto.
– Eu quero um suco natural de Abacaxi de Hortelã
– Eu quero um suco de manga — disse Sophia.
– Eu quero uma Coca Cola — disse Taylor com olhar tenso.
Taylor estava muito estranho, ele nunca bebia Coca Cola, só quando estava com raiva.
convidei eles para irmos na casa de Charlie.
– Sim Jenna- Falou Taylor com tom um pouco mais melhor.
–Hummm esse Charlie tem que ser muito gatinho Jenna- diz Sophia com tom irônico.
–Sim Sophia ele é muito lindo irei apresentar ele é Freddie a vocês.
ao chegar na casa de Charlie, Sophia quase teve um treco, conheço ela acho que gostou dele mesmo.
– Oi de novo Charlie, Oi Freddie como você cresceu, esses são Taylor e Sophia.
–Prazer Charlie, prazer Freddie — disse Taylor.
Prazer Charlie!!! Prazer Freddie — disse Sophia sem parar de sorrir.
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