–Preciso de você... – ela disse deixando uma lágrima escapar de suas esmeraldas – Preciso sentir você... — me aproximei mais e com duvida toquei seu rosto, eu não sentia nada, mas a vi se arrepiar e mesmo assim sorrir — Frio...

Ela fechou os olhos como se daquela forma pudesse finalmente me ver, como eu queria poder tocá-la de verdade, sentir seu calor...

E de repente eu não a via mais, estava novamente em meu quarto, na presença de meu pai. Não o encarei, apenas olhava para minha mão imaginando que as pontas de meus dedos ainda estivessem tocando sua pele.

–A deixe em paz, Sasuke. — ele ordenou surgindo ao meu lado — Esta fazendo mal a ela e a si mesmo...

–Como sempre... — saiu dos meus lábios sem eu ao menos perceber — Como sempre? — o encarei cerrando os olhos — Não é a primeira vez que isso acontece... — ele nada me disse, apenas olhava dentro dos meus olhos — Me diga! — o segurei pela sua roupa, mas ele desapareceu como fumaça — Não vai me deixar sem resposta!

Mentalizei o seu quarto e em segundos estava lá, mas somente minha mãe estava, me olhava com dor então mentalizei o escritorio e lá estava ele sentando em sua cadeira como se nunca nada acontecesse.

–Eu já a vi, não foi?! — fiquei em sua frente, sentia um fogo me queimar por inteiro — A Sakura, ela já esteve em minha vida, não é?!

–Somente na sua vida, Sasuke? — ele disse calmo e senti algo em meu peito.

Conseguia ver tudo perante meus olhos, as festas, as roupas, aqueles olhos...

Sasuke adentrou no escritorio euforico, mas parou vendo seu pai de joelhos sobre o tapete e podia ver claramente um corpo debaixo do dele assim como o sangue escorrendo pelo piso.

–O que...? — não terminou sua pergunta ao ver o olhos esmeraldinos já sem vida lhe encarando — Você... Você a matou...

–Fiz somente o que tinha de ser feito. — Fugaku se levantou limpando as mãos em um lenço que retirou de seu bolso.

–Você matou ela... Seu monstro!

–Nós brigamos aquele dia... — falava o vendo apenas me encarar — Você a matou porque ela não aceitou dormir com você... Eu a amava...

–E você, Sasuke? Não fez nada? Ou realmente não se lembra? — Fugaku finalmente se levantou — Graças a você estamos todos mortos!

–Eu... — não sabia do que ele falava até que lembrei — Eu tranquei todas saídas naquele dia...

–Sim, Mikoto fazia uma festa naquela noite e você colocou fogo em tudo. Maldito.

–Fiquei no meu quarto aquele dia esperando que o fogo me levasse com Sakura, estava com o corpo dela em meu colo. — fechei meus olhos sentindo todas as sensações que tive naquele dia toda a dor que meu peito aguentou — Porque tinha que fazer isso? Já havia matado tanta gente, mas tinha que me afetar?

–Engraçado como quer sair como vítima, Sasuke. Eu matei somente ela aquela noite e você matou todos que estavam aqui... Somos iguais. E passaremos a eternidade assim, juntos como uma familia feliz!

–NÃO!!! — fui para cima dele.

Em segundos iamos para meu quarto, para o quarto dele e todos os cômodos da mansão, ele nos levava para todos os lugares que conseguia mentalizar para assim eu solta-lo, aquela luta seria eterna se eu não fizesse algo, então fechei meus olhos e logo estavamos no cemiterio, Fugaku me encarou com medo pela primeira vez e eu o soltei sobre seu tumulo.

–Ninguém merece a eternidade Fugaku. — olhei para o céu estrelado — Nem mesmo eu mereço. Desculpe Sakura, não pude te proteger naquela época, mas agora posso deixá-la viver em paz... — caminhei até ver a lapide com meu nome e minha foto — Seja feliz meu amor, levarei tua lembraça comigo.

X

Sakura

–Já consegue ficar em pé, minha querida? — Tsunade perguntava pela décima vez isso.

–Já disse que sim. — sorri para ela que pegava a pequena mala de roupas.

Depois de uma semana naquele hospital finalmente eu saía, era estranho como tudo parecia ter mudado de um dia para outro, era como se o ultimo mês tivesse sido apagado da minha mente e tinha aquela sensação de que eu estava esquecendo de algo, e isso fazia meu coração doer.

Tsunade abriu a porta para que eu saísse e assim que coloquei o pé para fora do quarto bati em alguém.

–Oh desculpe.

–Não foi nada. — a voz era tão familiar, encarei um rosto que me parecia mais familiar ainda, aqueles olhos negros ficaram fixados nos meus — Seus olhos...

–Você...

–Sou Susuke ou como me chamam aqui no hospital, O Milagre. — ele sorriu de canto, eu ainda o encarava confusa.

–Milagre?

–É que faz dois dias que eu acordei de um coma... — ele olhou para Tsunade que estava parada me esperando — Eu posso ajudar vocês e quem sabe nos conhecermos melhor.

–Claro! — Tsunade logo jogou a mala para ele andando na frente.

–E qual seu nome?

–Sakura.

–É um prazer conhecer você, pequena.

–De novo... — escapou dos meus lábios, o que nos fez rir.

E aquela dor em meu peito aos poucos estava sendo preenchida

Notas finais
Então pessoal, eu não queria acabar tão cedo está fic entretanto já não tinha motivação... Obrigada a todos que acompanharam Beijos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!