Soul In Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
As ruas eram escuras, o clima gélido e mesmo assim lá estavam aquelas medíocres pessoas com suas vestes extravagantes conversando, bebendo e fazendo coisas que nem merecem ser exaltadas.
Via tudo isso do alto da torre, um lugar onde nenhum homem, pelo menos humano teria coragem de ir. Para chegar até onde no momento estou teria que primeiro passar pelas portas fechadas com grandes pedras de mármore, estas tão antigas quanto esta cidade, depois seguir pelos corredores sombrios até que tivesse a sorte de achar a escada certa, a única que vem até aqui. Esta já tem seus degraus gastos e alguns podem até mesmo ser perigosos, claro, à humanos.
Pelo modo que falo pode-se imaginar que de humano, talvez, eu só tenha a aparência, apesar desta ainda poder mudar. Ao me deparar com um espelho sempre me comparo com estes humanos, alto como alguns deles, mas com uma pele mais clara que a grande maioria, olhos tão negros que podem os assustar e a falta de um sorriso nos lábios.
Vejo o céu, este estava negro e sem estrelas ou nuvens, a lua tão cheia me lembrava do que me aguardava no andar de baixo desta torre. Deixo meu lugar de descanso, reflexão e desprezo de seres inferiores para seguir até a única porta do topo da torre. Passando por esta podia se ver uma escadaria, degraus escuros num corredor pior ainda.
Para pessoas comuns apenas isso seria assustador, mas apenas por não conseguirem ver ou ouvir como eu...
O som de música clássica ficava cada fez mais alto, luzes dançantes brincavam com as sombras nas paredes de cores claras, com o termino de degraus o grande salão exalando grandeza. Seres que mesmo tendo um ar de frieza conseguiam sorrir, sorrisos falsos sem nenhum sentimento.
Sentimento...
Algo que desconhecemos...
A não ser o sentimento de ódio, desprezo ou magoa...
Os seres aqui neste salão nem se comparam com as que a pouco olhava, aqui as vestes são delicadas, trabalhadas por seres puros que somos proibidos de tocar, a riqueza não esta apenas na decoração do salão, mas nos seres nele.
-Pensei que não iria nos honrar com sua presença... – aquela que é dita como Karin reverenciava a minha frente, mostrando seu decote generoso, mas vulgar – Poderia agora me honrar com uma dança?
Não lhe respondi, apenas lhe dei as costas, uma mulher que se oferece como ela não merece sequer ser chamada de meretriz. Segui pelo salão, as mulheres, se assim posso chama-las, reverenciavam enquanto os homens levantavam as taças em forma de comprimento.
Algo que aprendi cedo a distinguir foi o medo do respeito, aqui ninguém me respeitava apenas me temiam. O medo era algo que minha família levava muito a sério, era isso que os mantinham no controle de tudo e todos.
Família Uchiha, tão rica e temida durante a vida quanto durante a morte.
Sim, não há um membro sequer da família Uchiha ainda vivo.
Nem mesmo eu, Sasuke Uchiha.
Pode até parecer estranho me dar como morto, mas é neste estado que me encontro. Morto, assim como todos aqui neste salão.
Se sou um fantasma ou um demônio, isto não importa.
Somos seres sem vida que vagam entre humanos sem serem vistos, alguns saem de sua forma humana para adquirir algo que acredito eu, represente sua alma. A minha ainda prefiro manter em segredo...
Talvez um dia descubra que para tudo isso haja uma cura.
Um cura para minha morte.
oOoOoOo
A chuva unida com o vento forte cortavam a minha pele, o sabor de sangue não saia da minha boca, olhava a cidade vazia a minha frente, meus pés descalços correndo no chão gelado, olhava para trás sem ver nada além da escuridão.
Eu fugia, mas deque, ou melhor, de quem?
Sentia o medo percorrer todo meu corpo, lágrimas se misturando a agua da chuva pelo meu rosto, minhas roupas estavam sendo rasgadas até que cai ou fui derrubada. Olhava com desespero para cima, nada além do céu escuro sem nuvens ou estrelas, apenas gotículas de agua caindo, sentia um peso sobre meu corpo como se algo tentasse me manter no chão, sentia minhas roupas sendo puxadas ao ponto de serem rasgadas.
Mais uma vez me acordava depois de um sonho destes, meu corpo todo suado, minhas mãos ainda tremendo e meus olhos a busca de algo que talvez me tivesse feito sonhar isto, mas mais uma vez não havia nada de incomum em meu quarto.
Me sentei olhando a janela já bem aberta, de certo Tsunade já havia vindo até aqui e ignorado meu debater sobre a cama, ela é minha babá faz 18 anos, desde que nasci e será sempre se desejar, apesar dela não me cuidar como antes e apenas comentar que tenho pesadelos que me fazem debater sobre a cama eu a tenho como mãe.
Mãe, esta eu perdi no dia em que nasci, ela não morreu e sim me abandonou com meu pai, já que este já era casado e tinha sua própria família perfeita não pode me criar então contratou Tsunade para isto.
Moro longe dele, nem sei quem ele é e evito saber, vejo correspondências, mas deixo para Tsunade as separar assim não saberei jamais seu nome. Se ele não me quis eu também não o queria, digo o mesmo em relação daquela que me deu a luz.
-Sakura Haruno, café! – esta a gritar é Tsunade, pelo tom de voz estou novamente atrasada.
Saio da cama ainda com minha roupa de dormir, corro pelas escadas até ver a mesa com o café, a loira de seios fartos já terminava de comer quando me sentei. Me olhou balançando a cabeça negativamente para logo depois se levantar, sabia que isso tinha haver não só com meu atraso, mas com a falta de roupas descentes em meu corpo.
-Apresse-se, Ino deve chegar logo para te buscar. – assenti sorrindo, bebi apenas um gole de café para assim correr de volta ao meu quarto.
Assim que entrei meu coração disparou, poderia jurar que havia alguém atrás das cortinas, mas não havia ninguém ali, apenas o vento as balançava lentamente...
Minutos depois...
-Achei que ia me deixar mofando aqui! – a loira que reclama enquanto retoca o batom no espelho retrovisor de seu carro é Ino Yamanaka, minha amiga desde sempre.
-Tive um pesadelo, não dormi muito bem... – entrei no carro a vendo me encarar séria.
-Esta tendo estes pesadelos desde da semana retrasada...
Ino tinha razão, fazia mais de uma semana que esses pesadelos me perturbavam, não me deixavam dormir e as vezes me deixava com dores. Teve noites que acordei sentindo fortes dores nos meus punhos, mas quando os olhava não havia nenhuma marca ali.
Não demoramos a chegar à escola, um lugar grande e cheio de pessoas de todas as idades e classes sociais. Eu e Ino estamos no ultimo ano do ensino médio, estudamos aqui desde o primário então não há ninguém aqui mais conhecido do que a gente.
Somos conhecidas, mas admito que nem todos gostam de nós por aqui...
-Melhor irmos logo para a sala, Aoi não quer atrasos mais. – disse tentando ter a atenção da loira que olhava para o grupinho de garotos sorridentes.
-Só um minutinho... – a perdi para os meninos...
Segui sozinha até a sala, mas esta estava vazia e no quadro apenas um lembrete de que hoje não haveria aula da nossa turma por problemas pessoais de Aoi.
-Disseram que ele ficou maluco. – me assustei com a voz de Sasori atrás de mim, ele é meu amor platônico, o amo desde que o vi pela primeira vez aqui na escola, mas somos amigos demais para namorarmos.
-Maluco? Os alunos sempre inventam historias... – disse saindo da sala a procura de Ino, tinha que avisa-la.
-Mas não são os alunos que estão falando isto e sim os professores. – Sasori seguiu ao meu lado – Parece que há alguns dias ele andava estranho e ontem ele pirou de vez.
-Acho que não devia ficar falando assim, ele é um bom professor. – vi Sasori revirar os olhos – Agora preciso achar a Ino, com licença.
-Perda de tempo, ela saiu com os garotos.
-Mas como a Ino soube que não tinha aula?
-E ela precisa saber disso para fugir da escola? – Ino pode até não ser uma aluna exemplar, mas não gosto que falem assim dela – Desculpe. – Sasori percebeu que não me agradou seu comentário.
-Já que estou aqui e não tenho como voltar para minha casa, vou para a biblioteca. – lhe dei um beijo no rosto e andei em direção da biblioteca.
Este caminho sabia que Sasori não me seguiria, não que a biblioteca fosse um lugar assustador, mas só em pensar em estudar já o fazia parar no mesmo lugar.
Entrei na biblioteca vazia, nem a bibliotecária estava ali, melhor assim. Gosto de ficar sozinha principalmente para ler, me sentei na pequena área de leitura que tinha alguns sofás, peguei o livro de dentro da minha bolsa mesmo, terminaria de lê-lo aqui e já o devolveria...
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