Notas iniciais
Bom babies, Mirakles está com bloqueio(kkkkkkkkk) pra fazer a capa da história ¬¬, então esperem um pouco que vai sair. u-u
Espero que gostem da história. ^^

– Ally! Ally! Volte aqui! – a mãe dela, alta e loira, chamava da soleira da porta.

Ela fingiu que não ouviu e continuou seu caminho até seu New Beatle amarelo, a passos rígidos. A mãe gritava, cada vez mais desesperada.

Ela se virou, com o cabelo preto colado no rosto devido à chuva.

– Eu preciso ir. Não sei o que você estava pensando quando me enganou por uma semana, mas não tenho tempo para pensar. Ele foi embora, mãe, e levou meu irmão junto. Você tem alguma noção do que significa o que acabou de me dizer?

– Eu deveria ter te contado antes, mas eu nunca soube direito o que significava...

– Significa que ele é um merda, que ele levou meu irmão para ensiná-lo tudo que não presta e que eu vou encaminhar aquele desgraçado direto para o inferno.

Andou a passos largos até o carro, com o barulho da chuva abafando os últimos pedidos da mãe para que ela ficasse, para que resolvessem tudo aquilo com calma. Sentou-se no banco de couro e ligou o aquecedor. Não sabia se tremia porque estava na chuva ou por causa da raiva, mas precisava se acalmar. Seguiu em frente com sua rota até a avenida principal de Vancouver. Não sabia muito sobre a cidade, principalmente se leva em conta que ela tinha acabado de voltar de viagem. Mas algo a dizia que poderia encontrar facilmente um esgoto por lá. Estacionou em frente a uma temakeria 24 horas e saiu do carro apressadamente, para logo em seguida abrir a mala do carro e avaliar sua situação. Uma espingarda velha, um revólver e algumas facas recém-compradas de cozinha. Deveria ter pegado o que tinha debaixo da cama, mas a raiva foi instantânea e ela simplesmente saiu o mais rápido que pôde. Ia ter que servir.

Pegou o revólver e uma faca pequena para não chamar muita atenção, colocou a faca na bota e o revólver na cintura e foi para um beco escuro ao lado da temakeria. Respirou fundo em seu último segundo de ar limpo e desceu pelo bueiro abaixo.

Aterrissou com um baque surdo e olhou em volta. O ar estava úmido e ela sentiu nojo da água que corria logo abaixo de seus pés. Andou alguns metros e notou uma conversa entre dois homens. Mas não eram o padrasto e o irmão dela, eram estranhos. Eram vozes grossas e, por isso, claramente geradas por dois adultos. Ela avançou com cautela e quando estava a uma curva de distância pôde visualizá-los. Um deles era moreno, de cabelos no ombro e olhos castanhos. Vestia jeans surrados e uma blusa branca que estava rasgada, mostrando alguns cortes no tronco musculoso. O outro parecia ser menor e tinha cabelos loiro-escuros curtos e olhos verdes – claros como eram, pareciam ser a única fonte de luz no recinto – e suas vestes estavam um pouco mais maltratadas, a blusa em farrapos mostrando um peitoral ainda mais musculoso do que o do seu... amigo. Eles estavam sentados em cadeiras de madeira velha e os braços e as pernas estavam amarrados com correntes de ferro. O menor abaixou a cabeça e suspirou alto. Abriu a boca para falar, mas passos abafados vieram da bifurcação do outro lado e ele fechou a boca. Ally encostou-se à parede e fez o máximo para normalizar a respiração. Não só normalizar, como deixar imperceptível. Deu uma olhada rápida e conseguiu distinguir seu padrasto saindo das sombras do outro lado: alto, magro e com mãos de dedos ainda mais magros que pareciam galhos secos. Estava vestido com um terno e uma gravata listrada, como se estivesse ali para fazer negócios, e tinha um sorriso sádico no rosto. Estava explicado o que ele vinha fazendo durante a semana. Esteve ocupado raptando pessoas e comprando ternos de péssimo gosto.

Vinha arrastando atrás de si outra cadeira, de ferro, que parou na frente dos dois homens. Sentou-se e olhou os dois, claramente aprovando sua situação.

– Então... Espero que estejam tendo uma estadia agradável – ele diz.

– Estamos nos divertindo muito, deveria se juntar a nós. – responde o dos olhos verdes com um meio sorriso irônico.

– Mas eu não posso, sou o gerente. E estou muito ocupado preparando suas próximas atividades. Garanto que vão adorar.

– A não ser que envolva um pouco de tequila e alguma coisa para comer... – ele sorri – No sentido que você escolher...Não estarei interessado.

Naquele momento, Ally não se conteve e deixou escapar uma risada baixa — ao mesmo tempo, o seu padrasto deu um passo na água. Ela não soube dizer se ele a havia escutado. Do outro lado, ninguém voltou a falar. Encostou-se ainda mais na parede, tentando se esconder novamente. Mandou toda a concentração que lhe restava para os ouvidos.

Por uns dois minutos, nada.

Ouviu então uma respiração fraca vindo em sua direção. Tirou a faca da bota e girou o corpo para cima de seu padrasto, fazendo um corte superficial em seu braço. Ele se afastou da parede, onde acabou parando, e torceu o braço dela, encostando uma lâmina não menos afiada em seu pulso. Ally deu um grito agudo e tentou puxar o pulso para trás, para longe da lâmina dele. Sem sucesso, jogou a cabeça para trás com a maior força que podia invocar, parando a meio caminho quando se encontrou com o crânio do padrasto, que caiu de cara no esgoto a seus pés. Ele olhou para ela, deixando à mostra para quem quisesse ver o fio de sangue escorrendo do nariz pontudo, e deu uma rasteira que a levou ao chão também – com uma pequena diferença: ela bateu a cabeça. Enquanto ela se entregava a um momento de dor, ele levantou-se e estava puxando uma arma quando Ally olhou em volta e puxou a cadeira de ferro com um dos pés para se defender, jogando-a contra as pernas dele. Ele caiu na água mais uma vez e tentou levá-la junto, mas ela puxou o revólver e deu um tiro certeiro em seu coração.

Os dois homens olhavam para ela assustados. O dos olhos verdes balançou a cabeça como se estivesse tentando afastar alguns pensamentos.

– Mas que p... Quem é você? – perguntou.

– Não te interessa. Me interessa quem são vocês.

Ela esperou por uma resposta, mas nenhum dos dois parecia estar disposto a responder.

– Cri, cri,cri... – brincou – Não, sério. Quem são vocês? Eu não tenho todo o tempo do mundo para tirá-los daqui.

– Não precisamos de ajuda. – o dos olhos verdes voltou a retrucar.

– Então... Boa sorte — falou Ally, fazendo menção de voltar para a superfície.

– Não! Não vá... — falou o homem moreno e alto, como se o único motivo para não estar com o punho na cara do seu colega fossem as correntes em seus pulsos — Meu nome é Sam, e ele é Dean. – ele disse entredentes – E ficaríamos gratos se nos ajudasse.

– Assim me parece melhor.

Ally sacou a arma mais uma vez. O loiro – identificado como Dean – recuou a cadeira, e ela soltou uma risada.

– A não ser que vocês esperem que eu tire as correntes com a faca... – e deu um tiro em cada uma delas. Sam pareceu ter medo do tiro atingi-lo, mas não protestou.

– Obrigado. – falou, esfregando os pulsos. — Você é caçadora?

– Não.

– E porque você matou aquele homem?- perguntou Dean – Não que eu me importe, mas...

– Tínhamos umas contas a acertar.

– Hmm...

– É... Você quer carona? — perguntou Sam.

– Eu tenho carro, obrigada. Acho que vou comer algo na temakeria daqui de cima, enfim.

– Hum... Uísque — Dean começou. Sam pareceu na dúvida.

– Não sei... Temos algumas coisas para resover.

– Cara, a gente acabou de se livrar de um metamorfo. Eu vou beber – o outro disse e começou a caminhar na frente deles.

Sam deu de ombros e seguiu o irmão. Ally balançou a cabeça, guardou o revólver e começou a andar. Assim que terminaram de subir o bueiro Ally os deixou para trás. Sam permaneceu com Dean, que logo começou a falar.

–Cara, você confia nessa garota? – perguntou. O irmão apenas revirou os olhos e continuou a andar.

– Ela salvou a gente, – falou por fim, tentando acompanhar os passos dela – matou o metamorfo e parece ser caçadora, como nós. Por enquanto, não vejo motivos para querermos distância.

– Caçadora? Você a ouviu dizer q...

– Vocês vêm ou não? — gritou Ally, que estava logo à porta do restaurante. Sam assentiu e puxou Dean para dentro, sentando-se na mesma mesa que ela. Os olhos da garota passaram pelo cardápio rapidamente, procurando o sabor de sua preferência.

– Então, moças? O que vão pedir? – disse ela com um tom brincalhão.

– Olha aqui... — começou Dean — Não sou obrigado a aturar suas gracinhas.

– Dean, dá pra parar? — pediu Sam.

– Deixe pra lá. Já tive de lidar com garotos como seu... hum... Amigo?

Ally ergueu as sobrancelhas. No início, Sam não entendeu exatamente o que ela quis dizer, até que se deu conta.

– Não! Quer dizer... Somos irmãos.

Talvez eu tenha entendido um pouco mal. Ela pensou. Demais.

– Ah, desculpa – foi o que falou, um pouco envergonhada – É que eu tinha pensado que...

Antes que pudesse completar a frase, foi interrompida por Dean.

– Pensou errado – ele sorriu ironicamente. Em seguida, passou os olhos pela mesa até chegar novamente em Ally – Prepare-se para conhecer Dean Winchester, o homem mais másculo do mundo.

Os outros dois reviraram os olhos. Sam chamou a garçonete, uma garota magra, alta, com cabelos castanhos e olhos claros. Ela usava um uniforme curto e rodado, e tinha seus fios presos em um coque. (n/a: VADIA u-u)

– O que desejam?

– Vamos querer três copos de uísque e... — Dean procurou algo interessante no cardápio, jogando-o para trás em seguida – Vocês tem hambúrguer?

Ally colocou a mão na testa, insinuando desprezo.

– Claro que não, imbecil. Isso é uma temakeria, não o McDonalds. – ela disse irritada. Sam riu.

– Traga os uísques e três temakis de salmão. – completou Sam, olhando para Ally e Dean, que concordaram.

– Já vou trazer os drinques – falou a garçonete, olhando maliciosamente para Dean.

A mesa permaneceu silenciosa por um bom tempo. Ally tinha pegado o celular e o revirado em busca de mensagens da mãe. Havia pelo menos sete ligações perdidas, as quais não estava disposta a retornar. Sam batia os pés no chão, enquanto o outro, explicidamente mais safado, encarava os seios da garçonete. O silêncio foi quebrado quando a mulher retornou com as bebidas.

– Ah, delícia – disse Dean, levando o copo à boca. A garçonete retirou algo do sutiã e o entregou. Ele abriu para ver o que era, sorriu descaradamente, olhou para ela e piscou, brincando – Delícia.

Os outros dois rolaram os olhos em sinal de desprezo.

– Ok. Eu preciso esclarecer umas coisas aqui. – Ally começou, dobrando o papel da mesa nervosamente – Já entendi que vocês estão sempre atrás de... Criaturas, como o meu padrasto. Ou seja lá como vocês prefiram chamar. Mas... Eu não... Por que ele? Como vocês chegaram justo a ele? – ela perguntou, deixando o cenho franzido e o maxilar tenso ao esperar pela resposta.

– Nós recebemos a coordenada do nosso tio Bobby. – falou Sam.

– Coordenada?

– Sim, são como sinais, números de estradas, e tal.

– Hm... Entendi – disse ela, virando o copo de uísque sem dó.

– Então, Ally... Você não é caçadora? Mesmo? Me pareceu bem preparada – Dean observa, com o cheiro do uísque exalando na boca.

– Não, não sou. Fiquei sabendo há pouco tempo sobre essas coisas. Minha mãe me escondeu tudo... Já faz uma semana que ela soube, e mesmo assim ficou calada. Estou esperando aquele canalha desde que voltei de viagem, e ela fingindo que ele ia voltar. Mas, eu acho, a verdade sempre aparece e ela acabou me contando que ele tinha ido embora com o meu irmão mais novo. Do cafajeste eu já cuidei. Queria ter demorado mais, ter o feito sofrer, para ser bem sincera. Mas ele mereceu morrer, enfim. Agora preciso encontrar o meu irmão. E uma das minhas armas mais importantes é saber que realmente preciso ter medo do escuro.

De repente se calaram. Sam e Dean sabiam bem do que ela estava falando. E sim, a verdade sempre acabava aparecendo. O clima ficou desconfortável, cada um revivendo as próprias perdas em silêncio, como se aquele fosse um momento sagrado que não poderia ser interrompido. O minuto de silêncio.

– É difícil mesmo, Ally... Dean tinha somente 5 anos quando tocou em uma arma.

– Olhem os temakis! – Dean falou com água na boca, tentando evitar conversas sobre o passado – Você pode trazer mais uma rodada de uísque para nós? – Pede para a garçonete – E molho teryaki.

– Claro, com prazer – a garçonete falou, dando ênfase à última palavra e piscando para Dean.

Ally ficava cada vez mais desacreditada em relação à atitude dele – sentia antipatia.

– Vamos comer? – perguntou Sam

– Claro, com prazer – Ally disse com um tom engraçado e Sam riu. Dean permaneceu exatamente da mesma forma, achando a brincadeira desnecessária.

Depois de tomar mais duas rodadas de uísque, Ally já estava tonta e enjoada. Sam percebeu:

– Quer que eu te leve pra casa?

– Não p-precisa....

– Eu discordaria – Dean disse, dando um gole no seu quinto copo.

– Hum... Não. Nada de incomodar ninguém. Eu posso dirigir.

– E eu discordo maais uma vez...

– Dean – Sam o repreendeu – Bom, Ally... Você já bebeu alguma vez antes?

– Mas é claro que sim. Não me confunda com essas menininhas fracas.

– Não duvido disso. – bufou Dean – Vou pagar a conta.

– Deixa que eu pago o meu – falou Ally.

– Não! Não mesmo, você salvou nossa pele. – disse Sam. Ela olhou para ele envergonhada e começou a se levantar. Tropeçou na própria perna, e quase caiu no chão, mas Dean segurou pelo braço e a levantou.

– O-obrigada...

Ele a soltou e foi até o caixa.

– Desculpa aí... Bem... Por ele. Está de mau humor, sabe. Correntes de ferro sempre fazem isso com ele.

Ela riu – ou melhor, soluçou – e os dois esperaram Dean para sair. Quando estavam a meio caminho do carro, Sam parou e colocou a mão na cabeça.

– Mas que droga! Eu esqueci uma coisa no esgoto...

– Se foi o Browning que o papai me deu quando eu fiz sete anos, eu te mato.

Sam deu um passo para longe do irmão e fez que sim com a cabeça.

– Vamos voltar? – Ally perguntou — Droga.

Dean nem esperou que eles começassem o caminho de volta; começou a andar apressado, como se o mundo fosse acabar, e fez todo o caminho praguejando contra Sam.

– Sam, eu não estou brincando! Vou te matar.

– Tá bom Dean... Só não faça isso em público, não quero que seja preso... De novo. – Sam riu, olhando para Ally, que ria também.

– Eu te pego no beco neguinho... – disse ele brincando.

Todos desceram as escadas do bueiro mais uma vez. Passaram pelo corpo ensanguentado e foram até a bifurcação por onde ele tinha chegado. Viram então a preciosa arma.

– O meu precioso está aí... – ele disse pegando o Browning calibre 34 nas mãos – Desculpe o Sam por ter te deixado aqui. – disse ele olhando para Sam, que escondeu a cara.

– Acho que não precisa mais matar ele. – Ally observou.

– Vamos ver, pensarei no caso dele quando estiver sob o delicioso som de Kansas.

Ally já estava voltando quando Sam avistou um papel amarelado na parede.

– Ally, eu acho que tem uma coisa aqui que... Bem... – ele hesitou por um momento, deu uma conferida e tentou fazê-la continuar – Nada, esqueça. Vamos... Hum... Embora.

– Mas o quê? – Ally disse olhando para o papel manchado de sangue.

– Deixe-me ver – disse Dean, leu o papel e fechou a cara.

– E aí, o que está escrito?

– É melhor você não ver.

– Me dá isso agora! – ela tentou pegar o papel da mão de Dean, mas era um pouco mais baixa e por isso não conseguiu – Me dá! Que droga Dean! Me dá logo! – Até que finalmente deu um tapa na mão dele e pegou o papel.


“Não sei o que lhe pesa mais: sua impulsividade ou sua falta de experiência. O que vale agora é o peso da morte de um irmão nas suas costas. Cuidado, pequena Ally... Nunca se sabe quando alguém próximo pode ser tirado de você.


Até a próxima

– Joe”


Notas finais
Não deixem de colocar reviews meus amores. *smack*
- Gabi Winchester, Mirakles e Nynphadora.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.