Soul Gems

1 Acidente.


Notas iniciais
Olá, então, como lá no spirit a coisa ta adiantada, vou postar tudo de uma vez aqui e é isso aí~~ até a primeira atualização de verdade :*

— “Sério que foi assim que você resolveu isso?” – dizia a mensagem no visor do celular da ruiva.

—“Sim, e eles não pararam de repetir que eu sou muito infantil, você acredita nisso Anna?” – teclava ela, porém não chegou a enviar, pois atravessava a rua naquele momento, os olhos chocolate vidrados na tela do celular não notaram uma motocicleta fazer a curva na esquina e acertá-la em cheio, lançando a garota a alguns metros de distância.

O piloto assustado deixou o veículo no meio da pista, não estava em alta velocidade, mas mesmo assim o impacto o deixou desnorteado, por pouco conseguiu pular da moto antes de levar um tombo depois de acertar a garota. Correu para ver o estado da atingida; ao se aproximar a primeira coisa que fez foi checar o pulso para descobrir que ela estava semi-consciente, preocupado pegou-a nos braços e a depositou sobre uns bancos do outro lado da rua, agachou-se na altura do rosto pálido com o coração quase explodindo. As mãos tremiam tateando por dentro da jaqueta pelo próprio celular para que pudesse ligar para a ambulância, porém em um movimento quase mecânico estagnou. O que diria ao pessoal da emergência? “eu atropelei uma garota e eu acho que quase a matei” Talvez ele devesse ligar dizendo que vira o acidente e não precisava se identificar, não é mesmo? Era só chamar por ajuda e sair dali; olhou em volta, não tinha nenhuma pessoa por perto, nem se lembrava se teria alguma câmera naquele lugar, ela estava viva... Por enquanto.

Sentiu um arrepio na espinha e podia jurar que era culpa, mesmo que ficar ali significasse assumir a responsabilidade por aquele acidente idiota que ele gostaria muito de gritar pra todo mundo que era culpa daquela garota idiota que atravessava a rua depois das 22h teclando, não conseguiria viver pensando que a deixara naquele estado num lugar daqueles... Mas então, ligava para a emergência ou não?

— uh... – o gemido da garota a sua frente o despertou de seu conflito moral.

— Meu Deus! Você é louca PORRA? – gritou ele em desespero enquanto ela se sentava no banco como se estivesse apenas acordado de um cochilo.

— O... que? O que aconteceu? – perguntou ela com os dedos a massagear as têmporas, numa tentativa de aliviar a terrível enxaqueca.

— Aconteceu que você é burra pra caralho e quase morreu e me matou de susto no caminho! – dizia ele bagunçando o perfeito cabelo negro em desespero.

— POR QUE VOCÊ TA ME CHAMANDO DE BURRA e – gritava ela antes da enxaqueca de antes voltar com força total – ugh!

O rapaz eufórico deixou de lado o escândalo que ia fazer ao notar que ela tinha a palma da mão direita sangrando.

— Você se machucou? – perguntou ele agora juntando as grossas sobrancelhas negras em preocupação.

— Ah, você notou pelo sangue aqui na minha mão? – respondeu ironicamente.

— Mas que droga garota, você praticamente se jogou na... – reclamava ele elevando a voz quando a menina ruiva não pode deixar de corrigi-lo.

— COMO ASSIM EU ME JOGUEI? VOCÊ QUASE ME MATOU! – ela segurou na jaqueta dele com força, sujando ela com sangue no processo.

— SE ACALMA! – sentenciou altivamente o mais alto a segurando pelos ombros; A voz masculina e a rudeza a calaram imediatamente e as orbes castanhas encontraram as verdes com um quê de medo.

Ele a soltou lentamente, meio se arrependendo de perder a calma e meio preocupado com o rumo daquilo tudo. Suspirou sonoramente e bagunçou mais uma vez o cabelo.

— Olha, a culpa foi sua – ao ver que ela se preparava pra falar mais uma vez, completou a frase – e também foi minha, ok? – percebendo-a consentir, continuou – Eu posso te levar a um hospital e pago qualquer dano e eu sinto muito, mas você também me deve um pedido de desculpas.

— Ah – riu ela desdenhosa – essa é ótima agora, você me atropelou e eu tenho que te pedir desculpas! – ele fez uma carranca, porém nada disse deixando que ela prosseguisse – Eu sei que estava errada por atravessar a rua olhando para o celular, eu estava tão nervosa e concentrada que não notei as coisas ao meu redor, no entanto – pontuou ela, apontando o dedo indicador para a rua atrás onde momentos antes acontecera a desgraça – a culpa é mais sua que minha e eu me recuso a pedir desculpas! – antes que ele dissesse alguma coisa, adicionou rapidamente: — Não precisa se preocupar, eu moro ali na esquina e isso aqui – apontou para a própria mão que agora ardia por conta do ferimento – foi só um arranhão e eu não vou morrer de hemorragia ou infecção, pode ir e presta mais atenção viu! – não o deixou responder e deu as costas, recolhendo suas coisas espalhadas e indo na direção da própria casa, largando um estupefato garoto sem saber muito bem o que fazer a seguir.

—

No dia seguinte, Thália tinha um curativo na mão ferida e corria apressada para a aula de introdução ao Marketing. Enquanto passava pelos corredores do prédio de artes, pensou ter visto o homem que quase a matara na noite passada, mas devido a pressa do momento, não parou para averiguar, afinal de contas estava cansada e atrasada, talvez fosse apenas sua mente lhe pregando peças.

Na sala, entrou de fininho esperando que o Sr.Sanders, não notasse os seus 15 minutos de atraso, ele era um professor muito rigoroso, principalmente com horário.

Seu colega de turma, Benji (como o tinha apelidado apesar de seu nome ser Benjamin) havia guardado o lugar dela, bem no fundo da sala, no “ponto cego do monstro” como eles chamavam.

— Hey você que salva minha cara quase sempre! – cumprimentou-o aos sussurros.

O menino igualmente ruivo lhe sorriu docemente como sempre fazia.

— Hey você que quase sempre precisa que eu salve sua cara, — respondeu igualmente aos sussurros sem esquecer-se da costumeira piscadela para a parceira de turma.

Enquanto Thalia tinha sua mesa pronta e copiava rapidamente as anotações do colega, fazendo uma ou outra por sua conta, Sr. Sanders terminou de explicar o gráfico no quadro e encarou sua turma.

— Alguma dúvida classe? – só pra receber de volta alguns olhares vagos. – Não? Pois eu tenho uma. –disse ele, alisando o assustador bigode grisalho que ostentava com tanto orgulho no rosto cansado. – Que horas você entrou na minha sala Srta.Lamartini?

Thália soltou um bizarro riso forçado.

—Logo após o senhor Sr.Sanders, mas deve não ter me notado, afinal sou apenas uma modesta aluna de um professor tão sensacional! – o sarcasmo era quase palpável.

— Claro, claro. – respondeu o mais velho, convencendo-se graças ao falso elogio.

—

— E por que você se atrasou hoje? – perguntou Benjamin enquanto andavam até a biblioteca para buscar algumas referências para um projeto.

— Eu acordei atrasada e ainda tive que trocar o curativo e – tentava se explicar, porém o garoto segurou a mão machucada com uma delicadeza quase inacreditável.

— Como você conseguiu isto? – questionou-a preocupadamente.

— Ontem a noite eu meio que sofri um acidente. – disse tentando desvencilhar-se de mais perguntas ou preocupações.

— Você o que?! – perguntou Benjamin, deixando claro que a tática de ser vaga dela não funcionava.

— Foi só um arranhão, eu ‘to ótima. – tentava tranqüilizar o amigo quando escutou uma voz familiar dizer:

— Não acredito que você estuda aqui! – exclamou espantado. Aquele era o ultimo lugar que esperava encontrar aquela garota idiota.

A ruiva girou lentamente seu corpo na direção da voz e os viu. Quatro maravilhosos deuses gregos a encarando enquanto um deles (ela não tinha realmente percebido o quão bonito ele era no meio da confusão) apontava pra ela.

— Se você não acredita, imagina eu.