Soul

24 Quem vive de passado é museu, então sou um


Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês, postado com programação do sistema porque terminei o capitulo só quatro dias depois de ter postado o último. Dai resolvi ganhar tempo, programar postagem e escrever o próximo. Espero que gostem

Eu dormi. Naquele chão frio, daquela cela horrível. E como se a minha mente soubesse que eu precisava de meus amigos, sonhei com eles. Revivi uma memória.

Todos sabiam que Nico e eu não éramos exatamente pessoas diurnas. Algumas vezes acabamos indo dormir as 2 ou 3 da manhã, pela falta de sono e pelas conversas que tínhamos. Ou pelo Netflix.

Mas houve uma das noites em que eu nunca conseguiria me esquecer.

Foi bem antes disso tudo, de eu ter ao menos a ideia da palavra Espectro. Antes de Nico e eu nos beijarmos.

Eu tinha apenas um mês de vida, estava me acostumando com as coisas. Com tudo, na verdade. Eu chegava nos lugares e ao sentir os cheiros, ficava fascinada. Ou as vezes tinha uma crise de tosse ou espirro. Certas cores faziam meus olhos doerem por causa da intensidade. Tudo era muita informação pra mim, e eu não tinha nem comido metade das coisas que estava a fim de comer.

Nico e eu estávamos sentados no sofá, assistindo alguma série aleatória que passava na TV. Que era extremamente chata, por sinal. Mas nenhum de nós estava com sono e estávamos entediados o suficiente para assistir qualquer coisa que passasse na TV. Era uma madrugada de sexta feira.

Eu estava com as pernas por cima dele, meio sentada meio deitada no sofá e ele não havia dito uma palavra de reclamação sobre isso. Me lembro que naquela noite, eu estava quase tendo um colapso por isso. Até porque suas mãos estavam confortáveis em cima das minhas pernas, descobertas porque eu estava com um pijama de short e camiseta.

–Eu estou com fome. Mais alguém está com fome? — Ele falou calmamente. Levantei a mão, dando um voto para a busca de comida pela casa. — Eu estou a fim de comer um lanche.

–Está meio tarde para sair em busca de um lanche. — Eram 1:30 da manhã. Para os nossos parâmetros ainda era cedo, mas para todo mundo era madrugada.

–Nós vivemos em Manhattan. Deve ter uma lanchonete 24 horas em algum lugar.

–Podemos comer um Subway. — Sugeri.

–Saudável demais.

–Então o que?

–Tem um Wendy's aqui perto, que funciona até as 3:30.

Nós morávamos em um ponto bom de Manhattan, no Upper West Side. Era bom porque tinha de tudo, e era um bairro bonito. Cada grupo morava em um ponto, para melhorar o nosso acesso aos lugares.

–Eu tenho que trocar de roupa? — Perguntei morrendo de preguiça de tirar a camiseta branca e o short de tecido.

–Não. Ninguém liga pra ninguém nesse horário. A única coisa que as pessoas prestariam atenção é se você fosse só de lingerie. O que no caso não vai.

Corei violentamente, mesmo sabendo que ele está só brincando.

–Ok, você dirige por que eu estou com um pouco de sono. — Falei me levantando do sofá e prendendo meu cabelo com uma borrachinha que estava no meu braço.

Saímos de casa antes que eu repensasse a ideia e ficasse com preguiça. Descemos o elevador em silêncio, olhei meu reflexo bagunçado no espelho. Arrumei os poucos cabelinhos soltos e as portas do elevador se abriram. Fomos para o carro e eu entrei no banco de carona.

–Eu fico com o rádio. — Anunciei.

–Se colocar música de cantora pop eu paro o carro.

–Só por causa disso vou procurar uma rádio desse estilo.

Ele parou de olhar para frente para me encarar com uma cara de impaciência e mal humor. Sorri pra ele, aquele tipo de sorriso igual o do Stitch. Ele voltou seu olhar para o portão que estava abrindo.

No fim das contas, deixei em uma rádio que estava tocando rock. Ele não reclamou e eu acabei anotando um monte de nomes de músicas no celular para baixar.

Chegamos no restaurante, estacionamos bem na frente pois havia só uma moto por perto, e entramos.O cheiro característico de Fast Food pairava no ar e eu dei uma parada para apreciar. Nunca perdia a graça. Nico escolheu uma mesa de dois lugares encostada na parede e perto do balcão. Não me incomodei com a escolha.

Escolhemos a comida, uma porção de batatas fritas com bacon e queijo e outra de nuggets de frango. O último foi escolha minha.

Apoiei os cotovelos na mesa, e coloquei minha cabeça sobre as minhas mãos. Observei o lugar, depois olhei para Nico. Ele estava debruçado, com os braços sobre a mesa e com a cabeça sobre eles. Parecia mais novo, olhando naquela pose. Sorri de leve.

–Você parece mais pacífico. — Murmurei e ele olhou pra mim. Já que eu estava mais alta que ele no momento, suas sobrancelhas se ergueram e suas iris ficaram com um pedaço escondidos pelas pálpebras. Ele estava lindo, mesmo descabelado e usando pijamas.

–Obrigado. — Respondeu ele, sorri um pouco.

–Você estava agoniado para sair do apartamento. Porque?

Ele respirou fundo, como se eu tivesse feito uma pergunta que ele estava com preguiça de responder. O que era bem provável.

–Eu não sei. Só estava a fim de ficar lá. Eu iria sair de qualquer jeito, aliás. Se você tivesse ido dormir, ou se não estivesse a fim de vir. Mas fiquei meio feliz de você ter vindo. É menos solitário.

–Você feliz por não estar sozinho é algo raro. — Brinquei. — Eu devo ser um Sol e tanto na sua vida, Di Angelo.

–Não se acha. Todo mundo tem direito de não gostar de estar sozinho uma vez na vida.

–Ou duas.

–É, talvez duas.

–Di Angelo. — Murmurei novamente. — Italiano para Anjo. É um sobrenome interessante. Quase um trocadilho, ou piada interna.

–Assim como o seu.

O silêncio voltou, e nos ficamos nessa de olhar e desviar. Quando eu o peguei me olhando e vice versa pela terceira vez, comecei a rir. Ele lutou para esconder um sorriso, mas acabou dando um enorme e alegre.

–Viu? Nem você resiste ao meu charme. — Brinquei.

–Charme? Sua risada parece um barulhinho de pato. — Segurou para rir enquanto eu fingia fazer uma cara feia.

–Feriu meus sentimentos Di Angelo! Ainda mais porque nunca ouvi sua risada.

–Eu não rio faz um bom tempo.

–Não é um bom tempo. Ficar tanto tempo sem rir ou sentir essa alegria sem sentido não é bom.

–Está tentando me dar uma lição Seele?

–Não, Nicolas.

–Pra começar meu nome é realmente Nico. — Corei. Eu tinha pensado de verdade que era um apelido. — E sim, está querendo me incentivar a reagir depois vai tentar me fazer rir. Ou arrancar algo de mim, não sei.

Fiquei irritada, mas não falei nada. Cerrei a boca, e virei o rosto. Ele presumiu que me conhecia e me tratou como se eu sempre quisesse escavar sua mente como se fosse uma tumba egípcia. Eu tinha curiosidade, sim. Mas não estava sempre querendo entrar na mente dele. Não estava sempre querendo saber tudo dele. Eu queria me aproximar dele.

A comida chegou e pedi um refrigerante para mim e Nico um para ele. Me concentrei em comer e sentir as diferenças de sabor, observar a pequena e confortável lanchonete.

O lugar era pequeno, haviam apenas umas seis mesas de quatro ou duas cadeiras. Paredes brancas, uma delas cheias de pôsteres antigos de comida e propagandas. Me peguei observando as pessoas nas propagandas, imaginando-me vivendo na época delas. Nos anos 40, por exemplo. Usando aqueles vestidos, penteados e conhecendo mulheres doces e poderosas ao mesmo tempo. As músicas e as danças daquela época ainda me fascinavam. Fechei os olhos, imaginando ir em um encontro com um homem cavalheiro. Dançar em pubs, ir à cafeterias com as amigas.

–Voando um pouco longe. — Nico murmurou, me acordando à realidade.

–É, eu estava só... pensando muito.

–Desculpe por ter sido rude. — Falou tão baixo que eu mal escutei.

–Um sorriso grande e um pedido de desculpas! Essa noite está rendendo, no fim das contas. — Sorri vitoriosa.

Ele fez aquele negocio que sempre fazia quando sorria. Abaixava o rosto e escondia o sorriso. Apesar de achar aquilo charmoso, era um pouco frustrante.

–Não é proibido sorrir. — Coloquei o canudinho na boca e tomei um gole. — Eu gosto do seu sorriso. — Percebi o deslize e comecei a tagarelar. — Quer dizer, todo mundo gosta do seu sorriso. Todos adoram ver gente sorrindo, é reconfortante algumas vezes. A não ser que seja um sorriso sádico, e isso ninguém merece...

–Não é proibido comentar que gosta de algo em alguém, sabia disso também?

Senti meu rosto queimar e senti uma mistura de culpa e vergonha. Murmurei algo que soou como "eu sei" e enfiei um nugget inteiro cheio de catchup dentro da boa.

Conclusão do nosso lanche da madrugada: nuggets com catchup são gostosos mas de você os enfiar inteiros na boca vai engasgar.

Meia hora mais tarde, depois de comermos, conversar um pouco e obviamente pagar a conta, voltamos para o carro e dirigimos de volta para o prédio. Quase o convenci a me deixar dirigir mas ele não cedeu.

Quando chegamos ao apartamento, senti um pouco que Nico se fechou e voltou a ser daquele jeito quieto e no canto.

–Já vai dormir? — Perguntei eu.

–Não. Porque?

–Nada. É que eu to indo pro terraço, se quiser vir... — Deixei a frase pairar no ar.

–Claro, eu vou com você.

Eu tive que admitir, fiquei com um pouco de vergonha de subir as escadas na frente. Por que quando se sobe uma escada, a sua bunda fica na cara da pessoa. E eu não estava a fim de pegar Nico olhando minha bunda. Mas se ele subisse na frente, eu iria olhar a dele. Tá ai um problema sério, Sophie. Quem olha pra bunda de quem.

No fim das contas ele foi na frente. E não foi culpa minha! Ele me ultrapassou e foi na frente.

Chegando lá, fui até o muro anão que tinha lá e me escorei. Respirei fundo o ar fresco, porém sujo. Fechei os olhos, curtindo um pouco da paz.

–Você gosta dessa vida, Sophie? — Ele perguntou, me tirando do momento de apreciação ao nada.

–Amo, de verdade. Cada problema, cada alegria, cada coisa que aprendo. Porque?

–Nada, só estava curioso pra saber se você está feliz de verdade.

–Não sei porque se preocupar com isso. Não sou tão importante assim. — Dei uma risada envergonhada e um pouco nervosa.

Ele não respondeu, apenas se virou e observou a cidade abaixo de nós.

A vista era linda. Me fazia sentir pequena e também parte de algo maior do que eu.

–As luzes são como estrelas em um céu de vidro e concreto. — Soltei minha observação em voz alta, sem querer.

–É. Exatamente. — Nico murmurou enquanto continuava a estudar a vista. — Você é meio empenhada em me desvendar. Porque isso?

Parei para pensar. Eu nunca havia pensado em uma desculpa do porque, mas naquela hora eu o fiz.

–Você é como um quebra cabeça com pedaços em branco, para mim. Não consigo te entender por completo, apesar de querer. Não posso montar um quebra cabeças de peças em branco. Se posso é quase impossível.

O silêncio retornou. Agora, Nico não estava olhando para a vista. Ele olhava para mim, com o corpo completamente virado para mim. Me estudava como se tentasse descobrir o que passava na minha cabeça. Não me incomodei. Eu fazia isso com ele o tempo todo.

–Meu passado é... Complicado. — Ele disse por fim. — Problemático.

–Não muda o fato de que eu quero te entender.

–Mas porque você quer tanto isso? — Ele falou, quase indignado. Virei o corpo para ele.

–Porque nós somos um pouco parecidos, na personalidade. E eu não sei. Você é intrigante — Ele soltou o ar em forma de risada quando eu falei isso. — E ao mesmo tempo me dá segurança.

–Talvez seja porque eu sou da mesma categoria — Dos relacionados a morte. — que você. — Ele murmurou enquanto se aproximava quase imperceptivelmente de mim. Mas eu notei, porque qualquer aproximação maior do que a costumeira fazia minhas mãos tremerem e meu cérebro virar gelatina.

–Talvez. — Sussurrei, já fora de sintonia.

Eu podia literalmente sentir sua respiração no meu rosto, quando houve um som de um copo caindo. Foi como se toda a atmosfera ao redor de nós dois sumisse, ou ao menos tivesse acontecido.

Corremos para a cozinha, com medo de algo sério ter acontecido mas não era nada demais. Jason e Frank estavam lá e haviam cacos por todo o lado. Também havia água, provavelmente o copo estava cheio.

Eles se assustaram ao nos ver descendo correndo, e nós fomos assustados pelas portas dos quartos abrindo quase ao mesmo tempo e o som de correria. Em segundos, haviam mais semideuses com cara amassada por causa do travesseiro na cozinha do que jamais houvera. E eles estavam todos armados.

–O que aconteceu? — Piper perguntou erguendo a adaga e com uma voz de quem acabou de acordar de susto.

–N-nada — Jason estava com os olhos arregalados e assustado. Frank não estava muito diferente, só estava mais pálido do que o normal.

–Deuses. — Murmurei.

–Deuses, onde? — Leo olhou para os lados em busca de algo. Levei alguns segundos para perceber que ele tinha entendido minha exclamação errado. O pequeno caos já havia sido criado.

–Cade? — Hazel entrou na onda da "busca por deuses".

Olhei para Nico querendo uma ajuda, ele apenas olhou de volta pra mim e ergueu a sobrancelha como se dissesse você fez a bagunça agora conserta.

–Não tem deus nenhum por aqui. Só fiz uma exclamação. — Ergui as mãos em um sinal pedindo para que eles se acalmassem.

–Eu só derrubei um copo, gente. — Frank estava quase em pânico.

Eles levaram cerca de cinco minutos, para se acalmarem. Mais depois perceberam que perderam o sono. Talvez por terem acordado tão assustados ou pela agitação que estava na casa.

Quando terminamos de organizar a cozinha, ficamos olhando um para a cara do outro. Não haviam muitas opções de lazer durante a madrugada, então Jason se voltou para Nico. Nós não estávamos mais um do lado do outro, constrangidos pelo que quase havia acontecido lá em cima. Não que eu não tivesse gostado nem nada. Na verdade eu adoraria se ele me beijasse.

–O que vocês estavam fazendo lá em cima?

Precisei de todo a minha concentração e força de vontade para não corar e permanecer natural. E eu tenho que dizer, não foi nem remotamente fácil. Todos alteravam o olhar dele pra mim, e de mim pra ele.

–Nós estávamos só conversando. — Nico era um ator nato, então não teve uma dificuldade para fingir naturalidade. Ou ele realmente não se importava que nós havíamos quase nos beijado.

Para manter a naturalidade, e a discrição porque estava com calor ainda, peguei um copo de água. Bebi rápido demais, mas eles não prestaram tanta atenção. Eu acho.

Continuamos encarando uns aos outros até que eu sentei em um dos bancos que haviam na ilha da cozinha. Logo, eles se juntaram a mim. Estava ficando estranho aquele silêncio, quando Leo decidiu quebrar ele definitivamente.

–Vamos jogar um jogo! — Murmúrios de contrariamento tomaram conta do ambiente.

–Contando que não seja Verdade ou desafio.

–Pode ser jogo da vida?

–War!

–Eu quero algum de pergunta e resposta.

Foi todo um processo para escolher um. Primeiro tivemos que acalmar a bagunça, eu e Leo, depois tivemos que fazer uma votação. Risk ganhou (N/A: Equivalente americano de War). Depois tivemos que escolher as duplas enquanto Piper fazia pipoca e eu tentei fazer um suco. Tentei porque enquanto espremia laranjas, Nico me tirou dali e tomou meu lugar porque supostamente não queria beber um suco ruim. Enquanto ele fazia, eu fiquei do seu lado, tomando coragem para tocar no assunto com ele.

–Vamos falar sobre o que ocorreu lá em cima? — Sussurrei. Ninguém estava prestando atenção na gente. Estavam Leo e Frank montando o tabuleiro enquanto Jason abaixava a temperatura do ar condicionado do apartamento e Hazel pegava cobertores.

–Não tem o que falar. — Ele sussurrou de volta, enquanto colocava a jarra para encher de água. Segurei seu braço e o fiz prestar atenção em mim.

–Isso não é verdade. Eu não vou ignorar o que aconteceu.

–Não estou falando isso. — Ele se soltou de mim e foi até a geladeira pegar gelo. Quando voltou, continuou. — Não dá pra simplesmente ignorar, isso é óbvio. Quase nos beijamos? Sim. Se aquele copo não tivesse caído, teria acontecido? Sim. Aquilo foi um erro? Provavelmente não, por que pessoas não se beijam sem querer. — Por dentro, eu estava tendo um colapso por tudo que ele estava dizendo. Por fora, fazia um esforço para parecer normal e não corar como uma louca. — Só estou dizendo que não tenho nada a declarar sobre isso.

Ele saiu do meu lado e veio para a minha frente. Fiquei esperando para entender o que ele ia fazer, e ele esperando eu fazer algo.

–Você está na frente do açúcar.

Corei violentamente, e sai do caminho. Eu estava esperando que ele fizesse algo, só não sabia o que. Você está na frente do açúcar não era bem algo que eu esperava.

Ele abriu a armário e pegou o pote, voltei para onde eu estava.

–Então o que? Seguimos em frente? — Indaguei.

–Mais ou menos. — Ele passou a mão por trás de mim, abriu uma gaveta e pegou uma colher para mexer suco. — Nós aproveitamos a madrugada, surtamos por dentro um pouquinho pelo que quase aconteceu, e no futuro se algo acontecer de verdade, ambos estaremos super felizes.

Ele pegou a jarra e sem que ninguém notasse, me deu um beijo rápido na bochecha. Um pouco próximo demais da boca do que deveria ser em um beijo na bochecha normal. Eu já tinha começado o processo de surtar havia muito tempo.

Respirei fundo algumas vezes antes de voltar para a mesa.

Eu e Leo perdemos feio. Mas também, estávamos jogando contra Jason e Piper, Frank e Hazel, e Nico. Jason, Nico, Frank e Hazel já tinham uma vantagem devido aos treinamentos do acampamento Romano. Piper era esperta e ajudava a tomar as escolhas mais difíceis.

Leo estava quase chorando de frustração e eu quase rindo do desespero dele.

–Você não está ajudando! — Ele se voltou contra mim.

–Entrar em desespero não é de muita ajuda também. Aliás, as duplas estão totalmente injustas.

Depois, nós jogamos um jogo de corrida que os meninos escolheram, e eu não faço ideia do nome. Incrivelmente, Piper saiu ganhando. Quando cansamos dele, Leo desatou a contar histórias.

–Teve aquela vez do Narciso! — Hazel disse alegremente enquanto ria. Todos começaram a rir e me contaram a história.

Fomos todos dormir cerca de 5 da manhã, naquela noite. E eu o fiz com um sorriso enorme no rosto, um bom humor incrível, por sinal.

Eu acordei no segundo em que a eu do sonho encostou a cabeça no travesseiro.

Senti um pouco de alegria quando acordei, mas ao lembrar o que estava acontecendo ela desapareceu como um estalar de dedos e foi substituída por uma sensação de vazio.

Estava faminta, com sede e meus olhos doíam pela claridade. Não havia um interruptor ali? Cocei os olhos e quando tirei as mãos, olhei para meus braços. Estavam muito mais magros do que eu me lembrava. Os ossos estavam totalmente aparentes e minhas unhas enormes.

–Que diabos...

Fui interrompida quando a porta abriu, e a garota entrou de lá. Ela também estava diferente. Sua pele estava mais dourada, seus cabelos mais bonitos e um pouco mais longos do que eu me lembrava. Ela carregava uma bandeja, e quando o cheiro me invadiu quase a ataquei. Comida. Estava dividida entre me desesperar ou correr para a comida.

A garota, que eu ainda não sabia o nome, colocou a bandeja na minha frente e se afastou.

–Coma Aimée. — Ela falou e eu me surpreendi ao ouvir o nome do qual nem me lembrava.

Fui direto para a bandeja sem nem falar nada. Havia um caldo de carne, pão e água. Tomei o caldo e comi o pão, por último bebi a água. Quando terminei, a menina ainda estava aqui.

Me senti estufada pela comida, mas um estufada bom. Respireu fundo e me senti melhor, menos mumificado. Mas a paz foi embora ao lembrar que ela ainda estava ali.

–Eu deveria agradecer?

–Talvez.

–Então não vou. — Ela riu de mim como uma mãe ria de uma criança pequena mal humorada. — Eu preciso de um nome para te chamar. Não posso me referir à você enternamente como "a garota"

–Não precisa saber dele, por enquanto.

–E o que eu preciso saber? — Fiquei irritada. — Porque você está me prendendo aqui?

–Fato divertido: você dormiu por duas semanas.

Entrei em choque. Duas semanas? Eu entrara em uma espécie de coma, e fiquei desacordada por duas semanas?

–Outro fato divertido: Você é mais poderosa do que pensa. Também tem cerca de 1000 anos. Não só 75.

Perdi o chão e o sentido das coisas. Ela sabia da minha vida toda, enquanto eu passara anos no escuro. Chorando de medo e solidão, sentindo um vazio que era mais como um buraco negro. Enquanto ela sabia de tudo, o tempo todo. Minhas mãos tremiam e eu ameaçava chorar. Estava em estado de pânico, isso sim. Tendo um acesso de desespero.

–Ah, cara Aimée. Eu vou te contar uma história.

Notas finais
Me contem, o que estão achando da fic até agr? Me deem uma nota, de 0 à 10