Sou apenas mais um arquivo morto apagado pela sua mente, estou junto a escória, eu só queria estar ali, sempre ao seu lado, eu não tinha aonde ir.
Sou aquela música que fez sucesso quando lançou, agora está jogada em algum disco sem nome, emoldurado em uma parede de mármore.
Sou a escova de dente usada com resquícios de pasta esperando uma última utilização.
Sou a pior metáfora dita por mim, sou aquela piada sem graça que apenas os panacas riem.
Sou o monge calado que toma banho olhando para a genitália, perguntando-se o motivo da castidade, ele diz: “Por que eu não entrei dentro dela?”, sou apenas mais um ermitão entorpecido por água benta.
Sou a porta entreaberta entre o sonho e a ilusão, sou a tristeza que vem dos corações, eu sou aquilo, isso e mais isso.
Sou o detergente multiuso que quando acaba você joga fora, sou o jornal que você não leu por preguiça, eu estava até estampado no seu espelho, porém quando via, o Sol ofuscava sua visão.
Sou aquele cantor que você tinha amor platônico, ahh, lembra daquela ligação? Aquela que não atendeu? Era eu, ligando para te dizer: “Eu ainda te amo!”.
Sou a guitarra que não produz dó, eu já fui o Sol, até a sua calcinha velha eu já fui, qual foi a dificuldade de sobreviver o verão sem olhar para mim?
Sou o recorde de voz que gravou na sua pior crise existencial, sou o pente que te descabelou, mas além de tudo que fui, sabe o que quis ser esse tempo todo? O seu amor... O ciúmes enamorado pelo coração, sempre quis ser o seu artista, o seu público, sempre quis ser a chuva que molhou sua laje. Quis ser o causador do seu sorriso assim jocoso.
Sou? Não. Talvez.

FIM
24/04/14

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