Soturno
1 Pena
Notas iniciais
Essa coisa linda minha foi betada pela minha outra coisa linda -sqn porque ela só judia de mim, eis ela ANABBC, ganhadora do oscar do falsitrouxa da Nahu ♥
Essa é uma fic beeem diferentes das que eu faço, mas... beeeem do meu jeito. Só leia para entender.
Espero que gostem e nos vemos lá embaixo :3
Eu poderia estar em qualquer outro lugar, descansando no meu lar, falando com meus companheiros, fazendo qualquer outra coisa, mas não, estava observando aquele rosto delicado sorrindo para suas amigas. Quem era? Seu nome é Helena e está no auge dos seus 17 anos. Quem eu sou? Somente uma observadora.
Seus olhos olharam na minha direção por uma fração de segundos, porém sabia que não era para mim que estava olhando e sim para a silhueta do professor de física encostado na porta atrás de mim. Raramente alguém me notaria, somente para aqueles observadores atentos eu poderia ser notada, não era alguém que gostava de ser notada.
Poderia me considerar uma pessoa assexuada, seja lá qual for a definição de quem sou, somente reconheço que no patamar em que estou, sexo e namoros se tornaram fúteis enquanto para a sociedade atual são essenciais. É somente interessante observar aquela menina nesses dois dias que cheguei à cidade.
Minha bolha foi rompida com a voz do professor, pouco me importava aquela matéria, se algum dia eu fosse usar isso na minha vida. No momento, tinha algo mais legal para se prestar atenção, Helena. Ajeitei meu corpo, cruzando meus braços sobre meu peito e suspirei. Seria uma aula longa.
A aula até que passou rápido... Bom, para mim. Foi difícil não sorrir ao observar a morena dos cabelos encaracolados, que é tão interessante, se descabelar para fazer os exercícios que o professor mandou fazer. Ela tinha uma estranha mania de fazer caretas engraçadas quando se deparava com matérias novas. Para compreensão melhor dos motivos da careta, olhei para a lousa que continha os exercícios e depois de vários minutos refletindo em como poderia fazê-los, voltei a observá-la. Física não é para mim.
Um barulho estridente soou pelos meus ouvidos fazendo-me encolher levemente pela poluição sonora súbita. Era apenas o sinal da escola indicando o final da última aula do dia. Sabia que hoje era um dia diferente para ela, sairia com as amigas nessa tarde de sexta-feira para fazerem algo. Coisas típicas de adolescentes. E o que eu faria hoje? Seguiria a morena.
Não precisei seguir muito as jovens, elas pararam em uma sorveteria a algumas quadras da escola e pareciam que por lá ficariam por um bom tempo. Não era uma das minhas sobremesas favoritas o sorvete, mas entrei no estabelecimento, me ajeitando em um lugar que tivesse uma vista privilegiada e próxima das garotas.
A sorveteria é um lugar aconchegante até, tinha um tom de antigo, mas com móveis de época contrastando com as cores vivas das paredes com desenhos atuais aleatórios, com músicas de diferentes estilos. O preço poderia ser um pouco salgado pelo que via na tabela, porém o conforto que trazia aquele lugar compensava cada centavo.
Ela gosta de floresta negra, como muito bem percebi quando ela colocou a primeira colher na boca e fechou os olhos apreciando o gosto do sorvete dissolvendo na sua língua. Queria ter dito a ela depois de uns momentos que tomar rápido sorvete daria um sério problema, mas era impossível não soltar uma risada quando a mesma soltou o copinho e apertou a lateral da cabeça com as duas mãos. Uma das consequências de tomar rápido demais essa sobremesa.
— Amiga, olha lá seu par – Disse uma das amigas para ela, era somente um senhor de idade muito estranho – Um cara show de bola.
— Sofie, minha linda, para combinar comigo você fica com o amigo dele – Retrucou ela, apontando disfarçadamente para um senhor que me perguntava como podia ser mais estranho que o outro.
Ouviu-se pelo recinto o som das risadas delas, só existiam elas naquela bolha. Não ligaram que todos da sorveteria olharam na direção delas, não ligaram se os idosos perceberam, não ligaram para nada e isso estava estampado naqueles sorrisos. A risada da Helena se destacou entre todas, porque se assemelhava com o som emitido por um suíno.
Soltei um sorriso mínimo ao ouvir o som que ela fez e como se fosse uma resposta para meu ato, ela apenas enrolou um de seus cachos no dedo e sorriu envergonhado. Ela tinha um sorriso cativante, tenho de admitir, para a sorte de todos, ela sorria muito e acho isso muito bom. Uma pena.
Quando acabaram de tomar o sorvete, decidiram ir na casa de uma delas, Flávia, para aproveitar antes das outras irem para suas respectivas casas. Como normalmente faço, segui-as poucos metros atrás. Elas mantinham um ritmo calmo porque conversavam entre si, não conseguia identificar qual era a conversa, tampouco ligava.
A casa da Flávia era uma casa de um andar para facilitar minha vida de observar a morena. Suspirei passando a mão por meus cabelos e colocando minha cabeça para funcionar, eu estava perto da porta da frente e não fazia a mínima ideia de como faria para continuar minha observação dela.
Não foi preciso pensar muito para encontrar uma solução, apenas pulei o muro da casa com uma facilidade graças a habilidades que consegui ao passar dos anos praticando certos exercícios, pelo que pude perceber não tinha câmeras. Certamente teria um jeito mais fácil de eu entrar na casa delas, mas tanto faz.
Segui rapidamente por um corredor que dava para os fundos do quintal e enxerguei uma árvore que poderia subir para me acomodar, não sei se de onde eu estava poderia observá-la. Elas decidiram assistir um filme na sala deitadas no sofá. O bom de tudo isso? Como a sala tinha parede de vidro e as cortinas estavam abertas , tinha uma vista privilegiada de todas.
Quando eu acho que elas fariam algo de importante ou se divertiram durante o filme, não, elas dormiram no meio dele. Todas jogadas no sofá e pouco se importando para o filme. Ela é tão linda dormindo, não imaginava alguém tão delicada como ela sofrer na mão de uma pessoa durante esse tempo.
Como Helena está dormindo, prestei atenção com dificuldade no filme por causa da distância, “Até que a morte nos separe”, quão irônico é esse filme nesse momento. O tempo passou devagar enquanto assistia filme, e quando ele acabou, elas aos poucos foram acordando e não precisou dizer muito, as outras partiriam para suas casas, ela e sua amiga.
E aqui estou eu a alguns metros atrás do ser delicado enquanto ela andava até sua casa, não era muito longe da casa da sua amiga, uma dezena de quarteirões que ela demoraria para chegar por causa do seu ritmo. Ainda estava escurecendo e ela pareceu não se preocupar, está na sua própria bolha com o fone de ouvido.
Um movimento rápido chamou minha atenção do meu lado esquerdo na calçada, uma surpresa, porque essa rua por ser menos movimentada, tinha somente eu e ela caminhando por ali. Um cara apressado e pelos sinais do seu corpo, estava muito nervoso e eu sabia muito bem porque ele está assim.
Esse homem com o dobro do meu tamanho, mexeu em algo no seu bolso e por reflexo vi algo metálico ser puxado e segurado firmemente posto na sua mão, aproximando dela. Andei uns passos, observando o ser corpulento se aproximar do corpo diminuto e encostar aquele objeto letal em seu peito.
— Passe o que tem nos seus bolsos e o seu celular – Ouvi com dificuldade a voz grossa do homem dizer nos ouvido dela.
— Ok – Seu corpo está tenso com a pressão da arma em suas costas e somente passou rapidamente o que o ladrão pediu.
Recebendo o que tinha pedido, um som alto de tiro predominou sobre o local, um correu e a outra ficou.
Estalei os dedos e me aproximei de Helena, que estava parada na rua imobilizada, toco seu ombro e como se despertasse, ela virou seu rosto para mim, com um sorriso triste pairando sobre seus lábios.
— Suspeitava que era alguém especial nesses dias que me seguiu. – O som da sua voz chegou aos meus ouvidos e retribuí seu sorriso, ela era alguém especial, uma observadora especial. Mais do que isso, uma médium.
Nós duas olhamos para o chão e encontramos ela mesma deitada ali, com as mãos no peito, um tiro no coração, um tiro fatal. Pessoas se aproximavam dela, passando por nós sem perceberem. Claro, agora éramos apenas invisíveis.
— O que você é no final das contas? – Perguntou olhando atentamente meu rosto.
— Muitos me consideram um ser soturno, mas apenas sou um anjo da morte cumprindo meu dever.
Notas finais
Qualquer comentário, favorito e até recomendação é sempre bem-vindo.
Nos vemos por ai, talvez com mais fics duas caras... Não sei.
Beijundas da Nahu.
Fale com o autor