Sorvete
1 Capítulo 1
Eu vi um homem tomando sorvete sozinho! o dia estava normal, nem azul nem cinza e o ônibus parou em um farol amarelo piscante, que por sinal não dava sinal de bom funcionamento. Comecei a reparar nas pessoas porque o ônibus parou em frente a uma praça, tinha umas crianças brincando, uns cachorros rasgando lixo, umas pessoas falando no celular e mexendo as mão freneticamente... mas no meio do estardalhaço todo tinha um homem, sentado em um banco, ele era meio gordo e observava o movimento sem prestar muita atenção, uma coisa nele me chamou despertou interesse, e era o que ele comia, ele dava lambidas regulares em um sorvete de casquinha, desses que se vende em dias quentes sabe? Mas que cena horrível, lamentável mesmo, se pelo menos fosse sorvete de palito ou sei lá, mas não! era o dito cujo, o farol abriu e o ônibus partiu a solavancos, quem estava amarela agora era eu.
Contei isso para algumas pessoas e elas pareceram não se espantar tanto com eu, tive que explicar que certas coisas na vida não foram feitas para se fazer sozinho, e uma delas é tomar sorvete de casquinha, daqueles que se vendem em dias quentes, depois de ver que ninguém se importava mesmo resolvi deixar pra lá, pobres seres a quem chamo de amigos, parece que não entendem! Eu talvez seja culpada por não conseguir me expressar muito bem, eu queria poder dizer que desci do ônibus em movimento e em um ato heróico me sentei ao lado do homem para salvar a sua vida e dividir um sorvete de casquinha, desses que se vende em dias quentes, mas eu estava sem tempo... acho que deve ser isso, talvez aquele homem meio gordo tivesse chamado a filha para dividir um sorvete, talvez ela estivesse sem tempo... acho que descobri o problema deve ser isso... acho que devemos pensar um pouco, acho que devemos dividir um sorvete enquanto pensamos a respeito, acho que devemos nos olhar pelo canto do olho enquanto o sorvete gela o nosso cérebro, acho que devemos ter mais tempo para dividir sorvetes amarelos.
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