Sorvete???
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Entrei em casa, estávamos no quase no Natal e tudo estava bem decorado. O cheiro dos doces da época inundavam a casa, tornando-a acolhedora.
-Aoi-chan? — Chamei — Cheguei!
Não obtive resposta, estranho, normalmente ele viria me receber com um abraço carinhoso e ganharia também um afago nos cabelos.
-Ao...oh... — ia chamar novamente mas o meu espanto calou-me, o meu moreno estava deitado no sofá da sala de barriga para cima, uma perna flectida, um braço por detrás da sua cabeça e o outro repousava no seu peito semi-nu, descoberto pela camisa preta que usava, vestia também uns jeans justos. A suas madeixas negras caíam graciosamente pelo seu belo e delineado rosto, os seus olhos estavam serenamente fechados e os seus deliciosos lábios entreabertos deixando escapar a sua suave respiração.
A minha mente gritou alto o quão fofo e sensual ele estava. Tive um ímpeto louco de me atirar para cima dele e morder-lhe aquelas bochechas tenras. Mas contive-me.
Aproximei-me cautelosamente e ajoelhei-me ao seu lado, sorri amplamente e mordi o meu lábio inferior, eu era louco por aquele homem que mesmo a dormir como um bebé, parecia provocar-me. Prendi a respiração para não fazer o mais pequeno barulho, Aoi tinhasono bastante leve.
Aproximei mais o meu rosto do dele, analisei cada milímetro daquela pele fresca, podia agora sentir o seu embriagante perfume, tão característico, tão doce, estava misturado com um breve aroma a tabaco, para mim era simplesmente perfeito.
Adoro observá-lo enquanto dorme, mas hoje acordei com desejos de mimos e a espera indefinida para os ter não me estava a agradar.
Afastei-lhe os cabelos da face e prendi-os atrás da sua orelha, a minha mão acariciava o seu rosto imóvel na esperança de o acordar .
- Aoi-chan...Yuu? — Chamei baixinho, estava a estranha esta insistência em não despertar e agora que raciocino, o que faz ele no sofá, ainda por cima vestido?
Passei o meu polegar pelos seus lábios e consegui uma reacção, Aoi serrou-os e inspirou com força para depois soltar o ar acompanhado de um gemido preguiçoso. Ainda sem abrir os olhos, pegou na minha mão entrelaçou os nossos dedos, levou-a aos lábios dando um demorado e sonoro beijo. Derreti-me completamente com este gesto.
- Anda — disse ainda rouco pelo sono, puxando-me para o sofá, ao que obviamente, não ofereci resistência, alonguei-me sobre o seu firme corpo e aninhei-me nos seus braços, escondendo o rosto na curva do seu pescoço. Só aí conquistei o meu afago nos cabelos, Aoi variava entre massajar a minha nuca e enrolar fios loiros nos seus dedos...ele sabia o quanto relaxante era para mim este carinho.
Ergui o meu rosto, juntei os meus lábios no seu pescoço, sem o beijar, apenas passei-me por ali sentindo-o se arrepiar, o moreno contraiu o ombro e soltou uma leve risada contagiando-me, ele tinha muitas cócegas e eu era um aproveitador perante essa sua fraqueza.
Ergui totalmente o meu rosto para poder encará-lo. Presenteou-me com o brilho ónix do seu olhar e na sua face moldou-se um sorrido.
O meu coração era um animal selvagem, enjaulado no meu peito perante estas simplicidades.
Acariciei o seu rosto e esfreguei o meu nariz no seu exibindo o meu afecto.
- Bom dia – cantarolei – ou devo dizer boa tarde Sr. Shiroyama – passava bastante do meio-dia! Deitou a língua de fora de modo infantil e tornou a sorrir.
-Como correu a tua noite, meu amor? – Perguntou curioso.
- Muito divertido, mas faltava o mais importante – disse num falso amuo.
- Uruha, já te expliquei a situação!
-Eu sei mas que posso eu fazer se só tu tornas as minhas noites perfeitas?
Ele deu uma gargalhada e beliscou suavemente as minhas bochechas
- Yuu-chan, porque dormiste no sofá? E porque estás vestido? – Perguntei curioso.
Ele sorriu safado, franzi o sobrolho numa nova interrogação expressiva.
- Digamos que a minha noite também foi bastante divertida
- Foste sair?
- Sim, bem…mais ou menos, o Kai organizou um jantar na PSCompany, só que o jantar estendeu-se até ás 6:00 da manha e…
-…e como nenhum de vocês gosta de festas, nem de álcool e a ideia de uma bebedeira é-vos impensável, ficaram mesmo chateados e desejosos que o jantar acabasse – ironizei rindo.
- Exactamente – ambos rimos imenso com o diálogo Sentei-me direito no sofá e Aoi fez o mesmo, abraçou-me forte e beijou o meu rosto.
- Chegaste assim tão mal que nem o caminho para o quarto descobriste? – Provoquei.
- Não fiz nada que tu não fizesses, estou certo? – Dei-lhe uma leve tapa no braço, ele gozou-me um pouco fazendo-me cócegas.
- Gostava que tivesses visto o Kai em cima da mesa do salão a começar um strip, sorte é que o Miyavi não gosta de partilhar nem um milímetro de pele do seu koi – Rebentei a rir.
- Até o Kai bebeu?
- Foi hilariante! Bem…vou tomar um banho – Aoi levantou-se e fez algumas caretas, provavelmente com dores musculares devido á má posição em que dormiu. Sou um namorado atencioso e prontamente me levantei para lhe massajar os ombros.
- Mais uma para anotar no livro de ‘consequências do álcool – fiz um ar filosófico e acenei em aprovação.
- Vou prepara o nosso almoço – disse posicionando-me á sua frente e unindo os nossos lábios nume selinho repenicado.
- O meu Kouyou está muito carente hoje, espero não estar a falhar em nada – disse com uma pontinha de preocupação. Então, voei para os seus braços e ataquei o seu rosto com milhares de beijinhos.
- Desculpa amor, não falhas em absolutamente nada, tudo o que me dás é desprovido de dissabores, perdoa os meus caprichos mas és-me essencial.
Perante a minha declaração, Aoi aprisionou a minha boca com a sua, juntou os nossos corpos rodeando a minha cintura com um braço e passando o outro em volta da minha nuca para aprofundar o beijo. Deixei as minhas mãos no seu peito enquanto correspondia de coração, senti o calor da sua língua dentro da minha boca o que me fez suspirar de prazer.
As nossas respirações estavam um pouco incertas quando rompemos o beijo.
- Kou-chan, os seus caprichos tornam a minha vida tão magica!
Suspirei apaixonado, soltei-me do seu abraço e fui para a cozinha sem antes me voltar e lhe lançar uma piscadela de olho. Yuu foi preparar o seu banho e enquanto a comida estava ao lume, fui trocar de roupa por algo mais cómodo.
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