Sorts: A alma perdida
7 Nossa única esperança é essa garota
Eles pararam em frente à uma enorme, antiga e oponente casa de madeira, com colunas sustentando a gloriosa entrada da casa. Edward bateu na porta de mogno.
— Bom... — Uma mulher de cabelos loiros, como os de Edward, atendeu a porta — dia, Edward Towerkey.
Seu semblante estava sério, mas era visível o alívio em seus olhos.
— Olá... mãe — disse Edward, com um sorriso travesso no rosto. — Este é Trevor, e essa é Amber. — Diminuiu a voz para dizer: — Shadowchild.
Os olhos de Camilla Towerkey se arregalaram, ficando em um tom de verde escuro.
— Entrem. — Ela puxou o filho pela camisa. — Agora.
A porta foi fechada, enquanto a sra. Towerkey indicava um quarto no primeiro andar, onde Trevor pôde deitar a irmã.
— Há algo errado com ela — declarou Trevor. — Ela deveria estar apagada por tanto tempo?
Camilla fechou os olhos e espalhou um brilho azul pelo corpo da garota, como se rastreasse algo.
— Veneno — disse, olhando preocupada para Trevor.
Trevor se apoiou em Edward. Ele poderia não conhecer Amber tão bem, mas ela era sua irmã — um laço que Trevor sempre pediu para compartilhar com mais alguém, mas seus pais sempre negaram. Como poderia a vida o deixar saber da existência de sua irmã em menos de uma semana e depois a deixar a ponto de desaparecer tão rápido quanto surgiu?
— Existe algo que possa tirar esse veneno dela? — perguntou, tentando soar firme.
Camilla olhou para Edward, e ele assentiu, saindo do quarto e partindo para uma das estantes da sala. Voltou, dois minutos depois, com um livro cinza. O Livro de Guérison. A mãe de Edward folheou as páginas até chegar praticamente no fim do livro.
— Bom, Shadowchild, vamos precisar de três feiticeiros bem treinados, uma amostra do sangue dela e do seu — respondeu ela.
— Onde vamos arranjar o terceiro sorcier? — perguntou ele. — Vocês sabem, eu, definitivamente, não estou bem treinado.
Edward olhou para as escadas de sua poderosa casa. Jeremy Towerkey.
— Seu pai não vai gostar nada disso — advertiu Camilla.
— Mamãe, nossa única esperança é essa garota! — argumentou Edward. — Não acha que papai poderia esquecer essa rixa boba com os Shadowchild, pelo bem do nosso mundo?
Camilla o olhou, possivelmente mudando de opinião, e subiu as escadas.
— O que houve com seu pai e minha família? — indagou Trevor.
— Digamos que eu fiz umas loucuras em nome do amor... — respondeu Edward, divagando — ... de um Shadowchild. Alguns séculos atrás, mas papai é rancoroso.
— Dois Shadowchild na minha casa? — berrou um homem. — Você enlouqueceu, Edward Dominic Towerkey? Passar 17 anos desaparecido e agora aparecer com gente dessa família?
— Fale baixo! — alertou Camilla. — Não sabe que estão procurando a garota?
— Então por que a deixou entrar?
— Senhor — Trevor interveio, timidamente -, se quer tanto que a gente vá embora, precisamos de sua ajuda.
Jeremy o analisou da cabeça aos pés.
— Não sou como qualquer um dos meus ancestrais — continuou. — Edward não fez nenhuma loucura enquanto fomos vizinhos.
— Vizinhos? — Jeremy olhou para Edward. — Você não aprendeu mesmo a ficar longe deles!
— Eu sabia quem Trevor é, desde que eles se mudaram — disse Edward, irritado. — Sabia que ele poderia nos livrar dessa guerra silenciosa contra a maldição da pedra. Contra o atual líder da Governança, o mesmo ser irracional que amaldiçoou cegamente Amber Shadowchild. Não temeremos mais nosso líder nem essa menina.
O pai de Edward olhou para a inconsciente Amber e suspirou.
— Garoto, prometa pra mim que vai embora da minha casa assim que essa menina se recuperar — falou o sr. Towerkey.
Trevor tentou conter o sorriso mais espontâneo e aliviado de sua vida e assentiu firmemente.
Os Towerkey foram para uma sala no fundo da casa, furaram os dedos dos Shadowchild, tiraram as amostras de sangue e fizeram um círculo com velas. Amber estava no centro, enquanto Edward, seus pais e Trevor estavam em volta dela. Os três Towerkey estenderam os braços sobre a tigela que continha o sangue de Trevor. O sangue saiu da tigela como se fosse uma gelatina e flutuando. Edward fez o mesmo com o sangue misturado a veneno de Amber e juntou os dois.
O sangue de Trevor encobriu o de Amber, fazendo as manchas amarelas de veneno desparecer. Camilla, Jeremy e Edward puseram as mãos uma em cima da outra e puseram o sangue sobre Amber.
Magicamente o sangue entrou pelas veias de Amber e ela acordou, ofegante e tossiu.
— Amber! — Trevor correu e apoiou a cabeça dela no joelho. — Amber, o que houve com você?
— Trevor — disse ela, a voz em um sussurro -, ela me pegou. Ela me envenenou, quer me matar.
— Ela quem, Amber? — perguntou Edward, enquanto sentava numa poltrona, exausto, como seus pais, por terem realizado um encantamento tão poderoso.
— E-eu não sei... É uma mulher, estranhamente familiar. — Ela olhou ao redor. — Onde estamos?
Trevor levou a garota de volta para o quarto em que estava antes e explicou tudo que aconteceu até eles chegarem à casa dos Towerkey, devagar e dando pausas para Amber processar as informações.
Quando ela começou a empalidecer mais, Camilla foi trazer algo para se alimentar.
— Como era a mulher que a envenenou, Amber? — perguntou Camilla, pondo uma bandeja com suco e um pedaço de bolo de chocolate perto da menina.
— Era uma senhora — começou a descrição -, usava um colar com um símbolo de uma espada no pescoço.
Trevor ouviu a descrição da irmã e se lembrou de um detalhe em uma das cartas que recebeu. Ele não entendeu direito o que as duas queriam dizer, mas respirou fundo e declarou:
— Acho que sei quem te envenenou.
Camilla olhou para o menino.
— Você pode ter alguma pista, então?
Trevor falou das cartas que recebeu e do que continha nelas, frisando que não as entendeu.
— Acha que pode voltar à sua casa para pegar as cartas? — perguntou Jeremy.
— Jeremy, é muito perigoso voltar lá agora — alertou Camilla. — Seus pais voltaram à Inglaterra e estão tentando rastrear vocês dois, mas tenho certeza de que não são os únicos querendo encontrá-los.
— Eu vou com ele — falou Edward. — É meu dever treinar Trevor e protegê-lo enquanto ele ainda está descongelando sua habilidade.
— Você? — desdenhou o pai de Edward. — Deixe que eu vá.
Edward impediu o pai de subir as escadas, pondo um braço em sua frente, deu seu olhar mais ferino e disse:
— É meu dever proteger Trevor e Amber. Eu vou também.
Jeremy o olhou sombriamente e assentiu.
Camilla saiu de perto de Amber e abraçou o filho.
— Então... — começou Amber — ... irmão.
Trevor voltou sua atenção a ela e sorriu sem jeito.
— É, não estou acostumado a isso — disse ele, coçando a nuca.
— Eu nunca desejei um irmão. Mas já que é você e você salvou minha vida, posso superar isso.
Trevor a olhou bem nos olhos castanhos.
— Não vai se arrepender de me deixar fazer parte da sua vida tão depressa.
— Não me arrependo, Trevor — confessou ela. — Quando tudo isso acabar, vamos sentar e nos conhecer melhor. Mas enquanto isso, me contento em ter um irmão para lutar comigo nesse mundo novo.
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