Sorte ou Revés
1 Colar da Sorte
Notas iniciais
Você já conheceu a pessoa mais sortuda do mundo? Aquela que tem boas notas em tudo sem ter que estudar, que ganha todos os sorteios, que faz com que qualquer um faça o que ela quer?
Meu nome é Rose Weasley e eu sou a pessoa mais sortuda do mundo. Ou era.
Não sei onde o meu histórico de sorte começou, talvez tenham despejado Felix Felicis na água do meu batizado, ou talvez minha mãe tenha achado um trevo de quatro folhas quando estava grávida. Talvez ela tenha achado um jardim cheio deles.
Eu não sei, mas sempre me dei bem em tudo, desde pequena. Como numa vez em que por poucos segundos não levei um vaso de planta que decidiu voar bem na hora que eu passava debaixo da janela, mas decidi que ia atravessar a rua no exato momento.
Nunca tive amuletos da sorte. Pimenta, ferradura, trevo de quatro folhas, olho grego, figa, elefante, pata de coelho e todas essas coisas.
Mas nem tudo é para sempre, e um dia, a minha sorte decidiu que ia tirar férias e viajar para o Havaí, quem sabe Las Vegas, ou um retiro no Japão. Só sei que ela me abandonou, às moscas e com a roupa do corpo, sem nem me avisar, pra dar tempo de comprar uma pimentinha e pendurar no chaveiro.
E isso foi bem culpa minha. Mas vamos começar do começo. Do começo do meu azar.
***
Final de agosto, eu e minha família voltamos de viagem e fomo passar o resto dos dias antes de ir para Hogwarts na toca, com o resto das infinitas proles Weasley, também conhecidos como os meu primos e tios.
- Não, mas é sério, vocês não sabem o que aconteceu nessas férias. – Falou James Sirius, um garoto alto de cabelo preto e olhos castanhos, meu primo.
- Lá vem ele falar da outra garota trouxa que ele pegou. – Respondeu Lily, sentada ao meu lado no sofá, enquanto eu estava deitada e esparramada sobre minhas outras primas.
- Caras, ela tinha uns peitos que... – Ele continuou.
- Cala a boca, cara – Reclamou Albus, caindo de paraquedas na conversa.
- Lá vem o outro.
- Gente, vocês souberam que a Rose quase morreu? – Começou Hugo, meu irmão.
- Ih gente, nem começa, eu... – Interrompi, tentando mudar de assunto.
- Deixa ele falar, Rose! – Falou Lily, tampando a minha boca com a mão enquanto olhava atentamente para o meu irmão.
- A gente foi fazer uma trilha, junto com uns trouxas, e tinha uma cobra que ia direto na perna da Rose, mas bem na hora uma mulher entrou no caminho – Isso era verdade, pensei. Mas não foi nada demais. Me preparei para interromper mas Hugo continuou: — Boatos que a trouxa vai perder a perna. Era uma cobra venenosa.
- Não exagera! – Reclamei.
- Meu deus Rosinha, você precisa medir o seu Chakra. Isso pode ser azar.– Começou Roxanne.
Ela tem umavibehippie, é muito supersticiosa e usa roupas de trouxa com estampas de trouxa, coisas bem estranhas — ao meu ver.
— Azar que não é. – Falou James. – Essa menina é tipo um amuleto da sorte. Uma vez ela foi estudar e não foi em um dos jogos da Grifinória, e a gente perdeu.
- Isso não quer dizer nada. – Falei.
- Claro que quer. E esse ano, você vai em todos, se não a gente não ganha, e é meu último ano Rosinha, então temos que ganhar.
- Não vou não. Eu estudo, sabia? – Irritada com aquela conversa sobre mim, saí da rodinha e fui encontrar com Albus, sentado quieto e sozinho do outro lado da sala.
Albus é da Grifinória, assim como dois terços da família, assim como eu, e apesar de tudo – e com tudo, quero dizer os irmãos que se aproveitam totalmente da posição em que encontram: Filhos de Harry Potter – ele é tímido e quieto, mas é o meu primo favorito.
- E aí, antissocial? – Falei, empurrando ele para o canto do banco e abrindo espaço pra mim.
- E aí, garota de sorte? Soube que ganhou um sorteio de um carro trouxa nas férias.
-Pois é, eu dei ele de presente pro vovô.
- Sortuda. Já subiu umas dez posições no placar de netos favoritos do vovô. – Sim, com a ajuda de James e Fred, os mais velhos, montamos um placar de netos preferidos, que funciona basicamente como o relógio mágico que vovó Molly tem para saber onde andam os filhos. Mas os dois sempre trapaceiam para ficar em primeiro lugar.
- Sorte no jogo, azar no amor...
- Notícias do Scorpius?
- Não era dele que eu estava falando! – Falei, corando, e empurrando meu primo. – Mas não tive notícias dele mesmo.
- Eu tive. – Olhei para ele surpresa. – Só por que ele é seu namoradinho não quer dizer que ele não seja meu amigo desde o segundo ano.
- Ele não é meu namoradinho.
- Que bom, por que eu soube que ele está namorando com uma garota chamada Ruby, da Corvinal. – Olhei para Albus com sangue nos olhos.
- Eu sei que ele está namorando com ela! E já falei que não é para citar do nome de gripada sob esse teto.
- Gripada? Por que?
- É o codinome dela, por que ela tem uma voz nasalada que parece que está doente. Boatos que gripada já namorou com todos os meninos do clã das babás.
- Clã das babás?
- É, aqueles meninos do último ano que ficam namorando com garotas, sei lá, do quarto. James é um deles.
-Você tem um codinome para todo mundo da escola?
- Claro! Eu, Lily e Louis demos apelidos maldosos para todas as professoras da escola ano passado. McGonagall era “Gata preta de macumba”
- Fala sério. Ei, o aniversário da Roxanne tá chegando.
- Vamos estar em Hogwarts, compro o presente em Hogsmeade.
- A gente bem que podia ir comprar o presente dela agora. Não estou muito animado pra ouvir todo mundo falar das férias.
- Então vamos em uma daquelas lojas de hippie que tem aqui por perto,mas temos que ir andando.
***
Assim que chegamos na loja, fui atacada por um cheiro de incenso mortífero, eu senti que estava entrando na sala de poções da escola.
- Tem certeza que vamos achar o presente da Roxy aqui?- Perguntou
- Ela vai amar isso aqui. – Falei, pegando uma estátua de Buda, já que tinha várias.
Fomos direto ao caixa, onde uma mulher meio hippie-cigana começou a falar sobre chakra e sorte e outros mil e quinhentos,até que ela falou:
- Menina, olhe esse colar. – Mostrou um colar com uma pedra azul enorme, e colocou no meu pescoço. – É para dar sorte.
- Não obrigada. Eu só vim comprar o Buda mesmo.
— É presente. Eu acho que combina com você.- Olhei de canto para Albus, como quem fala “Amiga me socorre”, mas ele é meio sonso e não entendeu.
- Bom, obrigada.
Sem falar mais uma palavra, saí da loja, de braços dados com meu primo, como gosto de fazer com minhas amigas.
- Que mulher bizarra. – Falei, tirando o colar e segurando com a mão livre.
-Eu achei até que bem bonitinho. – Respondeu Albus.
-Quer pra você?
- Não se faz desfeita com presente, Rose.
No instante seguinte, um maluco veio correndo pela rua, esbarrando entre eu e Albus, fazendo o boneco de posto – Codinome para meu priminho querido, alto que nem um poste e desajeitado – Sim, eu sei que sou extremamente venenosa – cair no chão que nem uma manga. Eu, muito ágil, avancei para segurar a caixa com o presente de Roxanne, deixando escapar da minha mão o “colar da sorte”, presente da mulher estranha. O colar, no mesmo instante, caiu no chão, se quebrando em dois pedaços.
- Tá satisfeita? – Perguntou meu primo, se levantando com a minha ajuda.
- Não foi de propósito! – Exclamei, me abaixando para pegar os cacos. – Quando eu chegar em Hogwarts, posso consertar com magia, tenho certeza que um reparo dá jeito nisso.
- Mas e se a sorte que ele passa já foi embora?
- Você é idiota? – Perguntei retoricamente, virando e tomando o caminho de casa, enquanto Albus caminhava calado atrás de mim.
Assim que cheguei à porta da Toca, um gato preto – que eu nunca tinha visto por essas bandas – atravessou correndo em minha frente, cruzando meu caminho.
Mal sabia eu que nesse exato momento, o meu azar começaria.
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