Sorry to You
6 Sábado: Primeiro dia na excursão e alerta para sentimentos confusos!
Notas iniciais
Poderia ser boa né? Quando que na minha cabeça, eu consegui pensar que esssa excurssão seria boa?! Meleca! Se eu soubesse o que me aguardava eu teria mesmo feito minhas malas, mas eu teria ido para Nárnia e não para a escola! Foi nesse dia, que sentimentos confusos se fizeram mais presentes em mim.
Acordei animada – Sim, animada. Não tinha conseguido dormir direito a noite toda por estar ansiosa para essa tal excursão, mas eu também tinha um mal pressentimento – que simplesmente foi ignorado e rejeitado com sucesso.
Vesti o uniforme da escola e peguei a mochila, que estava incrivelmente pesada por eu estar levando um cobertor muito grosso. Eu tinha que me proteger dos mosquitos. Vai que me davam um lençolzinho chumbrega e eu era assassinada pelos seres que fazem um barulho irritante-supremo e ainda chupam sangue... Meus pais entrariam com um processo pela minha trágica morte.
Passei repelente e me preparei para descer as escadas. Enganchei meu pé na alça da mochila e rolei escada abaixo. Sério. Eu não sei como ainda não morri.
Minha mãe veio correndo da cozinha e me repreendeu por ser tão desastrada e não ter cuidado na hora de descer as escadas. Brigue com a mochila travessa e não comigo ~chora~
Tive que colocar um band’aid no meio do meu nariz, sem contar que ele sangrou um pouco e eu quase tive um ataque ao ver sangue saindo dali. Eu já caíra muitas vezes mas meu nariz nunca tinha sangrado, eu fiquei aterrorizada!
Meu amado irmão apareceu e eu me lembrei da Alice-chan do nada. Talvez por achar que ela gostasse dele, ela me veio à cabeça quando o vi. Ele se sentou ao meu lado como sempre, mas uma coisa me deixou surpresa, ele não fez nenhum comentário sobre minha queda.
– Está nervoso para a primeira partida do campeonato? – meu pai perguntou a Ryuuji e eu encarei o mesmo.
Ele estava tenso por causa do campeonato. Então começará hoje...? Os primeiros jogos não são muito importantes para os torcedores mas para os times sim, já que isso decidirá quem competirá contra quem nos três últimos jogos.
– Hum. – ele acenou positivamente com a cabeça.
Ele parecia estar se torturando por dentro. Talvez se eu descontrair um pouco esse clima tenso, ele consiga se animar um pouco... Só por hoje serei legal.
– Não me decepicione. – murmurei. Ele me encarou surpreso e sorriu. – E não se acostume, okay? – virei a cara e sorri superior.
– Okay, garota-problema. – zombou.
Okay. Não tem como ser legal com ele... ~gota~
– Não me chame assim! – berrei e começamos mais uma de nossas constantes discussões e nossos pais sorriram já acostumados com aquilo.
...
Ryuuji saiu mais cedo que o normal para a escola. Teria treino com os outros garotos do time antes da partida contra uma escola próxima a nossa. Desejei-lhe boa sorte mentalmente.
– Obrigada pela comida. – levantei e levei minha tigela até a pia.
Peguei minha – mega pesada - mochila e a larguei perto da porta, sentei-me no pequeno batente e calcei meus tênis. Me levantei e peguei minha mochila. Abri a porta.
– Estou indo! – anunciei.
– Boa sorte na excursão! – meus pais desejaram.
– Arigato! – gritei de forma animada e fechei a porta – Eu vou precisar mesmo de sorte. – murmurei e suspirei pesadamente, ainda pensando se arrependeria de ir aquela excursão.
Logo em seguida saí correndo para a escola, de maneira gozada e estranha. Eu já não sou incrível correndo, quem dirá com um elefante nas costas! – Meu exagero dramático me surpreende as vezes. E caí algumas vezes pelo caminho, mas isso não é importante.
Encontrei com Chiyoko, Alice, Ishikawa e Watanabe-san na entrada da escola. Os três primeiros anos iriam para essa chácara e haviam três ônibus. Seria um por sala.
Ishikawa Raku fez piadinhas sem graça à respeito do meu divoso band’aid grudado no nariz. Não tenho culpa se sou linda até desse jeito. Sua inveja bate no meu curativo com estampas de gatinho e volta pra você!
Fiquei sabendo que teríamos que pegar um metrô num certo ponto do caminho, o que foi super legal – só que nunca! Isso significa que eu vou pagar o maior mico na hora de entrar no vagão só pra variar.
– Ganbatte! – Alice-chan me incentivou e eu fiz pose de determinada.
Todos riram da minha cara. O que foi? Eu não sou boa com poses...
– Como vai, Fujita-san? – ouvi alguém me cumprimentar.
– Ohayo, Inoue-san. – sorri para o garoto – Como vai? – perguntei também.
– Eu vou bem. – sorriu – Está animada?
– Digamos que sim, mas nem tanto. – respondi sorrindo amarelo.
– Estamos aqui também, Eri-kun. – Ishikawa falou ironizando o “Eri-kun”.
O garoto corou e fez algumas reverências atrapalhadas enquanto pedia desculpas. Todos sorriram envergonhados dizendo que ele não precisava fazer aquilo. Encarei Ishikawa o repreendendo por ter feito algo tão mal e ele virou a cara e murmurou um “hunf”. Qual é a desse poste-animado?!
– Atenção! – ouvimos um apito.
Chiyoko tratou de ir lá pra frente, mas dessa vez com razão. Ela seria a ajudante do Fukuda-sensei durante a excursão.
– Todos se dirijam as suas devidas turmas. Nós vamos nos preparar para entrar nos ônibus.
Inoue-san acenou para mim e Alice e correu para sua turma, que era 1 – A, consequentemente primeiro ônibus. O que significava que o meu era o último.
Chiyoko, que estava com uma prancheta, começou a fazer a chamada dos alunos. Entraríamos naquela ordem. Fui uma das primeira a entrar e sentei em qualquer lugar livre. Depois de muitas pessoas entrarem, vi Ishikawa. Ele desviou o olhar e se sentou ao meu lado.
– O q-que acha que e-está fazendo? – perguntei irritada – e embaraçada. Por que ele está sentando do meu lado?
– Chiyoko disse para eu sentar ao seu lado para que você não ficasse sozinha. Estou apenas sendo caridoso. – me encarou de esguelha e sorriu superior.
– Você? Caridade? Acho que isso seria uma mistura impossível. – zombei e vi seu sorriso desaparecer — E a Alice? – tentei me ver livre daquele idiota.
– Ela disse que queria se sentar com o Jun. – ele respondeu quase se matando.
Por que diabos a Alice preferiu se sentar com o Jun e não comigo?!
“Eu posso ser tipo um cupido para vocês dois, o que acha?”
.
.
.
Eu não acredito nisso.
Me pus de pé. Na parte da frente o lugar ao meu lado era o único desocupado antes do Ishikawa ter sentado e a Chiyoko estava fazendo a chamada, o que significava que ela será a última a entrar e ficará bem longe de mim.
A Alice também ficou longe. Acabou se sentando com o hentai do Watanabe-san mesmo, que tinha uma câmera fotográfica clandestina para tirar fotos constrangeras das meninas. Ishikawa o encarou como se quisesse matá-lo por ter tido a sorte de se sentar ao lado da Alice.
Meu coração ficou pesado. Ele não queria se sentar ao meu lado. Foi só o destino idiota que o obrigou – vulgo: Chiyoko -... Então porque eu estou contente? Pare de pensar besteiras Aoi!
O caminho até o ponto onde pegaríamos o metrô foi tranquilo. Claro. Porque o Ishikawa e quase todos no ônibus dormiram. Só um pequeno detalhe tirava a paz e calmaria do ônibus: os bagunceiros. (N/A: os zoeiros-br ;v;) Lá atrás algumas pessoas, denominadas barulhentas e irritantes – garotos -, faziam obras de artes nos rostos dos pobres dorminhocos.
Encarei Ishikawa e tive vontade de rir. Ele dormia de boca aberta e babava um pouco. O ônibus fez um curva e ele escorregou de modo que ficou com a sua cabeça escorada no meu ombro. Corei violentamente.
– E-ei... – tentei. – E-está d-dormindo...?
Ele não tinha acordado. Provavelmente tinha um sono pesado. Eu estava muito envergonhada mas como quase todos no ônibus dormiam, o deixei dormir encostado ao meu ombro.
– Só não babe, seu babaca. – murmurei desviando o olhar dele para a estrada que passávamos.
Quando o professor pediu que nós acordássemos para pegar o metrô, empurrei Ishikawa o mais forte que pude e ele bateu a cabeça no encosto do lado da poltrona e acordou assustado.
– Nós capotamos? Eu estou vivo? – ele olhava ao redor apavorado. Ri.
– Não, você morreu. – falei enquanto fazia uma pose angelical – Não está vendo o belo anjo a sua frente?
– Pff! – começou a gargalhar. É, eu não sou boa com poses...
Pelo menos ninguém percebeu que ele estava com a cabeça encostava em meu ombro enquanto dormia e essa descontração conseguiu acalmar meu coração que, por algum motivo – que eu não sei –, estava batendo no ritmo de uma escola de samba. Senti meu rosto quente enquanto comprávamos os tiquets do metrô.
Passamos as roletas e andamos até um pouco antes da faixa amarela. A mesma que eu não ousava desobedecer. Alice-chan parou ao meu lado e sorriu. Ishikawa, Watanabe-san e Inoue-san também pararam próximos de mim. Pelo que me parece, o senhor poste não vai muito com a cara do senhor desenhista... Será que ele acha que o Inoue pode estar interessado na Alice?
– Fujita-san! – Eri sorriu – Como foi a viagem? – perguntou.
– Bom... – corei e olhei de esguelha para Ishikawa. Me encararam confusos – Ótima! – ri nervosa.
Começamos a conversar e eu fitei uma certa ruiva. Chiyoko parecia aproveitar a companhia do Fukuda-sensei. Se matinha corada e sorridente perto dele. Eu acho que ela... pode estar gostando dele. Sorri preocupada.
– Será que ele é o namorado secreto dela?! – murmurei chocada.
– Hã? – Eri pareceu confuso.
– N-nada! – sorri envergonhada.
O metrô que pegaríamos parou e todo o amontoado de alunos se aglomerou na porta parecendo loucos. Alguém pisou no meu pé e quando eu me preparei pra dar de cara com o chão – e beijá-lo por ele me querer sempre por perto - e ser pisada, alguém segurou firme a minha mão e me puxou para dentro do vagão. Encarei Ishikawa Raku.
– Pode soltar minha mão agora. – falei um pouco corada e ele soltou minha mão, que ainda segurava. Meu coração bateu rápido de novo. Talvez eu deva perguntar a alguém sobre o que isso pode ser...
Fomos todos em pé até o nosso destino. Não era tão longe, mas foi o bastante para todos nós ficarmos cansados.
Assim que chegamos no lugar todos exclamaram. Era um lugar muito bonito. Árvores altas e grandes, um lago lago não muito grande e uma casa enorme no estilo de casas japonesas antigas.
Nos separaríamos em grupos de 6 pessoas para fazer uma trilha pela floresta e para separação de quartos. Nosso grupo foi: Fujita Aoi, Okada Chiyoko, Watanabe Jun, Ishikawa Raku, Yamamoto Alice e Inoue Eri. Não era permitido formar grupos com alunos de outra classe, mas o pobre do Inoue-san acabou ficando sem grupo e o encaixaram no nosso, depois que eu ofereci nosso grupo para isso e Ishikawa me engoliu com seus olhos e aura de puro ódio. Credo!
Entramos na casa e ela era ainda mais linda por dentro. Eu fui a pessoa que mais se surpreendeu. Talvez por minha casa não ser como a do Ishikawa-ouji-sama. Fomos até nossos quartos: era dividido em duas partes para grupos que eram mistos de garotos e garotas, o que deixou o Jun-san muito melancólico e Chiyoko aliviada.
Ishikawa estava agitado por estar tão perto da Alice-chan e eu sorri sem perceber o encarando. Desviei o olhar irritada comigo mesma. O que eu estou fazendo?!
Fomos para a sala enorme da casa e vimos os anfitriões da mesma, o senhor e senhorita Ito. Um casal de adoráveis senhores.
– Arigato por nos receberem! – todos fizemos uma reverência e eles sorriram fazendo o mesmo.
Seguimos para fora da casa. Alguns alunos usavam bonés e outros tinham garrafinhas de água em mãos. Estavam preparados para a trilha que faríamos. Alice-chan tinha um mapa em mãos e um boné na cabeça. Inoue-san estava com os cabelos rebeldes presos em um pequeno rabo-de-cavalo. Jun-san e Ishikawa negociavam fotos. – Seus nojentos! E eu estava com meu repelente contra mosquitos e com muito medo de entrar naquela floresta.
– Certo. – Chiyo-chan disse chamando nossa atenção – Eu não ficarei com vocês. Eu ficarei com o sensei e farei a trilha com eles. No final da trilha poderemos tomar banho nas fontes termais então será bem divertido. – sorriu e os olhos de Watanabe brilharam – Deem tudo de si! – nos encorajou e correu para um pequeno jipe com os professores.
Fará a trilha em um jipe? Sua espertinha. Nos deixará morrer desidratados nesse sol de lascar e irá até as fontes termais na maior calma e na sombra.
Tinham três professores. Cada um responsável por cada sala. Fukuda-sensei; Haruno-sensei, a professora responsável pela sala do Inoue-san; e o professor de barriga saliente, que era responsável pelo 1 – B, Mori-sensei.
Entramos na trilha. Cada grupo tinha um mapa e a nossa guia parecia um pouco perdida em relação a como se ler um mapa. Isso dará mesmo certo? Suspirei já cansada – gente sedentária.
– Não sabia que aqui teria uma fonte termal! – Alice-chan exclamou animadamente e não parecia nem um pouco cansada.
– Isso será incrível! – os olhos do Jun-san brilharam e... Aquilo saindo no nariz dele, é sangue?
Continuamos andando, vimos uma barraquinha e Mori-sensei estava lá com um sorriso diabólico e cara de jogador de truco ilegal. – Eu não sei nem oque é truco, mas se é ilegal, quer dizer que é algo ruim.
– O que é isso? – Alice-chan perguntou ao sensei quando nos aproximamos.
– Para seguirem a trilha, terão que passar por mim primeiro. – disse e sorriu superior mostrando que não seria fácil passar por ele.
– Hã... Okay. — falei e me decidi a conseguir passar por ele.
– Como se chama a filha da Diva? – ele perguntou enquanto ria um pouco e quando terminou caiu na gargalhada.
– Hã... – Inoue-san franziu o cenho – De que diva? – perguntou.
– Da Diva. – ele respondeu óbvio – Diva é o nome da pessoa. – explicou.
Olhei para todos os integrantes do meu grupo que encaravam o professor com caras de “sério?” Coloquei-me a pensar. Não devia ser tão difícil e como ele estava se segurando para não rir, era alguma coisa engraçada e provavelmente muito idiota.
– “Adivinha”? – Jun-san respondeu com cara de quem tinha ouvido aquilo muitas vezes.
– Hã? – todos o olharam com caras ainda mais idiotas do que olharam para o sensei.
– Está certo! – disse euforicamente e começou a gargalhar alto enquanto se remexia e batia na mesa.
O deixamos rindo loucamente e continuamos andando. Me senti orgulhosa por nossos grupo ter conseguido resolver a charada muito incrível do professor Mori. Ishikawa encarou Watanabe com um olhar estranho.
– Estão pensando como eu consegui adivinhar certo? – perguntou sorrindo superior e nós o encaramos.
– Na verdade, não... – Alice respondeu sincera e ele sentiu um soco na cara.
– Mesmo assim... – pigarreou se recuperando – Eu vou explicar: se o nome da mulher era Diva o nome da filha dela só podia ser Adivinha. – começou a rir – Entenderam? No diminutivo. A Divinha. – ele ficou no mesmo, ou pior, estado que o Mori-sensei e Ishikawa começou a arrastá-lo para que ele não fosse deixado para trás – o que não era permitido.
Andamos mais um pouco admirando toda aquela paisagem e eu apenas torcia para não acharmos uma onça por ali – Ishikawa disse que era impossível ter uma onça aos arredores da chácara, mas vai saber né. Vimos outra barraquinha e a Haruno-sensei era quem estava responsável pela mesma.
Inoue-san cumprimentou a professora que sorriu animadamente ao vê-lo e começou a explicar o que deveríamos fazer. Tinha quatro copos de alumínio em cima da mesa branca e uma bolinha vermelha. A mulher colocaria a bolinha embaixo de um dos copos e os trocaria de lugar. Teríamos que acertar três vezes para que passássemos para o caminho novamente.
Ela colocou a bolinha embaixo do copo à direita de todos nós e os trocou de posição. Seguimos seus movimentos com os olhos, mas ela definitivamente não era humana. Seus movimentos eram tão rápidos que era praticamente impossível segui-los. Inoue-san sorriu derrotado como se já soubesse que ela era capaz daquilo.
– Está nesse! – Alice-chan arriscou apontando para um dos copos que se encontravam no meio dos demais.
A professora levantou o copo sorrindo e seu sorriso se alargou quando vimos que não estava lá a bolinha vermelha. Haruno comemorou e Alice-chan chorou por não ser boa de memória.
A professora fez de novo e dessa vez quem arriscou foi o Ishikawa e errou.
– Baka! – zombei em um tom infantil.
– Faça melhor antes de criticar. – irritou-se.
Encarei aquilo como um desafio e quando a professora começou a trocar os copos de novo eu prestei atenção com tudo de mim. Mostraria aquele projeto de poste que eu conseguia fazer melhor. Eu acertaria e esfregaria na cara dele! – Sem ressentimentos...
– Esse! – apontei animadamente para o copo da lateral esquerda e a professora arregalou os olhos e mostrou uma expressão de “estragou a brincadeira” quando levantou o copo e eu vi que a bolinha estava realmente lá.
Dei língua para o Ishikawa que não acreditava que eu tinha conseguido acertar e que se empenhou em conseguir me ultrapassar na próxima rodada. A sensei rodou os copos de novo, agora não tão animada, e Ishikawa conseguiu acertar onde a bola estava.
A última rodada eu e ele arriscamos juntos e acertamos, e depois nos encaramos raivosos. Os outros do grupo apenas faziam torcida por nós dois para que pudéssemos finalmente continuar o caminho e voltar para casa logo já que estava escurecendo e ficando frio – e os meus inimigos mortais atacariam.
Ganhamos um carimbo da professora em nosso mapa. Na verdade ganhamos dois carimbos, porque o Mori-sensei riu tanto que esqueceu de carimbar na sua barraquinha.
Continuamos o caminho cansados e vimos outra barraca quase no fim da trilha. Nessa estavam Fukuda-sensei e Chiyo-chan. Os dois sorriram animadamente quando nos viram e a Chiyoko me fez várias perguntas e agradeceu a todos do grupo por eu não ter morrido.
Naquela barraquinha teríamos que criar uma frase criativa com uma palavra aleatória que eles dissessem e só passaríamos se eles gostassem da nossa frase.
– Muito bem, eu darei a palavra. – a ruiva sorriu e o professor concordou – A palavra é: amor. – ela corou e fitou o homem ao seu lado de esguelha. Ele se engasgou com água que estava bebendo de uma garrafinha e sorriu sem graça para que fôssemos logo com aquilo.
Pensei um pouco. Amor. Eu nem sei o que é isso! Amor em geral? De amigos, familiares, etc? ou aquele outro tipo... Fitei Ishikawa impulsivamente. Por que eu associei amor ao Ishikawa?! O que diabos eu estou pensando?!
– O que foi? – ele perguntou irritado – Está procurando inspiração para a frase? – se gabou e deu uma piscadela. Corei.
– C-claro que não! – dei um baita pisão em seu pé. Ele ficou pulando em um pé só de dor. Dei uma risada maldosa e tossi logo depois.
Percebi o olhar de Inoue-san sobre mim, o fitei e sorri. Ele abaixou o olhar e mexeu um pouco na franja que já tinha se soltado. Ele está me evitando de uma hora para outra? O que eu fiz? Será que ele viu a desgraça que ficou o desenho que ele me deu depois que eu pintei? ~medo~
– Definição de amor: Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa. – Alice começou.
– Ou seja, amar alguém a ponto de querer o bem daquela pessoa até mesmo antes do seu. Fazer de tudo para vê-la feliz mesmo que isso custe a sua felicidade. – Ishikawa continuou enquanto encarava o nada e evitava olhar para alguém.
Fiquei um pouco assustada. Eu nunca esperava ouvir esses tipos de palavras do Ishikawa. E sem motivo nenhum corei levemente.
– O amor é algo valioso e importante. É ferida que dói e não se sente. É fogo que queima sem doer. – Jun começou a declamar e o professor sorriu envergonhado.
– O amor é algo que devemos batalhar para ter. Nem sempre seremos correspondidos, mas teremos experiências inesquecíveis com certeza. A princípio eu achei que nunca sentiria nada por ninguém, porém... eu acho que estava enganado. – Inoue-san continuou e eu fiquei maravilhada com aquilo.
Ninguém disse mais nada. Eu estava em choque demais para pensar em alguma coisa. O silêncio foi cortado quando a Chiyoko começou a bater palmas histericamente e parecia emocionada. O professor suspirou derrotado e sorriu de lado, se convencendo de algo.
– Bom, creio que não fizeram uma frase realmente, mas consideremos que “amor” não é uma coisa que possamos encaixar em qualquer lugar. – o professor encarou Chiyoko repreensivo e a mesma bateu os dedos indicadores, envergonhada e murmurou um “desculpa”.
– Passamos então? – perguntei animada.
– Hã... sim. Mas não contem a ninguém sobre o que aconteceu aqui. Eu realmente precisava de uma frase criativa. – Fukuda sorriu – E Inoue-kun, tenho certeza que a garota que ganhou seu coração ficará feliz em saber sobre seus sentimentos por ela. – ele piscou e o garoto corou levemente enquanto afirmava.
Suspirei aliviada. Iríamos para casa e eu me jogaria na cama e dormiria feito pedra. Minhas pernas estão doendo e meus pés latejando. Espero que amanhã não seja como hoje.
– Agora só temos que... – eu comecei.
– Andar mais uma trilha enorme. – Ishikawa colocou seu cotovelo no meu ombro, se escorando em mim enquanto me tirava dos meu sonhos.
– Ah não! — todos os outros choraram.
...
Chegamos. Nós tivemos que andar muito ainda até podermos chegar na fonte termal, que descobrimos ser atrás da casa onde estávamos antes. O que significa que todo esse tempo nós andamos em um grande meio círculo. Bufei de raiva.
As fontes iriam funcionar como um banheiro para o banho – coletivo. Eu nunca tomei banho com outras garotas e nem quero fazer isso... - e teríamos que esperar as outras equipes chegarem para tomarmos banho, comermos e finalmente podermos dormir.
Quando todos os grupos chegaram e os professores também, a professora Haruno ficou responsável por todas as garotas. Tinha um tipo de vestiário que trocaríamos nossas roupas por toalhas, e depois poderíamos pegar roupões no mesmo lugar. O local parecia uma banheira de hidromassagem gigante e era bem quentinho. Já estava escuro e a noite estava fria, então todas as garotas largavam logo as toalhas e entravam na água quente da fonte.
– Que legal! – chiyo-chan exclamou e ela já estava sem a toalha antes mesmo de entrar na água.
– Vamos, vamos! – Alice estava animada, mas parecia um pouco envergonhada.
Elas saíram do vestiário e eu empaquei na porta. Estava de toalha e não a tiraria nem a pau. Ou eu pensava nisso...
– Vamos! – a sensei puxou minha toalha e a jogou em um lugar qualquer.
Eu gritei e me sentei no chão tentando esconder meu corpo.
– Ei. Somos todas mulheres. – a sensei riu um pouco da minha reação.
A Chiyoko veio até mim e tentou me puxar até a água, mas quando eu quero uma coisa, eu vou até o fim. Eu não levantaria dali até me darem minha toalha de volta. Elas cansaram de tentar me convencer do contrário e pegaram a toalha. Eu fui com a toalha enrolada no corpo até a fonte, só quando entrei eu consegui tirá-la.
Algumas garotas se elogiavam e elogiavam a professora e eu ficava no meu canto, quieta e com vergonha. Como conseguiam agir tão naturalmente com um monte de gente junto. Eu acho que vou vomitar...
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