Sorry to You
3 O amor de Raku e uma ruiva com planos de ruivos
Notas iniciais
– Preciso da sua ajuda! – me encarou intensamente e começou a tirar um tipo de bleaser que tinha por cima da camisa branca.
– Eh?! – corei violentamente – O que está pensando em fazer, seu hentai?! – dei alguns passos pra trás abraçando meu corpo na tentativa de protegê-lo.
– Hã? – ele me encarou com a mesma e monótona expressão de paisagem, mas ele tinha um brilho diferente nos olhos.
– Por que está tirando as roupas? Olha, eu sou uma moça direita e-
– O que?! – ele berrou – Como pode achar que eu estava querendo esse... esse tipo de coisa? – Ishikawa corou muito.
– Sei lá. – disse e comecei a olhar para meu corpo – Talvez tenha me achado interessante.
– Sua maldita! – gritou – Não fale coisas desse tipo para um cara como eu! – me deu as costas e sorriu superior – Quem iria se interessar por você?
– Ah, seu merdinha! – dei as costas também, irritada – Como se eu me importasse. E você? Tem namorada por acaso? – dei língua, infantilmente.
Essa frase pareceu dar um curto circuito em sua mente e o posto-animado correu até mim, ficando a minha frente e colocando suas mãos nos meus ombros.
– É justamente disso que eu preciso falar com você! – ele estava muito corado.
Justamente disso...? Como assim? O que eu acabei de perguntar é se ele tinha namorada... Como assim “justamente disso” que ele precisa falar comigo? Esse idiota! Espera... Namorada? Não pode ser isso...!
– O QUÊ?! – coloquei minha mãos em seu rosto e o empurrei pra trás o mais forte que pude – Eu não vou te namorar, seu babaca!
Estou perplexa comigo mesma. Ele consegue me tirar do sério, mesmo sem fazer absolutamente nada, e eu consigo agir normalmente com ele, o que é diferente com as outras pessoas além da Chiyo-chan. Será que meu cérebro passou a considerá-lo como um amigo?
– Eu não quero te namorar, sua estranha! – falou massageando o rosto e sem me encarar – Quem ia querer namorar uma garota que não é nem um pouco feminina? – me encarou de canto.
– Eh?! – comecei a me olhar de novo.
Okay, agora você feriu meu ego...
– Bom... Vi você conversando com a Alice-san e eu... eu... – Ishikawa tinha uma das mãos na boca de maneira que a cobrisse, mas a julgar pelo seu corpo ele está tremendo... e muito.
– Ishikawa. – falei – Vá direto ao ponto, eu estou com fome! – me sentei em uma das cadeiras da sala, entediada.
– Bom... A Alice-san é uma garota linda e eu a admiro muito. Não sei se você sabe, mas ela vai se candidatar a presidente do conselho. – mostrou animação. – Ela é incrível!
Apoiei meus cotovelos na mesa e meu queixo em uma das mãos. O besta do Raku costuma me irritar mas ele nunca demonstra mais emoções além do sarcasmo. Vê-lo tão animado ao falar da Yamamoto-san me fez até pensar que ele...
– Espera aí. – o cortei – Você gosta da Yamamoto-san?
– B-b-bem... É s-s-sim. – ruborizou.
Caí na gargalhada. Até o monstro do Ishikawa tinha sentimentos como amor por garotas e eu aqui que sou uma menina frágil e MUITO feminina, não tenho esse tipo de coisa em mente.
– Não ria, baka! – apertou minhas bochechas, irritado, me fazendo parar de rir e começar a protestar.
Ele riu, mas não foi uma risada bonitinha e meiga como a do príncipe com a cara dele no meu sonho, ou como vocês veem em mangás shoujo, foi uma risada do mal e estrondante.
– Como você é barulhento. – falei com dificuldade.
– Xiu. – apertou minhas bochechas ainda mais. – Prometa que vai me ajudar com a Alice-san. – afirmei com a cabeça, ele me olhou desconfiado mas soltou.
Comecei a andar na direção da porta sem nem olhar pra trás.
– Ei, vai me ajudar? – perguntou vindo atrás de mim.
– Eu tenho um preço e sou uma pessoa rancorosa, o que faz meu preço ser ainda maior! – fiz bico me referindo ao “nem um pouco feminina” de antes.
– O que? – indignou-se.
– Me pague doces! – meus olhos brilharam.
...
– Como se isso fosse possível! – ralhou.
– Mas são só algumas balas... – choraminguei.
– Você tem mais de trinta balas de chocolate dentro dessa sacola! Vai ficar uma baleia, cheia de espinhas e ainda por cima diabética. – tomou o saco na minha mão e tirou mais da metade das balas de chocolate e as devolveu aos potes.
Como se isso fosse acontecer! Eu não tenho tendência a engordar e nunca tive espinhas! E se fosse para ficar diabética, eu já teria ficado. Considerando alguns fatos que não vem ao caso...
– Mas... – tentei impedi-lo enquanto chorava.
Minhas queridas balas!!!
– Se você ficar gorda, espinhenta e diabética ninguém vai querer você mesmo, entendeu? – começou a rir da minha cara.
– Você é terrível! – berrei.
Para ajudá-lo com a Yamamoto-san, que eu nem sei a cor preferida, eu pedi para que ele me comprasse doces toda as vezes nas idas para casa, mas como hoje era o primeiro dia com o pacto, eu receberia adiantado.
– Pacto? — perguntou.
– Sim. Tipo isso. — falei enquanto enfiava uma das balas na boca.
A Chiyoko também estava com a gente. Ela já era amiga do poste-animado e eles pareciam se dar bem, apesar de ele ser lesado e só desperta para o mundo se o nome “Alice” é pronunciado.
Ele e a Chiyo-chan não me deixaram comprar todas as balas que eu queria. E eu tinha que aproveitar. Alguém ia pagar pra mim e já fazia mais de um mês que o potinho e doces embaixo da minha cama estava vazio – Sim, embaixo. Minha mãe não iria gostar de saber o motivo de algumas das caries que eu costumava ter. Costumava, porque agora eu deixo a preguiça de lado e vou escovar os dentes de madrugada.
O sinal soou e voltamos discutindo para a sala. Como o idiota do Ishikawa é irritante. Será bem improvável que a Yamamoto-san esteja interessada nele.
O plano seria o seguinte: Eu ignoraria toda a minha timidez e tentaria me tornar amiga da garota. Quando estivéssemos bem íntimas, eu começaria a contar as coisas que eu ia descobrindo dela para o Ishikawa e ele tentaria se tornar o modelo de garoto perfeito para ela.
– Se você conseguir, eu serei eternamente grato! – seu modo “alice” estava desperto e ele estava animado antes de entrarmos na classe.
– E se der errado eu direi: eu te avisei. – falei e entrei na sala puxando a Chiyo-chan que dava risada dos protestos dele.
Tivemos duas aulas entediantes e fomos chamados ao ginásio para aula de educação física, na sexta aula. Devo dizer que alem de andar de bicicleta todas as manhãs, eu não faço nenhum outro tipo de exercícios. Sou sedentária, mas não sou gorda, nem espinhenta e muito menos diabética.
– Ishikawa baka! – murmurei cruzando os braços – Agora estou com complexo...
– Complexo de que? – ouvi sua voz e senti seu peso em meu ombro.
– Vai procurar outro burro para se escorar! – chutei sua canela.
– Ai! – gritou, levantando a perna que que havia chutado e a massageando. – Ainda está brava pelas balas?
– Hunf! – soei irritada e saí de perto dele.
– É, ainda está. – sorriu de canto.
– Estão bem próximos, certo? — ouvi Jun-kun sorrir malicioso.
– Jun-kun! — Raku berrou e o deu um soco, que me pareceu ser de leve, ma que fez o garoto chorar.
Nesse momento já estávamos todos com os uniformes para a aula, e eu fiquei muito feliz ao ver vários colchonetes tipo aqueles que se faz yôga, espalhados pelo chão, formando meio que um caminho de uma ponta e quase até a outra da quadra.
– O que vamos fazer? – perguntei, me aproximando de Chiyo-chan.
– Acho que vamos treinar saltos e acrobacias que soubermos. – disse sem me encarar.
Ela encarava o professor Fukuda a alguns minutos, seus olhares se cruzaram e o professor sorriu gentilmente, como sempre fazia com todos os seus alunos, mas a Chiyoko teve uma reação estranha: ela corou e desviou o olhar, depois o encarou de novo, sorriu e desviou o olhar novamente para os pés. O professor sorriu preocupado e continuou explicando à um aluno alguma coisa.
– Ei, Ao-chan. – a ruiva se abaixou um pouco para cochichar no meu ouvido – Eu estou bonita?
– Eh? – a olhei confusa.
– Só... diga. – ela corou.
– Hã... sim. Mesmo com essa blusa enorme e folgada, e esses bermudões, você está muito bem. – sorri e ela sorriu e suspirou aliviada, voltando a encarar o professor como uma aluna dedicada.
Fukuda Touya, é nosso professor de educação física e também é responsável pela classe. Ele parece ser bem novo, e é, tem os cabelos castanhos escuros e é bem gentil, mas não se engane, ele é bem rígido e chato quando quer.
A Chiyo-chan vive se oferecendo para ajudá-lo, o que me faz pensar o que ela anda pensando com os neurônios de ruiva dela, que com toda certeza são melhores que os meus.
Voltando à aula, seria isso mesmo: praticaríamos saltos, cambalhotas, estrelas e tudo que você sabia fazer durante um pulo. E eu não sei fazer nada! Se fosse yôga, seria bem mais fácil pra mim. Tive que aprender a ter leveza e paciência graças ao meu irmão, mas nunca funcionava mesmo...
O poste-animado me olhou de esguelha me dando estimulo para que eu fosse falar com a Yamamoto-san. Ela estava lá na frente e se mantinha atenta as explicações de Fukuda-sensei. Havia umas três paredes de alunos até que eu teria de atravessar para poder chegar a Yamamoto. A mesma estava com uma prancheta e era a ajudante do professor nessa semana.
– Agora não dá! – balbuciei.
– Ande logo e faça as coisas rápido! – fez o mesmo. Mostrei a língua.
Comecei a passar pelo meio das outras pessoas, para poder chegar até a garota dos óculos roxo.
– Alguém quer ser o primeiro? – perguntou o professor.
Antes que a chiyo-chan conseguisse levantar a mão animadamente, eu cheguei lá na frente da multidão de alunos, com um pulo por estar sendo espremida e isso fez meu professor – muito inteligente -, pensar que eu queria ser a primeira e Chiyoko ficar depressiva pelos próximos instantes.
A Yamamoto-san me olhou confusa e então sorriu gentilmente.
– Olha nossa voluntária! – Fukuda me puxou para os colchonetes e se posicionou no final deles – Quando ouvir o apito, corra e me mostre o que sabe! – falou alto o bastante para que eu pudesse ouvi-lo.
Respirei fundo. E novamente é tudo culpa daquele idiota! (vulgo: Ishikawa) Ouvi o apito e corri o mais rápido que pude, me preparando para coisa mais incrível que todos já viram em suas incríveis vidas.
Me encaravam como se esperassem demais de mim, e olha que eu nem tenho cara de atleta... Eu estava sendo o centro das atenções naquele exato momento e eu já estava para vomitar meu coração. Os ouvi soltar suspiros de ansiedade e curiosidade e então... eu dei um misero pulo de coelho.
– EHH?! – todos soaram confusos.
– Gomen. – sorri amarelo e tratei de correr dali.
...
Terrivelmente, todos foram muito melhores que eu. Até a Yamamoto que só deu uma cambalhota estilo bebê e todos acharam uma graça. E nesse dia, eu fiquei conhecida como Fujita-lili. Lili, era o nome do coelho de estimação da minha classe no fundamental no ano passado e a Chiyoko fez questão de espalhar para todo mundo.
No final, eu nem consegui falar com a Yamamoto e alguém deve estar me odiando.
– Não tenho culpa se não ganhei doutorado em “cupidez”, seu grande babaca! – murmurei me aproximando de Ishikawa e ele me encarou assustador, me fazendo me encolher um pouco e pedir desculpas pela minha frase de antes.
– Você tem que conseguir! – disse nervoso, tentando me encorajar, mas parecia estar se encorajando que eu iria conseguir e não o contrário.
– Hai. – falei fingindo estar animada para aquela grande façanha de juntar um casal.
Hoje teríamos as oito aulas, como todos os dias e para minha alegria a Yamamoto se aproximou e de mim, numa das aulas de japonês e começou a conversar. Nesse mesmo momento, senti o brilho que emanava dos olhos de Raku e da aura de traição que Chiyoko tinha.
Quando as aulas acabaram, eu, Ishikawa e Chiyoko voltamos para casa andando pelas ruas um pouco desertas no final da tarde. O garoto queria saber tudo sobre a Yamamoto, mas eu quase nem tinha conhecido a menina direito. Só de ter conversado um pouco com ela foi um milagre e novo pra mim, apesar de ela ter feito algumas perguntas estranhas como:
– Como o sei onii-san gosta do obentô? — sorriu.
– Hã... não sei. — não dei a mínima importância.
– M-mas ele é s-seu irmão... — disse chorosa.
– Sim, é. — falei e o assunto se encerrou.
Eu achei ela um pouco estranha, mas daria uma ótima amiga, o que me faz não querer cavar a cova dela a preparando para um garoto como o Ishikawa. o encarei enquanto pensava.
– O que foi? — perguntou raivoso.
– Nadinha! — agiti as mãos no ar, sorrindo envergonhada.
– Qual é o tipo da Alice-san? — tava demorando... — Romântico? Atlético? Nerd? Estiloso? — ele interpretava cada uma de suas falas e eu me segurei para não rir.
– Na verdade, eu ainda não sei. — respondi finalmente.
– Mas você conversou com ela... – choramingou.
– Ah, sim. — afirmei impaciente.
– E então? – perguntou com expectativa.
– Hum... – pensei um pouco – Ela é péssima em matemática! – falei e ele caiu pra trás.
– E como isso pode me ajudar com ela? – perguntou.
– Um grupo de estudos! – Chiyoko soou animada – Podíamos fazer um grupo de estudos na sua casa, Raku-kun? – ela perguntou meigamente, fazendo o hentai corar.
– C-claro. – falou.
– E assim, você a ajudaria em matemática e conseguiria se aproximar mais dela. – a ruiva disse animadamente e sorrindo de orelha a orelha.
Nossa! Ela ficou animada mesmo. Me pergunto o que isso tem a beneficiar ela? Porque a mim, não trará nenhum beneficio. E outra coisa, grupo de estudo é chato!
Eles continuavam discutindo como seria legal e gritavam “Yeah~” toda hora.
– E então? – Chiyo-chan perguntou para mim.
– Claro. – sorri superior – Se... – eles pararam de comemorar e fizeram caras de quem já sabiam que eu faria isso – Se me comprarem aquele pote de pudim que está me namorando! – apontei para o outro lado da rua, para uma vitrine de uma lanchonete e saí correndo, sendo seguida por eles.
– Você vai me fazer ir a falência! – reclamou o mão-de-vaca do Ishikawa, enquanto eu comia meu pudim sem dar a mínima pra ele.
– Somos parceiros, certo? – zombei o encarando de canto.
– Ora sua...! – ele apertou minhas bochechas.
Chiyoko vinha mais atrás e ria muito e tinha um olhar meio sonhador. No que ela está pensando?
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