Notas iniciais
Espero que gostem e desculpem a demora novamente - se é que ainda leem isso.

-Hum, finalmente você tomou alguma iniciativa Kori.

-Cala a boca Yuji. – virando o rosto. – Eu ainda posso voltar atrás e não namorar mais com você, seu idiota.

-Não faria isso.

-Sim, eu faria. – me encarando.

-Você me ama demais pra fazer isso. – a puxando pra perto de mim.

-Me solte, eu não te amo. – fazendo bico.

-Sim, me ama e quer casar comigo.

-N-não. – corando.

-Ei, Kori.

-O que é? – ajeitando o cabelo.

-Eu adoraria ver o seu lado mau algum dia desses.

-Vai ficar querendo ver, Yuji. – se ajeitando em meus braços e deitando no meu peito.

-Não sei não, acho que esse dia vai chegar logo.

-Cala a boca, eu quero dormir.

-E por acaso eu sou seu travesseiro Kori?

Ela acha que eu sou o travesseiro dela ou algo do tipo? Se fosse ao contrário teria mais graça..

- Pare de pensar em coisas pervertidas Yuji, ou não irá acordar ileso. – ela diz com a voz baixinha e bocejando.

- Você lê mentes agora?

- Ainda não... – fechando os olhos.

- Ainda é? – digo coma voz baixinha no ouvido dela, fazendo ela tremer e ficar vermelha.

Fico olhando para ela e faço carinho em sua cabeça. Ela parece um anjo dormindo, um anjo traiçoeiro que adora me perturbar, com sua aparência delicada e gentil. Mas, confesso que até que não é tão ruim tê-la aqui em meus braços... Meus olhos estão começando a ficar pesados...

No outro dia, acordo com alguém praticamente gritando ao me lado, e com um bafo horrível de bebida. Espera? Bebida?

- Yuji-san, seu idiota... – disse Hayato, bêbado.

- Aonde você achou isso? – pergunto.

- Não te interessa, seu imbecíl.

Coloco Kori deitada no sofá, com cuidado para não acordá-la.

- Me dá isso, quatro olhos irritante.

Vou pra mais perto dele e tento pegar a garrafa, mas ele desvia e segura um de meus braços, atirando a garrafa na minha cabeça.

- Você é retardado mesmo né? – digo com a mão na cabeça, que estava sangrando de novo.

- Você não devia ter pedido a Kori-chan em namoro... – disse Hayato me encarando sério.

- Porque não? Isso não é da sua conta, é entre eu e ela.

- Isso só irá prejudica-la, fazê-la lembrar de coisas horríveis, que ela já esqueceu. – gritou Hayato.

- Que tipo de coisas?

- A verdade sobre ela ter ficado... deste jeito, mais calma, e o porque do irmão dela odiar ela a ponto de querer mata-la.

- Me conte.

- Não posso, Kori-chan me proibiu.

- Preciso saber o que houve com ela, para parar o idiota do irmão dela.

Ele estava prestes a me contar quando Kori acordou.

- O que vocês estão fazendo? – disse ela se levantando e nos olhando como se soubesse o que estava acontecendo.

- Nada, esse idiota se embebedou e jogou a garrafa na minha cabeça.

- Cala a boca Yuji-san. – disse Hayato pegando seus óculos em cima da mesa, quase caindo no chão.

Kori se levantou e cruzou os braços, nada contente, mas tentava disfarçar. Kori novamente cuidou do machucado na minha cabeça enquanto Hayato tomava banho.

- Por que você quer tanto saber o que houve comigo? – perguntou Kori sentada ao meu lado.

- Porque...

Droga, não consigo terminar. É só uma maldita frase, anda logo Yuji!

- Você não ficará mais fraco se me dizer o que sei que está pensando, Yuji. – disse Kori, sorrindo de canto.

- É o que eu acho, e não gosto disso.

- Se preocupar com alguém não significa ser fraco.

Ainda acho que ela pode ler mentes. Ela sabe que eu não gosto de expor muito o que acho, não quero me tornar um idiota.

- Por que você quer saber, Yuji?

- Você já sabe o porque. – disse me encostando no sofá e cruzando os braços.

- Parece uma criança mimada, fazendo bico.

- Não sou uma criança mimada. – disse elevando o tom de voz.

-Já foi, e ainda continua sendo. – ela me segura pelo queixo e me vira, roubando um beijo logo em seguida.

A seguro pela cintura e a puxo para mim. Ela segura em meus cabelos e intensifica o beijo, uma lágrima escorre sobre seu rosto. Ela se afastou de mim e virou o rosto.

- Eu me preocupo com você Kori, agora pare de chorar.

Ela enxugou suas lágrimas e sorriu, satisfeita.

- Vai me contar agora? Ou vou ter que te beijar desta vez? – pergunto meio contrariado.

- Não precisa disso, seu idiota.

Tudo ficou em silêncio, ela olhava para mim, e olhava em volta, verificando se não tinha ninguém escutando.

- Katsuo e eu sempre fomos muito bagunceiros, mas eu era diferente dele, um pouco mais compreensiva, e ele nunca aceitou isso.

- Isso eu já sei, mas por que ele te odeia?

- Uma vez, nossos pais resolveram dar uma festa e pedir desculpas a todos que nós perturbamos, e nos deixou com uma mulher muito estranha. Ela se chamava Shizue Ishii. Ela subiu até nosso quarto, e disse que sairíamos para um lugar um tanto, especial... – Kori tremia enquanto me contava.

- Para onde?

Ela não me disse nada, e outra lágrima escorreu.

- Para onde ela levou vocês? – digo me levantando e indo até ela.

- Para um cemitério, agora, o que você acha que ela foi fazer lá, tarde da noite, com duas pestes que só sabiam aprontar e causar problemas Yuji?

- Matar...

- Sim, ela nos tirou do carro e nos levou até duas covas abertas.

Ela parou de falar de repente.

- Continue, o que aconteceu?

- Ela tirou uma arma do bolso e jogou Katsuo dentro de uma das covas, enquanto ria que nem doida e dizia que ninguém mais iria nos ver. Katsuo estava tremendo de medo, sabia que ia morrer, mas não se importava. Já eu fiz diferente, não podia deixar que ela matasse ele, então eu fiz o que devia... – ela disse chorando e abraçando suas pernas.

- Você a matou?

- Eu peguei uma pá que estava ao lado de uma das covas e acertei sua cabeça, fazendo ela cair ao lado do Katsuo, deixando a arma cair do meu lado. Eu peguei a arma e a ameacei, dizendo que se ela não nos soltasse, eu a mataria.

- E você não faria isso, certo?

- Meu pai era policial naquela época, e eu sempre o acompanhava, e sem ele saber, acabei ganhando experiência com armas. Shizue-san duvidou de mim, então eu atirei nela. Peguei Katsuo, e enterrei aquela mulher. Meu pai chegou e nos levou para casa, mas ele não acreditou que foi eu quem matei Shizue-san, nem as demais pessoas que estavam lá, começaram a culpar o Katsuo e o internaram na tal clínica.

- Agora ele quer te matar?

- É, pois eu sou a culpada pelo que aconteceu naquele dia, eu matei Shizue-san e a culpa caiu nele, agora ele tem raiva de mim. Eu tentei me redimir, me afastei das pessoas e acabei sendo conhecida como insensível.

- Venha aqui. – a puxo para mim, fazendo ela cair no meu colo e a abraço.

- O que você está fazendo Yuji? Está tudo bem.

- Não se faça de forte, não fica bem com você fingir ser durona.

Depois de ouvir aquilo, ela se deitou eu meus braços e começou a chorar.

- Eu estou com medo Yuji. Muito medo. Ele vai acabar me matando e eu te envolvi.

- Eu também não sou um cara muito legal, cedo ou tarde ele iria ficar com raiva de mim. – disse a abraçando mais forte. – Eu vou acabar com aquele imbecíl, Kori.

Ela assentiu com a cabeça enquanto eu tentava animá-la, a provocando e coisas do tipo, mas ela acabou ficando meio animada demais, e começamos a discutir, até que a Yui acordou e jogou um travesseiro na nossa cara, Hayato saiu do banheiro perguntando o porque da bagunça e eu o acertei de propósito, ele com raiva fez a mesma coisa. E ficamos a manhã inteira assim.