Notas iniciais
Divirtam-se!

-Susana, o que foi?! — ele praticamente entrou em desespero quando viu minhas lágrimas.

-Não foi nada, Jake... — falei, tentando me desvencilhar dele, mas ele segurou-me pelos ombros.

-Susana, espera...! — pude ouvir a voz de Caspian se aproximando.

-O que houve, Su? — Jake voltou a perguntar.

-Não estou com cabeça para falar, Jake, eu preciso de ar puro! — falei, livrando-me de seus braços ao mesmo tempo em que Caspian aparecera na curva do corredor. Saí de perto de Jake, correndo, rumo aos estábulos.

Pov. Jake.

-Não estou com cabeça para falar, Jake, eu preciso de ar puro! — disse Susana, com a voz embargada, deslizando por meus braços e correndo sem me dar tempo de reagir. Caspian chegou ofegante até mim, mas eu estava visivelmente nervoso pelo estado de Susana.

-O que você fez com ela?!

-Não importa agora, apenas me responda para onde ela foi?! — ele elevou a voz.

-O que. Você fez?! — também elevei a voz, nós já nos encarávamos e ele ia rebater, mas Pedro e Edmundo chegaram, colocando-se entre nós.

-Hey, hey, o que está acontecendo? — perguntou Pedro.

-Para onde ela foi?! — Caspian voltou a perguntar.

-Não sei.

-Diga logo!

-Eu. Não. Sei!

-Calma! — pediu Lúcia. — O que está acontecendo aqui?

Houve um breve silêncio enquanto meu olhar fuzilou o tal Caspian, que permaneceu calado com a respiração ainda ofegante. Todos os olhares pousaram nele, mas ele não encarou nenhum enquanto respondia.

-Nós estávamos na biblioteca...

[…]

-Então, a tal Lilliandil, é sua noiva? — ergui as sobrancelhas, olhando-o com desprezo. O rei estava sentado em seu trono, os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça nas mãos, empurrando os cabelos para trás.

Ele não respondeu.

-Tome, Caspian, beba isso... — Lúcia lhe oferecia uma taça que provavelmente tinha água. Ele pegou e bebeu um pouco.

Houve um momento de silêncio.

-Acho melhor eu ir atrás dela... — disse ele, quebrando o silêncio.

-Acha mesmo que ela vai querer te ver? — perguntei irritado. Eu não era agressivo, mas eu estava nervoso e preocupado com Susana. Caspian me encarou.

-Jake, por favor... — pediu Lúcia. Rolei os olhos, me calando.

-Eu vou atrás dela. — ele se levantou.

-É melhor não, Caspian. — disse Edmundo. — Susana precisa ficar só, não se preocupe, ela conhece bem Narnia...

-Edmundo tem razão. — concordou Pedro.

-Conheço a Su, daqui há pouco ela vai estar de volta...

Pov. Caspian.

Já estavam todos dormindo, todos os moradores do castelo. Pedro, Edmundo, Eustáquio, Lúcia, Jacob e eu estávamos de pé. Já era altas horas da noite e eu não conseguia dormir com o coração tão apertado. Susana não chegara. Estava muito preocupado, com a consciência pesada e com raiva de mim mesmo. Eu sei que era errado, mas não consegui resistir. O que sinto por ela é tão forte... Tão profundo...

Sim, errei em não lhe contar sobre Lilliandil, mas se contasse, ela não teria permitido que a beijasse e esse beijo... Curou meu coração. Por pouco tempo, mas curou. Enquanto a beijava, eu me senti feliz, me senti completo... Mas agora estou pior do que antes.

Sinto medo de que algo lhe aconteça lá fora, sozinha, a essa hora da noite... Tentava não pensar no pior, mas era inútil. Até que, para meu completo alívio, ouvi os portões serem erguidos e o trote de cascos no chão de pedra. Eu não fui o único a chegar correndo no pátio, os Pevensie, Eustáquio e Jacob fizeram o mesmo. Com extremo alívio vi Susana descer do cavalo e entregá-lo a um dos soldados do portão para que ele o levasse até os estábulos. Ela caminhou em nossa direção com a expressão indecifrável.

-Su, onde você estava? — perguntou Eustáquio, calmamente. Os irmãos dela permaneceram quietos esperando-a responder com certa ansiedade, e eu também, mas Jacob permaneceu olhando-a com a maior naturalidade, como se soubesse o que ela ia dizer.

-Estava passeando por aí. — respondeu ela como se não fosse nada demais.

-Nós ficamos preocupados... — quando vi, já tinha falado. Susana lançou um rápido olhar para mim, indecifrável, e respondeu a todos.

-Não precisavam ficar. Agora, se me derem licença, vou dormir. — e ela subiu as escadas. Suspirei. Pelo menos ela estava a salvo.

Pov. Jake.

Ela estava pior do que eu imaginava. Claro, devia estar um caco por dentro, mas parecia firme e forte por fora. Eu conheço Susana desde de pequeno, sabia bem como ela reagia quando estava magoada.

Se, por acaso, Susana fosse atacada de algum modo, seu contra-ataque era a indiferença, era parecer que nada lhe afetava.

Quando ela age assim, é por que nada está bem. Mas acho que só o tempo vai fazê-la melhorar. O tempo e o apoio, tanto meu quanto da família.

Sinceramente? Caspian bem que merece isso.

É, merece, sim. Ele não podia ter brincado com a Su desse jeito. Não podia. Ele devia ter o mínimo de decência e aberto o jogo com ela, dizendo logo tudo sobre ele e a tal Lilliandil, não podia, de jeito algum, enganar a Su. Como segundo irmão mais velho e melhor amigo dela, uma coisa eu garanto: ele não vai mais magoá-la. Não no meu turno.

Odeio, detesto, ver Susana magoada. Não me entenda mal, não estou declarando guerra contra Caspian...

Apenas estou reforçando a proteção sobre Susana.

Notas finais
Desculpe se demorei, mas aí está! O que vocês acham do contra-ataque da Susana, vocês acham que vai dar certo? Que ela está fazendo a coisa certa? Não esqueçam dos meus comentários!!
Beijokas!!