Sorrisos
1 Capítulo 1 - Finalmente o sorriso.
Estava deitada sob as cobertas de minha cama, um tanto quanto arrasada. Meu coração estava apertado, minha cabeça parecia explodir e eu estava literalmente destruída, não só sentimentalmente como fisicamente. Não conseguia colocar na minha cabeça como ele poderia ter feito uma coisa dessas.
Um sorriso desenhou em meus lábios em lembrar de todos os momentos incríveis que passamos juntos, aqueles que também fizeram com que o sorriso desaparecesse dando lugar as lágrimas que insistiam em cair, repousando sobre o travesseiro já molhado. Cobri-me até a cabeça, pensando seriamente em ficar ali, deitada e descansando meu corpo já exausto pelos sentimentos.
“Saí da loja de rosas com um sorriso de canto a canto. Ele irá amar o presente! Duas caixas de chocolates para passarmos o dia de sábado juntos como sempre fazíamos, comendo e assistindo bons filmes. Um urso de pelúcia e também algumas rosas. Eu nem sei como estou conseguindo carregar tudo isso.
Caminhei em direção a porta de entrada tendo uma séria briga com o meu bolso procurando as chaves, após acha-la pude abrir a porta, joguei a bolsa sobre o sofá e caminhei calmamente, sem fazer barulho algum para o quarto. No momento em que iria me jogar na cama junto com os presentes e junto a ele, paralisei.
Meu coração paralisou, minha cabeça paralisou, meu corpo paralisou.
Lá estava ele, deitado com outra pessoa, que ao me ver deu um pulo de seu colo, mas ele, por incrível que pareça, não retirou as suas mãos de seu corpo magro, e eu ali, assistindo aquela cena de camarote, fazendo com que meus olhos se enchessem de lágrimas e meu coração apertasse mais e mais. Ele olhava profundamente meus olhos sem nenhuma expressão em seu rosto, isso certamente foi o que mais me deixou atordoada. O choque tomou conta de meu corpo, mas consegui ter forças para deixar com que os presentes caíssem no chão e saísse o mais rápido dali, correndo.”
Fechei os olhos, minha cabeça pesava sobre o travesseiro, fazendo com que eu caísse no sono por mais alguns minutos. Por mais que eu estivesse com sono, não conseguia dormir por tanto tempo, estava exausta mentalmente e sentimentalmente, o que estava acabando comigo. Por fim, virando para lá e para cá, não conseguia mais pregar os olhos, por mais que eu tentasse por alguns minutos. Olhei para o celular e me assustei ao ver que já eram quatro horas da tarde e coloquei minha mente para funcionar, por alguns segundos sequer. Não ficarei aqui, deitada e sofrendo por alguém que esta hora está se divertindo sem mim. Levantei e caminhei em direção ao banheiro, tirei minha roupa por completo e entrei no chuveiro. Senti a água gelada cair sobre meu corpo, fazendo com que o mesmo relaxasse. Fiquei alguns minutos ali, e o desliguei, saindo e me secando aos poucos.
Estava sem paciência para secar os cabelos, então corri para o quarto, estava frio e eu estava completamente nua. Escolhi uma parte íntima qualquer e algumas roupas de largas de moletom e vesti, sentindo-me um pouco mais quente agora. Coloquei uma touca qualquer, peguei minhas chaves e finalmente sai caminhando rua por rua na tentativa de encontrar algum estabelecimento ao meu agrado aberto àquela hora. Suspirei em alívio ao encontrar um. Entrei, sentindo o vento quente batendo sobre meu rosto e sentei-me em uma das mesas no fundo do local, um pouco longe das demais pessoas e pedi o que eu tanto queria, que não demorou muito a chegar e eu a comer.
Peguei a pequena colher sobre a mesa e passei a movê-la mergulhada no café, para lá e paca cá, ficando assim por alguns minutos. Meus pensamentos estavam longe, meu peito ainda estava doendo e meu coração um pouco estraçalhado. Não ouvia as pessoas ao redor, mas despertei ao ouvir uma voz completamente desconhecida.
– Nossa, você está completamente acabada. – Após ouvir tal frase, revirei os olhos e levantei a cabeça. Pude ver a imagem de um homem alto e magro, com uma jaqueta de inverno preta e uma touca parecida com a minha sobre a cabeça, mas eu podia ver alguns fios de seu cabelo soltos sobre os olhos. Cabelo escuro e olhos de cor castanha. Eu não o conhecia e ele certamente não me conhecia, mas mesmo assim, sentou na cadeira vaga a minha frente. – O que houve? Um caminhão passou por cima de você ou o quê? – Perguntou soltando uma pequena gargalhada em seguida, vi seus dentes brancos e o sorriso perfeito em seus lábios finos.
– Grande piada, grande piada. – Disse, levando a xícara de café sobre os lábios e tomando um gole um tanto frio enquanto o observava. Eu não levei na brincadeira, até porque não o conhecia, mas percebi que ele não havia gostado pelo fato de ter ficado sério de uma hora para outra. Seu sorriso foi embora e a expressão de seu rosto ficou séria. – A propósito, te conheço? – Perguntei rude, o encarando, vendo-o novamente mostrar aquele sorriso a mim.
– John Thompson. – Disse num modo calmo, encarando-me profundamente nos olhos, fazendo com que eu desviasse o olhar por alguns minutos. – E você? — Tal pergunta fez com que meus olhos encontrassem os dele mais uma vez.
– Luna. Luna Mavor. – Respondi encarando-o, vendo novamente aquele sorriso desenhar sobre seus lábios. E então, depois de uma semana, pude sorrir novamente.
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