Notas iniciais
Vocês já amaram alguém que jamais poderia amar você? Então... sintam-se em casa!

XLIV- Sorriso

O sorriso que forma em seu rosto

É a prova viva de que anjos existem.

Que acima de tudo, resistem,

Às tempestades que fazemos.

Não te esquece, nós crescemos,

E sabemos para onde vamos.

São coisas que mostram quem seremos,

Que fomos e quem somos.

Adiemos a verdadeira esperança

Que um dia vivemos

E em nossas mentes, plantamos.

Alegramos uma vívida face,

E nos esquecemos de que crescemos.

Não me abra sorrisos,

Pois estes não são o bastante

Que nesse instante

Eu necessito.

O incômodo é constante,

Sou mais que uma eterna amante,

Sou amiga da vida

Como uma face desconhecida.

E você, tão lento e fraterno,

Passa a imagem errada,

Ou o sorriso errado

De tão totalmente certo.

Pois seu sorriso é verdadeiro,

E me acerta em cheio

Bem no meio do peito.

Esquecemos, porém, que é difícil

Esquecer o que ainda é nítido.

Tantas palavras intrusas

Corrompem a alegria

Que tomei um dia

Por decisão própria.

Mas tão cristalino seria

Se mais alto fosse o silêncio,

Um dia eu gritaria.

Deixe, que me cale,

Pois minha quietude

Soa como grito, agudo e rasteiro,

Tal qual seu sorriso certeiro.

Há coisas que não podemos apagar.

É só acertar na mão,

Arcar com a sofreguidão

E escapar dolorosamente.

Seu sorriso, meu aviso,

Diz que lute ardentemente

Mesmo que a luta em mente

Seja completamente em vão.

Nada debate meu medo

Senão a esperança no meu coração.

Criou-se em mim tal lentidão,

Estirada em cada momento

Que tal como o vento,

É vazio e sem emoção.

Mas você, meu doce anjo,

Continua a sorrir calmamente,

Como se lesse minha mente!

Implorando lentamente

Que eu sorria novamente.

Enquanto trocarmos sorrisos

Estaremos intensamente indecisos

Do que devemos esquecer.

Até a obrigação chegar

Trazendo os ideais que jamais daria certo.

Mas sorria!, para iluminar meu dia

E talvez estragar a alegria

Daqueles que aos problemas renuncia.

Não há sorrisos que vivem

Onde as maldades consomem.

Estes vazam pelos buracos

Do desleixado coração do homem.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!