Sorriso de Cheshire
1 Capítulo Único - Sorriso de Cheshire
Notas iniciais
Emma já não aguentava mais ficar em seu quarto, se sentia sozinha o tempo todo, mas ficar enfiada naquele quarto era pior. Por fim saiu meio receosa e olhando para os lados, havia um longo corredor para percorrer a sua frente. Ela o encarou tentando criar coragem para atravessá-lo, mesmo se sentindo cansada ela sabia que precisava ir até o jardim, ela precisava vê-los.
Pessoas circulavam pelo local, algumas acompanhadas, outras solitárias como ela. A loira olhou a sua volta, como se não quisesse que a vissem, e então se pôs a caminhar pelo longo corredor. Ao chegar ao fim dele, a porta de vidro mostrava o jardim que a esperava do outro lado.
Colocou os pés para fora e seus olhos arderam devido a claridade do sol que já se estendia como um manto alaranjado pelo céu.
“Será que eles viriam?”
Caminhou tranquilamente pela grama fresca, e apesar do calor, se sentia flutuando ao estar ao ar livre, se sentia livre como nunca podendo caminhar sozinha e ao encontro do que ela queria. Sem ninguém a controlando ou dizendo o que deveria fazer e se estava certa ou errada.
Sentou-se em um banco branco mais isolado dos demais. Por mais que a solidão ás vezes a cansasse ou a deprimisse, tinham momentos em que ela gostava dela, na maioria deles, e nesse momento ela queria ficar sozinha, queria esperar por eles, pois eram a única companhia que lhe agradava.
Alguns minutos se passaram, quando surgiram ao longe os dois rostos que ela mais amava. No mesmo instante um sorriso se formou em seus lábios e ela os acompanhou com o olhar enquanto caminhavam até ela.
A morena vinha acompanhada do garoto e ambos sorriam para a loira, que agora tinha no olhar um brilho mais intenso que o do próprio sol.
— Vocês demoraram hoje. – a loira falou assim que Henry e Regina pararam em sua frente.
A morena delicadamente selou seus lábios nos de Emma antes de se sentar ao seu lado e dizer:
— O Henry se atrasou na escola hoje, por isso demoramos.
— E por falar nisso, como foi a aula hoje? – a loira segurou nas mãos do garoto que continuava em pé á sua frente.
— Foi tranquilo. Parece que eu estou virando um bom aluno em matemática. – ele sorriu para a mãe que o puxou para si e o beijou o rosto várias vezes.
— Ah, esse é o meu garoto. – quando terminaram a brincadeira, Emma se voltou para Regina que sorria assistindo a cena dos dois juntos. – Quando vamos voltar para Storybrooke? Sinto saudades de lá.
— O mais rápido possível. O pessoal de Storybrooke também está sentindo a sua falta. A cidade não é a mesma sem a sua “Salvadora”.— quando Regina terminou de falar, o semblante de Emma se tornou triste. Tocar naquele assunto ainda doía nela devido a situação. – O quê foi meu amor?
Emma olhou a sua volta antes de responder, como se não quisesse que ouvissem sua resposta.
— O pessoal daqui não acredita em magia, muito menos que eu sou filha da Snow White e do Charming. – a loira fez uma pausa e respirou fundo, enquanto a morena apertava sua mão e lhe dava um sorriso confortante. Havia demorado tanto pra conseguir encontrar sua família, pessoas que lhe faziam bem e de repente tudo parecia estar desmoronando de novo, parecia que queriam lhe tirar sua única felicidade. – E quando eu digo que você é a minha esposa, eles...
— Emma, meu amor. – Regina a interrompeu, segurando seu rosto e a fazendo olhar para ela. – Os deixe pra lá. Eles não entendem que o quê nos mantém vivo é essa magia mais poderosa de todas, o amor verdadeiro. – completou com um sorriso que fez Emma sorrir junto. Agora os olhos de ambas brilhavam.
— Eles são uns idiotas, mãe. – Henry se ajoelhou e sorriu para a loira também.
— Eu amo tanto vocês! – algumas lágrimas rolaram pelo rosto da loira, porém o sorriso não a abandonou. – Eu não sei viver sem vocês.
— Nós também te amamos muito! – foi Henry quem respondeu enquanto circundava a cintura da loira com os braços e apoiava a cabeça em seu peito, ganhando logo em seguida um carinho de sua mãe.
Regina então puxou o rosto da loira para perto de si e lhe deu um beijo demorado na testa. Passaram alguns segundos em silêncio, aproveitando do momento em família, até que a loira o quebrou receosa.
— Regina... – ela chamou a morena que a olhou lhe dando permissão para continuar. Henry voltou a se ajoelhar em sua frente. – Eu ouvi eles falarem que vocês irão me abandonar, que um dia vocês vão embora e nunca mais vão voltar e quê com o tempo eu vou me acostumar com a ausência de vocês, até que eu tenha me esquecido de tudo.
A loira completou com lágrimas lhe tomando o rosto. A ideia de esquecê-los ou de não tê-los mais por perto, a deixava completamente apavorada. Henry e Regina tornaram a abraçá-la tentando lhe transmitir conforto.
— Não dê ouvidos a eles, mãe. – Henry ergueu o olhar para ela. – Quando eles disserem isso, lembre-se de nós, de tudo o quê nós já vivemos e principalmente de quem você é, a Salvadora.
— Meu amor... – a morena começou fazendo Emma voltar seu olhar para ela. – Nós amamos você e nunca iremos te abandonar. – ela apertou mais forte a mão de Emma. – Nunca!
A loira sorriu para Regina, voltou seu olhar para Henry e sorriu para o garoto também antes dela começar a acariciar seus cabelos. Voltou seu olhar para a morena mais uma vez e sorriu enquanto olhava dentro de seus olhos. Neles ela via toda a sua história e acreditava que tudo aquilo era verdade.
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O casal entrou na clínica e foram direto para a recepção, disseram que tinham um horário marcado com o Doutor Whale e a recepcionista pediu para que aguardassem. Minutos depois, Doutor Whale os chamou e o casal o acompanhou até o seu consultório.
— Então Doutor, nós queríamos saber como ela está? – foi a mulher que perguntou apreensiva.
— Bem, ela tem resistido bastante ao tratamento. Tem dias que se recusa a tomar os medicamentos, as enfermeiras tentam lhe dar, mas tem dias que se torna impossível.
— E isso não é prejudicial a ela? – agora foi o homem quem perguntou.
— Isso torna a melhora mais lenta, mas estamos tentando fazer com que ela tome os medicamentos com calma, ao invés de usarmos um tratamento mais pesado.
O casal trocou um olhar preocupado, antes de ela perguntar para o Doutor:
— Nós podemos vê-la? – ele assentiu e então os três saíram do consultório.
Caminharam pelo corredor onde circulavam várias pessoas, algumas acompanhadas e outras solitárias. O branco predominava no local, porém o casal estava tão preocupado com a filha, que só enxergavam cinza. Quando chegaram ao final do corredor, o jardim apareceu através das portas de vidro.
— Dona Mary, Senhor David...— Doutor Whale chamou o casal enquanto apontava para um banco branco do outro lado do jardim onde estava sentada a loira. – Ali está ela, sua filha Emma.
— Nós não podemos ir lá vê-la? – Mary perguntou com os olhos cheios de lágrimas, enquanto David apertava as mãos em seu ombro tentando tranquilizá-la, porém ele também estava tão nervoso quanto ela.
— Nesse momento é melhor ela ainda não entrar em contato com vocês. Ela continua repetindo que vocês são Snow White e Prince Charming e desde que tiramos aquele livro de Conto de Fadas dela, ela ficou agressiva. Ver vocês talvez possa ser prejudicial para ela nesse momento do tratamento. – respondeu Doutor Whale com tranquilidade enquanto alternava o olhar entre eles e a loira sentada ao longe. Mary deixou que lágrimas escapassem.
— Mary, se acalme. Nossa filha vai ficar bem. – David tentou mais uma vez tranquilizar a esposa e a si mesmo. – A Emma é uma mulher forte.
— O Doutor acha que a melhora dela vai demorar muito? – Mary enxugou as lágrimas de seu rosto.
— Se ela colaborar, não. – Doutor Whale voltou o olhar para a loira no banco antes de continuar. – O tratamento para a melhora da esquizofrenia é uma longa caminhada.
Mary e David trocaram mais um olhar preocupado antes de voltarem a atenção para Emma que permanecia sentada sozinha no banco, e mexia uma das mãos perto do joelho, como se acaricia-se o ar, enquanto olhava para o seu lado vazio no banco e sorria, um sorriso de Cheshire.
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