Sorcière
2 Capítulo 2
A carruagem balançava muito e Gisela mal conseguia se segurar
- As estradas estão cada vez piores – Léonie suspirou – é melhor irmos logo, para quando anoitecer já estarmos lá
- Eu não queira ir
- Gisela, já falamos sobre isso, meu bem.
- Eu sei...
Vendo a decepção da sobrinha, Léonie pegou a bolsa e tirou dela um livro, que deu a menina.
- Abra na 560.
Ela obedeceu.
No centro da pagina estava a gravura de um menino, olhos claros, mas a pouca luz não deixava saber se eram azuis ou verdes, no queixo perto do lábio inferior haviam duas pintinhas, o cabelo encaracolado e despenteado lhe caia sobre os olhos, os lábios finos sorriam para Gisela.
- Quem é?
- Gostou dele? É seu amor
- Amor? Ele parece mais velho e olhe esses pontinhos
- Vai rejeitá-lo só por causa de dois pontinhos?! Você também tem dois no pescoço.
- Mas não dá para ver os meus – Gisela fechou o livro com força – E se eu não gostar dele?
- Vai gostar, meu bem. Sempre gostamos
- E se ele morrer antes de eu conhecê-lo?
- Não vai morrer
Gisela se viu sem argumentos, abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
- Só mais um pouco e chegamos – Léonie falou olhando pela janela.
- Lá é bonito?
- Muito, meu bem, e temos um jardim também, você vai gostar muito
- Tem tulipas?
Léonie riu
- Sim muitas tulipas!
A carruagem parou
- O que há Martim? Por que paramos?
- Não podemos passar senhora
- Por que não cocheiro? – Gisela apareceu na janela
- Vem uma multidão ai, e eles parecem bem furiosos
- Multidão? – Léonie – Eles vieram mais cedo... Saia da estrada Martim agora!
- Mas senhora não há como...
- SAIA AGORA!
Mas a multidão munida de foices e tochas chegou rápido demais e vendo que a carruagem pretendia uma fuga avançou para cima dela, matando Martim, que nem teve tempo de tentar correr.
Léonie e Gisela tinham saído um pouco antes da carruagem virar e agora fugiam desesperadas pela estrada de volta a Paris.
Gisela corria rápido, mas o vestido da tia não a proporcionava a mesma velocidade. Léonie parou, não adiantava tentar correr, a multidão chegava. A senhora arrancou um medalhão e deu a sobrinha mandando que ela corresse o mais que pudesse, dizendo que ela ficaria bem se não olhasse para trás.
E assim se fez: Gisela correu o mais rápido que pode, enquanto a tia desaparecia envolta pela multidão. O pensamento da morte de Léonie lhe passou pela mente e este pequeno instante de cegueira foi o suficiente para que ela se desviar do caminho e rola-se por um escarpado, bater a cabeça e cair no rio.
- Gisela! Deixe-me ver seus olhos.
Fale com o autor