Sorcière
5 Sentimentos
Notas iniciais
– Me dê o livro Cássia, ai deixo todos em paz! -Paul sai correndo e não pega o ônibus. O que ele quis dizer com "me dê o livro" ? .
– Vamos Sam -Cássia pega meu braço e me levanta do chão — temos que conversar.
Cássia vai na frente e eu em seguida vou atrás dela cambaleando. Vamos pegar o ônibus.
Durante o caminho permanecemos calados , não sabia o porque do silencio , mas era sério.
–Sam, me escute -ela olha para os lados — você não vai poder ir pra sua casa agora, preciso que venha até a minha casa para conversar.
– O quê? , mas Cássia...- ela põe o dedo indicador em minha boca.
–Só precisa fazer isso Sam, chegando em casa te explico — ela pega o livro na mochila e começa a foleá-lo muito rápido.
–Cássia, você já passou a parte em que você parou -digo depois que percebo que a página que ela deixou marcada com um marca página tinha passado. Ela não me responde e continua a folear o livro até que para.
–Me dê um fio de seu cabelo — ela estende a mão para mim.
–Mas pra quê? Isso não é meio estranho -pergunto, mas ela deve estar com pressa, pois já faz sinais com os dedos de eu andar logo com isso — Tudo bem toma — ranco um fio de meu topete e dou para ela.
Assim que o pega, Cássia o segura com tanta força que parecia mais que ela estava segurando uma pedra preciosa para que ninguém visse. Depois , Cássia eleva suas mãos a testa e sussurra umas palavras desconhecidas que não entendo.
– O quê está fazendo — olho para ela, parece estar bem concentrada.
–Pronto , agora vamos descer -ela guarda o livro e se levanta rapidamente , quase me deixando para trás.
–Mas -tento retomar a pergunta, mas o ônibus para e ela desce — Espere!.
Descemos do ônibus e estamos parado em frente a porta de sua casa. A fachada da casa de Cássia era de um estilo bastante retrô, com pintura envelhecida nas paredes, uma banco de se balançar se localizava ao fim da área da fachada do lado direito , a porta com uma cor marrom envelhecida com uma tela de primeiro plano.
– Não diga nada -Cássia a abre revelando o interior de sua casa.
Fiquei surpreso, a casa era de estilo gótico, muitas prateleiras de livros se encontravam no que parecia ser a sala, pois havia apenas um sofá. Sem TV , rádio ou computador. Uma mulher estava na cozinha mexendo em um armário. Cássia vai chamar a mulher, ela conversa alguma coisa com a mulher mas não consigo escutar. Então as duas vêm em minha direção.
– Boa tarde — a mulher se aproxima. Com cabelos castanhos claros batendo na altura dos cotovelos, pela branca, magra, com altura de um e setenta talvez, com olhos dourados. Estava trajando uma roupa simples como toda dona de casa, e estava usando um avental por cima de sua blusa amarela floral — Como se chama?.
– Sam, muito prazer senhora — estendo a mão para ela, e com respeito ela a aperta e , percebo que a mulher usa muitas pulseiras de couro com pingentes.
– Mãe -Cássia esta do lado da mãe — Bom... Sam é meu amigo de escola e vamos subir para conversar sobre o trabalho -Cássia parece nervosa.
– Tudo bem, qualquer coisa me chamam — a mãe pega a mão da filha — Qualquer coisa mesmo.
–Agora vamos -Cássia pega minha mão e subimos as escadas até seu quarto.
Quando chegamos em seu quarto -um quarto normal a não ser que está repleto de livros em cima da cama, do que parecia ser uma escrivania com fotos delas e da mãe, um guarda-roupa pequeno de duas portas e uma porta que parece dar ao banheiro -ela pega a mochila, pega seu livro e vai até a escrivania.
–Sam, venha -ela puxa a cadeira para que eu possa me sentar, e então eu vou.
– O quê você tem para me falar? — não sento na cadeira para que ela saiba que não vou sentar até ela me contar o que tem a dizer.
– Não podemos ser amigos -ela abaixa a cabeça — Não podemos nos ver.
Como assim? agora que eu pensava que estava tudo bem, que estava prestes a dizer o que sinto por ela, não pode simplesmente parar com tudo.
– Mas eu gosto de você — agora me sento e pego em seu queixo e ergo sua cabeça -Cássia por favor.
– Como? -Cássia se levanta da cadeira e se senta na cama.
–Não tive tempo de te falar Cássia, você nunca me deu chance ou demonstrou nada por mim, mas eu sei que sente alguma coisa. Agora que não quer mais me ver, fiquei desesperado e tive de contar -suspiro, agora estou em pé ao lado dela, com ela me olhando com seus olhos dourados.
– Oh Sam — ela pega minha mão, fazendo eu me sentar ao lado dela — Eu também gosto de você, mas não entende, não posso...
Se aproximo mais de Cássia e coloco minhas mãos em seu rosto e me aproximo silenciando suas palavras. Nossas respirações estão ofegantes, meu coração está acelerado e olhando no fundo daqueles olhos me aproximo mais e dou-lhe um beijo. Seus lábio gelados, os meus quentes, em uma sinfonia de paixão com o impossível . Pego em sua nunca e a beijo com mais paixão até ficar sem ar.
– Sam por favor não podemos -ela sussurra em meu ouvido.
– Sim podemos — pego suas mãos- Estamos apaixonados Cássia não percebe?.
–Claro que eu percebo Sam -ela se solta de minhas mãos e as coloca no joelhos — Mas não quero te machucar, por favor entenda, não é tão fácil pra mim.
– Para mim também não, mas juntos podemos , sei lá , conversar com nossos pais se for o problema não é só você que tem problemas familiares.
– Os meus são maiores Sam, por favor prometa que não vai me ver nem falar comigo — uma lágrima escorre de seu olho — Eu te amo, por isso tenho que te deixar ir,você vai acabar se machucando é sempre isso que eu faço com as pessoas... eu as machuco.
– Não Cássia, você não me machucou e nunca poderia fazer isso -olho no fundo de seus olhos — Se as pessoas não nos entende que deixamos pra lá, o que importa é a nossa felicidade.
– Você não percebe? -ela pega minhas mãos — Vou te mostrar.
Assim que Cássia pega minhas mãos, me sinto enjoado e tonto. O quarto gira rapidamente , imagens vem a minha cabeça. Até que não aguento mais e a me deixo levar pela escuridão.
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