Notas iniciais
Existem momentos em que as palavras são desnecessárias, apenas o silêncio nos é a resposta.

As outras aulas passam rapidamente, depois de se apresentar, não conversei com Cássia o resto do dia. O sinal toca, tento ir em encontro de Cássia pois ela saiu primeiro, mas me perco na multidão e então vou para a esquina da escola esperar o ônibus , vejo que Cássia já está la esperando. Chego perto dela.

–Oi, gostou da escola? -ela guarda o livro, interrompi de novo -Desculpe por interromper.

–Não tem nada -pausa- Sim, acho que vou me acostumar com o método de ensino daqui.

Como assim? se acostumar? Todo o ensino são iguais aqui em Carolina do Sul.

–Você não é daqui imagino -digo.

–não, sou do sul da França, minha mãe veio para cá por proposta de emprego.

–Legal, quem emprego é? -acho que escapuli um pouco.

–Ela é escritora , lá na cidadezinha que eu morava ela não era valorizada, aqui sim -ela olha para a esquina a esquerda.

–Olha lá! -ela aponta rapidamente -o ônibus chegou.

Quando o ônibus para e abre as portas, escuto um grito familiar logo atrás da gente, claro sempre atrasado. Paul.

–Ei! -ele coloca as mãos no joelho, cansado, com certeza veio correndo -Ei gatinha! -estava se dirigindo a Cássia? -Fala para o motorista me esperar! -realmente estava se dirigindo a Cássia.

ela para no segundo degrau e olha para trás.

–Diga você mesmo já que está gritando! -ela sobe virando os olhos.

Durante a viajem de volta, ela se senta ao meu lado. Não conversamos muito, pois ambos estávamos lendo. O ônibus chega a casa de Cássia.

–Tchau -Cássia se levanta e vai em direção a porta do ônibus e sai.

Quando chego em minha casa, vejo o carro de meu pai -Charlie- em frente, depois de cinco semanas fora ele veio nos visitar.

indo em direção a porta de casa, ouço novamente Paul gritando.

–Até amanhã Sam, espero que saiba lutar! — O ônibus segue embora.

lutar? com certeza uma intimidação. Ele quer briga.

Chego na cozinha e o almoço está pronto, meu pai está lendo o jornal.

–Como foi a escola filho -ele tira o jornal da frente de seu rosto e tira seus óculos. A aparência dele é igual a de minha mãe, cansado. Da ultima vez que me lembro que o vi contente, estávamos de férias no Brasil, eu tinha uns nove anos na época. Com seu cabelo castanho escuro levemente penteado para trás , seus olhos azuis brilhantes de alegria e sua pele branca que já estava se bronzeando com o sol forte do Brasil.

–Bem- respondo rapidamente e vou em direção ao meu quarto, subindo as escadas, vejo Smille meu cachorro -ele tem pelos brancos um pouco sujos, talvez porque estava brincando no jardim, um poodle branco sujo, ótimo já tenho o que fazer no final de semana.

Chego no quarto, tiro minha mochila e minhas roupas e coloco um shorts jeans e uma camiseta branca simples, desço para almoçar.

O almoço segue em silencio, até que meu pai o rompe.

–Temos que conversar Sam -Não gostava de conversar com meu pai, principalmente quando ele falava com esse tom, papai é uma homem bem mais alto que eu e minha mãe, chegava a altura da porta, falando desse jeito passava um tom ameaçador na voz. E todas as vezes que precisava conversar comigo, ia mudar de casa, ou de escola e quase sempre de cidade.

–Vou te levar para a escola agora -estou surpreso. Acho que ele foi despedido.

–O senhor foi despedido -engulo minha comida- Denovo? — definitivamente não precisava de meu pai para me levar a escola, ele nunca deu importância para meus estudos.

–Não meu filho -ele franziu o cenho — Consegui comprar um escritório contábil aqui em SeanVille , agora posso ficar mais perto de você e de sua mãe -não sei da onde ele tirou essa ideia, com dezessete anos eu não precisava de um babá logo agora.

–Você nunca deu importância! -grito -Nem para mim nem para a mamãe, por isso o casamento de vocês está assim! -olho para minha mãe, e percebo lágrimas em seu rosto- Por isso nossas vidas estão assim!.

–Olhe o jeito que você fala comigo Sam! -papai se levanta e grita comigo.

–E de que jeito devo falar, você não vai me escutar mesmo! -levanto da mesa, olho a direita de mim, Smille está me olhando -Vamos Smille.

Saio com Smille para o jardim, vou a garagem e pego minha bicicleta. Vejo Smille prado na porta da garagem, me olhando com aqueles olhos confusos e querendo ajudar.

–O que foi? Peça para o Charlie te levar pra passear, agora que ele se importa .

Saio correndo da garagem, chorando. escuto minha mãe me gritanto ao longe, mas não olho para trás, por que não queria chorar perto de minha mãe, se não ela iria chorar junto comigo.

Com o vento batendo em meu rosto, tento ir para o mais longe possível de casa. Penso nas palavras que falei para meu pai, que ele me disse, lembro de minha mãe chorando. Quero correr. Mais longe .Mais longe... Esquecer.

Notas finais
Bom aqui está o terceiro capitulo, espero que gostem , bjooos