Lá estava eu, diante do Cálice de Fogo com suas chamas azuis reluzindo na minha frente. 16 anos, a idade mínima permitida. "Só os corajosos sobreviverão", era o que o Ministro havia dito na noite anterior.

– Vai, Sophie! Põe seu nome aí logo! — era o que várias vozes ao meu redor gritavam, enquanto eu estava parada na frente do Cálice, sem reação.

Então, num impulso de coragem, estendi a mão e deixei cair nas chamas o pergaminho com meu nome. Pronto. Estava feito! Eu era candidata a Campeã Tribruxa.

Todos começaram a gritar, comemorando. Mas, de repente, houve silêncio e senti um movimento atrás de mim, olhei para trás e vi meu irmão, Santaro, com Harry Potter. Senti o ódio escorrendo por mim. Ele não podia ficar amigo dele, dele não, logo do responsável pela morte do nosso pai, que tanto adorávamos. Apesar dele ter estado em Azkaban, ele era inocente, não teve culpa de nada, e assim que conseguiu escapar dos dementadores ele foi nos procurar, com um hipogrifo lindo! Fiquei tão feliz com a volta dele, mas ele foi embora para a sua antiga casa, meu pai e minha mãe não haviam se separado, mas meu pai preferiu nos deixar longe do perigo, embora acabasse se deixando em perigo. Ninguém nunca soube que Sirius Black tinha esposa e filhos, a não ser a família da minha mãe, os malditos Malfoy.

A cena de meu irmão com Harry Potter me deixou enojada, não conseguia perceber nada mais a meu redor. Então, Santaro se aproximou de mim e falou:

– Botou o seu nome no Cálice? — ele parecia zangado, mas não me importei, apenas acenei a cabeça. — Como pode querer se botar em perigo? Olha a sua idade! É muito jovem!

– Eu tenho a idade mínima permitida, Santaro. E não quero me botar em perigo, quero ganhar! — falei isso num tom razoavelmente alto, para todos no Salão me ouvirem. — E, mudando de assunto, fique sabendo que estou muito brava com você. Você é um traidor!

– Só porque eu estou amigo do Harry? — meu irmão perguntou gritando — Eu sei que você nunca gostou do Harry, mas isso não significa que eu também não deva gostar, pare de agir como uma criança birrenta.

Fiquei mais furiosa do que já estava. Meu irmão, que sempre fora contra Harry Potter, tanto quanto eu, estava defendendo ele! Eu não pude acreditar no que ele estava falando.

– Pois bem, fique com seu amigo, Harry Potter, e esqueça que eu existo — gritei tão alto que todos olharam para mim, saí correndo sem que ninguém entendesse nada.

Quando saí de dentro da escola, comecei a chorar. Meu irmão era meu confidente, eu sempre pude contar com a ajuda dele, e agora eu teria que me virar sozinha sem ninguém para me ajudar. Não conseguia me imaginar sem falar com meu irmão, mas foi ele que havia pedido isso, ele era um traidor. De repente, escutei alguém chamar:

– Soph! Soph! Espera!

Olhei para trás, secando as lágrimas e vi Lola. Nossa, ela não imaginava o quanto eu precisava dela nesse momento.

Senti um imenso alívio quando ela me abraçou.

– Você estava chorando, não estava? — ela perguntou com o olhar preocupado.

– Estava chorando sim, mas já passou, agora tenho você! — tentei sorrir, mas não consegui, ao invés disso, uma lágrima correu pelo meu rosto e recomecei a chorar. Dessa vez não consegui parar tão cedo. Já era noite quando Lola me convenceu a ir jantar.

Entramos dentro da escola com a pretensão de não chamar a atenção de ninguém, mas só foi pretensão. Assim que botamos o pé no saguão, todos olharam para nós, como se fôssemos as criaturas mágicas mais bizarras do Universo. Me senti muito desconfortável com essa situação. Foi então que eu fiz o que não devia ter feito, olhei para o lado. Assim que minha visão entrou em foco e pude perceber quem estava nela, ouvi o que eu nunca imaginei ter que ouvir. Era meu irmão conversando com Harry Potter e sua turma:

– Deixa pra lá pessoal, eu estou bem! Na verdade, nunca gostei da minha querida irmãzinha mesmo, então brigar com ela não vai mudar nada, só serviu para deixar claro que eu gosto muito mais dos meus amigos do que dela. Agora ela aprende a não ser tão metida!

Quando ele terminou de falar isso, Hermione Granger apontou com a cabeça para mim. Santaro não havia visto que eu estava atrás dele. Ele olhou para trás e, quando me viu, abriu a boca para falar alguma coisa, mas antes que ele começasse a falar, eu disse:

– Grande coisa que você não gosta de mim. Pois eu tenho uma novidade: também não gosto de você! Não que eu não gostasse antes, mas com o que eu ouvi agora, eu te odeio. E quer saber de outra coisa? Tomara que você seja escolhido como Campeão Tribruxo e eu também, assim a gente se enfrenta e eu te mato. Que tal? — quando terminei de falar, eu estava chorando desesperadamente. Vi que Santaro estava abrindo a boca novamente para falar algo, mas saí correndo para não escutar o que eu não queria ouvir. Enquanto subia as escadas vi que Lola ficara no Salão, não me importei, queria ficar sozinha com o meu ódio e a minha tristeza, não queria ninguém por perto, sabia que eu poderia explodir a qualquer instante.

Cheguei no dormitório chorando e continuei assim por muito tempo, até que, num ataque de fúria, rasguei todas as almofadas que haviam em cima da minha cama. Bem nessa hora, Lola entrou no dormitório e tentou me impedir de rasgar todas as almofadas das outras camas, ela tentou me segurar e eu comecei a gritar:

– Eu odeio esse lugar, odeio!

De repente, um lampejo, um grito e, quando olhei para trás, vi que sem querer eu havia atacado minha melhor amiga. Havia manchas de sangue para todo lado. Comecei a chorar e a gritar pedindo ajuda. Na minha cabeça o único pensamento que havia era " Como pude fazer isso?".

Logo chegou a ajuda, não pude me controlar e comecei a chorar mais quando vi meu irmão ali, com Potter. Ninguém tentou me consolar e falar que estava tudo bem além de minha irmã, Cristal, que, por mais que tentasse, não fez com que eu melhorasse. Só conseguia pensar na Lola, minha fiel amiga, que havia sido machucada por mim.

***

Eu não conseguia acreditar que eu mesma havia machucado Lola, continuava chorando silenciosamente enquanto eu estava do lado dela na ala hospitalar. "Bem agora que eu precisava dela. E eu fui a culpada", era só o que eu conseguia pensar. Nunca imaginei que um dia isso iria acontecer, quem imaginaria? Eu estava desolada, não saí de perto da Lola para nada, era final de semana, não havia aulas, por isso podia ficar o lado dela todo o tempo, mas eu sabia que, assim que chegasse a segunda-feira, os professores iriam me obrigar a frequentar as aulas, embora eu não quisesse porque o que eu havia feito com minha querida amiga fora muito grave e com certeza seria acompanhada pelos mais diversos comentários maldosos. Comentários esses que sempre me acompanharam.

Sectumsempra. Não pude acreditar quando ouvi que fora esse feitiço que eu lançara em Lola, nunca havia ouvido falar dele, como poderia saber executá-lo?

***

Segunda-feira chegou, e como eu havia previsto, tive que frequentar as aulas, era o ano dos exames, não podia perder tanto conteúdo, se bem que iria perder conteúdo igual, já que havia o Torneio Tribruxo. Os campeões seriam escolhidos no próximo sábado, estava nervosa, porque queria que Lola estivesse comigo no dia da escolha.

Na aula, todos olhavam torto para mim e procuravam se manter afastados, a mesma coisa acontecia no Grande Salão. Santaro não falava comigo, mas olhava para mim constantemente, Cristal estava sempre com as amigas dela e eu... bom... eu, estava sempre sozinha, me doía pensar nisso. Estava sozinha, mas poderia estar com Lola. Não pude suportar a dor que invadiu meu peito, senti mais lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto, elas eram minhas companheiras diárias desde a briga com Santaro. Eram minhas únicas companheiras agora. Nunca pensei que me sentiria tão triste assim depois da morte do meu pai, mas, muitas vezes, uma coisa que achamos que é ruim pode se tornar ainda pior. Foi o que aconteceu naquele momento.

A porta de entrada se abriu e, automaticamente, olhei para ver quem estava entrando. Quando vi quem era, subiu um arrepio por todo o meu corpo, que não pude controlar. Era o Ministro da Magia e, por alguma razão, tive a sensação que era a mim que ele estava procurando.

Naquele instante o Ministro olhou para os lados e, quando me viu, caminhou direto para mim, como eu havia previsto. Quando chegou na minha frente ele falou em voz baixa, embora ainda muito profunda, para que só eu pudesse ouvir:

– Acompanhe-me, por favor.

Com mais um arrepio me levantei e, imediatamente, todos os olhos convergiram para mim. Queria enfiar minha cabeça num buraco e nunca mais sair dele, mas não podia fazer isso... acompanhei Kingsley até a sala da diretora. Lá chegando, ele abriu a porta e entrou, fazendo um gesto para que eu o acompanhasse, Madame Maxime já estava lá. Ela fez um gesto para eu me sentar e, quando me acomodei, Kingsley começou a falar:

– Sophie, eu sei que você não atacou a Lola por mal, e sei que você não sabia executar esse feitiço. Eu conheci seu pai e sei que você tinha orgulho dele. Sim, eu sei que você é filha de Sirius Black — acrescentou ao ver minha cara de surpresa, não havia muitas pessoas que conheciam esse lado de minha família. — Eu quero que você me conte tudo o que aconteceu no dia do incidente.

Comecei a narrar tudo o que havia acontecido, mas quando cheguei na parte da minha explosão de fúria, sucumbi às lágrimas, não pude me controlar, era mais forte que eu, chorei de ódio, de tristeza, de dor por eu ter causado todo aquele transtorno, ninguém tentou me fazer parar, talvez porque entendiam, talvez por não saberem o que dizer. Só sei que me falaram para eu ir para a aula, porque era um ano importante e decisivo para a escolha de uma carreira, como eu não tinha forças para nada naquele momento, não contestei. Saí da sala e fui caminhando lentamente pelos corredores desertos, sentindo a minha solidão e as lágrimas que ainda escorriam pelo meu rosto. Quando dei por mim já estava na frente da porta da sala de aula de Feitiços. Bati na porta e, quando escutei um "Entre!", da professora Morgana, respirei fundo, fechei os olhos e entrei.

Para meu enorme desagrado, encontrei na sala quem eu menos queria ver. Santaro, Potter e sua turma. Eles estavam praticamente dando aula, parados no lugar comumente da professora, com as varinhas em mãos, com certeza estavam demonstrando suas habilidades para feitiços. Senti nojo da cena, desviei os olhos e, me dirigindo para a professora, perguntei:

– Eu posso me sentar, professora? Eu estava na direção... com o Ministro.

– Pode sim, srta. Black, sem problemas. — respondeu ela.

Percebi o espanto de Potter ao ouvir o meu sobrenome, e, não sei o porquê , mas eu fiquei mais brava ainda com meu irmão. Será que ele tinha vergonha da nossa família e por isso não havia dito seu sobrenome e revelado sua origem para seu mais novo amigo? Depois da aula, em que eu não troquei nem sequer um olhar com meu irmão e seus amigos embora sentisse seus olhares sobre mim, fui correndo para a enfermaria.

Cheguei lá ofegando e, quando abri a porta, gritei. Não de susto, mas sim de felicidade. Lola, finalmente, havia acordado.

Começamos a conversar animadas, ela nem quis saber o que havia acontecido, a única coisa que me perguntou foi o que estava acontecendo na escola, nada mais. Não posso negar que fiquei muito agradecida por isso, por ela não ter comentado nada, mas mesmo ela não o fazendo, comecei a chorar descontrolada, como sempre fazia ultimamente. Não conseguia parar de repetir que a culpa era minha por ela ter ficado naquele estado, mas então ela falou, na sua voz mais meiga, mais amiga:

– Não se preocupe com isso, sei que você não teve intenção de me enfeitiçar. — E, como eu não parei de chorar, ela acrescentou. — Eu tenho uma boa notícia pra você!

Ao me ver com cara de espanto, ela riu, como foi bom para mim ouvir aquela risada!, mesmo sem saber da notícia ainda eu me animei e perguntei:

– E qual é essa surpresa, senhorita?

– Eu vou sair daqui agora mesmo, vou poder almoçar com você e... adivinhe? Vou poder comemorar com você quando seu nome for tirado do Cálice de Fogo!

Sem palavras que conseguissem transmitir o que senti naquele momento, me levantei da cadeira onde eu estava sentada e dei um abraço saudoso na minha melhor e mais fiel amiga.

Quando a enfermeira liberou Lola da enfermaria, foi uma festa. Ela estava tão contente de poder voltar à sua rotina. Fomos correndo almoçar, porque tínhamos aula de tarde e não podíamos nos atrasar.

Depois de muita corrida chegamos à porta do Salão Principal e compartilhamos da mesma surpresa, a porta estava fechada. Não estávamos entendendo o que estava acontecendo, a porta nunca ficava fechada, a não ser à noite, por segurança. Através de gestos silenciosos, fiz sinal para que a Lola ouvisse o que estava acontecendo, quando ela se aproximou da porta, eu também encostei meu ouvido nela.

Era o Ministro da Magia que falava. Já estava fazendo outro sinal, para que a Lola se afastasse da porta para podermos entrar no Salão, quando parei, com a mão ainda no ar, pela menção do meu nome. Parei atrás da porta com as orelhas grudadas na madeira talhada. E escutei com muita clareza a voz do Ministro:

– ...e quero que, no que diz respeito a srta. Sophie Malfoy Black, não a julguem pelo ato que cometeu sem consciência de si!

Então a voz de um aluno falou:

– E como o senhor sabe que foi um ato impensado?

– Nós, do Ministério da Magia, tivemos conhecimento que a srta. Black só cometeu esse ato porque estava, sem saber, sendo controlada por Bohrstrueid, um dos Comensais da Morte mais secretos e mais fiéis a Lord Voldemort.

Não pude acreditar no que ouvi. Sem pensar, abri a porta monumental e entrei no Salão, mais assustada do que jamais havia ficado na minha vida.

Todos os olhares convergiram para mim e eu senti que Lola estava ao meu lado.

Não podia ser verdade, com certeza eu tinha escutado mal. Fiquei parada no meio do Salão, olhando fixamente para Kingsley Shacklebolt. Estava apavorada, mas não demonstrei, eu queria fugir daquele lugar que me deixara tão infeliz, mas minhas pernas não me obedeciam. Eu estava lá, imóvel e impenetrável, no silêncio mais incômodo da minha vida. Queria gritar, mas minha voz não saía. Queria jogar tudo para o alto, queria quebrar coisas, queria me sentir viva, mas parecia que eu estava dormindo e tendo um pesadelo que nunca acabaria.

De repente, alguém me abraçou por trás, senti que não era Lola, pois os braços eram fortes e firmes, embora não muito musculosos, mas não tive forças de olhar para trás e ver quem era. Então ouvi uma voz arrastada, a voz que eu gostava tanto, não conseguia acreditar que era ele que estava ali, comigo.

– Fique calma, venha! E não olhe para trás, não fale nada, só me acompanhe e depois você fala tudo o que quer falar. — disse Draco Malfoy.

Ele não precisava nem ter pedido para eu ficar calma, assim que soube que era ele que estava comigo, toda a fúria por terem escondido que eu estava sendo controlada por um bruxo das trevas, todo o medo, todos os sentimentos saíram de minha mente, a única coisa que eu sentia naquele momento era segurança.

Eu adorava meu primo Draco, ele sempre fora muito gentil comigo, me compreendia, quando ele precisava de mim eu estava ali, do seu lado, escutando seus problemas como se fossem meus, assim como sempre que eu precisava de algo, também podia contar com ele. Eu sabia que ele era mau na escola, que havia se juntado a Lord Voldemort, perto de seu fim, mas preferia fingir não saber. Afinal, apenas eu sabia como ele era de verdade, sem as máscaras impostas a ele pelos pais, que tanto odiavam minha parte da família.

Chegamos em uma sala de aula desocupada, ele fez com que eu me sentasse em uma carteira e ele se sentou numa cadeira na minha frente, então ele olhou nos meus olhos longamente e, depois, como se acordasse de um transe em que havia visto todo o caos que se passava dentro de mim, disse ao mesmo tempo que se levantava e me abraçava:

– Agora tudo está bem. Vai ficar tudo bem, Soph!

Lágrimas escorreram pelo meu rosto, caindo na roupa negra de Draco.

Não quis falar nada naquele momento, aliás, não queria ter de falar em momento algum. A minha vida virou de cabeça para baixo... não conseguia pensar em nada direito. Lembranças invadiam minha mente. Nunca havia imaginado que meu padrinho, Armando Bohrstrueid, era um Comensal da Morte, não conseguia pensar no porque dele querer me causar mal, controlar minha mente.

Eu estava ali, nos braços de meu primo, querendo ficar ali para o resto da minha vida. Mas eu sabia que não podia. Por isso, levantei a cabeça devagar e olhei nos olhos de Draco, como era bom olhar aqueles olhos! Minha vida havia desmoronado como um castelo em ruínas, mas eu sempre podia encontrar um mar calmo olhando por aqueles olhos azuis.

Pensei na minha mãe e no meu pai, e em Santaro e na Cristal, meus queridos irmãos. Eu amava a todos, não queria causar mal a ninguém, não queria ter brigado com ninguém. Mas eu o havia feito, não pude deixar de soltar mais lágrimas silenciosas pelo meu pesar.

– Por que está chorando? — Draco perguntou, com ar preocupado.

– Porque eu estou, pela primeira vez na minha vida, sentindo remorso! Eu não podia ter brigado com Santaro só por causa de seus amigos, cada um escolhe os amigos que quiser, cada um tem escolha própria e eu acabei de fazer a minha.

– Que escolha? Do que você está falando? — dava pra ver, na expressão do rosto do Draco, que ele havia ficado assustado.

– Não se preocupe, na hora certa você vai saber!

Quando dei por mim, eu já estava indo para o Salão Principal almoçar. Não tinha percebido antes como faminta.

Cheguei na frente da mesmíssima porta de madeira talhada em que descobri o que estava acontecendo comigo, mas, desta vez, ela estava aberta. Parei antes de passar por ela, respirei fundo, olhei para Draco, que fez um sinal para me transmitir coragem e entrei. Mais uma vez, eu senti os olhos de todos em mim, mas já não me importei, sentei ao lado de Lola, ela olhou para mim com cara preocupada e eu sorri tentando tranquilizá-la, comecei a almoçar e, depois, me dirigi para a sala onde haveria a primeira aula da tarde. Estava feliz, agora Lola me acompanharia por todo lugar.

Assim que chegamos na sala, percebemos que haveria visitantes em todas as nossas aulas. O mesmo pessoal que estava na aula de Feitiços, estava também ali. E assim começou a aula, com a Lola ao meu lado, Draco no fundo da sala, eu o sentia me observando, Santaro novamente na frente da turma com seus novos amigos e eu me sentindo mais isolada do que nunca, mesmo tendo tantos ao meu redor, pois, naquele momento, eu estava me preocupando com algo que eu não podia ver.

O resto da semana foi assim. Santaro com seus amigos, Draco com um olho nos amigos de Durmstrang e outro olho em mim, Lola sempre do meu lado, a pirralha da Cristal mais chata do que nunca e eu com todas as atenções por onde andava e, mesmo assim, me sentindo só. Parecia que haviam construído muros à minha volta e, assim, fazendo com que eu me sentisse um ser de outro planeta, num lugar estranho e não muito convidativo.

Apesar de tudo, finalmente, o dia tão esperado chegou. O dia da escolha dos campeões Tribruxo. Eu estava começando a ficar nervosa com todos os preparativos. Como não haveria aulas no sábado, tive muito tempo livre e assim sendo, tive muito tempo para ficar nervosa. Não conseguia parar de pensar que, a qualquer momento, eu iria ser controlada de novo ou pior, possuída. Estava com medo, triste e não conseguia parar de tremer. Estes sentimentos e sensações, decididamente, não eram uma boa combinação.

***

A noite veio e, com ela, o crescimento do movimento na escola. Por todos os lugares em que se olhava havia gente desconhecida. Isso me deixou receosa, até mesmo temerosa, se alguma coisa desse errado comigo, ia ser o fim.

De repente, ouvi uma voz conhecida atrás de mim, olhei para trás, sem querer acreditar, então exclamei:

– Mamãe! Que saudade!

Me aproximei dela e dei um abraço apertado, como havia muito tempo eu não dava em alguém.

– Nossa! Tudo isso é saudade? Ou é medo do que aconteceu? Porque, se for isso, eu peço que não se preocupe, nunca deixarei ninguém fazer mal a você! Nunca! — me afastei um pouco e encontrei seus olhos marejados e seu rosto cansado, mas ainda assim, belo, se contorcendo para não sucumbir às lágrimas.

– É um pouco dos dois, mamãe, mas agora que você está aqui e que me prometeu isso, eu estou mais tranquila. Vamos entrar? A cerimônia já vai começar! — eu enfrentaria até um pouco mais de nervosismo pré-seleção dos Campeões, se isso fosse distrair minha mãe de suas preocupações.

Entramos. E eu, a cada passo que dava, pensava: "Merlim, é agora!". Finalmente, um finalmente muito demorado, pareceu a mim, Madame Maxime se levantou, com Minerva McGonagall de um lado e Vitor Krum, agora diretor de Durmstrang, de outro e anunciou que o Cálice de Fogo estava pronto para escolher os candidatos e, assim, iniciou-se a cerimônia. Todos estavam em profundo silêncio. Ninguém nem ousava respirar quando o Cálice revelou o primeiro campeão:

– E a campeã de Hogwarrrts é... Ginevrrra Weasley!

Houve uma erupção de aplausos e no meio do tumulto vislumbrei Potter, dando um beijo em sua namorada, que acabara de ser escolhida como campeã de Hogwarts. Mas assim como o barulho começou, findou. O Cálice de Fogo havia se tornado novamente avermelhado e revelou o segundo campeão:

– O campeão de Durrrmstrrang é... Santarrro Malfoy Black!

Outra salva de palmas e de novo silêncio. Eu estava fazendo figa, rezando, torcendo para que fosse eu a última campeã. No meio do silêncio e da meia luz, viu-se o Cálice mudar de cor novamente e de seu interior irromper um pedaço de pergaminho dobrado e chamuscado. Prendendo a respiração, observei Madame Maxime desdobrar o papel e o ler em voz alta:

– E a campeã de Beauxbatons é... Sophie Malfoy Black!

Com ar de triunfo saltei do banco em que eu estava sentada e me dirigi até Madame Maxime, recebi o pergaminho dela e ela apertou minha mão, eu estava sorrindo radiante para todos que me aplaudiam quando um jato de luz verde, vindo aparentemente do nada, se dirigiu ao meu encontro e, perdendo os sentidos, caí no chão.