Notas iniciais
Olá, seus lindos! Espero que estejam gostando da história, enfim, não se esqueçam de comentar e dar sugestões e favoritar e divulgar, enfim .qq

Cá estava eu. De pé na ala hospitalar, sozinha na frente de um espelho, com outro espelho menor em minha mão direita, analisando a cicatriz em forma de lua crescente que curiosamente se instalara em minha nuca sem pedir licença. Claro, havia sido o feitiço fracassado de Bohrstrueid que a deixara ali, para ser vista por todos que tivessem a mínima chance.

Eu era a mais nova aberração desta escola infeliz.

Primeiro a filha de Sirius Black, o famoso "ex — assassino", que agora era considerado heroi. Depois Campeã Tribruxa. Em terceiro, afilhada de Bohrstrueid. E agora "A Menina Que Sobreviveu".

Apesar de estar enclausurada aqui há 5 dias, eu ouvia os sussurros e murmúrios. Alguns alunos chegaram até a invadir a enfermaria para dar uma espiada em mim, confirmar boatos ou até cumprir apostas. Mas era exatamente aquela a expressão infame que tantos dos estudantes pronunciavam, tanto quando adentravam aqui, sendo rechaçados rapidamente por uma raivosa Srta. Desesperaux, ou quando simplesmente passavam pelos corredores ao redor da ala hospitalar, localizada, convenientemente, no meio exato do castelo.

A Menina Que Sobreviveu. Senti um gosto amargo na boca.

Por mais incrível que possa parecer, o ódio por Potter havia retornado. Não consegui sentir a solidariedade que achei que iria me tomar em favor dele. Não. Depois do breve instante de trégua, quando meu arrependimento por tudo que já causei falou mais alto, o ódio voltou com fome abrasadora. Devorando todos os meus órgãos. Indignava-me estar tão parecida com Potter, logo com ele. Com quase os mesmos problemas.

Mas no meu caso era ligeiramente mais...

Ridículo. Era essa a palavra certa. Eu era a aberração somente por um caso épico de amor não correspondido. Autêntica dor de cotovelo. Bufo e reviro os olhos.

Então olho rapidamente para o espelho novamente. Surpreendo-me com meus pensamentos irônicos e a atitude possivelmente rebelde que virá com eles. Reconheço esse gênio de algum lugar.

Com a mão esquerda passo a mão pelos meus longos cabelos negros, lentamente. Com a direita ergo o espelho menor até ficar diretamente em frente ao meu rosto, apenas para que os olhos fiquem visíveis, mas de modo que eu ainda consiga enxergar o espelho maior à frente.

Cada movimento é lento e deliberado, parece que luto contra o medo de quebrar algum osso se me mexer muito rapidamente.

Olho com atenção para o espelho que reflete meu corpo inteiro. Depois olho para o espelho menor em minha mão. Assim até parece que há alguém mais cuidando de mim. Alguém com olhos que seriam assustadoramente semelhantes aos meus, em seu azul profundo.

Baixo os olhos e com eles as mãos, deixando-as cair ao longo das laterais de meu corpo frouxamente. Suspiro. Fecho os olhos. Franzo a testa em concentração. Fraqueza agora não.

– Toc, toc. Posso entrar? — assusto-me e viro-me em um rompante para a porta da ala hospitalar quando de repente a voz arrastada e levemente rouca irrompe meu momento de concentração, por assim dizer. Senti, antes de ver, o riso em sua voz.

– Achei que já tinha passado dessa fase, Malfoy — sorrio ironicamente, erguendo uma sobrancelha. — Ainda brincando de "toc, toc"?

Agora seu sorriso é ainda mais pronunciado.

– Saiba que isso é muito maduro, Black. É preciso muita audácia, sagacidade e coragem para se arriscar a dizer "toc, toc" em algum momento qualquer.

Sorrio largamente.

– Ah, é? Explique-me, por favor — minha voz estava carregada de ironia mal-disfarçada.

– Bom, é preciso usar da audácia, sagacidade e coragem para falar ou não falar "toc, toc" em um velório, por exemplo — ele tentava falar muito seriamente agora, porém, eu via, tentava esconder um sorriso. — Se você gostar da família do defunto, eu recomendo não falar "toc, toc" quando chegar. Experiência própria — terminado o pequeno discurso, virou-se meio de lado e piscou para mim.

Ri alto, com diversão genuína. Somente Draco poderia me tirar da depressão sombria que até segundos atrás quase me consumia.

– Deixe de ser bobo, Draco — eu ainda ria quando seu rosto ficou mais sério.

Esperei.

– Pronta? — até seu tom de voz era protetor, eu via que não lhe agradava a ideia de me deixar sair dali direto para o covil dos lobos.

– Nunca estarei — falo em um meio sussurro.

Draco ergue uma das sobrancelhas em uma atitude obviamente irônica.

– Não acredito nisso — e agora seus olhos emitiam a malícia explícita em sua voz e em seu sorriso. — Sophie Malfoy Black, a legítima, com medo de enfrentar algumas pessoas?

Meu rosto, sinto, se enche de indignação. Eu. Não. Sou. Medrosa.

– Ótimo, vamos, Draco. Enfrente "algumas pessoas" comigo — frisei maliciosamente o que ele havia dito. — Veremos então se você é um homem ou... — parei de falar, fazendo claramente uma pausa dramática.

– Ou o quê? — perguntou quando viu que eu não iria continuar sem incentivo.

Abri o meu sorriso mais largo e o mais irônico possível.

– Uma doninha — pisquei enquanto passava por ele em direção à saída da ala hospitalar, segurando o riso enquanto observava ele lentamente perceber o que eu havia dito, seu rosto, usualmente tranquilo e até entediado, se contorcia em uma careta de terror e depois relaxava em um sorriso de diversão ao olhar para minha expressão maliciosa.

Eu perco o primo, mas não perco a piada. Sim, ia ser muito divertido ter meu querido Draco ao meu lado.

Notas finais
Espero que gostem! Logo tem mais, mas comeeentem, o que vocês acharam? :3