Notas iniciais
Pessoas lindas acompanhando a fic, obrigaaaada *--------*

Não foi um simples beijo. Não foi só um breve roçar de lábios. Foi "O Beijo". Aquele pelo qual esperei minha vida inteira.

Nunca havia sido beijada. Nunca. Nem uma vez sequer, mas agora me perguntava como pude ficar tanto tempo sem essa sensação. Ainda mais com ela sendo provocada por ELE.

Sem pensar em meus atos, ou planejar qualquer coisa, meus braços automaticamente prenderam-se ao redor de seu pescoço e abracei-o, aproximando-o de mim, tão perto quanto possível sem que nossos corpos se fundissem.

Passei as mãos em seus cabelos enquanto ele passava as suas mãos pelos meus. Ele parecia sofrer de um conflito interno enquanto me beijava, mas não me importei. Eu estava apaixonada e ele estava me beijando.

Sim, eu estava apaixonada, sempre estive. Mas acho que até agora nunca quis admitir a mim mesma. Era errado, ele era meu primo. Família.

Mas, sinceramente, agora, comigo em seus braços, nada mais me importava, eu só queria aproveitar o raro momento de felicidade que eu estava possuindo. Que estava me tomando por completo.

Não pude deixar de suspirar, feliz, enquanto ele ainda me beijava.

Ele ouviu isso, deve ter sentido também, e mesmo com toda a tensão, sorriu por entre nossos lábios selados, claramente satisfeito com o que estava acontecendo.

Sorri também. Sabia que nada no mundo poderia estourar minha bolha de felicidade.

– Sophie Malfoy Black, o que acha que está fazendo?

Droga. Santaro.

Interrompi o beijo o mais delicadamente que pude, com a urgência. Ia tentar ser razoável com meu irmão, antes que ele cometesse alguma loucura. Virei-me para de onde tinha partido sua voz. Congelei no ato.

Potter e sua gangue de mocinhos estavam lá.

Vi que Santaro percebeu as emanações de ódio partindo de mim, mas ignorou-as completamente, tentando ser o mais desprezível que pudesse comigo. Talvez para impressionar Potter, já que até essa manhã, quando foi me visitar na ala hospitalar, ele estava impressionantemente agradável e agindo como o irmão mais velho que sempre conheci. Atencioso, amável e preocupado.

– O que você estava fazendo, Sophie? — perguntou com voz trêmula.

Dessa vez não teria jeito. Meu gênio iria vencer minha batalha interna.

– Beijando Draco, Santaro. Não sabe reconhecer um beijo, não? Talvez precise de uma namorada para descobrir, então — falei delicadamente, mas com ironia jorrando de meus lábios novamente. Ronald Weasley não conteve um riso.

– Ele é seu primo! E um ex-comensal, ele tentou matar Alvo Dumbledore! — sua voz soava cada vez mais irritada. Olhei para o lado dele, onde estava Potter, nos olhos dele dava para ver o ódio, o rancor. Dirigidos estritamente para Draco.

Irritei-me mais ainda.

– E daí? Com quem eu saio ou deixo de sair ainda é problema meu, Santaro. Pouco lhe deve importar quem eu beijo. Os lábios são meus e se eu decidir sair beijando metade da escola, eu o farei — eu estava muito zangada, quem era ele para tentar me dizer o que fazer ou com quem dar uns amassos? Logo ele, o traidor. Mas mesmo assim, tentei amenizar um pouco as coisas. — Eu não quero brigar, principalmente não aqui, não agora. Então podemos conversar mais tarde. C. O. N. V. E. R. S. A. R. Você não tem o direito de acabar com minha felicidade.

Ele abriu a boca para retorquir, mas fechou-a. Somente encarou Draco com ferocidade e saiu andando com o seu novo séquito atrás dele.

Suspirei aliviada por ter contido a briga. Pelo menos por enquanto.

Virei-me, então, sorrindo para Draco, mais do que disposta a continuarmos de onde havíamos parado. Mas seu olhar congelou meu sorriso.

Era um olhar confuso, perdido. Vazio.

– Ele tem razão — falou, com voz rouca.

– O quê? — fiquei desesperada. Isso não podia estar acontecendo, não logo agora que eu finalmente descobrira o que eu sentia por ele.

– Eu tenho que ir — falou evasivamente, sem olhar para mim. Virou-se de costas. — Isso foi um erro. Um grande erro. Desculpe-me. — e então saiu correndo, entrando no castelo, sem nem olhar para trás.

E eu? Bom, eu fiquei ali. Parada no lugar onde minha bolha de felicidade havia estourado. Deixando algumas poucas lágrimas fazerem sua trilha pelo meu rosto e então caindo ao encontro do chão, antes de secar as que restaram, estufar o peito e entrar dentro do castelo, como se meu coração não houvesse se partido.

Notas finais
Heey, o que acharam? :3