5 Sophia.

Acordei ouvindo uma batida na porta, quando levanto vejo que estou no meu quarto. Não faço a menor idéia de com cheguei aqui, tentei lembrar, mas não veio nada na minha mente, eu não vim caminhando para casa e desmaiei na minha cama, nem me lembro do meu pai ou minha mãe indo me buscar na escola.

—Pode entrar.

Meu pai, Carlos, entra devagar no meu quarto. Que horas eram para ele já estar em casa?

—Oi pequena.

—Oi pai. O que aconteceu?

—Você devia estar muito cansada, sua mãe me ligou dizendo para ir te buscar na escola, pois a Vera tinha deixado uma mensagem no celular dela, e disse que você estava sozinha, chamei seu nome várias vezes, então peguei a chave reserva que ficava embaixo do vaso das tulipas e entrei. Te encontrei jogada no sofá com a Lulu no colo, estava dormindo, te chamei mas você não acordava, peguei você no colo e te trouxe para casa. Como não acordou?

Estranho, eu deveria estar tão cansada, não acordei com meu pai me pegando no colo e me colando no carro mas despertei com uma simples batida na minha porta.

—A Vera me pediu para ir lá porque ela tinha uma coisa para me dizer.

—E o que era?

—Eu não ia participar do festival esse ano porque não tenho mais aulas com ela, mas acho que o pessoal de lá gostou de mim, afinal me apresento naquele teatro a anos e então abriram uma exceção e eu vou poder me apresentar!

Meu pai ainda me olhava com um ar de preocupação, ele me conhecia bem de mais para perceber que não tinha uma coisa certa ali.

—O que aconteceu Sophi?

—Nada pai!

—Achei que contássemos tudo um para o outro, não precisa esconder as coisas de mim, sabe disso.

—Eu sei.

—Não está tudo bem. Me fala o que aconteceu?

Mordi a boca pensativa, eu queria contar pro meu pai, mas estava com medo. Respirei fundo e segui em frente.

—Foi o Fernando.

—O que ele fez? Continua ligando pra cá?

—Quem dera fosse apenas isso!

—O que quer dizer?

—Hoje na escola, eu estava indo embora, caminhando pelo corredor, ele me puxou e me levou para uma das salas do ensino fundamental l, e ele...

—O que ele fez com você?

—Ele estava louco! Disse que não iria me perder para o Pedro, falou que eu era dele e isso era para sempre. Ele me prendeu contra a parede e suas mãos estavam em todos os lugares! E ele começou a beijar o meu pescoço.... Então Pedro apareceu, e eles começaram a brigar, Fernando foi embora, mas deixou claro que iria acabar com Pedro.

—Sophia! Está me dizendo que aquele menino....

—Eu não sei até onde ele iria chegar pai, eu só sei que se não fosse pelo Pedro tudo seria bem pior.

—Aquele garoto não pisa mais nessa casa. Eu também vou lá na escola, eles vão ter que expulsa-lo!

—Mas não vamos conseguir expulsa-lo da rua! Eu vou ser obrigada a olhar para ele todos os dias.

—Carlos! Tem alguém aqui querendo falar com você!

—Já vou querida! Isso ainda não acabou Sophi. Eu prometo que aquele garoto vai pagar! Mais alguma coisa para me contar?

—Pedro e eu estamos namorando, estamos juntos e muito felizes.

—Você gosta muito dele não é?

—Muito mesmo...

—Ele te faz feliz?

—Muito.

—Isso já é o suficiente para mim. Traga ele aqui para o conhecermos. Eu te amo.

—Eu também te amo grandão.

Assim que meu pai desceu as escadas, ouvi uma voz, eu reconheceria ela em qualquer lugar. O que ele estava fazendo em minha casa? Como se atrevia a vir aqui? Fiquei com medo do que meu pai poderia fazer quando o visse.

Abri a porta do meu quarto e caminhei até o começo da escada sem fazer barulho, sentei no degrau e observei pelo vão. Vi Fernando segurando flores, rosas vermelhas, iguais a que Pedro tinha me dado mais cedo. Ouvi uma voz de mulher e soube que Fernando não estava sozinho, sua mãe estava lá também.

—Acho que a essa altura vocês já sabem o que meu filho fez. Ele me contou...e eu estou muito envergonhada.

—Do que está falando?

Minha mãe, que não sabia de nada, perguntou, ela olhou para o meu pai esperando a mesma reação da parte dele, mas tudo o que ele disse foi:

—Você quer que eu conte Fernando? Ou vai contar você mesmo?

—Senhora.....

Então ele contou tudo o que tinha acontecido, todos os detalhes, sem distorcer a história, sem omitir os fatos, contou tudo como realmente aconteceu, a cada palavra minha mãe ficava cada vez mais chocada.

—E o que você veio fazer aqui? — ela perguntou depois que ele terminou, seu rosto ficando ligeiramente vermelho.

—Vim pedir perdão, para Sophi e para vocês. Eu realmente sinto muito, eu perdi a cabeça, é que só de pensar que eu posso perder a Sophi para outro cara me deixa louco!

—Minha filha não é um prêmio. Você não acha que a machucou demais não?

—Senhor me perdoe, eu não queria fazer aquilo, eu juro, depois que eu sai daquela sala é que eu tinha percebido o que eu tinha feito.

—Ana, Carlos. Por favor. Perdoem o meu filho, eu já conversei com ele, e ele me prometeu que ficaria longe de Sophi, que deixaria ela viver em paz, meu filho só não quer deixar uma má impressão sobre seu caráter.

—E o que ele quer que a gente pense?

—Regina somos amigas a muito tempo, eu praticamente vi o Fernando crescer, e você viu como eu fiquei feliz quando ele e minha filha começaram a namorar, mas ele me decepcionou muito. Perdoamos ele, mas eu não posso falar a mesma coisa por Sophi, porque eu não sei a opinião dela sobre isso.

—Posso ir falar com ela?

—Eu acho que não é uma boa idéia Fernando, agora é capaz que ela te jogue pela janela — isso seria verdade. — mas falamos para ela que esteve aqui e que pediu perdão, que veio com sua mãe.

—Posso pedir mais um favor Senhor? Entregue essas flores para Sophi, acho que ainda são as preferidas dela.

—Sim, são. Eu entrego para ela. Zeramos ok? Mas se eu souber que você se aproximou de minha filha de novo nunca mais vou te perdoar. Entendeu?

—Completamente.

—Obrigada. Me desculpem.

—Você não precisa se desculpar por nada Regina, foi o seu filho que errou. — Minha mãe, direta e sincera como sempre. -A gente se vê depois.

Eles foram embora, subo as escadas correndo, minha cabeça a mil, ela não para de girar. Agora está em minhas mãos. Eu o desculpo ou não? Eu poderia perdoá-lo com a condição dele nunca mais se aproximar de mim ou de Pedro.

Vou dormir com essa duvida. No outro dia, vou a casa de Pedro e conheço sua mãe. Já descobri de quem ele puxou aqueles olhos azuis incríveis. A casa dele não era grande, mas era tão aconchegante que te faz querer ficar ali para sempre, com tantos livros e fotografias, de tantos lugares incríveis.

—Pedro me falou tanto de você Sophi!

—Ele também me falou muito de você! A senhora é tão bonita.

—Que isso! Sente-se. Pedro por que não vai comprar alguma coisa para comermos? Eu e Sophi temos muito o que conversar.

—Mãe...

—Eu juro que não vou te envergonhar filho, só vou mostrar aquela sua foto de quando você era pequeno e está no chuveiro. -Ela se voltou para mim — Ele tinha o bumbum mais bonito.

—Jura? — dei uma gargalhada adorando aquela mulher. — Eu mal posso esperar para ver!

—Vocês duas são muito engraçadinhas. Hahaha. Nossa estou morrendo de rir.

—Ainda não foi Pedro! Pelo amor de Deus!

—Já estou indo. Divirtam-se!

Assim que ele saiu começamos a conversar. A mãe de Pedro era tão inteligente e engraçada, eu a admirava por fazer o papel de pai e mãe na vida do filho. Ela me contou que o pai de Pedro gostava muito de viajar e teve um dia que ele simplesmente se foi, sumiu, gastava todo o seu dinheiro em bebidas. Resumindo: o cara se mandou. A mais de quatro anos é ela que sustenta a casa e o filho.

Depois disso foi a vez de Pedro conhecer meus pais, fiquei tão nervosa no dia, sabia que Pedro era ótimo e que meus pais iriam adorá-lo.

—Não chame meu pai de sogrão. Ele não gosta disso.

—Entendi. Mais alguma coisa?

—Seja você mesmo, vai dar tudo certo.

—Por que parece que você está tentando se convencer disso ao invés de me convencer?

—Pedro por favor! Eu estou nervosa!

—Minha mãe te adorou. Isso te deixa menos nervosa?

—Me deixa aliviada.

—Vai dar tudo certo Sophi.

—Tudo bem.

Tomei coragem e abri a porta de entrada da minha casa, meu pai estava sentado no sofá assistindo jornal, minha mãe estava lendo, nada de estranho nisso, não tinha nada formal, vi como estava sendo ridícula em ficar nervosa.

—Mãe? Pai? Esse é o Pedro.

—É um prazer conhecer os senhores.

—Por favor! Sem formalidade Pedro! Pode me chamar de você! — minha mãe se levantou e o cumprimentou com um beijo no rosto — Como você está?

—Estou bem e a senh...você?

—Estou bem. Esse é o meu marido Carlos. Também conhecido como pai da Sophi.

—Como vai Pedro?

—Muito bem.

—Antes de tudo quero lhe agradecer, por ter ajudado Sophi alguns dias atrás com o Fernando.

—Não tem que me agradecer.

Então foi isso, nenhum bicho de sete cabeças, depois daquele momento passamos a noite comendo pizza e jogando banco imobiliário. Meus pais amaram Pedro, acharam ele um rapaz confiável e responsável e estava me fazendo feliz e era isso que importava.

E assim os dias foram passando, jogos, sorvete, cinema, ligações na madrugada, beijos, almoços, aulas. Até que o dia da festa chegou, estava tão nervosa. Passei o dia todo me arrumando, experimentando meu guarda-roupa inteiro, até que decidi usar um vestido rosa rendado e sapatos de salto pretos, o vestido era bonito, com comprimento até o joelhos e uma abertura nas costas.

Ouvi a campainha e desci as escadas correndo, era Pedro. Meus pais vieram para sala para verem a cena. Abri a porta e quase perdi o ar. Ele estava lindo! Com uma camisa azul escuro que contrastava com sua pele pálida, calça preta e botas estilo militar pretas, seu cabelo estava penteado em um perfeito topete. Irresistível.

—Você está linda Sophi!

—Eu? Já se olhou no espelho? Você está lindo!



—Vocês formam um casal lindo. — disse minha mãe — Vão, se não vão chegar atrasados.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.