Sonolência
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Estava um dia bastante quente, apesar de terem saído há pouco de uma tempestade terrível. Mas ninguém estranhou, já que o clima naquele mar era bastante instável, nunca sabiam se preparar para tal agitação repentina. Se não fosse por Nami, certamente estariam perdidos — ou até mesmo mortos.
As coisas no Sunny eram como de costume. Luffy gritava asneiras para lá e para cá, sendo seguido por Usopp e Chopper. Nami alternava entre ficar de olho no log pose ou reclamar com o trio barulhento, enquanto Robin lia um livro. Sanji, Brook e Franky não se encontravam no convés; os dois primeiros provavelmente estavam na cozinha, e o carpinteiro lá embaixo, cuidando do navio.
E tinha Zoro também.
Ele ainda estava ferido devido a sua última luta, tão exaustiva a ponto de cair no sono. Entretanto, aquilo já se tornara estranho. Seus machucados nem ao menos se comparavam aos de Thriller Bark, e nada mais explicava tal sono repentino. Algumas pessoas — Nami — já desconfiavam, porque Chopper confirmara com convicção que o estado do combatente não era tão grave.
Não deixava de ser curioso. Zoro, nos últimos dias, passava mais tempo dormindo. Talvez estivesse se deitando mais cansado do que nunca por uma razão.
Eis a questão: qual?
No momento o espadachim descansava escorado no mastro, o início da tarde marcado pelo sol alto. Luffy não tardou a começar a reclamar do calor, e logo alguém teve que dar um jeito nele.
Só não repararam quando Robin levantou, o livro fechado em mãos, caminhando em direção ao adormecido. Posicionou-se ao lado dele, sentada, e voltou a entreter-se.
Uma brisa suave arrastou os cabelos negros, porém não deveriam ficar muito esperançosos, pois era um vento abafado e nem um pouco refrescante. Não era à toa que todos optaram por vestir roupas mais leves e frescas. A arqueóloga, por exemplo, vestia uma blusa azul simples e uma saia rosa com estampa floral.
— Se gosta tanto de ler, porque faz isso ao meu lado? — a voz rouca típica de um recém-acordado perguntou um pouco rabugenta.
— Sabe, Kenshi-san — enfatizou o velho apelido, fazendo-o franzir as sobrancelhas —, a leitura é incrível. Pode abrir portas para a educação. Mas não adianta muita coisa — Pôs o livro no seu próprio colo, desviando o olhar para o rosto sonolento de Zoro — caso o leitor só absorva a informação. É preciso pôr em prática o que se aprendeu.
— Tsc.
Zoro passou alguns segundos pensando nas palavras da companheira, pensando qual o real significado daquilo. Tinha certeza de que ela estava insinuando alguma coisa. Teoria e prática.
— Pode não parecer, mas você é um pouco problemática. — Bocejou se espreguiçando. Sua mãos foram instantaneamente para suas espadas e depois relaxaram em seu colo. — Também não pode se praticar aquilo de que não se tem conhecimento.
Robin riu docemente, empurrando seu livro para ele.
— Tente.
— Não gosto dessas coisas — respondeu pronto para se levantar. Mas o olhar azul penetrante dela o impediu. A figura feminina irradiava controle, e isso era deveras irritante.
— Então continue dormindo, e um dia a informação não absorvida vai escapar. — Apesar das palavras, seu tom não foi rude, tampouco ameaçador. Singelo, doce e calmo, como a dona da voz.
Robin era o tipo que o enlouquecia.
Sem hesitar, Zoro fincou os dedos na capa dura, mal se detendo a ler o título em dourado. Sentiu o cheiro do objeto misturado ao da mulher, e se sentiu brevemente enjoado.
Não quis vê-la se afastar até Nami, e se contentou em folhear rapidamente. Leu algumas frases, algumas palavras soltas. E, enfim, o título.
Riu passando os dedos pela elevação na capa. Entendeu o motivo de Robin entregar-lhe justamente tal livro, talvez ela quisesse que ele entendesse. E Zoro não era burro. Ele poderia captar a mensagem rapidamente.
Abriu na primeira página, deixando para trás qualquer resquício de sono, antes acompanhando-o.
Seria uma tarde interessante.
§
No fim, Zoro adormecera novamente, com a página 20 à mostra. Não alcançara sequer a metade e estava cochilando.
O clima, pendendo mais para o frio costumeiro do final de tarde, aliviou os tripulantes que suavam aos montes algumas horas antes. Depois de um banho relaxante, Nami e Robin discutiam assuntos triviais ao mesmo tempo que eram mimadas por Sanji. Tsc, aquele cozinheiro imprudente e bajulador.
Zoro abriu seu único olho e o esfregou até sua visão ficar 100% nítida. Se levantou dolorido, a causa poderia ser o tempo passado encostado ao mastro do navio.
Segurou o livro com firmeza, passando pelas duas mulheres do bando e, surpreendentemente, ignorando a nada sutil provocação do cozinheiro. Foi diretamente ao banheiro, sua única certeza no momento se resumia a um banho demorado — embora tais regalias não combinassem consigo.
De fato, não demorou-se tanto e logo estava retribuindo a provocação a Sanji da sua maneira esquentada de sempre, pelo menos em relação a quem considerava seu rival.
Brook não tardou a começar a tocar uma das suas inéditas canções que rendeu danças, aplausos e sorrisos. Os mugiwaras sempre animados, especialmente quando se tratava de comemorações sem motivo aparente.
Anoiteceu e todos rindo, bebendo, divertindo-se. Zoro se agarrava ao seu precioso saquê, vez ou outra dividindo com Robin enquanto ofendia verbalmente Sanji. Luffy ria com piadas inoportunas e entediantes que Brook soltava às vezes, de forma repentina. A navegadora também bebia, com um sorriso tão característico de embriaguez estampado em sua cara. Bem que haviam estranhado o fato dela estar mais gentil. As pessoas mudavam mesmo quando bêbadas.
Pouco tempo depois, a maioria deles já estava jogados pelo convés num sono profundo, até mesmo Chopper. Os que não durmiam, como Zoro, olhavam para o céu. Nami ainda assim estava assustadora: murmurando coisas estranhas, mesmo adormecida.
O espadachim olhou para o lado e viu Nico Robin não muito distante dele, e soltou um curto e breve sorriso. Lidar com aquela mulher era sinônimo de cautela. Nunca sabiam o que esperar dela.
Pelo menos foi assim no começo. Logo Robin tornou-se alguém digna da confiança de todos.
— Aconteceu algo? — ela perguntou o olhando diretamente.
— Não. — Zoro crispou os lábios. Bebeu tanto que estava um pouco deslocado. Porém a mulher parecia estar completamente sóbria.
Sem ele perceber, a morena ficou mais próxima.
— Então porque parece estar guardando algo importante para si?
— Isso é irritante. — O Ronronoa bufou. — Digo, você. Fala como se soubesse tudo sobre mim.
— Talvez eu saiba. — Riu fracamente. — Quando está sóbrio você fala que gosta disso em mim.
— Gosto. — soou como uma dúvida interna, sua voz quase fraquejou. — Talvez eu goste.
Permaneceram num silêncio cômodo e isso pareceu bastante bom para o espadachim, permitindo-se fechar os olhos e relaxar por um tempo.
Depois, virou-se e deitou de lado, de modo que ficou de frente para ela. Os olhares se encontraram, e palavras pesadas saíram:
— Acho melhor pararmos.
— Com o quê? — Posicionou uma mecha dos seus cabelos atrás da orelha.
— Você sabe.
— Eu sei? — perguntou divertida, passando o dorso da mão levemente pelo olho com a cicatriz. O toque repentino fez Zoro estremecer.
— Você sabe muito bem, mulher. — Segurou firmemente a mão intrusa, usando-a para puxar ela com um pouco de delicadeza, assim selando seus lábios.
O choque prazeroso dos dois corpos se encontrando o fez acelerar o ato, chegando ao ápice de selvageria e voracidade, passando a mão por trás e massageando-a sob vários fios negros. A arqueóloga arfou, cuidadosa para não despertar ninguém, encaixando perfeitamente os lábios cálidos nos alheios.
Uma pausa.
— Tem razão, eu sei — sussurrou provocativa em seu ouvido, logo se dedicando a beijá-lo da extensão da orelha à curva do pescoço, tendo a precaução de não deixar marcas.
Zoro permaneceu imóvel e rígido, até que ela sentou sobre si, de joelhos e o posicionando entre suas pernas torneadas e tão desejáveis quanto o resto de seu corpo.
Nico Robin era fascinante.
— Você cheira a saquê — comentou, achando um pouco engraçado.
— Isso não importa. — Ele contornou a cintura da mulher com os dedos, sentindo a textura do seu corpo, mesmo sob a fina camada de tecido da blusa.
— Gostou do livro?
— Achei interessante.
Beijaram-se novamente, cada vez mais aumentando a temperatura corporal de ambos, envolvidos por uma vontade insana.
Nico Robin era o furacão. Ronronoa Zoro fora pego por ela.
E o título do livro ecoava na mente do espadachim.
Sonolência. Repentina, atacou ele. Sonolência. Suas noites se tornaram tão longas quanto o dia. Sonolência. Aquela mulher estava pondo em prática o que aprenderam um com o outro.
Amor? Quem sabe. Estariam eles prontos para amar?
De qualquer forma, não era como se fossem descobrir de um dia para o outro, tão fácil assim. Relacionamentos, para que fossem construídos, requeriam conhecimento. Isso implicava informação. Teriam que saber para praticar. Uma mensagem subliminar que Zoro descobriu.
Talvez, tudo o que Nico Robin quisesse dizer se resumia ao fato de que poderiam se apaixonar. Se fosse uma pergunta, ele já tinha sua resposta.
Levantaram silenciosamente, Robin envolvendo-o com as pernas enquanto beijavam-se a caminho do ninho do corvo. Lá teriam a tão conhecida privacidade, conscientizada com as marcas deixadas no corpo feminino e o arrancar da blusa azul com suas alças já caídas. Chupões, gemidos, adrenalina era o que exalavam. O ambiente estava contaminado pela paixão.
— Vou me lembrar disso — Zoro afirmou.
— Sei que vai.
Os seios robustos já expostos prendiam a atenção do espadachim, enquanto os poderes da Hana Hana no mi se detinham em despi-lo, a fim de estarem quites.
Essa era a história de Zoro e Robin. Não precisava investigar a fundo para descobrir o que compartilhavam. Um sentimento desconhecido, porém mútuo. E causador de toda aquela sonolência adquirida pelo combatente do navio. A sensação era boa, embora ele nunca fosse admitir. A morena desencadeava uma porção de coisas, extasiando-o.
Ele preenchia ela. Estavam nus, de corpo e de alma. Não era a primeira nem a última vez que fariam sexo, mas a cada ocasião algo mudava dentro dos dois. Se descobriram e redescobriram mais vezes do que gostariam, mais do que esperavam.
E cada dia era o final de um recomeço. Como num ciclo, só tendia a continuar, continuar e continuar… Infinitamente.
O suor, os sorrisos contentes, a corrente elétrica os unindo. Incomparável a qualquer outra coisa.
Era uma ótima forma de passar as noites de vigília. Um bom motivo para só pegar no sono quando o cheiro dela estivesse longe. Equiparava-se a uma aventura, um relacionamento secreto e desconhecido que compartilhavam com igual intensidade.
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