Sono Triste
1 Sono Triste
Eu não vou fazer nenhuma estupidez.
Eu quero viver.
E por assim dizer,
sofrer,
amar,
odiar
e sofrer mais um dia.
Eu poderia dormir sem culpa debaixo de lençóis que nada sabem,
pondo meu coração em uma balança para ser dividido
e apenas meus olhos seguiriam as costas
daqueles feirantes que iriam vendê-lo.
Os conheço de nome.
O vento cortante não atingiria meu rosto
pois há muito eu o teria perdido
dentre os espelhos que o retalharam
- emprestados de tão bons conhecidos -,
dentre os defeitos que o encontraram
- ás voltas de traços queridos -,
dentre os olhos que o julgaram
- após a neblina ter ido -,
entre minhas lágrimas que o sugaram
e o levaram ao leito esquecido.
Sim, eu poderia.
Na verdade, ainda posso,
pois aquela estupidez ainda me persegue
clamando para ser feita,
desnuda de incertezas,
apaixonada por minha hesitação,
aterrorizadora por menções.
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