Sono Te Hanasanaide
45 Especial - Entrevista
Notas iniciais
As luzes apagadas no estúdio. Começa uma musiquinha repetitiva e brega, que vai aumentando de volume no mesmo ritmo em que as luzes se acendem. No centro do palco agora iluminado, um balcão de entrevistas, com uma caneca de café em forma de gatinho, ao lado de um confortável e longo sofá branco com almofadas pretas. Ao fundo, um cenário grande de luzes da cidade à noite.
Do outro lado do balcão, em uma enorme e confortável poltrona negra, uma garota. Ela não precisa ser descrita, e sua expressão é a de alguém que passou por muita privação de sono. Ela não larga por nada sua xícara de café. Todos a conhecem como A Autora.
— Muito bem, povo que lê essa fanfic! Eu não sei bem como começar isso daqui, foi tudo ideia da minha editora, vejam bem… — Ela toma um gole de café, parecendo pouco a vontade diante das câmeras, e balança a mão com descaso. Repentinamente congela, recebendo informações pelo ponto que tem no seu ouvido, e dá um sorriso amarelo — Ah, não era pra falar isso? Desculpa. Parecer mais animada? Ok… — Ela bate na mesa, e dá um enorme sorriso — SEJAM BEM VINDOS, leitores queridos e amados, à Primeiríssima, quiçá única, edição da… qual o nome desse quadro mesmo? Hm? Não tem nome? Da… Super Entrevista com o Elenco da Fanfic Sono Te Hanasanaide! Isso mesmo! Você enviou sua pergunta, esperou ansiosamente, e agora, ela será respondida, ao vivo, pelo seu personagem favorito!
A plateia vai ao delírio, a música sobe. Depois que todos se acalmam, ela prossegue.
— Isso mesmo, isso mesmo! Vamos então começar chamando aqui, os nossos queridos Personagens! Eles, que depois de muitos percalços, encontros e desencontros, mal-entendidos e um tantinho de enrolação, finalmente conseguiram encontrar o amor puro e verdadeiro nos braços um do outro! Gente, eu fico até emocionada! Venham ao palco, YURI E WOLF!
A música tema do casal começa a tocar. Mais uma vez, a plateia surta como se não houvesse amanhã. As garotas gritam o nome de Wolfram sem parar. Algumas desmaiam.
Yuri acena para a plateia animada e cordialmente, sorrindo muito, mas Wolfram vai direto para o sofá, e fica encarando a autora com seus olhos verdes afiados. Quando enfim todos param de fazer barulho, a Autora sorri e começa a se pronunciar.
— Finalmente, estamos aqui...
— Então é você a culpada, não é?
— Oi?
Wolfram a encara tão mortalmente que ela chega a estremecer.
— Por sua causa, eu tive que aguentar 25 capítulos de espera! Vinte e cinco capítulos! Você enrolou até onde pôde! E como se não bastasse isso, quando esse palerma aqui se deu conta do que sentia, e nós pudemos ficar juntos, você ainda cria mais empecilhos, um atrás do outro! Será que eu não posso ter um minuto de paz?
— Não, Wolf! Não briga com ela! — Yuri segurou o loiro pela cintura (o que arrancou mais reações do público), temendo que qualquer atitude impensada do namorado pudesse ocasionar consequências graves para eles depois.
— O que é isso, Wolf-chan? — A Autora parecia ultrajada — Eu não faço isso por maldade ou porque eu quero! Faz parte da minha tarefa de contar a história de vocês. Uma história sem emoção é muito chata! E um romance assim não vai para frente. — Respondeu rapidamente, movendo a xícara na mão enquanto falava. — Olha só, eu tenho dados estatísticos e gráficos, dizendo que as pessoas adooooram ver você sofrendo.
— O que? — Ele se indignou.
— Não, espera… eles adoram ver você sofrer sendo torturado pelo Yuri-kun… Implorando por alívio, o rosto corado...
— Chega, chega disso! Eu não vou ficar aqui e participar dessa ideia estapafúrdia! — Wolfram se ergueu, com raiva e constrangido, mas Yuri mais uma vez, o segurou pela mão.
— Espera, Wolf… vai ser divertido. Fica, vai… — Ele pediu, sinceramente. Wolfram vacilou, sem querer admitir que era difícil demais negar um pedido feito por ele, ainda mais com aquela cara.
— B-bem, eu não tenho carona pra ir pra casa mesmo… Então vou ter que ficar. Mas eu já digo que não vou permitir que você comece a falar indecências aqui na frente de todo mundo, está ouvindo bem? — Ele apontou para a Autora, que estava discretamente tomando notas em um bloquinho no canto da mesa enquanto os observava.
— Ahn? Ah, claro, sim, o que você quiser — Ela riu, ajeitando o cabelo.
— Francamente, não acredito que eu, Wolfram von Bielefeld, vou me sujeitar a isso. — Ele senta ruidosamente, cruzando os braços e as pernas. Yuri parece bem satisfeito por isso — Quem sabe que tipo de besteiras você não andou inventando dessa vez? Deve me odiar demais mesmo, pra fazer isso comigo o tempo todo...
— Claro que não, bobinho! Eu faço isso por que eu te amo~ — Ela cantarola, cutucando a ponta do nariz do garoto, que se remexeu, visivelmente incomodado com a familiaridade dispensada. — Eu e todas as pessoas que mandaram perguntas para vocês! E elas estão ansiosas esperando por respostas, vamos começar logo!
— Hehe, não é legal? Tem pessoas querendo saber mais sobre nós, Wolf! — Yuri passava a mão pelo seu braço, animado — Elas devem adorar você, e tudo mais! Será que eu também tenho fãs?
— Para o seu próprio bem, é melhor que não tenha! Já basta aquela Mariko biscate que essa louca aqui criou para infernizar a minha vida… Mas vamos lá! — ele revira os olhos, cansado — Manda logo a pergunta, quanto antes isso acabar, melhor.
— Quanta hostilidade! Pensei que você tinha ficado mais mansinho depois que começou a namorar o Yuri-kun! — Ela ralhou, mas logo voltou a se concentrar no que importava, ou seja, as entrevista — Ok, vamos continuar… como é que eu faço isso mesmo? Ah, eu nunca fiz entrevistas antes, não sei nem por onde começar! Acho que tá ficando uma merda…
— Concordo — Wolf bufa.
— Não seja mau, Wolf! Você me prometeu ali atrás que não ia ser mal-educado com a Autora-chan! — Yuri o repreende, sem graça — Você disse que ia responder todas as perguntas que ela fizesse!
— E-eu só disse isso por que você estava… — Wolf cora furiosamente e desvia o olhar — E-estava… fazendo aquelas coisas...
— OH MY GOD! — um grito cortou o ar e a próxima coisa que Wolfram sabia era que estava sendo encarado com muita intensidade pela Autora, que praticamente pulara por sobre o balcão para cima dele — O que o Yuri fez? Por que eu não estava vendo? OMG, vocês fizeram o quê naqueles camarins?? Eu disse, cara! Eu disse que devia ter colocado câmeras naquele lugar! — Agora ela parecia estar gritando com a pessoa que falava com ela no ponto — Você não me ouviu, viu? Deu nisso! Eu podia ter usado como referência! Ai, Yuri! O que você fez, o que você fez?
— O quê? Sua maluca! Do que você está falando?
— Ah, hehehehe — Yuri passou a mão nos cabelos, com o ego inflado, enquanto Wolfram olhava, indignado, do namorado para a garota ao seu lado, sem saber quem xingar primeiro. — Eu só estava…
— Você não vai falar, não é, seu fracote? — Wolfram berrou, interrompendo-o antes que ele dissesse alguma coisa comprometedora a ela.
— Melhor começar logo essas entrevistas, não? — Yuri falou rapidamente, embora estivesse doido para se gabar das coisas que era capaz de fazer com Wolf, mas não queria deixá-lo com mais raiva ainda.
— Aah eu preciso de mais café… — A autora olhou para sua xícara vazia, desolada. Ergueu-a no ar, balançando — Eu preciso de mais café, Sebastian!
Uma figura vestida de fraque com uma bandeja adentrou o recinto, e o público entrou em delírio. Foi até a Autora, em silêncio, servindo-a de mais café fumegante.
— Esse daí não é Sebastian nenhum, é o Ben… — Yuri murmurou, confuso.
De fato, aquele era apenas Benjamin metido em uma roupa de mordomo, com os cabelos ruivos bem penteados para o lado, embora uma parte da franja insistisse em cair na testa, e com um sorriso calmo no rosto, servia como se tivesse passado a vida toda fazendo somente isso.
— Não liberaram dinheiro pra eu contratar extras de outros animes, e uma garota tem que se virar pra ser bem servida. — Ela afirmou categoricamente, provando a maravilhosa xícara de café — Ainda bem que eu tenho meu Ben-chan, não é? — ela deu tapinhas de leve no rosto do garoto, que era tão alto que tinha que se curvar para que ela o alcançasse. — Ah, eu amo esse menino, olha só como é fofo! Eu que fiz! — ela sorria como uma mãe orgulhosa.
— Obrigado… eu acho — Ben parecia um tanto desconfortável com aquela atenção toda, mas não tinha escapatória, então apenas sorria sem graça.
— Certo, certo, vamos prosseguir que nós temos limite de tempo aqui! O que eu faço agora? — Ela indaga, e recebe a resposta pelo ponto — Ah é, claro, chamar o resto do povo… Entãaaao,vamos receber aqui aquela que deveria ser apenas mais uma personagem de apoio, e inesperadamente, ganhou o carinho do público! A fujoshi mais amada desta fanfic, nossa querida Miya-chan!
Miyako chega muito feliz, embora embaraçada pelos elogios e pelos holofotes e sorriu para Benjamin quando o viu ali ao lado da Autora. Ela havia surtado muito quando viu ele com aquela roupa mais cedo, mas agora, porque estava na frente das câmeras, estava mais calma. Sentou-se no sofá longo, ao lado de Yuri.
— O-oi… — Ela murmura, sem saber mais o que podia dizer. A Autora sorriu abertamente.
— Ah, Miya-chan, eu também tenho muito orgulho de você sabe?? Você é tãaao fofa! — Ela entoou, emocionada, quase arrependida por sempre fazer sua amada personagem sofrer tanto no decorrer da série — Gostou do que eu fiz pra você? — Ela aponta para Ben como quem anuncia um novo produto, piscando um dos olhos (desajeitadamente, por que não sabe piscar um olho só direito), e Miya cora furiosamente.
— G-gostei muito… obrigada… — Ela sussurra, quase entrando em combustão, escondendo o rosto. Ambos, a autora e Benjamin, fazem um coro de “awwnnn”s emocionados com a reação adorável da garota.
— Sabe — A autora continua, ignorando por completo o fato de que deveria seguir um roteiro pré-estabelecido pela sua editora, e continua a falar sem pensar — Quando eu criei o Ben, ele iria ser um vilão… Então não existiria nada de Benako, hehehe… mas eu gostei tanto dele, e ele combinou tanto com a Miya, eu não pude desperdiçar essa história. Sem falar que a minha editora começou a shippar os dois… Aí já viu nee… Aliás, essa minha editora…
Até mesmo os convidados ouviram o berro que a pessoa do outro lado do fonezinho deu, dizendo para a autora parar de enrolar e falar besteira, e fazer logo o que tinha que fazer de uma vez.
— Ok, ok, eu vou parar com isso! Mas eu só ia contar umas historinhas engraçadas sobre… ai, tá bom, parei, pareei! — Ela suspirou, derrotada — Vamos então chamar mais alguns convidados…. Que as pessoas não gostam taaaanto assim, mas eles fazem parte da história, e precisam estar aqui. Os irmãos Matsumoto, Masaki e Mariko!
— Irmãos?
— Ssh, quieto Yuri.
Mariko entrou acenando pra plateia, que mal reagia a sua presença. Masaki parecia estar ali por ser obrigado, e não parecia nada feliz. Ela tentou sentar entre Yuri e Wolfram, mas não tinha lugar (porque Wolfram agarrou-se ao braço de Yuri na hora, colocando-o tão perto de si quanto podia), então ela acabou tendo que sentar do lado do irmão, que já estava acomodado do outro lado de Miyako. Benjamin não parecia muito contente com isso, e o encarava seriamente, mesmo que ele não parecesse dar a mínima pra garota.
— Não tenho muito o que falar sobre esses dois… — Ela desviou o olhar para o outro lado, decidida a não encarar ninguém agora. Havia criado aqueles dois, e consequentemente todas as maldades que eles faziam, então não podia justificar-se agora.
— Pois eu acho que você cometeu um erro terrível! — Claro que Mariko não iria aguentar ficar calada, e já começou a gritar, indignada. — É tão evidente que EU deveria ser a personagem principal dessa história! Eu sou popular, as pessoas me amam, eu sou bonita, e interessante! Seria uma bela história de triângulo amoroso onde dois amigos disputam o amor de uma jovem donzela…
— Chega, Mariko, se você me irritar demais, eu corto você da história de vez, tá me ouvindo? Eu to prestes a fazer isso, inclusive, bastam umas poucas frases…
Com a ameaça, Mariko murchou.
— Maas… Não é juuuusto…
— Caladinha! Seu posto de vilã, inclusive, já está quase sendo tomado por outro personagem, mais complexo e carismático do que você, então as chances de você sumir não são pequenas. Não tente me testar! — A Autora conseguiu fazer a garota se calar de vez, e ela apenas cruzou os braços e as pernas, emburrada. — Então, agora que estamos todos aqui… o que? Tá faltando gente? Mas eles não receberam perguntas, sem falar que eu não quero liberar spoilers… Ah, é… Vou deixar pra próxima… viu, não pira! Ok, ok… Vamos àquilo que todos estão ansiosos pra ver…
— Finalmente nee? — Wolfram bufou — Você só sabe enrolar e enrolar, em tudo!
— Eu só quero fazer uma história bonita e coerente pra vocês dois! Talvez tenha demorado um pouquinho… Mas a espera valeu a pena, não valeu?
— Valeu sim… — Yuri resmungou, ganhando um cutucão com o cotovelo de Wolf.
— Queria ver só se fosse com você! — Wolfram ainda estava muito irritado com aquela situação toda.
— Não diz isso, Wolf… — A Autora deitou sobre a mesa, aproximando-se dele e fazendo beicinho — Sabe, tem esse garoto que… ah, tá, eu já parei, parei!!! Não vou enrolar mais, ok? Não grita comiiiigo! Vamos começar logo essa coisa logo então!
Ela ergueu o braço, e uma musiquinha de introdução começou a tocar, junto com cenas aleatórias da fanfic que iam passando no telão logo atrás. Depois de alguns segundos disso, ela voltou-se para a câmera, agora completamente recuperada e com um enorme sorriso no rosto.
— Vamos então à primeira pergunta da noite! — Benjamin pega da bandeja uma cartinha, que ela já vai abrindo toda animada. — A primeira questão é da querida Lorea-chan! E é para você, Wolf, amado!
— Claro, só podia ser… — ele ainda estava de mau humor, o que só dava ainda mais vontade de provocá-lo na autora. — Manda logo isso.
— Ela diz: “Wolf, seu lindo! Eu te amo, saiba disso! [Yuuri, não fique com ciúmes, é amor platônico, okey?] E minha pergunta vai pra ti... Eu ficaria tão grata se você me dissesse por que causa, razão, motivo e circunstância, desmaiou quando o Yuuri te abraçou naquele banho na sua casa ♥ E não venha me dizer que foi por causa da água quente, viu! Um beijo!”.
— Mas o que é isso???? — Wolfram gritou, indignado. Ao seu redor, várias reações diferentes. Miyako começou a dar berrinhos, enquanto se agarrava e batia em Yuri para tentar se conter, e ele, apenas ria sem graça, mal lembrando desse fatídico episódio. Mariko ficou estupefata, sem conseguir acreditar no que ouvia, e Masaki apenas trincou os dentes, incomodado.
— Então, Wolf? Vai dizer para a gente por que é que você desmaiou naquele banho? — O sorriso da autora aumentava à medida que Wolfram se encolhia, ficando todo vermelho.
— E-eu não sou obrigado a responder isso! — Ele gritou de volta, e então se virou para o namorado. — Yuri! Vai deixar que ela faça esse tipo de pergunta indecente para mim?
— Pra falar a verdade, eu fiquei curioso também! — Yuri tinha o mesmo tipo de sorriso no rosto, e Wolfram sentiu-se traído.
— Fracote trapaceiro, não dá pra confiar em você mesmo!
— Eu tenho as cenas aqui, se você precisa relembrar… — A Autora puxou um controle, e já ia apontando para o telão atrás de si.
— Não! Pelo amor de Shin’ou, não! Maluca!! — Ele já ia pulando pra cima da garota para tomar dela o controle, mas Yuri foi mais rápido em agarrá-lo. — E você, fracote, tá do lado dela! Me solta!
Mariko, lá do seu lado, continuava indignada com aquela situação, repetindo para si mesma “não acredito, não acredito”, e Miya gritava palavras de incentivo para Yuri agarrar ainda mais Wolfram e coisas assim.
— Então, responda rápido, Wolfram, ou eu coloco essas cenas no ar pra todo mundo ver! Eu tenho esse controle aqui, e não tenho nada me impedindo de apertar o botão! Olha só, estou quaaase apertando… Vou apertaar…
— Está bem! Está bem, eu falo, eu falo! Me solta Yuri!
— Ok — A Autora deixou o controle de lado, e sorriu, cruzando as mãos sobre a bancada com evidente interesse. — Então, Wolf-chan. Explique para mim, para o Yuri, e para o público aí de casa, por que você desmaiou naquela situação?
— Não é evidente? A água quente me deixou aturdido, e causou a tontura. Eu tenho pressão baixa, e acabei desfalecendo. Simples assim! Não sei por que tanta balbúrdia por causa de uma queda de pressão tão normal. — Ele pronunciou com tanta convicção que era quase crível.
A Autora não se contentou com isso, é claro. Apertou o botão, e a cena começou a aparecer no telão, desde o momento em que os dois entravam na banheira, com pequenos animaizinhos ilustrados como censura das partes importantes.
— Você não sabe ser honesto, então vamos deixar o público julgar a cena!! — Ela gritou, e por pouco não foi agredida por Wolfram, que se resignou, chocado com a humilhação que estava sofrendo. Yuri apontava, emocionado “olha ali, sou eu!” Miyako estava absolutamente maravilhada (e certamente falaria com a Autora para conseguir acesso àquelas imagens mais tarde). Mariko parecia mais impressionada com o tamanho do banheiro de Wolfram, e Masaki nem olhava pra tela.
— SUA DOIDA, QUEM FOI QUE DEIXOU VOCÊ FAZER ISSO!!! — Wolfram pulou sobre a bancada antes que pudessem segurá-lo, tentando alcançar o controle. Na tela, ele e Yuri conversavam na banheira.
— Socoooorrro, Wolf tá me atacando!! Me salvem! — A garota começa a correr e pular pra todo lado, embora ainda risse um pouco — Alguém segura ele!!
No telão, a cena finalmente tinha fim, com Wolfram desmaiando nos braços de Yuri depois de terem ficado muito próximos. Wolfram, absolutamente furioso e ofegante pela agitação, sendo contido (mais uma vez) por Yuri, corou até a raiz dos cabelos. Seu enorme orgulho estava agora pisoteado no chão.
O público gritava e aplaudia. Claro que haviam tido uma percepção totalmente diferente daquela cena, mesmo com a censura, e a reação de Wolfram só confirmava ainda mais isso.
— Yuuuri! — Ele choraminga, perdendo completamente a compostura e aceitando a derrota. — Faz ela parar!!! — Ele virou-se e abraçou o namorado, escondendo o rosto em seu peito. Yuri o abraçou de volta, rindo para si mesmo. Os espectadores fizeram um “aaaawwnnn” em coro, emocionados pela cena, e a Autora finalmente voltou a se aproximar, sorrindo ternamente.
— Chegamos então à conclusão de que Wolf tem pressão baixa, e pouca resistência ao corpo do Yuri-kun tão perto! — Ela anunciou, e Wolfram se encolheu mais, trincando os dentes de raiva — Mas isso é coisa do passado, porque depois de intensas exposições e treinamentos que os dois vêm fazendo, Wolfram está desenvolvendo cada vez mais obstinação em se manter forte diante dessas situações.
— Chega! — ele gritou, erguendo somente a cabeça do abraço de Yuri — Passa logo para a próxima pergunta! Que humilhação, francamente, por que é que eu tenho que passar por isso!
— Ok, ok! Vamos para uma pergunta menos polêmica então… — Ela passou pelas cartas que Benjamin havia entregado, e finalmente escolheu uma. — Vamos lá! Essa é do Coidi-kun, e ele está dizendo: "A primeira vai para a Bitch da Mariko” — a loira arfou, indignada. — “... só pra dar uma cutucada: Como você se sente, tendo perdido (ou nunca tendo conquistado) os dois meninos que você era afim, um para o outro?”
— O que é isso, não vou responder essa pergunta mais idiota! Fala sério! Eu não perdi nada, esses dois estão só passando por uma fase, tipo, isso vai acabar logo! E quando acabar, eu estarei aqui, prontinha para eles — Ela deu uma piscada para a câmera, movendo os cabelos tingidos — Não é? Aposto que eles nem fazem “coisas”, não tem como, entre dois garotos…
Miyako revirou os olhos, impressionada com tamanha ignorância, e por um momento, Masaki ficou constrangido pela irmã que tinha.
— Ou seja… — A autora franziu os olhos, em dúvida sobre ter feito aquela personagem mesmo tão alienada — Você não está preocupada com nada?
— Absolutamente não! Eu me garanto, tipo, sei que uma hora ou outra eles vão perceber o erro que cometeram, e vão voltar a olhar para mim…
— Como se alguma vez eles tivessem olhado — Miya murmurou, sem entender de onde aquela menina tirava aquelas ideias absurdas. Ela vivia no seu próprio mundinho cor-de-rosa, e não parecia encarar a realidade de forma alguma.
— Escuta aqui, ô sua vadiazinha de cabelo ruim…
Quando Mariko se levantou, parecendo prestes a partir para cima de Miya, Ben atravessou o lugar como um raio, colocando-se a frente da garota para protegê-la. Wolf e Yuri fizeram o mesmo, encarando Mariko de uma forma tão perigosa que ela não ousou se aproximar uma segunda vez, e voltou ao seu lugar, ainda mais contrariada.
— Chega, chega, sem confusão, vocês todos! Mariko, você já respondeu a sua pergunta, recolha-se à sua insignificância! Vamos para a próxima, a próxima! Ainda do Coidi-kun, nós temos: “Wolf, se o diretor tivesse separado você e o Yuri de sala, o que você faria?”
— Ora, não é óbvio? — ele deu de ombros, altivo. Com a confusão que Mariko causara, ele havia saído dos braços de Yuri, mas continuava sentado bem próximo a ele, quase escorado em seu ombro, mesmo que sem perceber esse detalhe. — Eu iria colocar aquela escola abaixo. Processaria aquele ser que pensa que pode mandar alguma coisa, mesmo que seja um fracassado que só conseguiu ser diretor de uma escola de ensino médio do bairro, e ele perderia até mesmo as calças enormes que usa. Ele tomou uma decisão acertada, em aceitar a sua derrota e não ousar se meter entre mim e o Yuri.
— Isso sem falar no escândalo que nossas mães poderiam fazer… — Yuri acrescentou, temeroso. Estava com um dos braços atrás de Wolfram, e ele apoiou-se para trás, aceitando o abraço em seu ombro.
— Então, respondido, nós teríamos barraco na escola. — A Autora afirmou com um sorriso, como se falasse do tempo, e passou para o próximo tópico. — Mais uma pergunta do Coidi-kun, para o Yuri: “Você pretende voltar para o time titular de baseball quando? E quando voltar, como pretende reconquistar a confiança dos seus companheiros?”
— Bem… — Yuri coçou o rosto com a mão livre, pensando cuidadosamente na questão. — Foi uma ideia do Conrad, eu me afastar… E eu acho que ele tem razão. Seria uma distração muito grande para o time, lidar com esse assunto agora. É melhor deixar que eles se acostumem com a ideia primeiro. A maioria dos meus colegas de time são boas pessoas, eu acho que eles só ficaram um pouco surpresos, mas vão entender…
— Menos aquele... Como é mesmo o nome daquele imbecil? Nakamura? Nishimoto?
— Nishimura! — A Autora foi quem respondeu, mas só sabia porque havia recebido a informação pelo ponto.
— Sim, sim, esse idiota mesmo. Por mim, podia explodir, não ia fazer a menor falta. Ele é o principal criador de caso daquele time, e é ele quem está colocando todos contra o Yuri.
— Não é bem assim, Wolf… Eu pretendo voltar para o time logo, e sei que vai ser complicado e meio difícil conquistar a confiança dos meus colegas mais uma vez…
— Como se você precisasse da aprovação de qualquer um daqueles perdedores. — Wolfram cruzou os braços, sibilando.
— Mas eu preciso mesmo voltar para o time! Então, mesmo que não me aceitem ou não se acostumem com essa situação, eu não vou desistir. Nem do Baseball e nem do Wolfram.
A plateia toda fez coro emocionado, e a autora quase derreteu com tanta fofura de uma vez só, e não resistiu em se erguer sobre a mesa e apertar as bochechas dos dois ao mesmo tempo. Wolfram nem conseguia protestar mais com as investidas da autora, porque ela era um ser sem esperança mesmo.
— Nunca vou me cansar de vocês dois!
— Por isso que essa fanfic não vai ter fim jamais... — Wolfram resmungou, irritado.
— Não seja tão ranzinza! Vamos para a próxima, para a próxima! Agora, com a pergunta do Boku-tachi-kun: “Uhmmm.... Acho que quero é uma resposta sincera do Yuri, do Wolf e do Ben: o que vocês pensam em fazer quando chegar a hora H do ecchi moment com seus respectivos parceiros? E Miya, admita, até hoje você deve estar querendo fazer essa mesma pergunta”.
Como reação direta, Miyako corou furiosamente. Realmente queria muito saber dessas coisas quando se dizia respeito a Yuri e Wolfram, mas a pergunta estava envolvendo Ben também, e ela mal podia encará-lo agora.
— Mas de onde que as pessoas tiram essas perguntas mais indecentes!! — Wolfram já não aguentava tanta gente se metendo na sua vida íntima.
— Arrrgghh eu não quero mais ouvir essas coisas! — Mariko gritou lá do seu canto, levantando-se. — Vamos embora daqui Masaki! Eu não vou ficar aqui para ser ofendida por esse bando de inúteis, e ainda ter que ouvir essas insinuações sem pé nem cabeça que ficam fazendo sobre os dois, não mesmo! Isso está me deixando louca!
— Mariko, sem ataque de pelanca, por favor! Você só está aqui por que alguém realmente fez uma pergunta pra você, senão nem apareceria nesse especial! — A Autora já foi cortando Mariko, que se sentou novamente ao ser repreendida — Você é personagem secundária! Não tem importância nenhuma nessa história. Pra começo de conversa, ia aparecer uma única vez! E nem nome ia ter. Mas as pessoas gostaram de te odiar, então você foi ficando…
— M-mas, mas… Eu não sou pelo menos a vilã dessa história? — Ela parecia genuinamente desconcertada.
— Você está mais para megera coadjuvante. No mesmo nível da Elizabitch… Juro que não sei o que faço com vocês duas. — Ela suspirou.
— Não me tire da história! Por favor, eu faço qualquer coisa, mas me deixa ficar! — Ela praticamente implorou, e a autora revirou os olhos — Não sei nem por que o meu irmão está aqui! Faz muito mais sentido eu ficar do que ele! O que ele está fazendo aqui, aliás? Ele mal aparece, e nem tem perguntas pra ele hoje! Ele só ficou sentado com cara de bunda aqui do meu lado.
— Ah, verdade…. Chamei ele aqui porque… Porque… Pera.. Eu não chamei ele aqui hoje! Masaki, o que você veio fazer aqui, afinal?
— Como é que eu vou saber? Eu vim trazer a minha irmã, e me mandaram entrar — Ele deu de ombros — Além do mais, ele quer que eu fique o mais próximo possível desses imbecis todos, então não vou desperdiçar oportunidades, mesmo que seja um incômodo…
— O que disse? — Yuri ergueu a voz, curioso — Você fala muito baixo, eu não entendi…
— Eu não disse nada — Ele resmungou, quase arrependido por ter falado demais — Continue logo com essa entrevista, eu quero ir pra casa.
— Como você é mal-humorado, Masaki-kun, não lembro de te fazer assim! — A Autora o censurou como uma mãe faz com um filho mimado. — É melhor colocar um sorriso nesse rosto ou eu te corto antes que você comece a ter importância nessa história!
— Tanto faz.
— Ah, esses adolescentes rebeldes… — Ela balançou a cabeça, inconformada, e voltou aos seus papéis, tentando lembrar onde é que havia parado — Mais café, Benjamin… Onde estávamos mesmo… ah, sim, claro! Pergunta do Boku-tachi-kun. E então, quem vai responder primeiro?
— Eu! — Yuri rapidamente se prontificou, mas levou uma cotovelada bem na costela do namorado — Ai, Wolf… É só uma pergunta…
— Já está na hora de nós nos libertamos da tirania dessa garota! — Ele bradou, indignado. — Ela já se aproveitou demais de nós, e ainda pretende nos fazer sofrer ainda mais! Alguém tem que parar com isso, e a hora é agora! Vamos nos recusar a responder as perguntas indecentes que ela faz! Não vamos mais nos dobrar à sua vontade! Você apenas faz o que quer com todos nós sem pensar nos nossos sentimentos, não passa de uma ditadora autoritária e… e… p-pare com isso, não chore! — Ele ficou em choque quando olhou para a garota, e ela tinha um monte de lágrimas juntando-se nos olhos, e fazia um biquinho infantil e trêmulo.
— M-mas você está sendo tão malvado comigo, Wolf-kun… — Ela soluçou — Eu só queria que todos vocês, meus bebês, fossem felizes! O anime não tem um final satisfatório, afinal, e eu gosto tanto de vocês. — Ela fungou, limpando as lágrimas — Desculpa por não fazer um bom trabalho!
— D-do que você está falando? — Ele parecia desconcertado.
— Wolf, olha só o que você fez! — Yuri já ia todo preocupado para o lado da autora, que estava chorando, curvada sobre a mesa — Não chore, Autora-san… — Ele dava tapinhas reconfortantes no ombro dela — Nós também gostamos muito de você! Não é, gente?
— Hunf, eu não gosto — Mariko bufou, enquanto retocava a sua maquiagem sem se importar com mais nada.
— E-eu gosto muito! — Miya ergueu a mão, aflita — Afinal, ela me criou!
— Eu também, eu também! — Ben se apressou em dizer, afagando a cabeça da autora, que lentamente, se erguia, com a cara toda lavada pelo choro.
— M-mesmo? M-mas o Wolf disse…
— Aarrgh, você tem uma autoestima muito baixa!! Eu falei aquilo da boca pra fora, ok? Não precisa levar em conta tudo o que eu digo! — Wolfram deu uns tapas meio sem jeito na cabeça dela também, virando o rosto — E-eu também sou g-grato a você… p-pelos momentos felizes… e t-tudo mais… Afinal, no anime original, nem mesmo isso eu pude ter, não é?
— Ah, eu soube que no anime eu sou um Maou! E tenho até uma espada, sabe? Não é muito legal? — Yuri já se empolgava.
— Mas em compensação você é um imbecil completo que não percebe um palmo diante do nariz — Wolfram bradou, acabando logo com toda a animação do outro — Mas isso não vem ao caso, você, Autora! Se recomponha e termine logo esse especial que ninguém mais aguenta ler isso!
— T-tem razão — Ela limpou o rosto com um lenço que Ben estendeu para ela, e sorriu mais uma vez, quando todos voltaram para seus lugares — Então, respondam à pergunta!
— Ah, droga, não quer esquecer isso logo de uma vez não? Já é o bastante de perguntas! — Wolfram quase não podia aguentar, mas tentou não ser muito eloquente dessa vez, ou acabaria com a autora outra vez e todos o culpariam pela depressão dela.
— Não mesmo! Responda logo, por favor, Wolf! — Ela estava esperançosa, e Wolfram não via saída naquela situação.
— E-eu não pensei nisso ainda! É uma questão muito complexa, eu não sei como devo responder a isso... — Ele se atrapalhou, desviando o olhar para o chão, tentando sair daquela situação o quanto antes.
— Apenas diga, se você pretende ou não avançar sua relação com o Yuri-kun… E como isso vai acontecer…
— Vai acontecer na hora em que tiver que acontecer, não me pressione! — Wolfram perdeu as estribeiras, e começou a falar sem pensar — É claro que eu quero que minha relação com ele se aprofunde, isso é uma coisa óbvia! E você mais do que ninguém devia saber disso, depois do que aconteceu no capítulo 44!
— Kyaaaaaa!!! Conte o que aconteceu no capítulo 44, Wolfram-kun! — Miyako, bem como a maior parte da plateia que veio abaixo com o surto de Wolfram, gritava desesperadamente. Só então o loiro pareceu se dar conta do que falava, e voltou a se recolher, arrependido.
— Hehehehehe vai querer contar para a gente o que aconteceu, Wolf? — O sorriso da autora aumentou à medida que a plateia gritava mais.
— Claro que não! E eu já respondi minha pergunta, já chega disso!
— Ok, não vou te pressionar mais — Ela se deu por contente com aquilo, e passou para o próximo, ou seja, Yuri logo ao lado dele — E você, Yuri? Como se sente sobre isso?
— Ah, heheheh — Ele coçou a cabeça, embaraçado, mas ainda sorrindo — Eu ainda tenho muito o que aprender… Mas quero fazer tudo certinho para que o Wolfram fique feliz! Sabe, nos mangás que eu li, tudo parece tão fácil, mas eu sei que não é!
— É, nos mangás eles fazem parecer que tudo é uma maravilha…
— Mas eu sei que não é, então prometo que vou estudar direito pra não fazer nada errado! — Ele anunciou, orgulhoso. Wolfram estava a ponto de ter uma síncope.
— Será que dá pra você parar de falar tão facilmente sobre isso? — Ele ralhou, inconformado com a naturalidade do seu namorado pra ser inconveniente. — É um assunto particular!
— Mas foi a pergunta! Eu só quero dizer que, quando essa hora chegar, vai ser ótimo! Você vai ver Wolf, vai dar tudo certo!
— Chega, chega disso! — Wolfram fechou os olhos, como se desejasse acordar daquele sonho insano de uma vez — Está vendo? A culpa é sua por ele ser tão pervertido agora!
A Autora arfou, quase ofendida.
— Não mesmo, a culpa é sua, Sr Wolfram-sou-sexy-e-sei-disso-von Bielefeld. — Ela acusou — Ficou tentando o meu inocente Yuri-kun até ele virar esse seme descontrolado que te pressiona contra camas e paredes!
— Pode parar com isso, sua maníaca! — Wolfram ficou absolutamente vermelho e chocado com o andar que aquela conversa estava levando. — Por que você faz isso comigo??
— Porque eu posso! Eu sou a autora, eu posso fazer o que eu quiser com você! E você pode parar de fingir que não adoooora quando ele faz isso! — Com isso, ela finalizou Wolfram de vez. Constrangido e raivoso, ele abriu e fechou a boca várias vezes, não encontrou nada suficientemente bom para dizer, e voltou a afundar a cara no peito de Yuri, murmurando “Me tira logo daqui, não aguento mais”. Com Wolfram desarmado, ela pôde dar continuidade à entrevista. — Agora você, Ben!! Responda à pergunta!
— E-eu? M-mas… Eu sou apenas um mordomo, hehe.. — Ele tentou escapar, olhando ao redor como se esperasse que alguém ali o salvasse de ter que responder também — Eu nem faço parte da entrevista…!
— Claro que faz, você é um dos personagens principais da história! Estou até planejando dar mais cenas pra você e pra Miya, o que acha?
— Ah, eu fico lisonjeado, mas não tenho certeza de que eu fico à vontade para responder uma pergunta dessas… — Ele estava bem corado, era verdade. Mesmo com seu histórico de ser um pervertido otaku e coisas assim, ele ainda era bastante tímido, principalmente quando se tratava de Miya. Ela ainda estava embaraçada, aliás, e parecia procurar por um lugar para se esconder logo. Mariko só ficou calada e não provocou a garota porque não queria ser xingada mais uma vez.
— Responda logo para a gente acabar logo com isso! — Wolfram bradou, com a voz abafada pelo casaco de Yuri. Benjamin se via encurralado, com a Autora logo ao seu lado, encarando-o com os olhos inquiridores, doida para ter uma resposta.
— E-eu… Não sei de que forma devo responder a isso… — Ele sorriu calmamente (porque pensar em Miya sempre o deixava muito calmo) e de repente, a resposta veio à sua mente. Ele olhava para nada em particular, enquanto sorria. — É claro que eu quero passar a minha vida toda ao lado da Miya, e eventualmente nossa relação deve evoluir ainda mais. Eu quero que isso seja gradual e natural, que não a assuste e que ela se sinta confortável. Não vou apressá-la nem obrigá-la a fazer algo com que não concorde inteiramente. No fim das contas, tudo o que eu quero é que ela seja feliz, de verdade…
— Oh, Ben-kun! — Miya exclamou, emocionada, com os óculos embaçando devido às lágrimas que se acumularam rapidamente. Ela correu para abraçá-lo, e ele a pegou no ar. Subitamente, estavam os dois no seu próprio mundinho, e todo o público, mais a autora, suspiravam ternamente diante daquela cena tão romântica e inesperada. Mesmo Wolfram sorriu ao ver isso, e ficou menos taciturno. Mariko foi a única que ficou resmungando consigo mesma, irritada, ainda.
— Ai gente, tem olhos nas minhas lágrimas! — A autora tentava se recuperar, enquanto Miya voltava a sentar no seu lugar, e dessa vez, Ben veio junto, ainda segurando sua mão. — Esse é o nosso Ben-kun, príncipe ruivo do meu coração! — Ela recebeu alguma informação no ponto, e pareceu chocada — O que? Já está na hora de acabar? Mas nós mal começamos! Bem, as perguntas já terminaram… mas tem tanta coisa que a gente podia fazer! Que tal um karaokê, ou alguns jogos com os personagens! Nós poderíamos fazê-los falar seus segredos mais obscuros, seus planos para o futuro… Tá, eu sei, isso não é uma festa do pijama! E eu não posso segurar eles aqui para sempre…
— Ah, eu gostei muito de conversar com você, Autora-san… — Yuri murmurou, sinceramente — Mas sabe, você podia me fazer mais legal, das próximas vezes… Mais musculoso, e lutando, que tal? Eu podia salvar as pessoas ou algo assim!
— Nesse caso, você poderia me fazer um pouco melhor, não é? — Mariko quis aproveitar para reclamar. — Eu cansei disso, quero ser a mocinha!!! Você pode me salvar se quiser, Yuri-kun! Sempre que quiser, eu vou te esperar pra sempre!
— Hey, hey, chega de pedidos! Não adianta vocês me pedirem coisas, eu não vou fazer o que vocês querem — A Autora anunciou. — Já tenho tudo planejado na minha cabeça, nada me faz mudar de ideia.
— Duvido. — Masaki se pronunciou. — Aposto que você só vai escrevendo o que vem na cabeça, e por isso que essa história é tão confusa e idiota.
— Claro que não! Eu planejo direitinho! Minha editora é a prova disso, ela sempre me ouve! Não é? — Ela falou pro ponto, buscando algum apoio, mas provavelmente recebeu outro xingamento. — Não, eu não vou dar spoiler pra ninguém! Relaxa! Até parece que eu não sei me controlar.
— Mas o que você pretende fazer, Autora-san?! — Miya indagou, ardendo de curiosidade. A Autora mordeu o lábio inferior, parecendo se conter por muito pouco.
— Acho que não faz mal dar umas dicas!! Eu tenho tudo planejado sabe? Ai, para de gritar no meu ouvido! — Ela arrancou o ponto e jogou longe — No futuro, Yuri e Wolfram vão fugir pra casar em Las Vegas, na capela do Elvis Presley! Eles vão morar juntos em algum lugar bem longe, onde abrirão um centro de rebatidas, e viverão felizes para sempre com a Liesel e os filhinhos que eles vão ter!
— Centro de rebatidas! — Os olhos de Yuri brilharam.
— Você não pode estar levando essa ideia em conta, não é? — Wolfram soou incrédulo. A Autora continuou:
— Você, Miya, e o Benjamin, vão se casar também é claro, e você vai virar mangaká de yaoi! E o Ben vai ser seu editor!
— Mas eu não desenho… — Miya murmurou, confusa.
— Ah, isso é detalhe! — A Autora se empolgou, erguendo-se e continuando a falar, enquanto gesticulava amplamente — E você, Masaki! Depois de uma enorme decepção ou qualquer coisa assim, vai virar dançarino de um bar noturno! E vai fazer o maior sucesso. Seu nome vai ser Masa-chan, e você vai dançar num poste com uma cueca dourada brilhante! Uuuhh!
— O que? Você tá maluca! — Masaki se exaltou pela primeira vez, sem saber se levava aquela besteira toda a sério.
— E você Mariko, depois de se casar pela sétima vez, vai falir e acabar servindo mesas em um bar de posto de gasolina!!
— Mas quem é que deu permissão pra essa doida escrever? — Mariko berrou, descabelando-se. — Alguém prende ela!
— Não é maravilhoso? Eu posso fazer o que eu quiser!! Eu sou a Autora! Eu mando nessa budega toda!! Mwhahahahahahahaha!!!
— Agora já chega!!! — A voz raivosa que todos ouviram ao longe era aquela que gritava no ponto eletrônico. A Autora congelou, percebendo que havia ido meio longe demais, e se empolgado mais do que devia com tudo aquilo.
— Ah… a-acho que nós temos que terminar por aqui as entrevistas… — ela olhou temerosa para o lado dos bastidores, de onde a Editora a encarava com um semblante nada contente pelo que ela tinha feito.
— Você já fez bagunça demais, se controla, mulher! — A Editora berrou — Acaba logo com isso, você tem mais coisas pra escrever!
— Ok! Já entendi! — Ela voltou a olhar pra câmera — Então, nós vamos encerrar por aqui esse capítulo Especial...
— Que eu acho que não deve ter mais ninguém lendo há essa altura, por que só tem besteira e mais besteiras… — Wolfram completou.
— De qualquer maneira! — Ela o interrompeu — Muito obrigada à todos vocês que acompanham essa história, de verdade! Eu me sinto muito feliz cada vez que alguém começa a acompanhar, favorita, ou comenta dizendo o quanto gostam da minha fanfic, isso me motiva muito, a continuar escrevendo essa história, que eu amo tanto! Graças a vocês que nós estamos quase completando 50 capítulos, e com certeza, muitos outros virão, porque além de não saber quando parar, eu tenho muitas e muitas ideias pra continuar a contar uma história sobre esses dois idiotas que todo mundo ama tanto! Juro que não sei o que o vocês veem de interessante nessas ideias doidas que saem da minha cabeça, mas agradeço imensamente por todo incentivo e apoio que vocês, leitores, me dão!
— Bem, é claro que nós também somos gratos a todos esses leitores fracotes que ficam espionando nossa história e mandando perguntas indecentes. — Wolfram resmungou, logo depois. — Eles não devem ter nada melhor pra fazer mesmo…
— Mas nós ficamos mesmo muito felizes por poder deixá-los contentes com a nossa história! — Yuri consertou, sorrindo amplamente — Arigatou gozaimasu, minna-san!
— Sim, todos devem ser muito legais! Eles são ótimos leitores, de verdade! — Miya completou, sorrindo como seu primo.
— É isso, gente! — A Autora parecia satisfeita — Espero que continuem a acompanhar a história, e a gostar dela! Eu vou sempre tentar escrever da melhor forma possível para vocês, e mesmo com todos os meus atrasos, enrolações e tudo mais, agradeço por sempre me acompanharem e apoiarem! Se gostaram dessa edição especial, deixem suas opiniões nos reviews! E se quiserem fazer mais perguntas, para outros personagens ou para mim, ou apenas quiserem ver eles constrangidos e perdidos sem saber o que responder, não se contenham! Quem sabe a gente não faz uma segunda edição da “Super Entrevista com o Elenco da Fanfic Sono Te Hanasanaide”!
— Rá! Certamente não! Nunca mais aceito convite nenhum dessa doida, absolutamente não!
— Deixa de ser chato, Wolf, foi divertido! — Ele cutucou o namorado abaixo da costela, rindo para si mesmo.
— Hunf, só se for pra você, que tem uma mente tão simples...
— Corta logo isso, você tem que trabalhar! Tem muita coisa pra escrever! — A Editora gritou lá do fundo, e a autora aquiesceu.
— Então, é isso! Até a próxima, quem sabe… e logo teremos o capítulo 46 para vocês, que já está pronto, só esperando para sair! Até lá, bye bye!! — Ela acenou para a câmera, que foi se afastando. A música de encerramento subiu, junto com os créditos.
Miya, Ben e Yuri acenaram também, animados. Mariko tentou aparecer ajeitando o cabelo, mas a câmera nem passou perto dela. Masaki não olhava para aquela direção, mas parecia estar respondendo mensagens no celular, muito concentrado. Wolfram, com o braço de Yuri ao redor do seu ombro, ainda discutia com a Autora, que apenas sorria tolamente, provocando a irritação no garoto.
— E... corta!
Fale com o autor