Sono Te Hanasanaide

43 Capítulo XLIII


Anata wa tasuketanda

Você me salvou

Watashi wa

É por isso que eu

Dakara ima waraeru

Posso continuar sorrindo até agora.

Soudayo hito wa

Eu percebi, as pessoas

Nando mo asu wo negaeru

Desejam muitas coisas para o futuro

Nigeru no ni wa

Se nós fugirmos


Mada hayai

Será cedo demais

Kuyashikute

Dolorosamente

Nagasu namida wa

Essas lágrimas derramadas

Mirai he no ROUTE

São a rota para o futuro

Tsukutteku kara

É o que nos conduz.

Shinjite miru

Então, tente acreditar

Ano kotoba mou ichidou

Naquelas palavras, mais uma vez.

Kono ashidesa

Podemos chegar lá

Tadoritsuite miseru yo

Juntos, eu vou te mostrar



Capítulo 43



Aquelas últimas semanas antes do início do novo ano letivo haviam sido as piores de toda a vida escolar de Yuri. Os comentários sobre ele e Wolfram continuavam mais vivos do que nunca, as pessoas não pareciam cansar do assunto. No time de baseball, seus colegas o evitavam abertamente, e é claro que Conrad notou isso. Como nem ele conseguia se concentrar nos jogos, e nem os outros pareciam dispostos a ceder, o próprio Yuri pediu para ficar no banco durante os próximos dias, e relutante, Conrad aceitou.

O único amigo com quem ele ainda contava era Murata, evidentemente, e ele se mostrou solícito em apoiar a situação da maneira que pudesse. Yuri não sentia tanta falta assim dos supostos amigos que perdera, mas era difícil ver que os comentários maldosos se extendiam até Wolfram também, e embora o príncipe se mantivesse impassível não importanto a situação, palavras podiam machucar mais do que parecia. Nesses momentos, ele apenas segurava a mão de Woflram, e eles atravessavam juntos os corredores repletos de olhares hostis ou reprovadores por todos os lados.

Evidentemente, o diretor da escola não perdera tempo em tentar contatar as famílias dos alunos, no mesmo dia em que conversou com eles. Ao ligar para a mãe de Yuri, ouviu poucas e boas de Hamano Jennifer, o bastante para nunca mais querer encontrar com aquela mulher, e se Shori e o Sr. Shibuya não tivessem a segurado em casa, ela teria voado para aquela escola resolver as contas com o diretor com os próprios punhos. Já Cheri, demonstrou apenas o orgulho imenso que sentia pelo seu filho, e o diretor não quis arriscar sua reputação diante de alguém importante falando o que realmente pensava.

De qualquer maneira, a notícia não tardou a chegar aos ouvidos de Valtrana. Wolfram temeu pela reação dele, e Elizabeth parecia exultante em esperar pela explosão… que não veio. Ele ignorou a informação completamente e passou a ignorar a presença de Wolfram do mesmo modo. Talvez por causa da proteção massiva de Cecilie, ou do evidente apoio dos irmãos, Valtrana não se permitiu ter a reação que gostaria ou que os outros esperavam. Wolfram ficava apreensivo, não somente por que se sentia mal em ser tratado dessa forma pela única figura paterna que tinha desde criança, como também por que sabia que essa não era a maneira habitual de seu tio agir, e se ele não demonstrou reação, só poderia supor que ele tinha algum plano em mente.

Foi assim que Fevereiro teve fim, e Março passou. Não tardou para as flores, e colorirem todo o cenário da cidade com suas pétalas. Era a primeira vez de Wolfram presenciando esse espetáculo, e serviu como atenuante das preocupações que ele também enfrentava em casa.

Os dois passaram aquelas semanas de maneira quase arrastada, e aos poucos, se acostumaram a fingir que todas as pessoas não existiam. Os comentários, as fofocas, mesmo os olhares tortos, já não os preocupavam. Miyako tentava de toda maneira aliviar a tensão que via estampada nos olhos dos dois, mas a verdade é que nem mesmo ela sabia direito o que fazer. Desde aquele dia, Mariko parecia pior do que nunca, e passava seus dias espalhando ainda mais os boatos por aí, ou dando um jeito de atrapalhar Miyako, fosse colocando o pé para ela tropeçar em algum lugar, escondendo seus sapatos na lata do lixo, ou fazendo piada sobre qualquer coisa que ela fizesse. Como ela não agia abertamente ou na frente de outras pessoas, era ainda mais complicado tentar defender,então Miya passava seus dias tentando evitar cruzar com a garota pelos corredores.

Não foi um período de tempo agradável para ninguém, mas Yuri estava feliz por ter o apoio da sua família, dos irmãos e da mãe de Wolfram, e ainda, a presença do próprio Wolfram em sua vida, era motivador o bastante para fazê-lo querer sair da cama a cada manhã para enfrentar tudo de novo.



~

Os dois estavam caminhando juntos a caminho da escola, passando pelo parque onde havia mais sakuras, por que Wolfram realmente gostava delas. Um novo semestre tinha início naquele dia de Abril, e agora, eles eram alunos do terceiro ano. Além de tudo o que acontecia com eles nesse momento, ainda tinham que pensar no futuro e nas escolhas de carreira. Yuri já tinha a sua inscrição para a bolsa na faculdade, mas Wolfram ainda não sabia bem o que fazer. Toda a sua vida, desde o nascimento, havia sido talhada para que ele se tornasse, um dia, Rei de Shin Makoku. E agora, com tantas possibilidades abertas diante dos seus olhos, estava um tanto perdido.

— Mas eu não entendo… — eles agora andavam de mãos dadas pelo caminho, despreocupadamente. Se já iam falar mal pelas suas costas, que ao menos, tivessem bons motivos para falar, era o que Wolfram dizia. -… Se o Gwendall é seu irmão mais velho, por que é que você seria herdeiro, e não é ele?

— O sistema de hierarquia de Shin Makoku não é igual ao que você conhece – Wolfram ia dizendo. Embora ele falasse como alguém que dá uma aula de história, Yuri não achava chato. Era ótimo ouvir a voz de Wolfram, e falar de outros assuntos acalmava as preocupações dele com o tio, também. – Lá, a sucessão é medida de acordo com a linhagem do Shin’ou, o Rei Fundador.

— Mas esse não é o mesmo cara que fundou a nossa escola?

— Sim… depois de ter concretizado seu sonho de livrar o distrito de Shin Makoku da submissão a outro país, e fundar seu próprio reino, ele conseguiu prosperar e crescer. O Japão sempre foi um dos seus lugares favoritos, e ele tinha vontade de deixar seu legado aqui também. Educação era um ponto importante, e ele conseguiu construir nessa cidade uma escola da maneira que sempre quis, e retornava para cá quando tinha oportunidade. Isso já faz muito tempo, mesmo, foi antes da Segunda Guerra, e o Japão ainda era fechado para comércio externo, muito pouco conhecido… Mas o Shin’ou amava esse lugar… acho que hoje eu entendo o porquê… — Wolfram ergueu os olhos e sentiu o aroma das flores tocar seu rosto. Yuri sorriu, quando sentiu ele espanar com a mão as pétalas de cerejeira que se prendiam em seus cabelos escuros. – Bem, eu sou o herdeiro direto do trono porque, entre os meus irmãos, sou aquele que tem os antececessores mais próximos da linhagem do Shin’ou…

— Agora que eu parei pra pensar… aquele quadro que tem dele no corredor da escola, parece muito com você! – Yuri parecia ter descoberto a América, empolgado, e Wolfram apenas riu baixinho. Normalmente, teria exaltado o quanto Yuri era idiota por não ter notado logo isso, mas estava tão abalado pelos últimos eventos, que não tinha ânimo nem para tentar disfarçar o quanto achava fofo esse lado dele. Apertou com mais força a mão do outro, e escorou a cabeça em seu ombro.

— Só você, Yuri, pra não perceber uma coisa dessas… mas é melhor nos apressarmos e irmos para a escola logo, antes que o diretor arrume outro motivo para nos repreender…

Eles continuaram a caminhar em silêncio, afundados nos próprios pensamentos, quando de repente um vulto apressado ultrapassou-os. Era uma garota, aparentemente, pois estava vestindo o uniforme feminino da escola deles. As suas meias brancas ¾ estavam escorregando nas pernas, e ela usava tênis ao invés dos sapatos mocassins que as meninas usavam. Seus cabelos eram longos e brilhavam em um tom escuro de azul ao sol. Ela corria rapidamente, mas logo depois de passar pelos dois, estancou, como se tivesse repentinamente se dado conta de algo. Voltou para trás, ainda no mesmo ritmo de corrida e parou em frente aos dois, obrigando-os a parar também.

— Vocês estudam na Shinou? – ela indagou rapidamente, depois de examinar bem os uniformes deles. Seus olhos eram muito vivídos, de um profundo tom de azul-arroxeado, e ela parecia nervosa.

— Ahn, sim? Você precisa de ajuda? – como sempre, Yuri foi solícito. Wolfram apertou mais forte sua mão, como num gesto automático para expressar possessividade, embora permanecesse com o semblante inalterado. A garota só pareceu perceber o detalhe das mãos juntas naquele instante, e sua reação foi imediata. Ela corou, e desviou o olhar apressadamente, com as sobrancelhas se juntando em sinal de esforço, talvez para tentar entender ou conter algum comentário inapropriado. Como sempre, apenas Wolfram notou o desconcertamento da menina, e Yuri continuou sorridente como sempre, alheio a isso. – Está procurando pela escola?

— S-sim eu estou! – ela respondeu, erguendo novamente o rosto em uma tentativa de soar natural – Podem me ajudar? Apenas indicar o caminho é o suficiente…

— Você só precisa seguir reto pelo parque até a saída lateral, e de lá, vai conseguir enxergar a escola de longe. Não tem erro – Wolfram foi quem respondeu, antes que Yuri se oferecesse para acompanhar ela também – Mas eu sugiro que das próximas vezes, você tente seguir pela rua da estação de metrô,é mais rápido do que pelo parque.

— Ah, eu sei! Só que eu queria ver as sakuras antes, e acabei me perdendo aqui. De qualquer maneira, muito obrigada! Eu vou indo! Obrigada! – ela acenou enquanto já se preparava pra recomeçar a correr, parecendo agitada e ansiosa para sair dali o quanto antes. O telefone dela tocou antes disso, e ela aproveitou a oportunidade para escapar – Oee! Por que você não me esperou, hein? Eu não sei o caminho para a escola, a cidade mudou desde que eu morei aqui!

Assim que ela seguiu pelo caminho, com os cabelos esvoaçando enquanto afastava-se velozmente, Wolfram virou-se para Yuri, com um biquinho de desaprovação e uma das sobrancelhas arqueada.

— “Você precisa de ajuda?” – ele imitou de maneira simplória o tom de voz de Yuri, mexendo a mão displicentemente – Você é mesmo um fracote trapaceiro, não é?

— Ah, você está com ciúmes, Wolf? – Yuri brincou, inclinando-se para encostar a ponta do nariz no rosto do outro, sentindo seu cheiro. Riu, e Wolfram sentiu um arrepio agradável ao sentir aquela risada reverberando pela sua pele.

— É você que age todo amigável com qualquer pessoa que passa! Eu tenho que ficar de olhos abertos, por que você é como um cachorrinho que abana o rabo pra qualquer um que coçar sua orelha!

— Então continue ficando de olho em mim… — Yuri virou-se um pouco mais, até alcançar os lábios de Wolfram, por breves, ínfimos segundos. Ninguém teria prestado atenção, e sinceramente, nenhum dos dois se importava, àquela altura.

Wolfram virou o rosto, fingindo um incômodo que na verdade não sentia, e eles recomeçaram a caminhar para a escola. Cada vez que Yuri mostrava aquele seu lado mais sério e (por que não?) meio sedutor, ele se recordava de como era ter as pernas tão bambas que mal podia caminhar. Yuri era mesmo um fracote trapaceiro idiota… que sempre o fazia cair nas mesmas armadilhas.

Já fazia algum tempo desde que eles realmente tiveram algum tempo sozinhos, sem preocupações. E mesmo quando conseguiam sair juntos, ou passar algum tempo na casa de Yuri, sempre havia alguém por perto, não era realmente a privacidade que eles desejavam ter. E depois do que aconteceu meses atrás, quando Yuri passou a noite na casa de Wolfram, era de se esperar que a relação deles realmente se aprofundasse mais, porém, com tantos acontecimentos e problemas que iam surgindo, a situação continuava na mesma.

Mesmo que eles tivessem a muito passado da fase dos beijos inocentes, nenhum dos dois encontrava o momento para dizer que esperavam um pouco mais novamente, e mesmo que não fosse essa a questão, um local adequado onde pudessem ficar a vontade de sozinhos, era uma espécie de utopia irrealizável no presente momento. Dessa forma, eles apenas passavam seus dias como podiam, encontrando-se eventualmente, longe da presença de Valtrana, Elizabeth, ou de qualquer um que pudesse atrapalhá-los, mas também, quando estavam juntos, só conseguiam pensar no que fazer dali em diante.

Com todos na escola sabendo, e Yuri tendo se retirado temporariamente do time, eram sempre tantas coisas na cabeça dos dois que eles mal conseguiam se concentrar um no outro. Era desgastante, para falar a verdade. Mas nenhum dos dois pretendia deixar isso abater seus ânimos. No fim, daria tudo certo – esse havia se tornado o mantra pessoal de Yuri, e ele repetia sem parar, até que pudesse fazer Wolfram acreditar plenamente nessas palavras.



~

Miyako tinha que ficar na ponta dos pés se quisesse despedir-se de Benjamin com um beijo no rosto, como era sua intenção, mas o esforço valia a pena. Ele sorriu, ainda abraçando-a pela cintura com cuidado, e ajeitou os óculos dela com a outra mão.

— Eu venho buscar você depois. – ele disse, bagunçando o cabelo dela. Miyako sorriu.

— Ok, eu espero – ela soltou os braços dele, encaminhando-se para o portão de entrada – Ah, sobre aquele livro que você me emprestou?

— Sem problemas, eu pego na sua casa depois! – ele respondeu, já acenando enquanto ela caminhava de costas, ainda olhando para ele.

— Está bem, eu… — antes que pudesse completar a frase, Miyako bateu em algo, e como esperado, foi direto ao chão, mas não sozinha. Ben correu para ajudá-la, mas ela estava mais preocupada com a pessoa que havia derrubado, tentando erguer-se o quanto antes. – M-me desculpa, eu estava distraída, não vi você passando…

— Está tudo bem, eu que estava correndo mesmo – sem graça, a garota apenas sorriu. Tinha cabelos longos e azulados, e realmente não parecia se importar com o tombo. Seus joelhos estavam vermelhos, mas ela mal reparou, como se estivesse acostumada com isso também – Desculpa aí! – ela bradou, antes de sair novamente correndo, embora dessa vez mais cautelosamente.

— Está bem, Miya-chii? Se machucou? – Ben indagou, e embora não ligasse para o fato de que não deveria estar entrando tão descuidadosamente no território de outra escola. Como já era uma pessoa que se destacava facilmente pela altura e pelos cabelos ruivos, ainda usava o blazer marrom-claro da sua escola que distoava gritantemente dos gakurans pretos dali. É claro que muitas pessoas já comentavam.

— Miya está ótima, agora, é melhor você ir logo ou vai se atrasar! – ela foi empurrando Benjamin para fora da escola, mesmo que ele relutasse e tentasse olhar para trás para falar com ela.

— Se aquelas garotas voltarem a te incomodar, Miya-chii…

— Eu sei, eu sei. Miya vai ficar bem. Wolfram-kun e o Nii-chan estão aqui também, lembra? – ela sorriu – Não precisa se preocupar. Ah, olha lá, eles estão vindo…

Entrando pelo portão, Yuri e Wolfram vinham calmamente, de mãos dadas, conversando distraidamente sobre qualquer assunto. Miyako automaticamente sorriu, por que sempre gostava de ver a maneira como eles pareciam ligar cada vez menos para a opinião das pessoas. Aqueles que estavam por ali pela entrada já comentavam avidamente, e mesmo entre os calouros, as notícias sobre “o príncipe e o jogador de baseball que namoram” voavam rapidamente.

— Oi, Miya-chan,Ben-kun! – Yuri acenou animadamente, trazendo Wolfram a reboque enquanto caminhava mais rápido – Você já viu em que turma vai ficar esse ano?

— Ah, verdade! Eu não vi ainda. Espero ficar em uma sala diferente esse ano…

— Eu vou indo então, tchau Wolfram, Yuri. Até depois Miya… — Benjamin beijou os cabelos de Miyako e saiu de mãos nos bolsos, andando apressadamente já que estava visivelmente atrasado para a sua própria escola.

— Yuri! Você não me disse que haveria mudança de turmas a cada ano! – Wolfram parecia indignado com esse fato.

— Eu pensei que você soubesse, isso é comum. Embora eles não mudem muita coisa a cada ano… — Yuri deu de ombros – Mas… você está preocupado com isso?

— É claro! Acha que aquele diretor vai perder a chance de nos ver separados, nem que seja durante as aulas? É claro que ele vai fazer o que puder para nos afastar.

— Não importa, por que mesmo que ele faça isso, nós ainda vamos continuar juntos. – ele respondeu diretamente, sem nenhuma hesitação ou dúvida evidentes. Wolfram sempre era pego de guarda baixa quando Yuri agia de maneira tão pragmática. E ele de repente sentia que estava tudo bem em pensar de que de algum jeito, tudo acabaria bem.

— Vamos lá ver as nossas turmas, então! – Miyako foi à frente, em direção aos quadros da entrada que continham as listas dos nomes dos estudantes. Ela correu para o lado do segundo ano, enquanto Yuri e Wolfram permaneciam em frente de onde indicava os terceiros anos.

— Shibuya… shibuya… Ah, aqui! – Yuri apontou – Eu vou ficar na 3-C. E… parece que o seu nome está aqui também…

— Eu tive certeza de que iriam nos separar… — Wolfram também parecia surpreso.

— Talvez ele tenha desistido? – Yuri sorriu vacilante, apertando a mão de Wolfram.

— Não, ele deve estar planejando alguma outra coisa… — Wolfram olhou com atenção para o quadro de nomes à sua frente, como se assim pudesse adivinhar qual seria o rumo dos pensamentos do Diretor. Estava óbvio para ele que aquele homem não era o tipo que desistia depois de ter sido enfrentado por dois estudantes daquela forma. — Ah, esse nome aqui, parece familiar… como se lê esse Kanji, Yuri?

— Acho… que se lê ‘Matsumoto’. – ele respondeu, sem tanta certeza assim – Onde foi que eu já ouvi esse sobrenome?

— Não sei também, mas vamos sair daqui, estamos atrapalhando o fluxo…

— Ah, sim…

— Oe, você viu aqueles dois? Foi deles que eu contei pra você!

— Eles estão mesmo juntos, assim, na frente de todo mundo? Nossa, até de mãos dadas…

— Eu disse! Será que o Diretor permitiu isso?

— Não sei… mas não deve durar muito, eles não iam deixar… não é?

— Eu deveria ter trocado de escola…

Yuri e Wolfram se entreolharam, e o moreno sorriu de maneira indulgente. É claro que teriam que enfrentar mais um ano de comentários ácidos pelas costas, mas isso não era nada. Apenas opinião de gente que eles não conheciam, e isso, comparado a terem que se esconder para o resto da vida, realmente não importava tanto assim.

Depois de checarem com Miyako em que turma ela havia ficado, era hora de seguir para o pavilhão principal, onde teriam a cerimônia de abertura. Como a letra B e a letra S ficavam bem afastadas uma da outra, Yuri e Wolfram acabaram sentados longe, e o loiro não parecia nada à vontade perto dos dois colegas que por sua vez também pareciam perturbados por estar perto dele. Depois do discurso do representante dos calouros, e do presidente do conselho estudantil, foi a vez do diretor da escola fazer seu pronunciamento. Wolfram trincou os dentes só de ver o rosto daquele homem, e os colegas sentados ao seu lado apenas se encolheram, repentinamente aturdidos pela aurea ameaçadora que emergia ao redor dele.

… e atualmente, na primavera das suas juventudes… – o diretor falava, com sua voz ecoando dezenas de vezes pelos auto-falantes, mas Wolfram não conseguia prestar atenção em nada. – vocês devem repensar suas atitudes com maturidade, frente aos desígnios da sociedade atual, vocês procurando agir sempre com honra, respeito… não se deixando levar pelo ardor dos seus impulsos joviais, pois eles são efêmeros, porém em toda adversidade pela qual passare, guiando-se a partir dos princípios e da moral…

Wolfram estalou a língua no céu da boca e desviou o olhar. Não queria mais ouvir nenhuma daquelas besteiras. Francamente, aquele velho achava mesmo que poderia atingí-lo com algumas frases soltas no meio de um discurso idiota? Wolfram von Bielefeld precisava de mais do que isso para ser intimidado.

Pensando bem, a estratégia daquele diretor parecia bem evidente agora. Se ele os separasse, acabaria aumentando ainda mais os laços entre eles, já que teriam que se esforçar para se encontrarem em outras ocasiões. Agora, mantendo-os na mesma sala, onde diariamente seriam alvos de especulações maldosas e comentários abertamente hostis dos outros alunos, é claro que seria uma adversidade difícil de superar. Ele estava esperando vencê-los pelo cansaço.

Só que ele não imaginava, que tanto Yuri quanto Wolfram, adoravam desafios novos.

… e espero que tenham um excelente ano letivo.

Com certeza seria, excelente.

Notas finais
Yoo, minna-san!! Então~ esse capítulo tá pronto há uns três dias mais ou menos, mas só hoje eu consegui tempo pra revisar ele direitinho e postar .-. Mesmo estando de férias da faculdade, não adianta nada se eu passo o dia inteiro trabalhando -.- descansar que é bom, eu nem sei mais o que significa -.-'' O lado bom é que tive tempo de pensar bastante no que vou fazer nos próximos capítulos~ Esse capítulo devia ter ficado mais importante, e iam acontecer outras coisas, mas eu tive umas ideias diferentes e resolvi mudar tudo de última hora, então desculpem-me se acabou ficando um pouco sem desenvolvimento o capítulo dessa vez XD Mas eu estou empolgada com o futuro *o* Beem, queria aproveitar e dizer, àqueles que gostaram da ideia de fazer uma sessão de perguntas e respostas aqui na fic, por favor, mandem suas perguntas!! Eu e os personagens estamos ansiosos pra respondê-las~ Lembrando que vocês podem perguntar coisas para mim, para os personagens da série, ou para os personagens originais também~ Eles vão responder tudinho! o/ Acho que era isso... aguardo vocês no próximo capítulo, até láa ~ :3