Sono Te Hanasanaide
36 Capítulo XXXVI
Notas iniciais
Before the cool done run out, I'll be giving it my bestest
Antes que o frio passe, eu darei o meu melhor
And nothing's going to stop me but divine intervention
E nada, além de uma intervenção divina, vai me parar
I reckon it's again my turn to win some or learn some
Eu calculo que é a minha vez de ganhar ou aprender algo
So I won't hesitate no more, no more
Então eu não vou hesitar, não mais, não mais
It cannot wait I'm sure
Eu não posso esperar, tenho certeza de que
There's no need to complicate, our time is short
Não há necessidade de complicar, nosso tempo é curto
This is our fate
Esse é o nosso destino
I'm yours
Eu sou seu
Capítulo 36
Durante o tempo em que ficaram cavalgando pelas colinas cobertas de neve da propriedade da família, Wolfram mostrou para Yuri como se fazia para controlar o cavalo com as rédeas, como ele deveria se posicionar, e outras coisas assim, para que, quando o verão chegasse, eles pudessem cavalgar juntos de verdade. Apesar de estar se esforçando para prestar atenção nas lições, Yuri só conseguia ter consciência da proximidade e da maneira como Wolfram se movimentava à frente dele. Estava quase o deixando louco, ainda mais depois do que havia acontecido há poucas horas atrás no quarto dele, e que ainda estava bem vívido na memória do Shibuya.
Cerca de meia hora depois, ficou frio demais para continuar do lado de fora, e a neve recomeçou a cair. Wolfram voltou para o estábulo, e, depois de guardar Astrid e garantir que o empregado que trabalhava ali fosse cuidar das necessidades dela como devia, ele e Yuri voltaram para a mansão. Era uma boa caminhada até lá, mas Yuri não reclamou, porque Wolfram estava tão radiante, falando sobre cavalos e outras coisas assim, que ele não conseguia cansar de ouvir.
— Nós dois precisamos de um banho… — Wolfram resmungou depois de alguns minutos, reparando que tanto as suas calças brancas quanto as de Yuri estavam imundas, por terem rolado na neve e tudo mais.
— Isso é um convite? – Yuri arriscou, sorrindo de canto. Wolfram o encarou, lívido, mas ligeiramente embaraçado com a insinuação.
— Não. – Não dessa vez, pelo menos. – A casa tem muitos banheiros. – Ele disse rapidamente, como se isso fosse uma justificativa, e Yuri ficou levemente desconcertado ao pensar na probabilidade de Wolfram realmente considerar aquela sua piada como sendo uma proposta séria. Não que ele fosse contrário a isso, de qualquer maneira… Mas era melhor não pensar muito nisso.
Dessa forma, os dois tomaram banho – cada um em um banheiro diferente, e, logo depois, foram chamados para jantar. Dessa vez, a refeição ocorreu em uma sala de jantar menor, que tinha apenas uma mesa grande e redonda à qual todos sentaram-se juntos. Yuri se sentiu mais confortável, tanto pelo clima mais ameno e familiar ao redor daquela mesa, quanto pelo fato de que Valtrana não compareceu ao jantar nessa ocasião. Elizabeth ainda estava ali, mas tão calada que era quase como se não estivesse.
Jantar encerrado, Conrad e Gwendal se retiraram, e Cecilie também deixou os dois garotos bem a vontade, como ela gostou de destacar. Wolfram levou Yuri até uma das salas de vídeo da casa, mas, por infortúnio do destino, Elizabeth insistiu em ir assistir a um filme com eles também. Yuri disse que não se importava — embora se importasse, e muito -, e, mesmo que Wolfram fizesse questão de deixar bem claro que a garota não era bem vinda ali, ela não pareceu se importar e os acompanhou de perto.
A sala com televisão era absolutamente incrível. Tinha um enorme sofá, bem espaçoso e grande, e mais duas poltronas reclináveis, grandes e confortáveis, ao lado. O sistema de som era de fazer inveja a qualquer cinema, e a tela da televisão, se é que podia ser chamada de televisão, ocupava metade da parede. Havia uma grande estante do outro lado, e só quando Wolfram se dirigiu até lá e indagou que filme Yuri gostaria de assistir, foi que ele percebeu que ela era recheada de filmes, de cima a baixo, separados por gênero. Era como ter uma locadora dentro de casa. Yuri se esforçou muito para não parecer impressionado demais, ou faria papel de idiota bem na frente de Elizabeth, que era tão acostumada com isso que já estava sentada na ponta do sofá, esperando que eles escolhessem.
Yuri ficou bem tentado a escolher o pior filme de terror possível, e talvez Elizabeth ficasse com tanto medo que desistisse de ficar ali, mas ele lembrou que Wolfram também não gostava muito de filmes assim, e disse que qualquer um estava bom. Elizabeth queria assistir a uma comédia romântica, e Wolfram gostava de filmes históricos, mas eles acabaram decidindo, por fim, assistir um de ação.
Como Elizabeth havia sentado na ponta do sofá, restou aos dois garotos sentarem com ela, ou teriam que ficar separados cada um em uma poltrona. Yuri fez questão de ser rápido e ficar no lugar diretamente ao lado dela, fazendo Wolfram ficar na outra ponta. Ela bufou disfarçadamente, contrariada com a situação.
Sendo sincero, Yuri não tinha ideia sobre o que era a história do filme. Era Capitão América, e ele gostava de histórias em quadrinhos, afinal. Tinha uma guerra, militares, tanques, bombas explodindo, sacrifícios nobres, um cara magro que de repente ficava musculoso, e a bandeira dos Estados Unidos. Ele sentia que poderia muito bem gostar do filme, se estivesse com ânimo para assistir. Mas tudo o que conseguia pensar era que Wolfram estava bem ali ao seu lado, no escuro, em um sofá… E ele não podia fazer nada porque aquela garota insistia em ficar ali também. E o pior de tudo era que estava evidente na cara dela que ela nem mesmo prestava atenção no filme! Só estava ali para atrapalhar, era óbvio.
Disfarçadamente, Yuri conseguiu deslizar a mão pelo sofá para alcançar a de Wolfram. Ele ofegou, mas soube disfarçar bem, e entrelaçou seus dedos com os dele, sem tirar os olhos da tela da televisão, como se realmente estivesse assistindo. Do ângulo de visão que Elizabeth tinha, ela dificilmente perceberia. Mas Yuri queria muito que ela visse isso, e talvez assim ela parasse de ser tão persistente com Wolfram.
— Oe, Yuri… Yuri, acorda…
Algo empurrou-o pelo ombro, e Yuri apertou os olhos, abrindo-os de repente. Estava na sala agora completamente iluminada, e na enorme televisão, os créditos de um filme que ele assistiu pela metade passavam.
— Posso pegar seu DVD emprestado pra ver outro dia? – Foi a primeira coisa que ele disse ao acordar, limpando o canto da boca com as costas da mão enquanto se erguia. Seu cabelo estava amassado do lado onde ele caíra no ombro de Wolfram, e agora parecia que ele havia sido todo varrido para uma direção só.
— Claro, por que não? É melhor irmos dormir… — Ele se levantou, e Yuri, ainda lento pelo sono, sentiu suas pernas protestarem pelo movimento descuidado. Só podia ser efeito colateral da cavalgada de mais cedo. Nossa, como seus quadris doíam.
— Cadê a sua… amiga, ou sei lá…? – Ele murmurou com voz arrastada, esfregando um dos olhos.
— Ela saiu assim que o filme acabou. Parecia meio relutante em ir embora, mas provavelmente estava com sono demais para aguentar.
— Hm... Que bom. — Foi somente isso que Yuri disse, antes de seguir Wolfram para fora da sala. Ele recebeu um par de pijamas de Wolfram, camisa e bermuda cor de creme, com pequenos detalhes em branco. Aquele pijama… era de seda? Depois de se trocar e se ajeitar para dormir, foi conduzido até o quarto de hóspedes, o mesmo que utilizou na sua primeira visita, que ficava ao lado do de Wolfram.
— Os quartos de Gwendal e Elizabeth ficam nesse andar também, um de cada lado. — Ele apontou para as outras duas portas, uma à esquerda e outra no fim do corredor. Yuri assentiu, embora não soubesse por que essa informação viria a ser pertinente a ele. – Eu vou dormir… Boa noite… — Wolfram murmurou, acenando com a cabeça. Yuri inclinou-se na direção dele, e roubou seus lábios por um breve segundo.
— Boa noite. – Ele sorriu, entrando somente então no seu quarto. O cômodo ainda era exatamente da maneira que na primeira vez que o viu. Mas somente porque hoje Yuri não estava tão perturbado por ter acabado de beijar seu melhor amigo, que agora era seu amado namorado, ele pôde apreciar realmente o quanto era amplo e bem decorado. Era impressionante o quanto a impressão de um lugar podia mudar de acordo com o humor da pessoa que o visitava. Da primeira vez, Yuri estava tão desconcertado que mal pôde prestar atenção no que quer que fosse. Sentia-se culpado pelo que havia feito, e nem conseguira dormir direito a noite toda. Mas agora, estando tão relaxado e satisfeito, é claro que aquela cama parecia absolutamente convidativa, e tudo o que Yuri queria era deitar nela e sonhar pela noite inteira.
Desligando a luz, ele deitou na cama enorme e confortável, enrolando-se nos cobertores macios. O pijama tinha o cheiro de Wolfram impregnado nele. Assim, ele podia dormir com a ilusão de que o loiro estava ali com ele… E, apesar de soar meio estranho, isso fazia Yuri sorrir.
Ele mal havia pregado os olhos e começado a se encaminhar para o mundo dos sonhos quando ouviu um barulho do lado de fora do quarto. Porta abrindo? Passos? Uma voz baixa e… feminina?
— Não, Elizabeth! Volte a dormir, eu só estou indo pegar um copo d’água. — Essa era definitivamente a voz de Wolfram. Mais passos, e um longo silêncio. De olhos fechados, Yuri tentava captar qualquer ruído para entender o que acontecia.
Minutos depois, mais passos. Dessa vez, a voz de Elizabeth soou mais alta.
— Você não está com sono?
— Você ficou esperando esse tempo todo até eu voltar? Pelo amor de Shinou, Elizabeth, vá dormir! – Passos pesados de Wolfram, e o barulho da porta dele batendo. Um suspiro, e então, outra porta se fechado do outro lado. Yuri aguardou, mas nenhum barulho a mais se ouvia. Será que era assim todas as noites em que aquela garota ficava na casa? Tudo bem que agora ela estudava na tal escola interna, e só retornava para aquele lugar nos feriados, mas, ainda assim… Ela tinha acesso total ao quarto de Wolfram! Podia entrar lá enquanto ele dormia… E Wolfram tinha o sono pesado, é claro que jamais saberia se ela resolvesse fazer qualquer coisa de estranho. Subitamente, Yuri ficou apreensivo, e já não queria mais dormir. Só de imaginar aquela garota chegando perto de Wolfram, ele ficava aflito, e não conseguia fechar os olhos.
Outra vez, ruído de porta se abrindo, agora tão baixo que mal dava para se ouvir, se não fosse o silêncio da noite. Yuri apurou os ouvidos. Era aquela garota tentando invadir o quarto de Wolfram? Nenhum som além do farfalhar dos galhos das árvores do lado de fora. Ela teria desistido? Então, ele ouviu outro arrastar de porta, e, dessa vez, era a do seu quarto. Passos de pés descalços se aproximavam. Deus, a garota era maluca! Ela estava tentando matar Yuri durante o sono, para eliminar a concorrência?
Yuri estava pronto para pular da cama, quando sentiu o peso de mais alguém subindo ao seu lado. Virou-se subitamente, com um grito pronto para ser desferido, mas uma mão delicada tapou sua boca antes que ele pudesse.
— Quieto, fracote! Quer que alguém nos ouça?
Os cabelos loiros brilhavam fracamente à luz da lua, mas, no escuro, pouco se podia ver da sua expressão. Apenas o cintilar dos olhos verdes eram visíveis. Yuri soltou o ar, aliviado, e tirou a mão de Wolfram da sua boca.
— Wolf… O que está fazendo aqui?
Wolfram esticou-se para trás e ligou o abajur que estava mais perto dele. A luz tênue iluminou fracamente o quarto. Agora, podendo visualizar Wolfram por inteiro, Yuri não pôde deixar de soltar uma exclamação de surpresa e deleite.
Ele usava uma longa camisola cor-de-rosa, que provavelmente iria até seus tornozelos, mas agora, como ele estava ajoelhado sobre a cama, deixava à mostra parte das suas pernas; tinha mangas compridas e babados suaves em todas as barras, além de fitas de cetim formando lacinhos na região do peito. A gola era larga e solta, caindo delicadamente pelo lado do ombro, deixando aparecer uma parte da clavícula. Para completar, ele ainda tinha os cachos cor-de-mel bagunçados, e o rosto estava naturalmente ruborizado.
— Eu preciso mesmo de um motivo para vir até aqui? Essa é a minha casa, e você é meu namorado. Eu posso entrar nesse quarto a hora que eu quiser.
— M-mas… você está… vestido assim… E a essa hora… Na minha cama… — A voz dele foi sumindo até desaparecer completamente, e Wolfram não escutou a última parte.
— Algum problema com a maneira como eu me visto para dormir? – Ele se colocou na defensiva, juntando as pernas para sentar mais ereto. – Pois saiba que foi um presente da minha mãe! E ela disse que combina muito comigo!
— Combina sim… — Yuri sentou na cama, fitando-o de maneira quase fascinada. – Você está… Nossa…
— Yuri... Que cara de idiota é essa? – Wolfram balançou a mão na frente do rosto dele, fazendo-o finalmente desviar os olhos do seu corpo e encará-lo diretamente. – Eu… estava sem sono, então vim ver como você estava, sabe? Deveria ser grato por ter alguém assim tão zeloso quanto eu, preocupando-me com você.
Aparentemente, ele não tinha a menor ideia do efeito que vê-lo em seus trajes de dormir havia tido em Yuri. E pensar que muitos meses atrás ele tinha rido quando Wolfram contou que dormia em uma camisola. Agora, ele simplesmente não conseguia desgrudar os olhos daquela visão tão inesperadamente atraente.
— Wolfram… Você… quer d-dormir aqui comigo? – Yuri custou a conseguir gaguejar aquelas palavras, quase sem acreditar. O loiro virou o rosto para o lado, hesitante, mas acabou por confirmar.
— E se eu quiser, qual o problema? – Ele deitou na cama sem cerimônia nenhuma, ajeitou um dos travesseiros debaixo da sua cabeça, e ainda puxou a maior parte do cobertor para si. – Não é como se nós não tivéssemos dormido no mesmo quarto antes, não é?
Sim, mas naquela ocasião, eu dormi no chão. Nós éramos somente amigos. E você não estava usando uma camisola sexy para perturbar a minha mente e me fazer perder a inocência, Wolfram!
Era o que Yuri queria responder, mas não tinha certeza se sua sinceridade seria bem vinda naquela hora. Tentando acalmar seus pensamentos, ele respirou fundo, e tentou encarar aquela situação como algo normal. Era somente uma roupa. Nada demais. Eles poderiam dormir na mesma cama sem que nenhum pensamento estranho ocorresse a Yuri. Ele não era assim tão fora de controle. Era algo comum, dois amigos dormindo juntos. Só que eles não eram somente amigos, é claro…
De olhos fechados, ele deitou também, com apenas metade do corpo coberto pelo cobertor, embora ele não sentisse realmente frio agora, e ainda rígido e imóvel como uma múmia. Era ridículo, ninguém conseguiria dormir assim. E Wolfram pareceu sentir a tensão de Yuri no ar.
— Pode vir mais perto… — Ele se aproximou, jogando um pouco mais de cobertores para o lado dele, cobrindo-o. Então, chegou ainda mais perto, e se aconchegou no peito dele. Yuri sentiu que iria explodir por dentro, ao sentir a perna lisa de Wolfram tocar superficialmente a sua perna esquerda.
— W-Wolfram… — O chamado de Yuri soou mais como um lamento. – Acho melhor nós…
Wolfram ergueu os olhos, passando a mão pelo peito de Yuri para se apoiar, e suas pernas se enlaçaram um pouco mais. Yuri engoliu em seco.
— O que houve, Yuri? – Ele indagou, com os olhos semicerrados. O abajur atrás de Wolfram ainda estava ligado, e lançava reflexos fracos pelas paredes, e parte da luz atravessava o tecido pesado do dossel e chegava até ele.
— Nada… Está… tudo bem… — Ele balbuciou, sem ter a menor noção do que quer que estivesse falando.
Instintivamente, aproximou-se de Wolfram, e seus olhos pareciam vidrados, quase como se estivesse hipnotizado. Acariciou de leve o rosto do loiro, afastando uma mecha enrolada que caia sobre o olho, e o trouxe para mais perto. Assim que seus lábios se tocaram, Yuri perdeu o último resquício de razão.
Invadiu os lábios de Wolfram com a língua ávida, brigando por espaço, levando o corpo dele para trás até que caísse novamente no colchão. De início, Wolfram relutou, mas logo não resistiu, e enlaçou o pescoço de Yuri, permitindo que ele avançasse ainda mais.
Yuri afastou-se, buscando por ar, e então atacou o pescoço de Wolfram, exatamente onde ele havia deixado uma quase imperceptível marca mais cedo (que não havia sido notada somente porque Wolfram usava golas altas), mas agora com mais voracidade, provando a pele macia e doce com vontade. Wolfram protestou, com um grunhido vindo do fundo da garganta. Yuri deslizou a mão pelo tecido macio da camisola até a perna exposta, apertando e sentindo a textura cálida da pele, e arrancando outra interjeição indistinta do nobre.
— Y-Yuri! O que deu em v-você…? – Wolfram inquiriu, ofegante, sentindo a mão de Yuri subir novamente pela perna, por cima da roupa, até a sua cintura.
— Eu não sei… — Yuri respondeu, o ar da sua respiração pesada tocando o rosto dele. – Eu só… quero… tocar você… Tudo bem? – Ele fitou-o diretamente, e Wolfram viu em seus olhos um brilho irreal e sem controle, de emoção e de vontade de continuar daquela maneira. De desejo.
— Sim… — Ele apenas assentiu com um leve menear de cabeça, e voltou a erguer o rosto para outro beijo profundo de Yuri. Ele nunca havia sido assim tão incisivo, e Wolfram não entendia o porquê daquela atitude tão inesperada, mas não era como se não estivesse esperando que algo acontecesse quando se esgueirou para a cama dele, de qualquer maneira.
Yuri deslizou os lábios até a orelha de Wolfram, mordiscando o lóbulo e roçando os dentes ligeiramente, confirmando as suas suspeitas de que aquele era um ponto sensível em Wolfram, já que ele se encolheu e cravou as unhas nas suas costas quando fez isso. Desceu mais um pouco, em direção ao pescoço, e então o ombro, passando os lábios de leve por toda a extensão. Com a mão, deslizou um pouco a camisola pelo braço, e ela cedeu facilmente, deixando parte do peito de Wolfram de fora. Era muito fácil tirá-la, e só fez Yuri gostar ainda mais daquela peça de roupa.
Ele pressionou Wolfram contra a cama com seu próprio corpo, enquanto ladeava com uma perna a cintura dele. Ter o peso de Yuri sobre si não era exatamente desconfortável, Wolfram constatou. Na verdade, gostava disso. Da sensação de estar seguro, protegido… Sentiu novamente o ofegar pesado do moreno no seu ouvido, e o abraçou pela cintura, trazendo o tórax dele contra o seu. Yuri tomou seus lábios mais uma vez, roçando seus corpos no processo, e Wolfram não pôde conter outro gemido.
A camisola subia enquanto Yuri se movia em cima de si, e Wolfram sentiu algo formigar, queimar, na parte inferior do seu abdômen. A perna de Yuri roçou ali, enquanto ele se apoiava nela para aprofundar o contato com a boca do loiro, e ele gemeu alto com a sensação súbita que subiu até sua cabeça. Ao se dar conta disso, cobriu os lábios com a mão, como se isso pudesse esconder o que acabara de se tornar óbvio.
Aquilo não podia estar acontecendo.
Yuri sentiu algo se encostando à sua perna, quente e rijo. Custou a acreditar que poderia ser exatamente o que pensou, mas, ao ver o semblante absolutamente perturbado de Wolfram, não restaram dúvidas. Sem hesitar, ele voltou a atacar o pescoço alvo do loiro, do outro lado dessa vez, ao mesmo tempo sua mão apertava-o pela cintura, descendo ainda mais pela perna, e voltando a subir por baixo do tecido.
— Y-Yuri… O que… — Com a voz soprada e fraca, Wolfram tentou se afastar, mas não tinha forças nos braços para tal. – O q-que você… p-pensa… q-que está… Ah… — Ele não conseguiu concluir a frase, com a mão de Yuri deslizando do joelho até o quadril, por baixo da camisola.
— Eu só quero fazer você se sentir bem… — Ele respondeu em um sussurro, no ouvido de Wolfram, fazendo-o estremecer da cabeça aos pés. Aquele era mesmo o Yuri que se impressionava com cada pequena coisa, que só sabia falar de baseball, tinha medo de montar em um cavalo, e fazia guerrinhas de bola de neve? Ele parecia tão seguro de si agora, com aqueles olhos negros e profundos esquadrinhando-o por inteiro, como se pudesse enxergar sua alma e os seus pensamentos com somente isso. Wolfram teve dificuldades para formular uma resposta, com aquele lado desconhecido e completamente diferente do seu namorado sendo mostrado. Porém, não era como se ele detestasse completamente o fato de Yuri tomar atitudes, às vezes…
Wolfram escondeu o rosto, corado até a raiz dos cabelos, no ombro de Yuri. Não sabia o que dizer. O volume entre suas pernas continuava a aumentar, e ele sentia que poderia desmaiar a qualquer segundo, de constrangimento ou de cansaço.
— Eu posso? – A voz de Yuri vacilou um pouco, e ele voltou a parecer como sempre, dedicado e preocupado. Wolfram agarrou-se a ele, por pouco não deixando escapar outro gemido. Ele encarou a ação como uma confirmação, e pressionou mais uma vez o local com a perna, apenas para garantir. Wolfram gemeu mais uma vez em seu ouvido, fazendo-o tremer.
— Eu quero… que seja você, Yuri… — Ele deixou escapar, apesar do constrangimento. Yuri voltou a beijá-lo, lenta e profundamente dessa vez, abraçando-o com cuidado. Seus corpos se roçaram um no outro, e ele subiu um pouco mais a longa camisola enquanto invadia com a mão o tecido, até a cintura dele. Wolfram ergueu a perna agora completamente de fora, afagando com ela o lado do corpo de Yuri, aumentando o ponto de contato entre eles. Agarrou-se aos cabelos curtos e negros, deixando que mais ruídos vagos deixassem seus lábios, direto para os ouvidos de Yuri.
— A-alguém pode entrar? – Arquejante, Yuri conseguiu pensar naquela questão, apesar do seu cérebro estar complemente nublado.
— Hm… — A resposta era aparentemente negativa. – Eu tranquei… a porta… — Wolfram não conseguia falar direito.
Yuri, então, voltou a se concentrar no que fazia. Pensou bem antes de continuar, e foi passando a mão pelo tórax de Wolfram, e descendo, até finalmente sentir que tocava a roupa de baixo dele. Wolfram mordeu o lábio inferior, sentindo os dedos trêmulos de Yuri deslizando por cima do tecido, lenta e torturantemente, até que esbarrassem com a sua evidente excitação.
Por reflexo, Yuri encostou seu próprio quadril contra o de Wolfram, e ele ofegou, ao perceber que o outro encontrava-se no mesmo estado que ele. Os dois permaneceram dessa maneira por poucos segundos, enquanto seus cérebros trabalhavam mais do que rapidamente para entender a situação.
— Se você quiser, nós podemos parar agora… — Yuri sugeriu, temendo que estivesse indo longe demais, embora estivesse certo de que não estava em condições de agir racionalmente.
— Não… — Wolfram arfou, apertando tanto o tecido da camisa do pijama em Yuri que poderia rasgá-la. – Não ouse… p-parar agora… — Ele ofegou.
Seu coração batia tão rápido que era doloroso, e ele podia sentir claramente que o de Yuri palpitava na mesma frequência que o seu. Não importava, naquele momento, que aquela fosse uma circunstância embaraçosa, ou que os dois não soubessem exatamente o que deveria ser feito. O instinto, sensação mais primária e irracional do ser humano, era o que comandava suas ações. Wolfram só queria sentir que Yuri estava ali, ao alcance dos seus braços, de uma vez por todas. Queria pertencer a ele, de uma forma completamente ilógica e desconexa. Queria terminar o que havia começado.
Yuri se moveu minimamente, mas foi o suficiente para que seus corpos incitasse um ao outro. Ele arquejou, liberando sua voz em um gemido contido. Sentiu Wolfram relaxar abaixo de si, tornando a rodear seu pescoço com os braços, tomando-o em outro beijo sôfrego e quase desesperado.
Sem mais aguentar, Yuri enfim adentrou o tecido fino da roupa íntima de Wolfram, e sentiu as unhas dele arranhando suas costas, enquanto descia vagarosamente pela virilha. A luz do abajur reluzia na fina camada de suor que cobria os corpos de ambos os garotos. Wolfram cobriu os lábios com uma mão, abafando um longo gemido, no exato instante em que Yuri envolveu o seu membro completamente com a mão.
Naquele momento, todo e qualquer resquício de pensamento coerente deixou de existir. Wolfram só conseguia emitir ruídos sem significado, no mesmo ritmo em que Yuri movia a mão, ora apertando um pouco mais a base, ora deslizando os dedos para cima.
— Y-Yuri…. Ah, Yuri… Anh...!
Yuri avançou mais uma vez com um beijo, explorando completamente a boca do loiro ao ponto de que ele se esqueceu de respirar. Enquanto sua mão ainda continuava indo e vindo, ele segurou Wolfram pela cintura, e, sentando-se na cama, puxou-o para seu colo. Já não aguentava mais, sentindo o corpo de Wolfram tocar o seu a cada reflexo involuntário. Se não fizesse algo, sentia que ia explodir.
Nunca, em toda a sua vida, havia se sentido daquela maneira. Seu corpo inteiro queimava, ardia, e cada terminação nervosa da sua pele respondia ao contato com Wolfram mais do que imediatamente. De alguma forma, ele conseguiu acomodá-lo entre suas pernas, e o loiro escondeu o rosto no seu ombro, agarrando-se aos seus cabelos. Então, naquela posição, juntou suas excitações e as estimulou ao mesmo tempo.
— W-Wolf… Ahh… — Ele também já não conseguia mais conter sua voz, e a cada vez que gemia o nome dele, sentia que estava mais perto do ápice. Wolfram agarrou-se com força nas costas de Yuri, marcando-o com as unhas a cada nova onda de prazer que seus nervos lançavam por todo o seu corpo.
Yuri abriu os olhos, vendo o rosto de Wolfram logo acima do seu. A face inteiramente rubra, os olhos fechados, os lábios vermelhos e entreabertos por onde a respiração quente e fragmentada saía em pequenos arquejos. Yuri não conseguia desviar os olhos daquela imagem. Aumentou a velocidade, e sentiu-o estremecer por inteiro, agarrando-se ainda mais nele.
— Ah… Ahn… M-mais um p-p-pouc- Ah! – Wolfram exigiu, a voz saindo com dificuldade pelos lábios entreabertos, ressecados pela respiração descuidada.
— Ahh… Eu… t-também… Hmn…
Yuri ergueu o rosto alguns centímetros, apenas o suficiente para selar seus lábios com os de Wolfram, e, abraçando-o pela cintura, enfim, sentiu o líquido quente respigando pela sua pele. Primeiro Wolfram, e Yuri veio logo em seguida. A voz dos dois, abafadas pelo contato dos lábios, escaparam em uníssono, antes de Wolfram finalmente desabar para trás na cama, e Yuri cair deitado sobre ele.
Nenhum dos dois se mexia ou dizia qualquer coisa, embora ainda estivessem acordados. A respiração e a frequência cardíaca de ambos demoraram a se recuperar plenamente, e eles apenas ficaram ali, de olhos abertos no quarto fracamente iluminado, tomando consciência do que haviam acabado de fazer. Era difícil acreditar.
Yuri foi o primeiro a se mover, e, depois de se ajeitar, acomodou-se bem ao lado de Wolfram, cobrindo-o cuidadosamente antes de abraçá-lo. Não iria pedir desculpas, nem dizer que havia sido um engano, um ato impulsivo. Não era assim. Ele não se arrependia do que havia acabado de acontecer, por mais que não soubesse as dimensões do que fizeram, e sabia também que Wolfram não era o tipo de pessoa que voltava atrás no que fazia. Talvez tivessem ultrapassado algum limite, ou não fosse a hora certa- mas ele não iria pensar nisso como um erro. Na verdade, sentia mais como se tivesse subido mais um degrau na sua relação com Wolfram. Sentia-se mais próximo dele do que nunca, e essa sensação não tinha preço.
Percebeu que ele timidamente retribuía ao seu abraço, afundando o rosto em seu peito, enquanto virava-se na sua direção. Os dois estavam tão perto um do outro agora que era como se fossem um individuo só. Yuri sorriu, encostando os lábios na testa de Wolfram, fechando os olhos. Agora, estava tão cansado e satisfeito que não demoraria nem mesmo um segundo para pegar no sono. Mas, antes disso, ouviu claramente a voz branda e soprada de Wolfram sussurrando contra a sua pele.
— Eu te amo tanto, Yuri…
Fale com o autor