Sono Te Hanasanaide
18 Capítulo XVIII
Yaru shika nai
Tenho que tentar
Nante kuchi de itte wa mita kedo
Parece que foi isso o que eu falei
Atashi no chiisa na omoi ja
No meu pequeno pensamento
Totemo sekai wa ugoka nai
O mundo não se move
Tanoshii koto bakari no mainichi ja nai desho dakedo
Os dias não são apenas divertidos mais, mas
Soredemo egao de itai
Ainda assim quero sorrir.
Sonna jibun wo shinjita
Eu acreditei em mim mesmo dessa vez
Capítulo 18
Yuri engoliu em seco ao chegar enfim no endereço que Wolfram escrevera com sua letra rebuscada em uma folha de caderno. A casa em questão não era um palácio de pedra, com fosso, guaritas e talvez um dragão, como ele imaginara. Mas era enorme, gigante, perto da modesta casa dos Shibuya, e Yuri tinha a impressão de que a casa iria engoli-lo a qualquer instante.
Era antiga, cheia de detalhes arquitetônicos e rebuscados traços vitorianos em sua construção. Atrás das pesadas grades de ferro negro, um extenso jardim repleto de flores e árvores com um gramado verde se estendia por muitos metros até a casa. No jardim, havia estátuas iguais às que adornavam a frente da sua escola, com o Shinou e o Grande Sábio de Shin Makoku. Yuri não saberia disso, mas foram eles também quem construíram aquela mansão, inicialmente, ao se instalarem naquela localidade do Japão onde moravam, e hoje servia de residência para a exilada família real do país.
Sentindo-se absolutamente tentado a sair correndo enquanto ainda tinha chance, ele tomou coragem e respirou fundo, apertando de leve o botão da campainha que ficava logo ao lado de um colossal portão de ferro, esperando que talvez não o escutassem. Viu uma câmera acima de sua cabeça se mexer, olhando diretamente para ele, e então, com um ruído, o portão começou a se mover para trás, abrindo passagem para o garoto, que sentia que estava prestes a desmaiar como uma menininha.
Assim que colocou os pés para o lado de dentro, e sentiu que não tinha mais volta, começou a andar, olhando para todos os lados da passagem de entrada rodeada por árvores que faziam sombra com seus galhos entrelaçados. Depois de alguns poucos minutos de caminhada, quem estava pronta para recepcioná-lo do outro lado era Cecilie, a mãe de Wolfram.
— Ah, Yuri! – Ela o recebeu de braços abertos, sem dar a chance do garoto se pronunciar. – Eu mal acreditei quando o Wolf contou que você viria! Venha comigo! Ele ainda está na sua prática de Esgrima, vai ficar surpreso quando souber que você chegou!
— Hm… Certo, Cecilie-san… — Yuri ainda estava um tanto desconfortável e perdido com aquela sequencia de eventos. Cecilie o tomou pelo braço, conduzindo-o pelo pátio da mansão, que poderia muito bem fazer parte do Jardim Botânico.
— Você pode me chamar de Cheri, querido! Sabe, Wolfram nunca trouxe amiguinhos para casa, então eu estou muito animada com a sua visita! Mesmo que vocês não sejam exatamente “amigos”…
— Mas nós somos amigos! – Yuri rebateu no automático, mas logo se arrependeu. Se a própria mãe de Wolfram estava afirmando que eles não eram amigos, por que ele ainda insistia nisso? Será que ela achava que ele não era adequado como amizade para seu filho?
— Oh, não, é claro que são, eu não quis dizer isso dessa maneira! – Ela se apressou em corrigir, e estava dando um sorriso tão radiante que Yuri logo relevou o mal-entendido. Ela era realmente muito parecida com Wolfram, e Yuri se acostumou tão rápido com a presença dela que logo se sentiu mais a vontade, esquecendo de vez o pequeno relapso, e não voltando a pensar no assunto.
O tour pelo jardim durou alguns minutos, enquanto eles rodeavam a casa para ir até onde Wolfram estava. Enquanto isso, Cecilie contava algumas das coisas que sabia sobre a propriedade e ainda comentou sobre o quanto gostava do Japão. Yuri ouvia a tudo atentamente, e às vezes até se atrevia a fazer algum comentário engraçado, do qual Cecilie ria com vontade. Logo, eles chegaram até um pátio lateral, que era cercado por arcos de pedra decorados, que davam sustentação ao resto da casa no térreo. Do outro lado, o jardim continuava se estendendo, separado apenas por uma divisória de tijolos rente ao chão, e os irrigadores trabalhavam ininterruptamente, espalhando água pela vegetação extensa do lugar.
Duas pessoas estavam lá, usando roupas estranhas. Wolfram era um deles, vestindo um uniforme inteiramente branco, que possuía alguns tipos de proteções e um capacete na sua cabeça. Yuri só foi capaz de identificá-lo por causa das mechas loiras que escapavam pelo visor, e é claro, pela pose altiva e nobre que ele demonstrava, com uma espécie de espada em punho. Do outro lado, outra pessoa vestia o mesmo tipo de roupa, e os dois estavam em combate. Cecilie comentou que se tratava de Conrad, o irmão mais velho de Wolfram que Yuri já conhecia.
Ele e Cecilie permaneceram em silêncio ao lado das pilastras laterais, observando o treino. Wolfram avançou com o florete, em um movimento único e seguro, quase como em um passo de dança ensaiado. Mesmo naquela condição, ele ainda conservava aquela elegância que era sempre notável. Yuri não sabia o que o adversário havia feito em contraponto, porque nesse momento, só conseguia manter os olhos em Wolfram. Aquele era mesmo o seu amigo, que reclamava da educação física e mal conseguia segurar um bastão de baseball? Ele estava se esforçando tanto naquele momento, e seus movimentos eram tão precisos e belos, que Yuri nunca imaginou que uma luta podia ser tão bonita.
Só então Yuri percebeu que Conrad havia desferido outro golpe certeiro na direção de Wolfram, e este perdera a sua arma. Ele perdeu também o equilíbrio, caindo sentado no chão. Conrad retirou a sua máscara, e sorriu para o irmão mais novo. Ele relutou, retirando a sua máscara também enquanto resmungava qualquer coisa, e aceitou a ajuda que Conrad oferecia para levantar-se.
Cecilie bateu palmas, gritando elogios aos seus dois bebês, e então Wolfram finalmente reparou na presença de Yuri, que ainda estava impressionado pela luta que acabara de assistir. O loiro correu na sua direção, um tanto perturbado. Estava suado, o cabelo úmido grudava na testa, e a respiração ainda estava ofegante por ter se movimentado muito. Yuri nunca imaginou em vê-lo tão descomposto daquela forma, o sempre tão perfeito Príncipe da escola, mas também, sentia-se um tanto presunçoso consigo mesmo, porque sabia que eram poucas as pessoas que podiam vê-lo dessa maneira.
— Olá, Yuri. Há quanto tempo… Como vai? — Conrad o cumprimentou afetuosamente, como um velho conhecido.
— Sim, eu estou ótimo! – Yuri respondeu, sem sentir-se desconfortável com o irmão de Wolfram também.
— Eu pensei que você só chegaria mais tarde! – Wolfram interrompeu a conversa casual com displicência. Seu tom de voz ficava entre a surpresa e a repreensão. Yuri, já acostumado com isso, nem ligou.
— Hehe… Foi mal… — Yuri esfregou a mão nos cabelos, sorrindo sem graça, sob a observação constante e quase incômoda de Conrad e de Cheri, que sorria de forma aberta e suspeita. – Ah! E eu gostei de ver você lutando! É muito legal! – Ele se apressou em dizer, sem achar nada melhor para falar. Wolfram corou levemente com o elogio, e cruzando os braços, virou o rosto para disfarçar.
— Você não quer tentar? – Conrad indicou a espada que segurava, oferecendo-a a Yuri, que engasgou, sem esperar por aquilo. – Vamos lá, Wolfram, ensine para ele.
— Eu não tenho obrigação de ensinar algo tão nobre quanto a luta com espadas para um fracote desses. – Ele replicou, ainda sem encarar Yuri.
— Não seja mal-educado, Wolf! – Cheri o repreendeu, embora não parecesse tão séria assim. – Vocês têm que esperar até a noite para fazer o trabalho mesmo! Enquanto isso, deveriam brincar, vocês dois! – Ela deu a ordem, empurrando os dois garotos de volta para o centro do pátio. Conrad empurrou a espada para a mão de Yuri, e antes que ele percebesse, já estava no meio do gramado, de frente para Wolfram.
— Ah… E-eu… não preciso de uma roupa de proteção também? – Ele ainda estava incerto, e com um pouco de receio também. Mal conseguia segurar a tal espada nas mãos, e tinha certeza de que Wolfram poderia acabar com ele sem nenhum esforço.
— Wolfram vai pegar leve com você, não é? – Conrad ria tranquilamente, e o loiro bufou, irritado. Yuri pedia internamente para que ele parasse de incomodar Wolfram. Sabia que o amigo não o machucaria… mas era melhor que ele estivesse um pouco menos estressado, certo?
— Eu faço… m-mas não fiquem olhando!! – Wolfram reclamou, parecendo mais uma criança, e Yuri teve que se segurar para não rir do rosto todo vermelho dele agora. Ainda rindo, Cheri acompanhou Conrad de volta para dentro da casa, embora Yuri pensasse que talvez ela ainda voltasse para dar uma olhadinha.
— Então, o que eu tenho que fazer? – Yuri estava começando a se animar mais uma vez. Devia ser divertido, lutar com espadas assim como ele fazia nos jogos. Wolfram sorriu pela primeira vez, de forma prepotente, e parecia agora mais disposto.
— Agora é a minha chance de cobrar por aquela “aula” de baseball, certo? – Ele sibilou, apontando a espada para o peito de Yuri, sem se preocupar em colocar de volta a máscara de proteção. O moreno engoliu em seco, e ao lembrar-se do evento que Wolfram citava, ficou instantaneamente nervoso. Na ocasião, havia reagido de forma bizarra com a aproximação demasiada do outro e, de repente, sentiu medo de que aquilo se repetisse. Mas não havia, como, certo? Ele só tinha que defender… Segurando com força a espada, ele tentou se colocar em posição defensiva, como quando ia rebater a bola. – Não, não, isso daqui não é baseball! Coloque um pé na frente do outro, e segure a espada com uma mão só!
Yuri se atrapalhou, e o repentino pensamento de que Wolfram podia se aproximar para ensiná-lo, da forma como ele mesmo havia feito em outra ocasião, o aterrorizou. E se ele fizesse isso, e aquelas reações voltassem a se repetir? Seria terrível! Seu coração já batia rápido com aquela perspectiva, enquanto ele se forçava a tomar uma posição que julgava como sendo correta apenas para evitar a situação criada em sua mente.
Porém, Wolfram não se aproximou para corrigi-lo, e nem disse mais nada. Ao contrário, ele tomou posição ofensiva, e com a arma em punho, avançou contra o completamente despreparado Yuri. O garoto pulou para trás, enquanto Wolfram o golpeava com a espada sem hesitação, e moveu-se de forma a escapar dos ataques desmedidos. Balançou a arma aleatoriamente, batendo-a contra a lâmina de Wolfram, mas isso não o parou, e ele continuou avançando, desferindo outro movimento que o desarmou, Sem a arma, Yuri não tinha outra opção além de recuar, até que estivesse completamente encurralado contra a divisão do pátio lateral, que o separava do resto do jardim.
Wolfram lançou mais um golpe, na lateral de Yuri, e embora não tivesse o acertado de fato, desequilibrou-o. Ele tropeçou na baixa divisão do muro, e caiu para trás, segurando-se na jaqueta de Wolfram e o trazendo consigo. Os dois acabaram desabando na grama, Yuri sentado e Wolfram caído deitado desajeitadamente no seu colo.
— Ah, desculpe… — Yuri disse rapidamente, ainda confuso com aquela sequência tão dinâmica de eventos.
— Idiota, você não consegue nem segurar uma espada…! — Apesar das palavras duras, Wolfram ainda sorria contidamente. Yuri pensou que nunca havia o visto de forma natural, assim de perto. Ele estava bem e à vontade, e nem reparou no fato de que ainda estava caído entre as suas pernas. E mais: estava genuinamente se divertindo com a situação.
— Você luta bem… — Ele disse sem pensar, erguendo uma das mãos, passando-as pelos cachos desarrumados do loiro, como em um cumprimento complementar ao elogio. Já há bastante tempo que sentia uma vontade irracional de tocar naqueles cabelos, embora nem tivesse parado para pensar nisso.
Wolfram arquejou, surpreso, e ia se afastar rispidamente, preparando-se para erguer-se do chão. No entanto, antes que pudesse, o irrigador do jardim mudou de direção, e os atingiu em cheio. Encharcados, os dois saíram correndo para fugir da água, com Wolfram reclamando a altos brados enquanto Yuri juntava o florete de Conrad que estava alguns passos adiante, rindo da situação inesperada.
— Wolfram! – Cheri chamou de repente, sobressaltando os dois garotos que ainda se recuperavam da sua “luta”. – O seu banho já foi preparado! Oh, vocês estão encharcados! O que aconteceu? – Yuri apenas riu em resposta, enquanto Wolfram explicava rapidamente, e Cheri sorriu de maneira satisfeita, lembrando um pouco o sorriso de Hamano Jennifer quando tinha alguma ideia. – Venha logo, você e o Yuri-kun! Vocês podem tomar banho juntos!
Depois disso, Cecilie não ouviu nada dos intermináveis argumentos e protestos de Wolfram, por mais eloquentes que eles fossem, e nem mesmo as desculpas que Yuri tentou dar. Ela estava determinada, e nada a deteria. Tão rapidamente que nem sabiam como aconteceu, Yuri e Wolfram foram conduzidos pela mansão por um grupo de criadas muito obedientes, e quando se deram conta, já estavam encerrados dentro do banheiro principal.
Aquele banheiro não podia ser chamado meramente de banheiro, na humilde opinião de Shibuya Yuri. Era uma casa de banho completa! Ele e Wolfram estavam inicialmente em um tipo de sala de troca de roupas, com armários, toalhas, e todo tipo de cosméticos. Havia alguns espelhos e pias naquele local, e uma porta de vidro o separava do outro lado. Yuri deu uma espiada, e o que viu não se comparava em nada com a pequena banheira da sua casa. Era uma piscina enorme, e tudo estava repleto de vapor quente, impossibilitando a visão. Apesar disso, o cheiro era ótimo.
— Acho que não temos outra opção, não é? – Ainda com as roupas pingando água por causa do banho inesperado, Yuri riu, sem graça. Na verdade, estava mesmo tentado a dar um mergulho naquela piscina de água quente e perfumada que parecia tão convidativa… E que mal havia em tomar banho com um amigo, afinal?
— N-no que você está pensando, seu fracote insolente?! – Resignou-se Wolfram, com o rosto inteiramente rubro. Antes que ele pudesse sequer raciocinar direito, ou explanar mais algum argumento, Yuri começou a tirar o casaco molhado, colocando-o de lado, e então, a camiseta.
— Em tomar banho, ora… Não é isso o que nós vamos fazer? – Ele expôs simplesmente.
— Nós? – O grito de Wolfram o interrompeu, antes que ele começasse a tirar as calças. – Como assim, nós? É claro que eu vou tomar banho sozinho, e você vai esperar do lado de fora!
— Mas eu estou molhado! Não é justo fazer isso com o seu convidado, Wolfram! – Yuri reclamou, mas Wolfram não se deu por vencido.
— Então você toma o banho, e eu espero! – Ele já ia sair do banheiro, mas Yuri mais uma vez o deteve.
— Você também está molhado, vai acabar ficando doente! Pare de ser tão reclamão, Wolf! Não tem nada de mais dois garotos tomando banho juntos, é sério! Eu não me importo nem um pouco… – Como para confirmar essas palavras, Yuri começou a desabotoar as calças, causando um pequeno infarto no outro.
— P-pois eu me importo! – Ele desviou o olhar, tentando por tudo no mundo não ter uma imagem de Yuri vestindo somente as roupas de baixo gravada na sua mente. – S-seu exibicionista!
— Pare de reclamar e anda logo, Wolfram, eu estou ficando com frio aqui! – Yuri avançou contra Wolfram, começando a abrir aquela jaqueta branca e pesada que ele usava sem nenhuma cerimônia.
— O q-que você está fazendo, maldito indecente?! – Wolfram tentou recuar, mas bateu as costas na pia, e antes que pudesse refrear os movimentos de Yuri, ele já havia descoberto como se abria a jaqueta, e começava a retirá-la. Sem que Wolfram pudesse reagir, novamente, ele também já estava o livrando da camiseta que usava por baixo desta.
— Heey, você é tão magro, Wolfram! Tem certeza de que anda se alimentando direito?
— P-pare de analisar meu corpo! – Wolfram berrou, com o rosto pegando fogo, e escondendo-se com os braços. Yuri soltou uma risadinha ao vê-lo assim tão desconcertado.
— Será que eu devo também tirar as suas calças? – Ele riu quando Wolfram ofegou, e começou a tirá-las rapidamente, ele mesmo. Era muito fácil perturbar Wolfram, e divertido também. Enquanto o loiro se ocupava em reclamar baixinho e tirar as calças lentamente para que Yuri não visse nada desnecessário, o moreno abriu a porta que separava os dois cômodos com energia, respirando bem fundo o vapor aromatizado que vinha da água.
Com toda a naturalidade, ele tirou a roupa de baixo em um movimento único, e Wolfram teve um pequeno vislumbre de Yuri da maneira que veio ao mundo, antes que ele partisse em desabalada corrida e se jogasse com vontade na água do banho.
— F-fracote imbecil, se diverte me deixando nessas situações embaraçosas… — Mais corado do que nunca, Wolfram enfim se despiu, enrolando-se ao redor de uma toalha branca como medida adicional de segurança.
— Eeei, você não vem, Wolfram?
— Cala a boca, fracote, eu estou indo!!! — A incidência de “fracotes” ficava ainda maior quando estava irritado como agora, Yuri notava.
O vapor que tomava conta do lugar tornava difícil enxergar qualquer coisa que fosse, eWolfram entrou na banheira, tomando o cuidado de ficar o mais afastado possível de Yuuri. É claro que aquele idiota tinha que vir para o seu lado no mesmo instante, apesar de tudo.
— Ei, você toma banho aqui todos os dias? É incrível! – Ele exclamava como uma criança que vai à Disney pela primeira vez. Aquilo era como ter uma pousada com fontes termais dentro de casa!
— Eu tenho um banheiro normal no meu quarto mesmo… Isso daqui é ideia da minha mãe, na verdade, ela adora exagerar… — Wolfram respondeu, normalmente.
— Eu acho sua mãe muito legal! Ela é linda! E também engraçada e divertida… Você parece com ela… Menos a parte de ser engraçado, quero dizer…
— Você não me acha engraçado? – Wolfram replicou em tom de acusação, arqueando uma das sobrancelhas.
— Isso não é um problema! Eu já disse a você, prefiro o Wolfram de sempre! – Yuri se apressou em dizer, fazendo o loiro corar através de todo aquele vapor. – E eu posso ser engraçado por nós dois!
— Não, você definitivamente não é engraçado. – Wolfram cortou-o. – Não conseguiu fazer aquela garota rir nenhuma vez naquele encontro fracassado!
— É verdade, mas ela era meio sem graça e… Espera aí! Como você sabe disso? – Yuri se remexeu na água, ao perceber aquele detalhe óbvio que Wolfram deixara escapar. Wolfram repreendeu a si mesmo, sentindo-se repentinamente muito idiota. Fechou os olhos, afundando parcialmente o rosto na água para disfarçar. Devia ter ficado quieto. – Você disse que tinha me visto com a Mariko-san por acaso na rua, então como sabe disso se eu não contei?
— Não é como se eu estivesse espionando você escondido em um arbusto ou qualquer coisa assim… — Ele resmungou, esperando que a mente simples de Yuri esquecesse isso logo de uma vez. Abaixou o rosto mais uma vez depois de falar, e tentou se afastar lentamente pelo lado, sem mover a água
— Isso é coisa da Miyako, não é? É a cara dela arrastar as pessoas para coisas assim… — Yuri exclamou como se estivesse resolvendo uma charada. Wolfram sabia muito bem que fora ele quem arrastou Miyako para lá e não o contrário, mas resolveu não esclarecer essa parte. Tinha que mudar de assunto o mais rápido possível, agora.
— Por falar na sua prima… Como ela está? Depois de tudo, eu pensei que a garota ia tentar descontar a frustração nela… mas parece que ela não fez nada!
— Você se preocupa muito com a Miyako… — Aquele sentimento amargo na boca do estômago voltou a aflorar em Yuri ao ouvir Wolfram falando da sua prima. Ele estava preocupado com ela, e com razão! Ela estava sendo importunada daquela forma, e ele era aquele que deveria tê-la protegido desde o início… Era por isso que se sentia tão mal por ver Wolfram envolvendo-se nesse assunto? – Você… gosta dela, Wolf? – A pergunta saltou dos seus lábios antes que ele pudesse segurar. Ele se arrependeu, mas como já havia deixado escapar mesmo, olhou com o canto dos olhos para ver a reação de Wolfram.
— G-gostar? – Ele estava ainda muito vermelho, mas talvez fosse pela água quente. Yuri mesmo, tinha a sensação de que estava com o rosto queimando agora… — Ora, que ideia mais estapafúrdia! De onde isso saiu?! – Ele replicou, indignado agora, quando finalmente a pergunta fez sentido na sua cabeça.
— Bem… Vocês estão sempre juntos, conversando sobre coisas que eu não sei! E ela sempre fica toda agitada quando eu falo sobre você! Você a ajudou um monte de vezes… Protegeu-a… E não é a primeira vez que você me pergunta sobre ela, você faz isso o tempo todo!! – Acusou, achando que sua dedução era perfeita e sem argumentos contrários. Mal sabia Yuri que o motivo pelo qual Wolfram tinha tanto interesse em Miya, era por ela ser prima dele, e somente por isso.
— Isso não quer dizer nada. – Wolfram respondeu, seguramente. – Só porque eu… me tornei um pouco mais próximo da sua prima, não significa que eu tenha interesses desse tipo por ela! Francamente Yuri, que mente mais subversiva você tem!
— Você não gosta dela então?
— Não! Eu não gosto dela! – O loiro falava com tanta certeza que Yuri não podia duvidar das suas palavras.
— Mas… você é bonito, Wolfram! Tem um monte de garotas atrás de você, você pode escolher qualquer uma delas!
— Para acabar saindo com outra Mariko como aquela? Não, muito obrigado. – Wolfram virou o rosto, já começando a se irritar com o rumo que aquela conversa tomava.
— Você não gosta de nenhuma delas?
— Não, de nenhuma! Pare de ser chato, seu fracote imbecil! Quantas vezes eu tenho que falar que não quero nenhuma daquelas garotas?! – Wolfram gritou dessa vez, e Yuri recuou, aceitando aquela resposta.
— Você vai falar para mim, não é? Se algum dia gostar de alguém… — Yuri indagou, quase como uma súplica. Seus olhos negros repentinamente havia se tornado enormes e adoráveis, fazendo o coração despreparado de Wolfram dar um salto dentro do peito.
A verdade era que o pensamento de ter uma garota qualquer saindo com Wolfram, tomando todo o tempo dele, conversando com ele, abraçando-o… Beijando-o…. tudo isso era inconcebível para Yuri! Chegava a ser doloroso, até. Tudo isso porque ele não queria ver o amigo com uma namorada? Só porque ele também não tinha uma? Que egoísta da sua parte! Mas era assim que ele se sentia…
— Eu… Eu vou… — Wolfram baixou os olhos para a água, ao mentir. É claro que ele não podia prometer uma coisa daquelas. Como iria encarar Yuri, e dizer que já tinha alguém que ocupava esse posto em seu coração? Era impossível! E admitir que era ele mesmo quem fazia o coração do príncipe de Shin Makoku acelerar absurdamente com apenas uma palavra ou um olhar, era quase como pedir a sua morte. Ele jamais faria algo humilhante como isso!
— Ah, que bom!! – Yuri não refreou a sua demonstração expansiva e desordenada de alegria, e jogou os braços ao redor de Wolfram, como andava fazendo muito ultimamente. Simplesmente, parecia que não era capaz de manter seus braços longe dele. – Nós seremos amigos solteiros então! Sem garotas! Sem problemas! Não é maravilhoso??
— M-me solta… logo...! – Wolfram estava congelado no mesmo lugar, sentindo o corpo quente e úmido de Yuri completamente em contato com o seu. Os seus torsos se roçavam nesse momento, e Wolfram sentia seu corpo reagir espontaneamente ao calor que vinha de Yuri. Os braços dele ao seu redor eram confortáveis e seguros. Isso era tortura! Sobretudo, desnecessária.
— Ei, você está tão vermelho e quente… Tem certeza de que está tudo bem? – Yuri indagou. É evidente que não está tudo bem, o loiro pensou, você não pode ver por si só?! Wolfram queria se desvencilhar dele o quanto antes, mas não encontrava forças nos seus músculos adormecidos pela água morna para isso.
— Por que está f-fazendo isso comigo…? — A pergunta era quase um lamento, quando Wolfram se viu sem saída. Para empurrar Yuri para longe, teria que tocá-lo. E se o tocasse diretamente dessa forma, não tinha certeza de como seu corpo reagiria… Estava com medo, e com raiva de Yuri por fazê-lo passar por isso.
— Isso? – Yuri se afastou um pouco, apenas para olhá-lo quando falava. – Ah, acho que se tornou um hábito! Eu gosto de abraçar você!
— M-m-mas nessa situação… – Fraco, Wolfram não sabia mais o que pensar daquilo. Estava fazendo tanta força para suprimir seus desejos que sua mente começava a latejar.
— Eu não posso fazer nada! Você é abraçável, assim… — Yuri respondeu simplesmente, apertando-o ainda mais. Sentiu Wolfram amolecer em seus braços de repente, no meio do seu discurso. Alarmado, ele segurou o garoto pelos ombros, tentando reanimá-lo. Bem que ele desconfiou de que algo ia errado… Wolfram nem mesmo gritou ao ser abraçado!
Ele tentou retirá-lo da água, e sentou-o cuidadosamente em um dos bancos de tomar banho que ficavam ao redor. A toalha que Wolfram usava havia ficado na água, então agora ele estava completamente nu, mas Yuri estava tão preocupado com o desmaio que nem se deteve a esse detalhe.
— Ah… E agora, o que eu faço...?
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